terça-feira, 7 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Cinco

Não. Com toda a certeza do mundo, isso jamais passaria pela cabeça do professor de história. Ou melhor, até passaria, mas visitar realmente a Ordem estava fora de cogitação. Infelizmente, não havia outra escolha. Baekhyun se olhou pela última vez no espelho, fazendo uma leve careta de desgosto e bufou, desistindo de escolher uma peça de roupa para vestir. Sobre a calça escura e a camisa de gola alta preta, o moreno vestiu o casaco de frio, descendo as escadas e avistando a noiva servir o café da manhã.
_ Aonde vai? – questionou, recebendo um beijo estalado na bochecha.
_ Para o inferno. – falou. – Vou ver meu irmão.
_ Por que ver seu irmão é tão torturante assim? – Taeyeon acomodou-se a mesa, servindo as duas xícaras de café para ambos. – Minseok parece tão inofensivo.
As órbitas azuladas desviaram para a morena que bebia do café distraidamente. Para ele, Taeyeon poderia dizer o que quiser sobre Minseok. Até mesmo que ele é inofensivo. Entretanto, Baekhyun conhecia bem o homem por trás do cavalheirismo inglês e das safiras brilhantes. E, sem proferir mais nada, o professor se despediu da mais velha, pegando assim, um táxi.
Assim que entrou no carro e o motorista lhe questionou para onde ele iria, o moreno suspirou arrastado, recitando o endereço que há muito tempo não visitava. Logo, o veiculo se pôs em movimento, enquanto os pensamentos do rapaz vagavam livres. Baekhyun deixou-se observar as ruas movimentadas daquela manhã chuvosa, vendo homens e mulheres seguindo para os seus trabalhos. E, sem se dar conta, se pegou pensando no dia em que deixou a mansão.
Era dezembro de 2003. O moreno se recordava bem daquele dia por que nevava. E de alguma forma que Baekhyun não sabia dizer, aquela neve lembrava, talvez de um jeito bom, seu irmão mais velho. Ele sempre achou que Minseok e Neve combinavam de alguma forma. Seriam os cabelos acinzentados, quase brancos? Ele não sabia dizer. Entretanto, aquele foi o dia em que o garotinho desejava que não nevasse.
De jeito nenhum.
Minseok o encarava incrédulo. Acomodado em sua cadeira – afinal, ele seria nomeado como o líder da Ordem em poucos dias – atrás de uma enorme mesa de madeira maciça, o rapaz de cabelos acinzentados respirava fundo e, lentamente, se levantou, apoiando-se na bengala. Baekhyun, em seus plenos 10 anos, estava de pé um pouco mais afastado, observando-o se aproximar e parar, finalmente, diante de si.
_ Você quer...  O que? – começou Minseok, encarando friamente as semelhantes azuladas do irmão.
_ Eu quero deixar a Ordem. – disse firme, após tragar um pouco de saliva. Baekhyun, agora, conseguia entender por que muitos “recrutas”, e até mesmo instrutores, ficavam nervosos ao falar com seu irmão. Minseok era frio. Exatamente como a neve que caia do lado de fora. – Eu vou morar com a minha mãe.
Antes do ambiente daquela sala ficar estranho, Minseok conversara pacificamente consigo, ouvindo suas longas explicações. Baekhyun contara que estar ali era bom, mas ele preferia ser como as outras crianças que via correr e brincar na rua. Porém, quando ele lhe contara que Byun Sooeun queria cuidar dele, dando tudo o que ele quisesse – até mesmo, uma vida normal – o mais velho fechou o semblante, negando-se a aceitar aquele pedido.
_ Baekhyun. – recomeçou o mais velho pausadamente. – Eu vou deixar uma coisa clara que eu acho que você não entendeu. – e suspirou, continuando. – Você não vai deixar a Ordem por que eu irei precisar de um sucessor de confiança. Só há duas pessoas em toda a Ordem que eu confio e você é uma delas.
