segunda-feira, 20 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Dezesseis

Ao longe, era possível ouvir as nove badaladas do grande e famoso sino de Londres, juntamente com o ressoar harmônico dos outros quatro sinos. Jongdae, que estava próximo à porta do quarto, sequer teve coragem de anunciar sua presença ao líder da Ordem. Nem mesmo os caçadores, que formavam um corredor ousaram abrir a boca. Afinal, ninguém sabia que o momento havia chegado. Sob o olhar tranquilizador de Yixing e Jongdeok, e o apoio silencioso de Eunjung e Kyungsoo – assim como muitos outros –, o Mordomo finalmente bateu na porta, girando a maçaneta e adentrou o cômodo em silêncio.
Diante o enorme espelho no quarto, Minseok arrumava os botões das mangas de seu sobretudo preto. Os broches de prata em formato de cruz reluziam contra a luz do cômodo, dando ao mais velho um tom mais sombrio. Jongdae observou seu Mestre atentamente, enquanto uma estranha pontada em seu peito o alertava do perigo próximo. Em passos lentos, aproximou-se do homem de madeixas acinzentadas, posicionando-se atrás de si e esperou que as safiras peroladas desviassem para ele.
Jongdae recobrou-se da história que Minseok havia lhe contado. Quase sem infância – ou pelo menos, o resto que podia se lembrar –, foi forçado a amadurecer e carregar um fardo pesadíssimo nas costas. Treinou, cresceu e tornou-se líder da Ordem antes do tempo sugerido pelos Chefes dos Departamentos. Ficou desolado quando seu irmão e aquele ao qual tanto confiou o abandonaram, no entanto, teve sorte em confiar sua vida naqueles que estavam dispostos a protegê-lo...
_ Algum problema? – a voz suave do líder soou pelo cômodo silencioso, fazendo o Mordomo baixar a cabeça.
_ O carro está à sua espera. – anunciou, olhando-o.
_ Senhor? – logo, a atenção dos dois se desviou para a porta, onde Yixing, Eunjung e Jongdeok surgiram na entrada. Por fim, Jongdeok mesurou longamente. – Desejamos uma boa luta ao senhor.
_ Boa sorte... Sr. Kim. – declarou a médica, reprimindo um choro que ameaçava sair.
_ E, se possível... Retorne vivo. – Yixing sorriu, assentindo.
_ Obrigado. – agradeceu, suspirando. – Antes de ir, eu... Quero repassar algumas ordens a vocês. – e olhou para Eunjung. – Srta. Kim... Você ficará na Ordem e esperará o meu retorno. Jongdeok virá comigo e Jongdae até os limites da área. – logo, alertou aos irmãos. – E eu não quero nenhum dos dois interferindo na luta, ouviram?
_ Sim, senhor. – disseram os três.
_ Yixing... – e sorriu de leve. – Já sabe as minhas ordens.
_ Sim, senhor. – concordou o chinês.
_ E... Jongdae? – gradativamente, as safiras se viraram para o Mordomo. – Minhas ultimas ordens já foram entregues à você. Espero que as cumpra. – em resposta, o moreno concordou, baixando a cabeça. – Agora... Onde está Kyungsoo?
_ Eu vou chamá-lo. – anunciou Jongdeok, saindo.
_ Decidiu usar as vestes de batalha de seu pai? – Yixing o avaliou curiosamente. – Aposto que ele ficaria orgulhoso de você.
_ Ele está aqui. – e o Chefe dos Caçadores retornou com o “recruta”.
Assim que Kyungsoo entrou no campo de visão do líder, Minseok sorriu de leve ao perceber que o outro havia chorado às escondidas de todos. Logo, o mais velho gesticulou para que o outro se aproximasse e, ao fazê-lo, o abraçou forte, tentando acalmá-lo. Jongdae assistiu àquele momento em silêncio e baixou os olhos em seguida. Além do mais, aquele não era um bom momento para se sentir ciúmes.
_ Eu tenho uma tarefa especial para você, Kyungsoo. – Minseok sussurrou-lhe ao ouvido. – Quero que se vista apropriadamente... – e o olhou, afastando seus cabelos da testa. – e vá encontrar seu novo Mestre.
_ O que? – sussurrou o baixinho de olhos esbugalhados, enquanto o quarteto olhava surpreso para o líder.
