terça-feira, 21 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Dezessete

_ Quantas horas já se passaram? – questionou um dos caçadores ao outro que estava de vigília.
_ Seis horas. – relatou, suspirando arrastado após olhar o relógio de pulso. – E parece que o chefe não está nada contente.
Os dois homens que haviam acompanhado o trajeto até o ponto de encontro observavam atentamente os dois irmãos Kim. Jongdeok parecia tão ansioso quanto um torcedor de time de futebol pequeno, que acompanhou o campeonato até a final. O mais velho movia-se para lá e para cá, caminhando de um lado para o outro, enquanto mantinha a atenção focada na entrada da floresta. Entretanto, Jongdae sequer reagia. Aos olhos dos que estavam ali, naquela estrada, o Mordomo do líder parecia uma estátua viva.
_ Ele está demorando muito. – murmurou o Chefe da Brigada, parando novamente e se recostando ao veiculo. – Você não acha?
Mas o outro não lhe respondeu. Nem demonstrou qualquer reação. De início, Jongdeok pensou seriamente que o irmão estava tendo algum ataque de pânico que o paralisou – algo comum à Jongdae –, porém, descartou a ideia quando o mais novo suspirou fundo, fechando os olhos e baixou a cabeça. Ele estava preocupado.
_ Está tudo bem? – questionou Jongdeok.
_ Está. – respondeu, voltando o foco para a floresta.
_ Por que será que ele está demorando? – murmurou o mais velho. – Quer dizer, Minseok é um ótimo lutador, mas... Você não acha que ele...
_ Não. – disse seco.
Jongdae sabia do que seu irmão estava se referindo. Que Kim Minseok não havia sobrevivido ao combate. O moreno não acreditava nessa possibilidade. E mesmo que lhe mostrassem as provas de que era verdade, ele não mudaria de opinião. Além do mais, o Mordomo fizera seu Mestre prometer que voltaria vivo. Então, de alguma forma, o líder da Ordem tem de voltar. Jongdeok encarou o irmão por alguns segundos e suspirou, balançando a cabeça.
_ Como pode ter certeza de que ele voltará vivo? – murmurou.
_ Da mesma forma que acreditei que nosso pai voltaria. – respondeu.
E mais uma vez, o silêncio reinou naquele lugar. No entanto, a atenção do mais velho se voltou para o mais novo que respirava com calma. Durante todo o tempo em que estiveram juntos e conviveram juntos, Jongdeok nunca compreendeu essa fé absurda de seu irmão. Jongdae conseguia acreditar que tudo daria certo mesmo quando o apocalipse estivesse diante de seus olhos. Entretanto, na mente do jovem Mordomo, se passava exatamente o oposto. No fundo, o moreno também achava que não havia como Minseok sobreviver ao combate. Afinal, assim como seu Mestre, seu pai, no passado, sempre retornava para casa após alguma missão. Retornava, até que uma noite, ele não voltou. Mas, por hora, descartaria essa opção.
Subitamente, o telefone do Chefe da Brigada tocou, fazendo-o rapidamente puxar o aparelho e atender.
_ Jongdeok. – falou. – Não. Ainda não. Ele ainda está lutando. – negou, suspirando. – E Kyungsoo? – desta vez, Jongdae o olhou. – Certo. Eu aviso. – por fim, desligou. – Kyungsoo encontrou o irmão do Sr. Kim. Ele acabou de voltar para a mansão. Eunjung queria saber se o Mestre havia voltado.
_ E Yixing? – questionou.
_ Também está na mansão. – respondeu, suspirando. – Vamos ter que esperar, no fim.
_ Sim. – concordou, recostando-se ao carro.
_ Hã... Jongdae. – chamou o mais velho, vendo-o murmurar. – Eu sei que não devíamos falar sobre isso, mas... Se por um acaso, o Sr. Kim Minseok não sobreviva ao combate... – e, gradativamente, as órbitas escuras encararam o homem de forma incrédula. – Quem irá assumir seu posto? Quer dizer... Baekhyun não vai estar preparado para assumir logo de cara. É impossível, mesmo que seja o seu lugar de direito...
_ Do que está falando? – o olhou.