_ Por que você não escolhe aquele seu amigo... – o garotinho tentou se recordar do nome do outro rapaz, mas logo foi interrompido pelo mais velho.
_ Por que eu decidi escolher você. – rebateu. – Eu sei, mais do que qualquer um, que você quer estar com sua mãe, mas entenda: o seu lugar é aqui. Na Ordem.
_ Não. – negou, afastando-se. – Minha mãe me disse que eu poderia escolher onde quero ficar. E eu escolhi: eu irei morar com ela.
_ Baekhyun! – ordenou Minseok, que fora interrompido.
_ Então, se me queria tanto aqui na Ordem... – olhou-o. – Por que decidiu procurar pela minha mãe?
_ Por que alguém tinha que cuidar de você, enquanto eu estava em treinamento. – respondeu, batendo com a bengala no chão. – Eu não suportava vê-lo chorando à noite. – aos poucos, os olhos de gato desviaram para o chão. – Foi por isso que decidi procurar pela sua mãe.
_ Minseok... – começou o moreno, se aproximando aos poucos. – Por que não vem comigo, então? Você pode estudar numa escola, fazer amigos, se formar... Pode até ter uma mãe. A minha mãe me disse que não se importaria se fosse sua mãe também.
_ Eu não tenho mãe. – olhou-o. – A minha mãe morreu após o parto.
_ Eu sei, mas... Ela pode...
_ Não, Baekhyun. – concluiu. – Ela não pode ser a minha mãe.
Baekhyun assistiu o irmão se afastar calado e parar diante da janela, enquanto cerrava o punho contra a bengala. Sua mãe tinha razão: Minseok era um menino crescido que estava muito ligado ao pai. Devagar, ele remexeu nos bolsos da calça clara e retirou uma foto, abrindo-a. Ali, seu irmão o abraçava, enquanto um pequeno sorriso transparecia em seus lábios. Quase discretamente. Por fim, colocou a imagem sobre a mesa e caminhou para a porta.
Ele ainda se virou para dar uma ultima olhada no irmão, quando este o fitou de soslaio. E assim, proferiu sua despedida.
_ Até qualquer dia... Hyung. – murmurou.
O moreno se lembrava bem dos dias que se decorreram após deixar a Ordem. Fosse a caminho da escola, fosse brincando no parque, fosse voltando para casa, Minseok sempre o via a distância. Baekhyun tentou se aproximar do irmão, mas este sempre se alterava quando o moreno citava a própria mãe. E somente começou a odiá-lo eternamente quando este ordenou que o raptassem.
Baekhyun estava voltando da escola – na época, era o ensino médio – quando um veículo escuro parou bruscamente ao seu lado e o dois homens saíram das portas traseiras. O moreno até tentou correr, mas foi impedido pela dupla, que o jogou dentro do carro e partiram sem qualquer explicação.
O rapaz só soube que estava na Ordem quando seu irmão aparecera no quarto, ao qual lhe pertenceu há alguns anos. O moreno encarou friamente o mais velho que o soltou das cordas – o mais novo estava amarrado na cadeira – e acomodou-se numa poltrona a sua frente.
Palavras de baixo calão, reclamações e ameaças deixaram a boca do jovem Byun, condenando ao irmão que tentava, pela última vez, se reconciliar consigo, o convidando a se juntar novamente à Ordem. Ainda que a fúria tomasse todo o corpo e os sentidos de Baekhyun, ele notara que seu irmão estava desesperado. Minseok possuía olheiras embaixo das safiras e a pele tão pálida que o outro cogitou a ideia dele não estar se alimentando bem durante seu afastamento.
Minseok contou-lhe sobre o que andava acontecendo desde que ele abandonara a Ordem. E pelo que Baekhyun pode perceber, não estava sendo nada fácil. O melhor amigo de seu irmão havia voltado para Seul, a fim de cuidar da mãe adoecida. Ou seja, as duas pessoas de confiança do líder Kim haviam deixado-o.