_ Mas, senhor... – Jongdeok franziu o cenho. – Kyungsoo não conhece o seu irmão...
_ E como ele poderia reconhecer Baekhyun? – questionou Eunjung.
_ Mais um motivo para fazê-lo. – sorriu calmamente. – Yixing. – e desviou a atenção para o chinês. – Vista Do Kyungsoo adequadamente para esta noite. Ele finalmente irá conhecer seu Mestre.
Em silêncio – e sob os olhares confusos dos dois Chefes dos Departamentos –, Yixing guiou Kyungsoo para fora do cômodo, enquanto Jongdae desviava os olhos para o Mestre que pediu para que ficasse às sós com o Mordomo. Com um breve concordar, Jongdeok e Eunjung deixaram o quarto em seguida e, mais uma vez, nenhuma palavra foi proferida. Minseok encarou o maior que respirava fundo e sorriu fraco, assentindo.
_ Diga. – permitiu-o.
_ Porque vai deixar Kyungsoo ver seu irmão? – começou. – E se ele não reconhecer Baekhyun?
_ Ele reconhecerá. – respondeu, olhando-se ao espelho. – Pedi a Yixing que o mostrasse. – e se virou para o moreno. – Eu também pensei na conversa que tivemos. Você tem razão. Baekhyun tem o direito de saber.
_ E, às vésperas da batalha, o senhor decidiu lhe contar? – franziu o cenho.
No entanto, Minseok não respondeu. Apenas se aproximou em passos arrastados e mirou aquelas órbitas negras por longos segundos. No fundo, sentiria falta do mais novo. E, por um milésimo de segundo, o homem de madeixas acinzentadas cogitou a idéia de beijá-lo ali mesmo, ainda que surpreendesse Jongdae. Mas, se controlou. Controlou o desejo de prendê-lo contra o pilar da cama e possuí-lo de todas as formas. Controlou a insana vontade de ouvi-lo gemer seu nome ou, até mesmo, de raptá-lo para que fugissem para um lugar distante.
_ Tem certeza... – a voz suave de Jongdae interrompeu seus devaneios. – De que não pode voltar atrás?
_ Foi uma decisão minha. – declarou. – Eu não posso voltar com a minha palavra.
_ Eu compreendo, senhor. – concordou, baixando a cabeça. – Com licença.
E sem dizer mais nada, Jongdae deixou o cômodo, caminhando rápido pelo corredor lotado de caçadores que lhes questionavam quais seriam as próximas ordens. Gradativamente, seus olhos marejavam, enquanto que algumas lágrimas traiçoeiras deslizavam por seu rosto, pingando de seu queixo e desaparecendo em suas vestes. Seus passos, enfim, pararam diante a porta do quarto de Kyungsoo, ao mesmo tempo em que Yixing deixava o cômodo calmamente. A atenção do chinês se desviou para o amigo, sorrindo levemente e abriu a porta, permitindo sua entrada.
_ Ele precisa de companhia. – avisou-o, caminhando para longe do corredor.
Jongdae respirou fundo, observando Yixing desaparecer no fim do corredor e bateu duas vezes na porta, anunciando sua entrada. Assim que seus olhos alcançaram o cômodo por completo, sua atenção se desviou para o jovem “recruta” próximo à janela, enquanto encarava perdido em devaneios o céu nublado. Curiosamente, Kyungsoo estava vestindo as mesmas peças que o Mordomo do líder na noite em que foi nomeado pelo mesmo. Aparentemente, as roupas são tradicionalmente idênticas aos de um mordomo de família rica. Um terno simples, com colete, gravata e todos os detalhes possíveis. No entanto, o que diferencia àquelas vestes com as de um empregado tradicional são as abotoaduras em cruz nas mangas e gola da camisa preta e, principalmente, as vestimentas de combate.
_ Kyungsoo? – chamou Jongdae, observando o menor lhe encarar, enquanto uma lágrima solitária escorria por sua bochecha. No fundo, algo lhe dizia que o “recruta” não estava tão preparado assim. – Está tudo bem?
_ Eu... – começou, baixando o olhar. – Eu não sabia que seria assim. – Quer dizer... – e voltou a olhá-lo. – É como se o Sr. Kim tivesse se auto-declarado morto!
_ Calma... – suspirou, sentindo o coração se apertar e o abraçou, enquanto afagava-lhe a cabeça. E pelo que Jongdae percebeu... Kyungsoo não é tão pequeno assim. – Acredite: eu também não esperava por isso.