_ Olha, eu acho que Minseok escolheu você como o novo líder da Ordem, até que o irmão dele esteja preparado para assumir e disso sabemos... Mas, convenhamos. – e sorriu. – Baekhyun nunca quis pertencer à Ordem! Nem quando era...
_ Basta! – rosnou enfurecido, assustando assim, o irmão. – Não percebe o que está dizendo? E quem se importa com o próximo a assumir o cargo de líder da Ordem?! A prioridade, Jongdeok, é esperar pelo Sr. Kim e torcer para que ele sobreviva.
_ Pela forma como está dizendo... Algo me diz que Minseok já escolheu seu sucessor provisório. – ao ouvi-lo, Jongdae desviou os olhos. – Ele o escolheu, não foi? Você é o líder temporário da Ordem. Meu Deus! – e sorriu maravilhado. – Não acredito que vivi para ver meu irmãozinho ser o novo líder da Ordem dos Caçadores!
_ Cale-se! – rebateu, encarando-o. – Afinal, quem é você e onde está o Jongdeok que eu conheci? Ele não era assim. Jamais ansiou um cargo que nunca poderia ocupar. Então, pare de dizer idiotices ou o próximo lugar que você vai parar é a sete palmos do chão.
_ Você não ousaria... – debochou.
_ Então, teste. – ameaçou, se preparando para avançar no mais velho quando um arrepio percorreu sua espinha. Logo, sua atenção se desviou para a entrada da floresta, onde Sehun surgia aos poucos e, numa leve mesura, cumprimentou os dois homens. – Sehun.
_ Jongdae. – respondeu.
_ O que faz aqui? – Jongdeok se apressou. – Onde está o nosso Mestre?
_ Ainda em combate. – respondeu, mantendo a atenção no Mordomo. – Seu Mestre nos surpreendeu. Ele está indo muito bem com Changmin.
_ Alguma probabilidade de sair vivo? – questionou baixinho.
_ É difícil saber. – suspirou, enfiando as mãos nos bolsos. – Agora, se me derem licença...
_ Aonde você vai? – perguntou Jongdeok, enquanto o assistia se afastar.
_ Solicitar a presença de um convidado que não apareceu. – e desapareceu em meio à escuridão.
Jongdae ainda encarou a estrada por mais alguns minutos antes de respirar fundo e voltar a atenção para a floresta, enquanto rezava para que tudo ocorresse bem.

Por mais que houvesse uma relutância nas reações do menor, algo estranhamente intenso e sensual o puxava novamente. As mãos grandes seguravam-lhe o corpo esguio e pouco definido, a fim de não deixá-lo cair, enquanto os lábios fartos queimavam-lhe a tez do pescoço com beijos estalados e provocantes. Por um instante, Baekhyun tentou afastar o maior que o encurralava entre a parede fria do elevador e o corpo quente. Nem mesmo ele sabia o que estava acontecendo após ser beijado por Richard. Muito menos de como ambos pararam naquele prédio em específico.
_ Venha... – sibilou contra a orelha alheia, o pegando no colo.
Gradativamente, a respiração do moreno se tornou apressada, enquanto que as órbitas de Netuno vagavam confusas pelo corredor mal iluminado. Ora as luzes se apagavam, ora acendiam e o rosto do bibliotecário aparecia e desaparecia. Confuso – talvez pelo excesso de álcool no organismo –, Baekhyun afundou o rosto contra o pescoço alheio e, inutilmente, tentou acalmar o coração agitado. O que era inútil, já que o cheiro alheio o deixava ainda mais nervoso. Richard adentrou o apartamento e logo que trancou a porta, avançou velozmente até a cama, onde deitou o professor de História embriagado.
_ Não... Faça... Isso... – balbuciou o moreno, sentindo o cheiro de colônia masculina do pescoço alheio. Estranhamente, algo lhe dizia que Richard estava por sobre si. – Eu... Estou... Noivo...
_ E você acha que eu não sei? – questionou num silvo, mordiscando-lhe a orelha.
_ Rich... Por favor... – miou, desta vez, Baekhyun, tentando empurrá-lo para longe. Mas foi em vão.