O moreno chegou a questionar quem era seu novo Mordomo, ao que o outro revelou seu nome sem muito humor: Kim Jongdae. “É um bom rapaz, mas ainda com muitos defeitos”, explicou num murmúrio quase inaudível. Minseok ainda tentou insistir para que seu irmão ficasse, mas Baekhyun foi fiel a sua escolha e abandonou a mansão em meio à chuva. O mais velho chegou a impedi-lo, segurando-o pelo braço e alegou que necessitava dele, quando o loiro revelou que estava apaixonado por uma garota.
Aquilo foi um tiro certeiro no coração do líder Kim. Minseok só não o estapeou inúmeras vezes por que lhe faltaram forças, até mesmo para segurar seu irmão. E, sem proferir mais uma única palavra, Baekhyun deixou o extenso terreno da mansão e partiu.
Voltar para as suas origens não seria fácil. Nem para o professor, que estava a caminho da Ordem e nem mesmo ao líder, que encarava o jardim longamente. Já não bastava ouvir Kyungsoo proferir aquela pergunta... Ainda tinha que receber o homem que decidiu, por conta própria, abandonar o lar. Um suspiro pesado abandonou os lábios levemente carnudos de Minseok, que caminhou até a própria mesa, acomodando-se em sua cadeira. Os planetas azulados vagaram pelos papeis e mapas espalhados sobre o birô e, remexendo entre eles, retirou uma pequena foto amassada. Baekhyun e ele... Abraçados.
_ Senhor. – a voz grave de Jongdae soou pelo cômodo, fazendo o mais velho esconder, discretamente, a foto em uma das gavetas. Logo, o Mordomo surgiu na entrada, cumprimentando o líder com uma longa reverência. – O Sr. Byun acabou de chegar.
_ Traga-o aqui. – ordenou, ajeitando-se em seu lugar e observou o moreno se afastar novamente a passos largos.
Minseok suspirou, desviando os olhos para a primeira gaveta à esquerda que se encontrava fechada. Trancada, na verdade, segundo o homem de cabelos acinzentados. E havia uma razão para permanecer trancada. Uma razão pela qual o líder evitava abrir. Ele sabia que havia mais do que papeis ali. Havia fotos, conversas, lágrimas, cheiros, toques, suspiros, beijos e uma porção de muitas outras coisas que ele preferiu esconder de todos os caçadores. Nem mesmo seu Mordomo – ao qual o mais velho tem plena confiança – sabe o que há naquela gaveta.
E, se depender de Minseok, Jongdae morrerá sem saber.
Não demorou muito para que a atenção do mais velho se desviasse para a porta, onde avistou seu irmão mais novo se aproximar junto à Jongdae. Minseok o ouviu comentar com o Mordomo que nada naquela Ordem parecia ter mudado, exceto o acréscimo de “cobaias”, algo que fizera o mais velho reprimir um sorriso. Logo, Baekhyun o viu, acenando de leve para o moreno que fechou as portas atrás de si, e suspirou arrastado.
_ Obrigado por me receber. – começou ele. – Achei que fosse me deixar do lado de fora.
_ Acredite: eu quase cogitei essa ideia. – comentou, vendo Baekhyun sorrir e se aproximar, acomodando-se numa cadeira à frente do mais velho. – Mas afinal, o que devo a honra?
_ Vim saber como andam as investigações. – disse, vagando os olhos pela mesa. Minseok sabia que ele estava avaliando as suas condições físicas e psicológicas através dos objetos sobre o birô.
_ Encerradas. – respondeu, fazendo as órbitas azuladas do mais novo desviar para o homem de madeixas acinzentadas. – Chanyeol capturou e assassinou o desobediente que matou sua aluna.
_ E você permitiu que ele o fizesse? – Baekhyun estreitou os olhos. – Que tipo de líder você é para deixar que Chanyeol o capturasse? Achei que fosse mais capacitado em seu próprio trabalho.
_ E sou. – o olhou. – Mas Chanyeol se adiantara na captura do desobediente. O que me surpreende é... Por que ele te salvou?