_ Acha que ele sobreviverá ao combate? – questionou abafado.
_ Vamos torcer que sim. – piscou rápido, derramando mais algumas lágrimas, mas rapidamente as secou. – Já sabe quem é Byun Baekhyun?
_ Sei. – assentiu, afastando-se do mais velho. – O Sr. Zhang já me mostrou uma foto dele.
_ Não precisa mais chamar Yixing de Sr. Zhang. – e sorriu. – Você é um Mordomo agora. Pode tratá-lo como igual. Afinal... Está num nível acima dos Chefes dos Departamentos.
_ Espero me sair bem nessa missão. – Kyungsoo suspirou, limpando o rosto, enquanto observava Jongdae arrumar suas roupas pouco amassadas. – E... Se eu falhar?
_ Primeiro: entenda que você somente vai encontrá-lo. – explicou, conseguindo a atenção do outro. – Segundo: não é uma missão de resgate. Minseok só quer ter certeza de que vocês saibam que ambos existem. E, por ultimo: o líder apenas quer que você resuma o que anda acontecendo na Ordem.
_ Eu entendi. – concordou. – Devo alertar sobre a batalha?
_ Não. – negou Jongdae, após pensar por algum tempo. – Eu faço isso.
Kyungsoo assentiu e terminou de se vestir, examinando-se no espelho. Até mesmo seus cabelos – que sempre lhe cobriam a testa – estavam devidamente arrumados para cima, num topete simples. Jongdae cruzou os braços, avaliando-o por alguns minutos, quando Eunjung surgiu na entrada do quarto, alegando que Minseok o esperava no andar de baixo. Com um leve aceno, o Mordomo concordou e se virou para seu novo “substituto”, que alternava os olhos entre a entrada e o mais velho.
_ Boa sorte. – desejou o maior, pousando a mão delicadamente na face alheia. – E não se preocupe: vai se sair bem.
Por fim, Jongdae se afastou do cômodo, deixando Kyungsoo sozinho. 

_ Meu senhor? Estamos prontos.
Encarando a noite densa do lado de fora, Luhan suspirou pesadamente, embaçando o vidro da janela de seu escritório, enquanto segurava, na mão direita, um copo de conhaque com duas pedras de gelo. Nem mesmo o Príncipe da Máscara havia percebido que o momento ao qual Park Changmin tanto aguardava havia chegado. Estranhamente, um arrepio percorreu-lhe a espinha, e num curto acesso de raiva, o copo em sua mão quebrou com a leve pressão de seus dedos. Não havia mais nada que o castanho pudesse fazer para impedir Minseok. Devagar, seus olhos avermelhados se desviaram para a porta, onde Sehun o aguardava em silêncio e, forçadamente, sorriu-lhe como uma criança infantil, se aproximando, assim, de seu Matador.
_ Changmin está pronto? – questionou, limpando os dedos numa toalha.
_ Sim senhor... – concordou Sehun, observando-o se aproximar, e, antes mesmo que pudesse concluir sua fala, seus lábios foram tomados pelos semelhantes do Príncipe, que cercou os braços em torno de seu pescoço e aprofundou o ósculo sem pestanejar.
Como de costume, o ruivo deixou-se ceder aos desejos de seu Mestre, correspondendo-lhe ao beijo intenso. Friccionaram as línguas, explorando ambas as cavidades... Porém, as órbitas de Marte do jovem vampiro estavam focadas nas feições falsamente prazerosas de Luhan. Por mais que os gemidos contidos e os estalidos das bocas provocassem arrepios em qualquer humano fraco, Sehun sabia que aquilo não passava de uma idealização do mais velho.
Luhan imaginava que, ali, eram os lábios de Minseok e não os de Sehun.
_ Senti falta disso. – sussurrou Luhan contra a boca alheia. – Você não?
Porém, não houve respostas do ruivo. Devagar, Sehun afastou as mãos de seu Mestre, alegando que eles precisavam ir e Luhan notou que havia algo de diferente no Matador. Afinal... Aquela era a primeira vez que ele se recusava a ser tocado pelo mais velho. Logo, o mais novo se afastou da passagem, gesticulando para que o outro deixasse o cômodo.
_ Está diferente... Sehun. – comentou o castanho, olhando-o brevemente e saindo em seguida.