Aos poucos, as palmas do professor deslizaram pelo peito do bibliotecário até descansarem sobre o colchão macio. As pálpebras piscaram lentamente, numa demora de quatro segundos, enquanto as safiras encaravam as semelhantes rubis do maior. Baekhyun já não tinha mais forças para se mover ou mover o outro, então permaneceu ali, quieto, enquanto era despido de suas roupas. A cada peça que era jogada para fora da cama, mais o medo consumia o interior do moreno e mais nu o homem se sentia. Por que ele não conseguia afastar aquele garoto?
_ Pela... Última... V-vez... – gaguejou, ao sentir os lábios alheios roçarem por seu abdômen. – Não faça isso...
_ Você não quer? – questionou, olhando-o nos olhos.
_ Eu... Não posso... – sussurrou e uma lágrima escorreu.
Chanyeol encarou o rosto suavemente choroso do menor e piscou devagar, afastando-lhe as pernas gradativamente. Num controle absoluto – que nem mesmo ele acreditou possuir, já que poderia mordê-lo a qualquer segundo –, beijou-lhe o interior das coxas em direção a intimidade coberta pela boxer. Era notável a ereção espremida pela peça de algodão preta. E quanto mais se aproximava, mais Baekhyun arqueava o corpo, deixando escapar inúmeros suspiros.
_ Você não pode... – ditou, encarando-o próximo à intimidade. – Mas você quer... Não quer?
_ Por Deus... Rich... Não... – arfou.
Independente se o gangrel fosse uma criatura da noite ou não, ele conhecia muito bem os desejos humanos. Os mortais desejam o proibido, o secreto. Por mais que neguem, eles anseiam por algo que os faça pensar e repensar inúmeras vezes, mesmo depois do ato, e os faria desejar novamente. Como desejar a esposa de seu irmão que está bem comprometida, ou um familiar na qual seus pais não concordariam. Ou, no caso do Baekhyun, desejar um homem quando se está noivo de uma mulher. Chanyeol removeu a última peça e deslizou a língua pela base do membro, provocando um arrepio violento no moreno. Travessamente, o maior marcou-lhe a tez com as palmas e a boca, enquanto o professor se contorcia loucamente. Engatinhou aos poucos por sobre o rapaz, descansando parte de seu peso sobre o outro e calou seus murmúrios com um longo selar.
Os óculos, que outrora estavam em seu rosto, foram ao chão, juntamente com a jaqueta de couro. Chanyeol tocou o menor despido, porém, sem sequer tocá-lo intimamente. Suavemente, maltratou-lhe os mamilos, deixando os pequenos botões endurecidos. Chupou-lhe os dedos enquanto era assistido pelas safiras brilhantes. Tomou-lhe a boca inúmeras vezes e permitiu que o  mais velho soubesse o quão excitado ele estava. Sugou-lhe a língua, friccionando os pequenos músculos e raspou os dentes no lábio inferior. Até que finalmente, trilhou o corpo do jovem professor até o órgão reprodutor. Baekhyun saltava constantemente e agarrou firme – ou pelo menos, com os últimos resquícios de força – as madeixas castanhas do maior que mantinha o rosto contra a sua intimidade. Sua sanidade, aos poucos, se esvaía com o deslizar da língua por suas veias ou o roçar dos dentes pela pele sensível. Seus olhos reviraram e reviraram, enquanto sua respiração entrecortada parecia cada vez mais inaudível. Alguns fios já grudavam por sua testa suada e a face... Estava tão corado quanto o rubi das órbitas de Chanyeol.
Gemidos baixos escapavam da fenda de seus lábios, ecoando pelo pequeno cômodo e provocando, consequentemente, o bibliotecário. E, inutilmente, Baekhyun tentou chamá-lo para que não continuasse ou ele acabaria gozando na boca alheia. No entanto, por mais que repetisse... Não era ouvido. Suas pernas – outrora, afastadas – foram propositalmente posicionadas sobre os ombros do maior, que se inclinava cada vez mais para a intimidade alheia. E tudo o que o jovem professor podia fazer era sentir.