Desta vez, Baekhyun fitou seu irmão levemente confuso. Ele ouviu perfeitamente as palavras de Minseok, mas não acreditou no sentido que elas soaram aos seus ouvidos. Nem mesmo o mais velho parecia acreditar quando ouvira tal sentença sair dos lábios de Chanyeol. Por fim, o moreno tragou o ar e a saliva, voltando a cerrar o semblante.
_ O que quer dizer? – questionou.
_ Segundo Chanyeol, o desobediente que assassinou sua aluna estava, na verdade, atrás de você. – explicou. – Chanyeol o matou, por que não queria concorrência. Afinal, só ele pode ir atrás de você, Baekhyun.
_ Estou impressionado. – riu soprado, cruzando as pernas. – O maldito vampiro que me marcou... Acabou me salvando da morte. – e baixou os olhos, estreitando as sobrancelhas. – Mas e você, Minseok? – o mais velho esperou. – Até quando a Ordem ficará em “pé de guerra” – desta vez, ele gesticulou as aspas. – com a Máscara? Soube por Jongdae que a situação da Ordem...
_ Pensei que não estivesse interessado nos assuntos da Ordem. – o menor estreitou os olhos. – Não foi você quem disse que a Instituição poderia ser destruída, por que você não se importava?
Após ouvir aquelas palavras, Baekhyun permaneceu em silêncio. O moreno se lembrava bem das próprias palavras e mesmo assim, sorriu de leve, dando de ombros. Minseok esperou que o outro continuasse, porém, nenhum som deixou seus lábios finos. Devagar, o mais novo se ergueu, caminhando pelo grandioso cômodo e vagando os olhos azulados pelos detalhes expostos.
_ Tem certeza de que não quer se juntar novamente à Ordem? – questionou.
_ Tenho. – assentiu sem olhá-lo. – Estou muito bem como professor.
_ Eu imagino. – sorriu de leve. – E como vai a Srta. Kim? Ela parece bastante feliz com o noivado.
_ Está bem. – respondeu. – E me pediu para convidá-lo a um almoço em família. – por fim, o olhou. – Não precisa ir, se não quiser.
_ Ainda existe o direito de não ir? – questionou surpreso.
_ Claro. – sorriu, parando diante o enorme quadro pintado de dois garotos. – “Só estou o convidando por educação”, não é o que sempre dizem?
Minseok riu soprado e logo desviou os olhos para o quadro que Baekhyun avaliava. O semblante do mais novo, aos poucos, se suavizou, assumindo em seu lugar, um semblante preocupado. Já se passaram muitos anos desde que ambos tiraram aquela foto. Porém, o maior sequer imaginou que seu irmão mais velho mandaria pintá-lo num quadro acima da lareira.
_ Por que fez isso? – murmurou tão baixo que, se Minseok não o tivesse próximo, não teria escutado-o.
_ Por que você é o último membro da minha família. – respondeu, parando ao lado do outro. – Eu ainda me importo com você, Baekhyun.
_ Que ótimo! – disse sarcástico, sorrindo e se afastou, como se não tivesse ouvido as palavras do irmão. – Bom, se não há mais motivos para permanecer aqui, então, irei embora.
_ Baekhyun. – Minseok o chamou, fitando-o de soslaio e notou que o mais novo havia parado na entrada do escritório. – Eu quero que saiba que... Independente do que disserem... Você sempre será meu sucessor.
_ Sabe que eu não quero entrar para a Ordem. – sussurrou.
_ Sei. – assentiu. – Mas, mesmo assim, quero que saiba disso.
 E sem proferir mais uma única palavra, Baekhyun deixou a sala, atravessando os corredores da mansão. O moreno conhecia bem as linhas de sucessão da Ordem e toda a trajetória para assumir a Instituição secreta. Sem delongas, desceu as escadas para o térreo e, ao chegar no hall de entrada, seu ombro se chocara ao de um rapaz de olhos grandes e lábios carnudos, que o olhou longamente. Kyungsoo não demorou em reconhecer os traços famosíssimos daquele homem que apenas murmurou “me desculpe”, se afastando.