Em pouco tempo, o salão principal da Máscara foi preenchida por muitas conversas e empolgações. Especialmente do clã Gangrel, que apostavam, entre si, por quanto tempo o líder da Ordem dos Caçadores duraria no combate. Alguns diziam durar apenas alguns segundos, outros – que comentavam sobre a compaixão do Lorde – alegaram que Minseok duraria, pelo menos, uma hora completa. Além do mais, eles não são muito fã de “brincar com a comida”.
Assim que o pai de Chanyeol surgiu no alto da escada com o filho, uma chuva de gritos, uivos, assobios e palmas encheram a grandiosa mansão, enquanto a dupla descia calmamente as escadas. O líder dos Gangrel sorriu de leve, enquanto uma garota do mesmo clã se enfiava debaixo do braço dele, como dama de companhia. Todavia, no segundo em que a sombra de Luhan se fez parcialmente presente na visão de todos, o silêncio reinou, como se um vento muito forte tivesse carregado a alegria deles. Sehun, que estava mais atrás do Príncipe, lhe acompanhou até o hall de entrada, onde entraram em seus carros especificamente e rumaram ao ponto de encontro escolhido.
No veiculo onde os dois gangrels estavam acomodados, Changmin respirava fundo, enquanto examinava e deslizava lentamente o polegar pela caixa de madeira minuciosamente trabalhada, enquanto um pequeno sorriso transparecia em seus lábios grossos. Diferente de Chanyeol que, ao entrar no carro, seu olhar ficou perdido no vazio e sua animação morreu. Até por que... Desse combate, o líder do clã Gangrel sabia que apenas um poderia sobreviver: ou seu pai, Park Changmin, ou o irmão de Baekhyun, Kim Minseok.
_ Ficará para assistir minha luta? – questionou o mais velho.
_ Não. – negou, sem olhá-lo.
_ Não vai ficar? – estranhou, franzindo o cenho. – Achei que quisesse ver Minseok morto.
_ Eu quero. – sorriu de leve. – Mas... Tenho um assunto a resolver esta noite.
_ Um assunto? – e estreitou os olhos.
_ Chanyeol encontrou o “bebê”, Sr. Park. – revelou a garota que, até aquele momento, eles não sabiam que os acompanhava. – O bebê Baekhyun.
_ Você o encontrou! – Changmin comentou surpreso e animado, enquanto Chanyeol fuzilava a garota com os olhos. – Então, vai cumprir finalmente a minha ordem?
_ Talvez. – deu de ombros. “Nem morto”, pensou, voltando os olhos para a janela. Chanyeol sabia do que seu pai estava se referindo: assassinar Baekhyun. Algo que ele não cumpriu nos últimos 20 anos.
_ Chanyeol, eu posso estar com você quando quebrar o pescoço do garotinho? – implorou a garota, juntando as mãos. – Por favor! Eu prometo não te atrapalhar...
_ Leve-a. – aconselhou Changmin. – Pelo menos, ajudará quando precisar cumprir alguma tarefa.
Chanyeol concordou em silêncio, como se atendesse às ordens de seu pai. Algo que, verdadeiramente, ele não estava disposto a cumprir. Por fim, o veiculo parou próximo da entrada da floresta de Epping, ao que Changmin abriu a porta, olhando para o filho pela ultima vez.
_ Tome cuidado. – aconselhou o mais novo.
_ Desejo o mesmo. – sorriu o mais velho, deixando o veiculo.
E, no segundo em que a porta se fechou, Chanyeol desviou os olhos carmesins para a garota, que se acomodou ao seu lado e segurou-lhe o braço. Em poucas palavras, o líder do Clã alertou ao motorista que fechasse os vidros e, logo que o fez, a lâmina de prata rasgou a garganta da moça, enquanto seu corpo e o chão do carro se banhavam em vermelho vivo. Confusa com o que acabou de acontecer, ela o ouviu sussurrar pela ultima vez antes de ser descartada:
Nunca mais se atreva a dizer algo sobre Baekhyun. – rosnou, deixando o veiculo, enquanto o motorista banhava o carro de gasolina.
Enquanto o carro da Máscara entrava em combustão a poucos quilômetros da floresta, Jongdae e Minseok permaneciam em silêncio no interior do veiculo, enquanto Jongdeok dirigia calmamente pela estrada. Vez ou outra, a atenção do líder da Ordem se desviava discretamente para o Mordomo que encarava o vazio por alguns instantes. Um suspiro escapou da boca pequena do mais velho, fazendo-o roçar os dedos contra a mão alheia. E, num piscar, o moreno desviou a atenção para a mão de seu Mestre, notando-a segurar a sua.