O intervalo entre o surgimento das primeiras correntes elétricas e Baekhyun se aliviar não durou muito. Gradativamente, as órbitas de Marte ergueram-se e avaliaram as condições físicas do moreno que desmaiou sobre a cama. Aos poucos, Chanyeol se posicionou por sobre o menor, afastando algumas mechas que lhe cobriam os olhos e, por fim, afagou-lhe o rosto suado. Para o gangrel, era um tanto curioso de se perceber as enormes semelhanças entre aquele homem e o outro.
_ Ah, bebê... – sibilou próximo da orelha alheia. – Se seu irmãozinho soubesse que você está aqui...
_ O que pensa que está fazendo? – a voz rouca e grave ecoou pelo cômodo quase como um rosnado. Chanyeol desviou os olhos para a porta, surpreendendo-se com a aparição de Sehun, que de imediato, reconheceu o corpo adormecido sob o vampiro. – Está querendo iniciar uma guerra, Chanyeol?
_ O que faz aqui? – estreitou os olhos, enquanto aninhava Baekhyun em seus braços. – Achei que estivesse assistindo Minseok morrer.
_ Largue o garoto. – ordenou o ruivo, ao que o maior soltou uma risada nasalada.
_ “Largue o garoto?” É tudo o que tem a dizer? – e franziu o cenho, ainda rindo.
_ Você está provocando a Ordem, Chanyeol. Em especial, Minseok. – alertou. – Sabe que se algo acontecer ao garoto...
_ O que acontecerá ao garoto ou não... Não é da sua conta, Sehun. – interrompeu-o. – Agora, volte para debaixo da saia de Luhan, que é o seu lugar.
Sehun encarou o maior por alguns instantes e respirou fundo, desaparecendo em segundos. Chanyeol voltou a atenção para o menor e cobriu-lhe a intimidade com os lençóis, depositando assim, um selar suave em sua testa. Por mais que todos alegassem que o gangrel apenas perseguia o irmão mais novo do líder da Ordem para provocá-lo... Nenhum deles compreendia seu verdadeiro motivo para fazê-lo.
Nem mesmo seu pai, que estava em combate contra Minseok.
_ Eles não entendem absolutamente nada, bebê. – sussurrou, roçando a ponta do nariz contra a semelhante de Baekhyun. Por fim, bufou, revirando os olhos. Afinal, Sehun não havia ido embora. Impaciente, Chanyeol se levantou da cama e deixou o quarto, encontrando o ruivo próximo à janela aberta. – Por que você não foi...
_ O Príncipe solicita sua presença no combate. ditou, olhando-o de soslaio.
_ Para que? Meu pai pode muito bem cuidar sozinho de Minseok. – bufou, ameaçando se afastar.
_ Seu pai foi ferido gravemente. – corrigiu. – No mesmo lugar que Baekhyung o atingiu no passado.
E, num movimento súbito, Chanyeol saltou pela janela, correndo velozmente na direção do combate mortal. Sehun conseguiu acompanhá-lo com os olhos por algum tempo e, logo que o mesmo entrou na floresta, o ruivo apressou-se em retornar para o quarto. Em segundos, o Matador vestiu o jovem professor, pegando-o no colo e deixou o apartamento, colocando-o num táxi. Durante o trajeto, verificou se não estavam sendo seguidos e logo que o veiculo estacionou em frente à casa de Baekhyun, o vampiro o segurou, saltando para a janela da varanda, colocando-o no interior do cômodo sobre a cama. De alguma forma, ele queria garantir a segurança do irmão de Minseok, já que este não tinha conhecimento da relação entre o gangrel e seu “dongsaeng”.
_ É melhor que esteja seguro, Baekhyun. – sussurrou, deixando o cômodo.
E, enquanto Sehun retornava para o local de combate, Chanyeol alternava os olhos entre os dois oponentes, ainda sem acreditar no que estava presenciando. Um pouco mais afastado de si, Luhan parecia constantemente em alerta para qualquer movimento do líder dos gangrels, já que este estava visivelmente nervoso. Como se não aprovasse nem um pouco o seguimento daquele combate e estivesse disposto a mudar o placar. Mas, no fundo, o maior sabia que não podia interferir naquela luta.