As órbitas...  Azuladas. Exatamente como as de Kim Minseok.
Seria aquele homem de traços suaves... Algum parentesco próximo? 

_ Sr. Kim? – Minseok olhou de soslaio, sem se virar, na direção da porta de entrada, enquanto Jongdae se aproximava devagar, parando próximo à mesa. – Há mais alguma coisa que eu possa fazer pelo senhor?
_ Não, Jongdae. – suspirou o homem, encarando a noite através da enorme janela. – Já pode ir descansar.
Jongdae concordou de leve e suspirou, fazendo uma breve mesura. Tirando o grandioso fato de Baekhyun ter visitado a Ordem – algo que surpreendeu, não apenas a si, mas a todos os chefes e instrutores dali –, o restante daquele dia chuvoso seguiu-se rápido, iniciando a noite com chuviscos. O moreno deixou o cômodo, imerso nos próprios pensamentos, já que ele estava confuso com as reações de seu mestre.
Para ele, era esperado que Minseok ficasse feliz com a aparição do irmão que pouco falava. Entretanto, a visita de Baekhyun somente piorou o estado emocional do líder, que evitou conversar com qualquer um que aparecesse em sua sala. Jongdae logo entrou em seu aposento, despindo-se e seguiu para o banheiro, a fim de tomar banho. Assim que a água quente deslizou pela extensão de suas costas fortes, seus membros tensos relaxaram. Uma das palmas deslizou do peito para o ombro, enquanto lembranças de um doloroso e puxado treinamento repassavam em sua mente.
O maior desafio de Jongdae não era obedecer e cumprir as ordens e treinamentos passados pelos instrutores e caçadores. Não. O maior desafio do moreno era provar para o rapaz de olhos felinos e rosto redondo que ‘ele’ era uma ótima escolha para ser seu braço-direto. E a única a ser feita.
Minseok seria nomeado nos próximos dias como o novo líder da Ordem dos Caçadores. Exatamente como seu pai foi. No passado. E Jongdae viu aquela oportunidade como uma forma de lhe mostrar que estava apto a se tornar seu Mordomo – função que remete a proteger, integralmente, o líder da Ordem.
Dias e noites se passaram e não houve um momento em que Jongdae descansara. Cortes, em inúmeros lugares, de inúmeras formas se estendiam por suas costas firmes. Algumas ficaram tão feias que foi necessário deixar o moreno em estado de observação, já que as cirurgias ficavam cada vez mais complicadas e delicadas. Algo que não agradava muito o moreno.
Sempre treinando, sempre aperfeiçoando seus movimentos de luta – até mesmo participando algumas vezes das caçadas aos desobedientes –, Jongdae mostrou aos chefes dos Departamentos e aos instrutores que ele era uma ótima escolha. Porém, de início, Minseok possuía outra pessoa em mente.
Um rapaz que possuía o mesmo sobrenome que ele e o futuro líder, mas Jongdae não se recordava muito bem de seu nome. Somente sabia que esse outro era uma pedra enorme no seu sapato. As vésperas da nomeação de Minseok, boatos entre os “recrutas” rolavam, alegando que o rapaz cotado a ser o verdadeiro Mordomo do futuro líder havia abandonado a Ordem, surpreendendo-o.
No começo, Jongdae não acreditou muito no que seus amigos e outros garotos diziam e falou que era tudo baboseira quando, na noite da nomeação, os Chefes do Departamento Médico, da Brigada dos Caçadores e dos Zeladores indicaram Kim Minseok como o novo líder da Ordem. Foi então que, ao ter a palavra, o rapaz de olhos azuis e madeixas prateadas proferiu a seguinte sentença: “Nomeio como meu defensor diante dos Departamentos e dos futuros caçadores, Kim Jongdae, como meu novo Mordomo”.