E, de alguma forma que ele não conseguia entender, Minseok estava nervoso.
_ Senhor? – chamou Jongdae, vendo-o engolir em seco. – Está tudo bem?
_ Acho que agora sei como as pessoas se sentem ao estarem perto da morte. – comentou baixinho, sorrindo fraco.
_ O senhor treinou durante um longo tempo. – lembrou-o. – Eu sei que não perderá.
_ E se eu perder? – o olhou. No entanto, nenhum dos dois notou que suas mãos estavam entrelaçadas. – E se eu falhar?
_ Não falhará. – garantiu.
 Minseok encarou aquelas órbitas escuras por alguns segundos e sorriu minimamente, concordando. Por fim, ao perceber que sua mão estava unida à outra, ele a soltou devagar, recolhendo-a para junto do colo. Jongdae alternou os olhos entre as mãos e suspirou, desviando a atenção para a janela.
_ Você... Abriu o envelope que lhe dei? – questionou Minseok.
_ Ainda não. – negou, tragando saliva.
_ Abra. – ordenou, ainda sem encará-lo.
Jongdae crispou os lábios e removeu o envelope do terno, rompendo o lacre e abrindo a carta.

Caro Sr. Kim Jongdae,
Primeiramente, quero agradecer ao senhor por ter estado ao meu lado durante todos esses anos. Nunca conheci alguém tão corajoso e desafiador quanto o senhor, Sr. Kim. Sei que juntos, tivemos nossas diferenças, mas posso garantir que não guardo rancores de momentos passados.
No entanto, sinto dizer que não possuo mais escolha a não ser declarar as minhas ultimas ordens antes da batalha que me aguarda. Afinal, eu não esperava que esse momento chegasse de forma tão rápida e avassaladora.
Então, eis meus pedidos:
Primeiro, continue o treinamento de Do Kyungsoo, independente do resultado final. É importante que o Sr. Do esteja em perfeitas condições para proteger o meu irmão.
Segundo, certifique-se de contar toda a verdade para Byun Baekhyun. E sobre a conversa que tivemos, você estava certo: meu irmão tem o direito de saber.
Terceiro, se por algum acaso, eu não sobreviva ao combate, quero que leve minhas cinzas para que eu seja enterrado em Busan, junto ao meu pai.
E, por último... Até que Byun Baekhyun tenha a capacidade de assumir o posto de Líder da Ordem dos Caçadores – que é seu por direito –, você, Sr. Kim Jongdae, estará encarregado de comandar, tendo minha total permissão, a Ordem dos Caçadores. Afinal, não conheço ninguém mais apto para isso do que você.
Espero que cumpra meus últimos pedidos e desejo-lhe toda a sorte do mundo.
Atenciosamente,
Kim Minseok.

Líder da Ordem dos Caçadores.

Jongdae examinou cada uma das palavras atentamente, como se não conseguisse entendê-las por estar num idioma diferente. Como se as ordens de Minseok não fizessem sentido. Como se as palavras estivessem em grego ou hebraico. Rapidamente, o moreno releu a carta, piscando rápido e desviou os olhos confusos para o mais velho que ainda estava em silêncio.
_ Anexado à carta... – começou o dono das safiras brilhantes. – Está a minha autorização...
_ Isso é loucura. – declarou, confuso. – Eu compreendo as outras três ordens, mas... O senhor não pode estar falando sério.
_ Foi uma decisão difícil, Jongdae. – suspirou, olhando-o. – Mas eu não tive outra escolha.
Por que logo ele como líder da Ordem? Por que não o seu irmão, afinal, Jongdeok estava muito bem acostumado a comandar os caçadores? É compreensível que, no inicio, Jongdae tenha cogitado e ansiado pelo cargo tão disputado pelos Chefes dos Departamentos, mas... Naquele instante, não era a mesma coisa. O moreno, ainda confuso, baixou os olhos para a carta e removeu o outro papel, reconhecendo a autorização e assinatura de seu Mestre:

 “Declaro para os devidos fins, que Kim Jongdae será o novo líder da Ordem dos Caçadores temporário, até que Byun Baekhyun seja capaz de assumir seu lugar por direito.”