Até que, de imediato e inesperadamente, o baque aconteceu. Todos os vampiros que estavam ali sequer piscaram ao presenciar o último movimento dos oponentes. Expressões confusas se alternavam entre os inúmeros rostos ali presentes. Por fim, os passos calmos do Matador se aproximaram do círculo, ao que Sehun se posicionou ao lado de Luhan que ainda mantinha seu foco na dupla caída. Aos poucos, um dos oponentes empurrou o adversário para longe de si, se erguendo levemente cambaleante. Ao julgar pelas caras surpresas, nenhum deles esperava aquele resultado inesperado.
O humano estava de pé...
Seu ferimento abdominal foi o mais grave em comparação aos outros em todo o corpo. Minseok ofegou, relutando em demonstrar sua fraqueza diante as outras criaturas, que finalmente rosnavam furiosas para si. Entretanto, nenhuma delas ousou avançar contra o caçador cansado. Pelo menos, não sem a ordem direta do Príncipe, que ainda o observava em silêncio. No fundo, Luhan estava aliviado pelo humano estar vivo, todavia, nada demonstrou tal reação para os outros presentes.
_ É melhor ir, Sr. Kim. – alertou Sehun, ao que, com um breve aceno, dois vampiros se afastaram, desbloqueando o caminho. – E tenha uma boa noite.
Os planetas azulados alternaram a atenção entre o Matador, o Príncipe e, finalmente, o líder dos Gangrels que se abaixou perto dos restos que era o seu pai. Minseok não achou que o filho fosse assistir a queda de seu criador: um corpo sem cabeça e com uma adaga enfiada no peito. E mancando, ele se afastou da batalha lentamente, como um soldado que volta cansado – e simultaneamente, vitorioso – da guerra. Os restos do bastão – que outrora, fora o machado – que segurava foram largados propositalmente na trilha, já que seus dedos não suportavam mais o peso dele. O líder não queria mais se recordar daquelas cenas. Desejava somente – claro, se sobrevivesse – repousar em sua cama por um longo tempo. A mão levemente trêmula pressionou o ferimento com mais força, enquanto que, involuntariamente, suas lágrimas desciam livres.
Ele havia vencido. E aquilo bastava.
Andou e andou, tendo quase certeza de que estava perdido naquela floresta escura, o que não era uma grande novidade, afinal, muitos turistas e moradores já se perderam naquelas trilhas. Até mesmo guias.
E a ideia de morrer sozinho assustou cruelmente o líder da Ordem. Claro que a vida ao qual ele escolheu lhe dava essa possibilidade, mas... Quando realmente acontece com alguém... A perspectiva e o modo de pensar são diferentes. Minseok arquejou de dor, apoiando-se no tronco de uma árvore e ficou assim por alguns instantes antes de continuar. Estava cansado, com frio e muito assustado. Em meio àquela escuridão que parecia tentar encobri-lo, o homem de madeixas acinzentadas sentiu a visão embaçar e a respiração falhar. Mais uma vez, relutou contra a dor do ferimento e seguiu pelo caminho que trilhava.
Ele não podia desistir naquele momento. Não podia.
Não enquanto seu irmão ainda for perseguido.
Não quando Kyungsoo ainda estiver treinando.
Não quando havia prometido à Jongdae que retornaria. Nem que para isso, fosse engatinhando até ele.
Minseok, durante o trajeto, recordou-se de seus momentos com seu irmão, notando que fora péssimo quanto aos cuidados e proteção deste. Provavelmente, seu pai estaria decepcionado consigo. Supostamente, até diria que ele fez exatamente o que seu pai jamais queria: ver seus filhos brigados e separados. “Devia ter convencido mais o seu irmão, Minseok. Ou pelo menos, vocês poderiam ter entrado num acordo”, era o que Baekhyung diria para si, antes de suspirar e murmurar que ele mesmo falaria com o caçula. E Baekhyun, após ouvir as palavras de seu velho, concordaria...
Céus! No que ele estava pensando?! Por que estava se lembrando de seu pai quando devia lutar contra a dor e seguir até seus homens? Rapidamente, Minseok balançou a cabeça, afastando seus pensamentos sombrios e tornou a seguir seu caminho. Ele devia retornar. Não por desejo. Não. Aquilo era uma promessa feita ao rapaz que estava treinando aquele que protegeria seu irmão. Ou seja, querendo ou não, o líder tinha que, por obrigação, voltar para o seu Mordomo.