 Quando seu nome foi anunciado, o moreno se ergueu confiante, e notara, ao receber o brasão de Mordomo, que Minseok não estava nem um pouco feliz. Nem mesmo seus olhos demonstravam sequer gratidão ao moreno. Diante Jongdae, o novo líder estava em frangalhos. Como se parte de sua alma – ou mesmo a própria essência – tivesse sido tirada de si.
O Mordomo se lembrava bem que, na mesma época, Baekhyun havia deixado a Ordem, derrubando parte das estruturas do irmão mais velho. Mas, havia mais alguma coisa ali que o destruiu por completo. Algo que Jongdae ainda não sabe explicar.
Rapidamente, terminou seu banho, enxugando-se e vestiu seu pijama – uma calça preta e uma camiseta branca –, seguindo para a cama. Todavia, antes mesmo que pudesse se sentar no colchão macio, a campainha soara na casa, fazendo-o retirar uma .50 da gaveta da mesinha de cabeceira e a colocou no cós da calça, deixando o quarto.
Em passos rápidos e silenciosos, Jongdae atravessou o corredor, descendo as escadas e, como um gatuno, parou próximo ao hall de entrada. Por longos segundos, encarou a porta, puxando a arma e engatou-a, escondendo-a ainda atrás de si. Com a mão livre, o moreno tocou a maçaneta e lentamente a girou, puxando a porta.
E, no instante em que seus olhos encontraram os semelhantes do visitante, seus membros tensionados se acalmaram, fazendo o Mordomo abrir mais a porta. Do lado de fora, a chuva caia fina na grama cortada, enquanto que o homem, aproximadamente, da sua altura, o fitava, sorrindo de leve.
_ Não esperávamos a sua visita. – disse Jongdae, após longos minutos em silêncio.
_ Sei que não. – respondeu. – Vim sem aviso prévio. – explicou. – Eu realmente preciso conversar com o líder da Ordem.
Jongdae avaliou o rosto, o corpo e as vestes que o homem vestia, desconfiando de sua presença. O Mordomo notara algumas madeixas douradas escaparem por baixo do capuz preto do sobretudo, enquanto apenas o rosto e parte do colo eram expostos. O homem trajava – além do longo casaco – uma calça de couro e uma camiseta, calçando botas de cano alto e luvas. Em uma de suas mãos, havia uma maleta e, na outra, sustentava o guarda-chuva.
_ Vai mesmo me deixar do lado de fora, Jongdae? – questionou o homem. – Ou posso entrar?
_ Pensei que só fosse vir no próximo mês. – comentou, abrindo mais a porta e permitindo que o menor (pouca coisa em relação ao moreno) adentrasse a casa.
_ E viria. – concordou, fechando o guarda-chuva e baixando o capuz. – Mas aconteceram alguns imprevistos na construção da Ordem que precisei vir até o líder.
_ Construção? – o moreno franziu o cenho, vendo o loiro sorrir levemente.
_ A Sede que fica em Busan. – explicou. – Ou por acaso se esqueceu que, assim que a Sede da Ordem for restaurada, vocês não ficarão aqui?
_ Não. Claro que voltaremos para a Coréia do Sul. – murmurou o maior, fechando assim, a porta.
_ E a arma? Estava treinando, por acaso? – e gesticulou para o objeto na mão de Jongdae.
_ É apenas procedimento. – alegou, escondendo a arma atrás de si. – Agora... Queira me acompanhar, por favor.
O loiro sorriu, assentindo de leve e seguiu o moreno pela escadaria, caminhando em silencio pelos corredores rumo ao escritório de Minseok. O visitante vagou os olhos em volta, notando que muita coisa havia mudado desde a sua saída da Ordem. E Jongdae notou a atenção das órbitas claras – castanho-esverdeados – do homem atrás de si. Por fim, os dois pararam diante da enorme porta branca de carvalho, ao que o moreno a abriu, gesticulando para que o outro entrasse.
_ Espere aqui. – pediu. – Irei solicitar a presença do Sr. Kim. Mas não lhe garanto que ele virá recebê-lo esta noite.