Kim Minseok.
Ordem dos Caçadores.

_ Eu não acho que sou capaz de cumprir essa ordem, senhor. – murmurou.
_ O que quer dizer? – e o olhou ao mesmo tempo em que o carro parou próximo da entrada da floresta.
_ Senhor... – e engoliu em seco. – Eu? Como líder? Por que...
Por que eu confio em você. – declarou, descendo do veiculo.
Jongdae não demorou muito em segui-lo e fechou a porta do carro, caminhando até a entrada, onde alguns caçadores a postos apontavam suas armas para o homem de madeixas avermelhadas, enquanto seus olhos carmesins estavam focados nos movimentos de Minseok. O Mordomo logo reconheceu Sehun que se curvou de leve, cumprimentando os dois homens e esperou que o de madeixas acinzentadas o seguisse.
_ Sr. Kim? – chamou o vampiro. – O Sr. Park Changmin e o Príncipe o aguardam.
_ Eu sei. – concordou, ameaçando um passo quando a mão de seu Mordomo segurou-lhe o pulso.
_ Senhor... – recomeçou o moreno, notando a atenção do outro se desviar para si. – Prometa-me... Que voltará vivo.
Minseok o avaliou por alguns segundos e assentiu, seguindo o Matador do Príncipe. Logo, Sehun retirou-lhe a bengala, entregando à Jongdae, enquanto explicava que nenhuma arma poderia ser levada ao combate a não ser armas brancas e o levou para dentro da floresta. O moreno segurou o objeto em mãos por algum tempo, até que os dois desaparecessem de sua vista.
Ambos seguiram em silêncio pelo longo trajeto até a clareira onde ocorreria o combate, e vez ou outra, as brilhantes safiras se desviavam para o dorso do jovem vampiro que caminhava mais a frente. Por um instante, Minseok cogitou a ideia de questionar ao ruivo sobre os motivos de se encontrar com seu Mordomo. Não que sentisse ciúmes e jamais admitisse, mas ele se preocupava com o bem-estar de Jongdae. Sehun notou a breve hesitação do homem que o seguia e respirou fundo, enquanto verificava se não estavam sendo seguidos. Por fim...
_ O senhor conhece as regras, Sr. Kim? – questionou, vendo-o concordar. – Certo. Devo lhe informar senhor, que há algumas noites, meu Mestre foi atacado. – não demorou muito para que a atenção de Minseok se desviasse para o ruivo. – Ainda não identificamos o atacante. Só o que sabemos é que Londres não possui mais a mesma segurança de antes. – explicou.
_ A Máscara está com dificuldades para cuidar de um novo clã? – murmurou, franzindo o cenho.
_ Não um novo clã. – e desviou os rubis para o dono das safiras. – Uma nova raça. Três vezes maiores, quatro vezes mais fortes e um conhecimento inimaginável de combate corpo a corpo.
_ Quantos naquela noite?
_ Três. – suspirou.
_ O que são eles? – e o olhou.
_ Creio que são Adoradores da Lua. – e calou-se ao avistar a fisionomia do Principe.
_ Mais alguém sabe disso?
_ Além do Príncipe, somente Jongdae. – gradativamente, a atenção do caçador se virou para o Matador que sequer reagiu. – Acredito que ele não tenha lhe contado que foi atacado ontem por minha causa. Eu lhe pedi que não contasse nada por que precisei investigar sobre esses acontecimentos.
Antes mesmo que o líder da Ordem pudesse proferir alguma pergunta, Luhan adiantou-se, sorrindo largo e abrindo os braços devagar. O humano foi envolvido pelo abraço do Príncipe que parecia feliz e assustado, simultaneamente. Os dedos longos afagaram-lhe as madeixas acinzentadas, enquanto um suspiro gelado abandonou seus lábios. Estranhamente, Minseok podia senti-lo tremer involuntariamente.
_ Está preparado? – questionou, olhando-o.
_ Estou. – concordou o dono dos Netunos, enquanto assistia Luhan estalar os dedos e dois de seus seguidores emergirem das sombras, carregando duas armas.
_ Creio que gostaria de usar o machado ao invés da adaga. – comentou, gesticulando para o objeto na mão de um dos vampiros.