Todavia, suas pernas já não suportavam mais o peso de seu corpo e o dono dos brilhantes Netunos cedeu para a terra fria e úmida. Não havia mais forças. Não havia mais nada que fizesse Minseok se levantar daquele lugar e seguir seu trajeto.
Observando atentamente à poucos metros de distância do caçador, o Matador notou que o líder da Ordem sequer reagiu após cair no chão. Sehun se aproximou do corpo sem tocá-lo e olhou na direção que o mesmo tentava seguir. Faltavam apenas 20 metros para que ele encontrasse Jongdae e os outros. E, por longos segundos, o ventrue meditou se deveria ou não alertar ao Mordomo sobre seu líder.
Afinal, o ruivo também possuía uma atração pelo moreno.
_ Eu não deveria deixá-lo vivo, Sr. Kim... – sussurrou, erguendo-se. – Mas... Por Jongdae... Eu irei fazê-lo.
E, rapidamente, desapareceu dali.
Aos poucos, seus olhos se fecharam e, ao novamente se abrirem, percebeu que se encontrava estranhamente em seus aposentos. Era tarde, daqueles que o sol se fazia bem presente dentro do quarto, iluminando o cômodo. Pelo lado de fora, se podia ouvir o cantar dos pássaros e as risadas das crianças que pareciam correr pelo gramado. Devagar, se remexeu sob os lençóis cheirosos e macios, sem entender como fora parar ali. Por fim, se sentou na cama, vagando os olhos pelo local, reconhecendo ser o seu. Com toda a mobília e exatamente como havia deixado-o antes de partir para a batalha.
Discretamente, desceu os olhos para o próprio corpo, percebendo que estava despido da cintura para cima e que não havia nenhuma – realmente nenhuma – ferida ou cicatriz em sua tez clara. Minseok deslizou as mãos pelo peito e subiu até os ombros, ofegando surpreso. Nem mesmo suas cicatrizes de treinamento de quando era mais novo estavam ali, como por exemplo, o corte na diagonal em suas costas, provocada por um de seus treinadores. Mas, afinal... O que estava acontecendo ali?
Quando ameaçou levantar da cama, de súbito, as portas se abriram, fazendo o homem desviar a atenção para o rapaz de cabelos negros e os mesmos olhos de um azul brilhante lhe encarando demasiadamente preocupado. Com um breve suspiro de alívio, Baekhyun andou até o irmão e, sem cerimônia alguma, o abraçou forte. O moreno explicava meio abafado contra o seu ombro, que ele estava muito mal, o que deixou o mais novo nervoso.
Mas... Como ele podia estar mal se... Ele se sentia bem?
Baekhyun o olhou com um meio sorriso, porém, desviou os olhos novamente para a porta, onde três crianças – dois meninos e uma garotinha, tão parecida com o líder – pularam em cima da cama, fazendo seu “dongsaeng” reclamar de que eles estavam interrompendo o descanso de seu tio e pai. Minseok piscou rápido, confuso no que acabara de ouvir, e logo as crianças fugiram para fora do quarto, ao mesmo tempo em que seu Mordomo surgia, curvando-se brevemente.
Sem proferir uma palavra, mas com sua notável expressão facial de segundas intenções, Baekhyun também abandonou o cômodo, dando uma última olhada no moreno e fechando as portas atrás de si. Aos poucos, Jongdae se aproximou, sentando ao seu lado na cama, enquanto afastava algumas mechas castanho-douradas de seus olhos. “Como se sente?” perguntou o moreno. “Diferente” respondeu, notando que ambas as mãos se entrelaçaram. “Isso é um sonho, não é?” comentou, vendo o outro concordar. “E onde estou?” encarou-o, ao que o mais novo aproximou os rostos. “Estamos na Ordem. Todos aquelas tormentos e problemas cessaram, por que você os resolveu. Baekhyun foi muito bem protegido e está seguro. Daquelas crianças que entraram aqui, apenas uma é sua filha”, explicou ao que Minseok o fitou confuso. “Ou melhor, ‘nossa’ filha Yura, já que você insiste em repetir que ela é minha filha também”.