_ Antes de ir, Jongdae. – começou o outro. – Como andam as coisas na Ordem?
_ Normais. – respondeu. – Os mesmos seres para caçar, as mesmas pessoas para proteger.
_ E ele? – murmurou, num tom levemente preocupado e bastante discreto.
_ O nosso Mestre está bem. – disse, despedindo-se com um leve aceno. – Agora, espere aqui.
E assim, Jongdae deixou o escritório, permanecendo apenas o homem de madeixas douradas. Os olhos de Vênus vagaram pelo cômodo, parando diante o belíssimo quadro onde Minseok abraçava seu irmão mais novo, Baekhyun. Ele sabia que ainda existia uma enorme conexão entre os dois irmãos. E não era necessário conhecer os dois para se saber disso. Bastava apenas ser demasiado próximo do líder.
Próximo, exatamente como aquele homem era.
Lentamente, caminhou pelo cômodo até a mesa onde inúmeras bebidas estavam expostas e suspirou arrastado, balançando a cabeça. “Minseok não mudara em alguns aspectos”, pensou, pegando um copo de vidro e serviu-se com um pouco de uísque. Ao bebericar a bebida, engasgou-se ao senti-la queimar sua garganta.
_ Esqueci-me do gelo. – murmurou, franzindo o cenho para o conteúdo ainda no copo.
_ Como sempre. – o homem desviou os olhos para a entrada do escritório, avistando o outro de madeixas acinzentadas. O loiro sorriu de leve, ameaçando beber o restante do uísque, quando Minseok se aproximou e abriu o recipiente de gelo, colocando duas pedrinhas no copo. – E o gelo sempre esteve perto de você.
_ Eu sei. – assentiu. – Apenas me esquecia de propósito para que você colocasse para mim.
_ Não achei que fosse vir hoje. – comentou indiferente, seguindo para a sua mesa.
_ Apenas vim à Ordem por dois motivos. – explicou se aproximando de uma das cadeiras e sentou-se, cruzando as pernas.
_ E o que seriam? – perguntou, retirando o colar de seu pescoço.
_ O primeiro, para discutir sobre o andamento da restauração da Sede. – começou sério, levantando-se e pegou a maleta que havia deixado sobre a mesa de centro. – Estamos quase em conclusão, mas preciso que decida que partes da mansão precisam de maior cuidado.
Minseok o fitou breve e assistiu o homem abrir a maleta e espalhar a planta da mansão e as fotos relacionadas à construção sobre a mesa de vidro. Logo, o mais velho abriu a gaveta trancada, retirando dali, uma aliança prateada, colocando-a em seu anelar esquerdo, voltando, assim, a trancá-la. O líder retornou para onde o loiro estava, acomodando-se a sua frente, enquanto este removia as botas de couro e as luvas, extremamente concentrado no que observava.
_ Como pode ver nas fotos, o andamento da construção está no prazo e prestes a ser concluída. – começou. – Fiz exatamente como estava na planta, porém, dupliquei o tamanho da mansão.
_ Entendo. – Minseok murmurou, gesticulando para que o outro continuasse.
_ Muitas das armas e equipamentos de caça se encontram nos mesmos esconderijos que na antiga Sede. – prosseguiu. – Entretanto, eu sugiro transferir as bestas e as flechas para o andar de cima, já que nossos caçadores são melhores a distancia.
_ E sobre a proteção externa? – questionou.
_ Cuidamos disso. Além da linha de frente, ou seja, os muros de proteção, nós instalamos minas terrestres num raio de seis quilômetros da mansão. – respondeu. – Se por acaso, pensar em treinar seus “recrutas” no jardim da Sede, é melhor pensar duas vezes.
_ Do que foram feitas essas minas? – olhou-o, finalmente, notando que o homem estava apenas com a calça e a camiseta escuras.
_ Prata pura. – respondeu, fitando as semelhantes azuladas. – Quando pisadas, de imediato, emitem estilhaços, além de raios UV.