Em silêncio, o caçador segurou o objeto e moveu-o nas mãos, medindo seu peso e velocidade. Brevemente, concordou, segurando o machado ao lado do corpo e voltou a atenção para o Príncipe. Sehun explicou-lhe que seu oponente utilizava de um punhal prateado, alegando que, se Minseok fosse rápido o suficiente, conseguiria derrotar o inimigo. No entanto, antes que líder se afastasse, o castanho posicionou-se a sua frente, sussurrando-lhe no ouvido.
_ Ele possui um ferimento na coxa direita, resultado de uma luta com o seu pai. Acerte-a e o verá tombar. – declarou, olhando-o pela última vez e se afastou.
Em passos lentos, Minseok mancou na direção do local indicado, enquanto milhares de pares de olhos se desviavam para si, abrindo caminho aos poucos. Não demorou muito para que suas safiras avistassem o Lorde mais a frente, que segurava – teatralmente – uma caixinha de madeira. Changmin sorriu largo, acenando levemente com a cabeça e se aproximou do menor, caminhando em volta do homem.
_ Kim Minseok. – iniciou pausadamente. – Surpreende-me saber que você é corajoso o suficiente para me enfrentar. Mas também é um tolo. Assim como seu pai foi. Baekhyung não devia ter aceitado aquela luta. Mesmo sabendo que iria morrer. – por fim, parou diante o outro, avaliando-o de perto. – E... Imagino que, nesse momento, enquanto estivermos ocupados lutando... O bebê estará ocupado... Se tornando o alimento do meu filho.
Logo, a atenção dos dois se desviou para o Matador, que se pronunciava. Por fim, Changmin se afastou do oponente, posicionando-se no outro lado do local de combate, enquanto Sehun repetia as regras do combate. Minseok respirou fundo, encarando seu inimigo em silêncio, enquanto as palavras de seu Mordomo preenchiam sua mente. De alguma forma... Ele teria que sobreviver àquela luta.
_ Estão prontos? – Sehun os olhou, enquanto Changmin tirava o punhal da caixa e Minseok permanecia quieto. – Que comece a luta.

As órbitas azuladas do jovem professor vagaram pelo movimentado pub, enquanto seus longos dedos deslizavam pelas bordas do copo de cerveja preta. Não estava ali há muito tempo, para dizer a verdade. Talvez, umas duas horas, mas... Não era muito tempo. Além do mais, ele havia chegado uma hora antes do combinado. Em silêncio, tomou mais um gole e, mais uma vez, esperou. Desde a ligação de Richard, que combinou de se encontrar com o professor, Baekhyun parecia mais nervoso do que o habitual. “Eu preciso falar com você. Encontre-me naquele pub às 20h00min”, foi o que disse, antes de desligar bruscamente.
_ Posso me sentar?
Gradativamente, as safiras se ergueram da mesa para o homem de semblante sério, olhos grandes e lábios carnudos. Mesmo com a mente levemente nublada – devido à grande quantidade de álcool ingerido – Baekhyun reconheceu as vestimentas do moreno que, educadamente, se sentou a sua frente. Para ele, parecia que Minseok nunca perdia a feia mania de enviar alguém para vigiá-lo. Por que, diabos, a Ordem não lhe deixava em paz.
_ Você é Byun Baekhyun? – questionou.
_ Você é algum escravo do meu irmão? – perguntou Baekhyun, vendo o outro arquear uma das sobrancelhas. – Reconheci pelas roupas. Você é algum caçador da Ordem?
_ Não. – negou.
_ Não? – e o olhou surpreso.
_ Não. – repetiu. – Sou o Mordomo do Líder.
_ Mordomo? – e franziu o cenho. – Está substituindo Jongdae?
_ Não, Sr. Byun. – suspirou, entrelaçado as mãos sobre a mesa. – Meu nome é Do Kyungsoo e serei, nos próximos segundos, o seu Mordomo.
_ Do que está falando? – riu debochado.
_ Creio que não sabes, mas... Seu irmão havia me preparado para que eu protegesse você de Park Chanyeol. – explicou.
_ Só veio para me dizer isso? – e tomou um gole.
_ Vim alertá-lo de que a Ordem está passando por delicadas situações. – Kyungsoo notou que, de súbito, a atenção de Baekhyun se desviou para si. – O Sr. Kim Jongdae lhe explicará melhor desses detalhes.
_ Por que Minseok escolheu um Mordomo para mim? – e estreitou os olhos. – Afinal... Ele sabe que eu não irei retornar à Ordem.