“Yura?” repetiu, baixando os olhos para os lençóis. “Você deu esse nome a ela em homenagem à sua mãe, não se lembra?” Jongdae colocou a mão em seu queixo, erguendo-o. “Disse para mim que foi a mulher mais forte e maravilhosa que seu pai conheceu. Por isso, o nome da nossa pequena é esse”, continuou. Minseok ainda continuava perdido em meio aquele diálogo e, rapidamente, se levantou da cama, caminhando até o espelho. Entretanto, seus pés interromperam o andar, enquanto seus olhos desciam para eles, observando-os de forma curiosa. Ao ameaçar um passo à frente, percebeu que sua perna direita não mancava.
“Está tudo bem?” questionou o moreno, se aproximando atrás de si e pousou as mãos em sua cintura, colando seu peito contra as costas nuas do mais velho. “Eu... Não estou mancando” e o olhou, vendo um sorriso largo se apossar da face alheia. “Você nunca esteve, Minseok”, disse, depositando assim, um beijo estalado em sua bochecha, seguido de outra e mais uma até finalmente colar seus lábios nos semelhantes alheios. Aos poucos, suas línguas se enlaçaram, numa fricção suave e eletrizante, impulsionando o líder a segurar e prender o moreno contra a parede.
_ Jongdae. – anunciou Sehun, encontrando o moreno que desviou a atenção para si. Ele, assim como os outros caçadores estavam próximos do veiculo, apenas a espera de seu líder. Logo, o burburinho que havia se iniciado, fora silenciado por um movimento do Mordomo. – O seu Mestre está vivo. Está a 20 metros daqui.
_ Você tem certeza? – Jongdeok questionou, enquanto o protetor de Minseok se apressava em adentrar a floresta.
_ Absoluta. Eu o segui para garantir sua proteção... – tentou completar, porém se calou ao ouvir as palavras do moreno mais novo.
_ Obrigado, Sehun. – agradeceu Jongdae num silvo, desaparecendo em meio às árvores, sendo logo seguido pelos outros caçadores.
Suas mãos percorreram afoitas pelas vestes do rapaz, removendo algumas peças, todavia, interrompeu os toques, afastando-se. Alguma coisa muito estranha estava acontecendo ali. Meio ofegante, Minseok encarou Jongdae que sorria levemente, um pouco excitado com os toques desesperados do amado. “Jongdae... Diga-me, realmente... Onde eu estou?” ordenou, vendo o outro se aproximar devagar. Não demorou muito para que ele sentisse os dedos longos de seu Mordomo percorrer por seu peito até o abdômen, onde uma dor forte preencheu sua mente e seu corpo... Como se algo ou alguém estivesse lhe puxando. “Você...” começou levemente entristecido. “Está morrendo, Minseok. Está naquela floresta, desacordado”.
Jongdae deslizou pela terra, abaixando-se próximo ao líder e rapidamente girou seu corpo, enquanto as luzes das lanternas iluminavam o rosto de Minseok. Desesperado, o Mordomo gritou com os homens para que se apressassem em tirá-lo dali e, prontamente, o pegou no colo, correndo na direção do carro. E tudo diante os mares claros e brilhantes do líder parecia se passar em câmera lenta. Naquele ângulo, ele podia avistar a silenciosa lágrima escorrer dos mares escuros e marejados do rapaz.
_ Senhor... – chamou o moreno. – Por favor, resista. – pediu, mas os olhos de Minseok ameaçavam se fechar novamente. – Minseok! – berrou Jongdae, finalmente colocando o líder no banco de trás do carro. – Vai! – gritou com o motorista e logo desviou os olhos para o seu Mestre. – Sr. Kim, por favor.
E o veículo cantou pneu na terra, logo entrando na estrada, enquanto o Matador acompanhava a tudo em completo silêncio. Durante o trajeto, Jongdae gritava com Eunjung ao telefone, ordenando para que esta se apressasse em preparar a enfermaria para receber o líder ferido. Quando finalmente encerrou a chamada, jogou o aparelho para longe, voltando assim a pressionar o ferimento de Minseok.  A cada suspiro entrecortado do mais velho, mais o moreno se desesperava, repetindo para que este permanecesse acordado. O homem de madeixas acinzentadas observou calmamente as reações do mais novo e guiou os dedos ensangüentados até a face alheia.