_ Bom. – assentiu, voltando a atenção para a planta. – E funcionam?
_ Perfeitamente. – concordou, sorrindo. – Tivemos alguns imprevistos durante a construção da Sede e testamos, de forma inconsciente, as minas em vampiros. O problema foi limpar o jardim depois.
_ Eu imagino. – riu, juntando as fotos tiradas e as colocou de lado. – Há mais alguma coisa que queira acrescentar?
O homem de madeixas douradas encarou o rosto calmo e um pouco sonolento de Minseok, sorrindo de leve. Por fim, balançou a cabeça de um lado para o outro, negando. Os olhos de gato fitaram as semelhantes pequenas – ele estreitara os olhos – do outro que se ergueu e abriu o cinto da calça, removendo-a.
_ E o outro motivo por ter vindo? – questionou-o, vendo o mais novo passar por cima da mesa e subir em si, colocando cada uma das pernas ao lado de seu corpo.
_ Achei que já soubesse. – desta vez, murmurou para que somente ele ouvisse.
Lentamente, as órbitas azuladas vagaram pelo corpo forte do loiro que sorria em malicia, parando nas semelhantes castanho-esverdeadas do outro. Minseok, pelo canto dos olhos, notou que o menor entrelaçou sua mão à dele, enquanto esperava algum movimento vindo do líder. E ele veio, porém, de forma inesperada – e ao mesmo tempo esperada – pelo visitante. Num movimento rápido, o mais velho o puxou pela gola da camiseta, colando ambas as bocas rosadas e sugou-a com gosto, logo invadindo a cavidade alheia.
De imediato, as mãos do menor se afundaram nas madeixas acinzentadas do mais velho, mordiscando-lhe os lábios – inferior seguido do superior – e chupando-lhe a língua. Ambos friccionaram os pequenos músculos molhados, enquanto as mãos do maior deslizavam pelo interior das vestes alheias. Minseok arranhou a tez branquinha do recém-chegado, segurando-o pela cintura e o moveu contra seu falo, ouvindo-o grunhir abafado.
Logo, o líder o jogou no sofá, projetando-se sobre o outro, que desceu as mãos pelas costas largas do maior, puxando-lhe a camiseta branca para fora do corpo. Somente interromperam o ósculo quando o tecido passou próximo aos rostos, partindo o fio de saliva das bocas, e tornaram a se beijar antes mesmo que a peça fosse ao chão. Não demorou muito para que Minseok trilhasse o queixo e pescoço do homem, arrancando-lhe suspiros e fazendo-o fechar os olhos, principalmente, quando as mãos do mais velho arranharam-lhe as coxas por sobre o couro.
Impaciente, as mãos do homem invadiram as vestes do Mestre, que friccionou as intimidades, ainda maltratando-lhe a boca, enquanto Minseok apertava-lhe a carne das coxas. E, mais uma peça foi jogada para longe do casal – a camiseta preta do visitante – ao que o loiro sentou no colo do maior, beijando-o fogosamente. Por um instante, o mais novo sentiu as mãos do homem sob si abrirem sua calça e o ergueu, guiando na direção do birô.
Numa fração de segundos, tudo o que havia naquela mesa foi ao chão, ao que Minseok subiu nela, ainda beijando o homem. Um calor absurdo preencheu o peito do líder espalhando pelo resto do corpo assim que o ouviu clamar por seu nome. Nem mesmo seu coração, que batia rápido, cabia em seu próprio peito.
Enquanto lhe maltratava o pescoço e as saboneteiras com mordidas, o mais novo se remexia abaixo de si, cerrando uma das mãos contra as madeixas alheias. Gradativamente, a excitação preenchia os dois homens que se tocavam sobre a mesa, arrancando suspiros e murmúrios de ambas as partes.
_ Oh, Seokkie... – arfou o loiro, sentindo-o mordiscar-lhe o queixo e remover o restante das vestes de ambos. – Senti tanto sua falta...

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