Por que tenho a leve impressão de que o senhor ainda possui dúvidas quanto ao próprio retorno? – questionou.
_ O que está insinuando? – Baekhyun, que quase tomou um novo gole, resolveu baixar o copo, olhando-o diretamente.
_ Estou apenas dizendo que, quando não houver ninguém que possa assumir o posto, senhor... O senhor irá assumir. – alegou.
Baekhyun se calou por alguns instantes, enquanto avaliava longamente as feições calmas e quase inexpressivas do homem a sua frente. Kyungsoo retribuiu o longo olhar, ao que o dono das safiras suspirou, baixando os olhos para o copo vazio.
_ Minseok o enviou. – comentou ao que o outro assentiu. – Por quê?
_ Sua intenção é garantir a proteção de seu irmão mais novo. – explicou.
_ Pensei que havia deixado mais do que claro ao meu “irmão mais velho” – a expressão soou como um deboche. – que eu não vou retornar à Ordem.
_ Acho que o senhor não entendeu, não é, Sr. Byun? Meu objetivo, por hora, é garantir que o senhor estará seguro. No entanto... – piscou devagar. – Por mais que o senhor se negue a retornar para as suas origens, alguma coisa extremamente impactante o fará retornar.
O professor encarou o moreno que remexeu nos bolsos e atendeu ao celular. Após uma breve conversa monossilábica, Kyungsoo finalizou a ligação e guardou o aparelho no bolso, levantando. Baekhyun o assistiu arrumar as vestes e se curvar respeitosamente em sua direção, despedindo-se.
_ Nos vemos em breve, Sr. Byun. Tenha uma boa noite – afastou-se, desaparecendo em meio às pessoas.
Aos poucos, sua atenção retornou para a mesa, onde um pequeno cartão estava próximo de seu copo. Baekhyun pegou-o, examinando as informações e sorriu de leve, balançando a cabeça. Por fim, guardou o cartão no bolso e chamou a garçonete para que lhe servisse um novo copo de cerveja. Assim que recebeu o pedido e tomou um gole, um arrepio percorreu sua espinha no segundo em que uma mão tocou-lhe o ombro.
_ Demorei muito? – a voz grave logo foi acompanhada de um sorriso largo e os óculos quadrados, enquanto o maior se acomodava na cadeira a frente de Baekhyun. – Desculpe, mas é que eu estava resolvendo alguns assuntos...
Porém, Baekhyun não ouvia uma única palavra do que ele dizia. Como se a presença alheia bloqueasse todos os sons a sua volta. O moreno piscou rápido, tomando um novo gole e sorriu de leve, disfarçando a leve distração, enquanto Richard continuava explicando.
_ Foi mal. Às vezes, eu falo demais e não me controlo. – riu envergonhado. – Faz muito tempo que você estava aqui.
_ Não. – mentiu. – Mas... Sobre o que queria falar comigo?
Richard estreitou as sobrancelhas, confuso, e numa fração de segundos, sentou ao lado de Baekhyun. Ou talvez, o jovem professor estivesse embriagado o suficiente para ver tudo se passar muito rápido. O maior ao seu lado afastou devagar o copo de suas mãos, e puxou o corpo pequeno para junto do seu, fazendo o moreno afundar a cabeça em seu ombro.
_ Eu acho que você bebeu demais. – comentou, enquanto ambos se escondiam nas sombras do pub.
_ Não... Não bebi. – negou, soluçando e, em seguida, riu baixinho. – OK. Só um pouquinho.
_ Eu... Não queria que fosse desse jeito. – murmurou próximo ao seu ouvido, fazendo Baekhyun fechar os olhos. – Porém, você não me deu muita escolha.
E as safiras azuladas se desviaram para as feições tranqüilas do bibliotecário. Richard afagou-lhe as madeixas negras com delicadeza, afastando algumas mechas dos olhos do professor e segurou-lhe o rosto com uma das mãos, fazendo-lhe uma carícia leve em sua bochecha. Baekhyun o avaliou em silêncio e, por um instante, – talvez fosse o excesso de álcool em seu sangue – vislumbrou um brilho suavemente avermelhado naquelas órbitas.
_ Rick... – sussurrou.
Eu estou gostando de você, Baekhyun. – declarou-se, sorrindo de leve e, finalmente, tomou-lhe os lábios delicadamente.

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