_ Fique... Calmo... – sussurrou Minseok, tentando conter a dor.
_ Mantenha-se acordado. – implorou Jongdae, afagando a cabeça em seu colo.
_ Vai... – engoliu em seco. – V-vai ficar tudo...
_ Senhor, por favor. – pediu, derramando algumas lágrimas. – Fique acordado. Fique comigo...
_ Dae... – sussurrou, piscando devagar. – Eu...
Jongdae tentou compreender as próximas palavras do mais velho, porém nenhum som deixou seus lábios. No entanto, ele havia entendido os movimentos de sua boca pequena. Rapidamente, o Mordomo conteve as lágrimas e assentiu, depositando um selar em sua testa e sussurrou-lhe que guardasse suas forças para depois. Minseok fechou os olhos e assentiu, enquanto cerrava os dedos contra as vestes de seu seguidor. Já na mansão, Eunjung e Kyungsoo esperavam ansiosos pela entrada dos carros nos terrenos da Ordem. A médica mordiscava a ponta da unha, ainda nervosa pela demora e caminhava de um lado para o outro.
_ Por que essa... – começou ela, preocupada, mas logo foi interrompida pelo rapaz.
_ Eles chegaram. – anunciou Kyungsoo.
Os dois veículos entraram de supetão no terreno e logo um deles foi parado na entrada da casa. Prontamente, uma equipe médica apareceu, ajudando a abrir a porta, enquanto Jongdae retirava Minseok e o colocava sobre a maca. Eunjung ordenou para que os enfermeiros se apressassem e guiou-os na direção da enfermaria. Kyungsoo, que estava na entrada, notou que o moreno, em momento algum, havia abandonado o lado de seu Mestre e decidiu acompanhá-lo. Muitos dos caçadores que estavam na mansão, assistiram o trajeto e correram para a entrada da enfermaria, enquanto os primeiros procedimentos se iniciavam.
_ Ele está tendo um infarto! – alertou um dos enfermeiros.
_ Afastem-se! – gritou Eunjung, aplicando o desfibrilador contra Minseok. Ao encarar o monitor, notou que o mais velho não reagia.
Num impulso, Jongdae afastou a médica e iniciou uma massagem cardíaca no corpo, enquanto ordenava para que Kyungsoo – que estava lhe acompanhando – bombeasse ar para os pulmões do homem. E, nesse segundo, ninguém, exceto a dupla, se moveu. Os olhos assistiam atentos aos movimentos, enquanto o Mordomo continuava com o processo que não dava nenhum resultado.
_ Chega, Jongdae. – pediu Eunjung, tentando afastá-lo.
_ Não. – rosnou, ainda fazendo pressão. – Continue com a bomba, Kyungsoo.
_ Jongdae, chega. – desta vez, ordenou, e ao afastar as mãos do moreno, recebeu uma dolorosa tapa no rosto, cambaleando para trás.
_ Se não quiser que ele morra, é melhor se afastar! – berrou, tornando a massagear. – Vamos! Você não pode morrer...
Duas horas se passaram e, em momento algum, Kyungsoo e Jongdae deixaram de trabalhar no corpo. Jongdeok teve de segurar Eunjung, já que esta estava furiosa por ter apanhado do rapaz, ou acabaria dificultando o procedimento. As lágrimas do seguidor de Minseok desceram livres pela face suada e cansada, enquanto repetia em sussurros para que ele retornasse. O silêncio na enfermaria era horripilante e mórbido, como se houvessem declarado o óbito do líder da Ordem.
_ Você... Prometeu... – Jongdae bufou, choroso. – Você...
_ Sr. Kim! – anunciou Kyungsoo surpreso, ao que Jongdae ergueu os olhos.
E os primeiros batimentos cardíacos se iniciaram, ao mesmo tempo em que as forças de Jongdae se dissipavam, levando-o ao desmaio.

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