quarta-feira, 22 de junho de 2016

Moonlight - Capítulo Dezoito

Uma semana depois...
_ Professor? Professor Byun?
Baekhyun desviou os olhos lentamente para a voz que lhe chamava, notando que todos os seus alunos ainda lhe encaravam confusos. Afinal... Ele havia parado sua explicação sobre a importância da Revolução Industrial nas grandes obras do século 18. Juntamente com ele, estava o professor de literatura que também não compreendia o silêncio de seu colega de trabalho. O moreno piscou devagar e engoliu em seco, alegando que ambos os professores continuariam aquele tema na próxima aula, liberando os alunos mais cedo.
_ Está tudo bem? – questionou o homem de barba cheia e órbitas claras. Edward Hardy era o professor de literatura britânica daquela instituição há mais tempo que Baekhyun. Apesar da aparência grotesca e assustadora, ele era um dos homens mais simpático e engraçado dentre todos os professores. Superando até Aaron e Benjamin. – Você... Parece perdido.
_ Para dizer a verdade, eu não sei o que está acontecendo comigo. – explicou, sentando-se sobre a mesa.
_ Quer conversar? – sugeriu.
_ Eu... – suspirou Baekhyun, baixando os olhos. – Não. Obrigado, Ed. – agradeceu, sorrindo fraco.
Edward recolheu seus pertences, guardando-os em sua pasta e bateu levemente no ombro alheio, alegando que, se Baekhyun precisasse desabafar, ele estaria disposto a ouvi-lo. O moreno agradeceu novamente, assentindo e observou o outro deixar a sala de aula. Vendo-se sozinho, o professor bufou, deixando a mesa e seguiu para a janela, enquanto assistia a chuva fina cair do lado de fora. Inconscientemente, as imagens daquela noite retornaram em sua mente juntamente com as sensações. Ainda era possível sentir os lábios de Richard percorrendo seu corpo ou envolvendo seu sexo. Assim como também era possível notar aqueles rubis brilhantes lhes encarando com tanto desejo...
_ Te encontrei. – subitamente, Baekhyun virou na direção da voz grave e sorridente, avistando a fisionomia alta e esguia de Richard. – Eu... Estava te procurando. – porém, o professor nada disse, enquanto o outro adentrava a sala. – Eu pensei que nós poderíamos... Sei lá... – deu de ombros, mas ainda o observando. – Sair para comer alguma coisa.
_ Eu não posso. – respondeu, vendo-o franzir o cenho.
_ Não pode? – questionou, enquanto que, aos poucos, seu sorriso morria. – Espera... Ainda está chateado sobre aquela noite? Quer dizer, desde aquela noite, eu não conseguia te encontrar pelos corredores e...
_ Richard. – Baekhyun engoliu em seco. – Eu descobri que tenho de refazer alguns planos de aula. E... Eu estarei ocupado a semana toda.
_ Se precisar de ajuda, pode...
_ Eu pedirei aos outros professores. – interrompeu-o. – Aliás, ainda terei de me encontrar com Edward para definir a continuação da nossa aula. – declarou, sorrindo de leve e aproximou-se de sua mesa, arrumando suas coisas.
_ E semana que vem? – perguntou novamente. – Vai estar ocupado?
_ Talvez. – resumiu, fechando o zíper da bolsa e colocou a alça sobre o ombro. – Eu te ligo se sobrar algum tempo. – no entanto, ao tentar se afastar, sua mão foi segurada.
_ Olha... Se você está assim pelo que eu disse no pub... – e o olhou de soslaio. – Eu... Não estava mentindo. Eu gosto de você, Baekhyun.
_ Mesmo sabendo que estou noivo? – brincou sem ânimo.
_ Mesmo assim. – concordou.
_ Richard... – suspirou, soltando a mão alheia. – Eu... – e o olhou. – Eu vou me casar em breve.
O maior calou-se por longos minutos, enquanto era observado pelas mesmas brilhantes e intensas órbitas de Netuno. Era como se o destino brincasse consigo pela segunda vez consecutiva. Richard sorriu de leve, um pouco conformado e assentiu breve, baixando os olhos. Já Baekhyun apenas respirou fundo e baixou a cabeça, enquanto seu coração parecia quebrar sua caixa torácica. Não era para ele estar nervoso. E, antes mesmo que ele pudesse deixar a sala, seu rosto foi puxado para um ósculo afoito. O menor tentou afastar-se do mais novo, porém, quanto mais tentava, mais o bibliotecário o puxava contra si.
_ Rich... – ditou entre dentes, ao que o outro parou de súbito.
_ Naquela noite... Você não sentiu nada? – sussurrou.
_ Não vamos falar disso.
_ Mas eu quero. – foi firme. – Você não sent-
_ Me largue. – ordenou, em tom ameaçador. – Agora.
Ambos os olhos estavam tão próximos quanto às bocas que ofegavam baixinho. Baekhyun sequer tocava o chão já que estava suspenso nos braços do maior que estava visivelmente trêmulo. Num sussurro, o moreno repetiu para que voltasse para o chão e ao fazê-lo, se soltou dos longos braços do castanho. Logo, arrumou as próprias vestes e, sem proferir mais uma palavra, deixou a sala de aula. Na medida em que avançava pelos corredores, mais seu coração parecia acelerado e sua mente cada vez mais confusa. Porém, ele não mudaria sua postura.
_ Baekhyun! – chamou Richard, que não demorou em segui-lo. – Baekhyun, espera!
Mas o moreno fingiu não ouvi-lo e entrou na sala dos professores, fechando a porta e trancando-a. Passou as mãos pelo rosto, respirou fundo e apoiou-se sobre a enorme mesa, pensativo. O que estava acontecendo consigo? Afinal, o professor era maduro o suficiente para deixar claro o que queria ou não queria. Então, por que Richard insistia em tê-lo? E por que Baekhyun estava com medo do outro? Subitamente, algumas batidas na porta soaram do outro lado, enquanto a voz grave chamava seu nome.
_ Baekhyun, por favor. – implorou do outro lado. – Me escute pelo menos um pouco.
_ E o que você teria a dizer? – perguntou, desviou os olhos para a porta.
_ Talvez, a verdade...
Baekhyun jogou a bolsa sobre a mesa de madeira e retirou o celular, discando o número de seu irmão. No entanto, toda vez que discava, o mesmo caia na caixa postal ou estava desligado.
_ Olha, se está tentando ligar para a polícia, por favor... Não o faça. – pediu. – Eu não vou te machucar. Eu só quero conversar.
Mais três tentativas e a mesma resposta. Rediscou novamente, mas o outro não lhe atendia. O que havia acontecido para que Minseok não o atendesse? O professor tentou um número diferente e, de súbito, assustou-se com a voz calma de Jongdae.
_ Jongdae? – sussurrou, aliviado. – O que houve? Por que Minseok não está me atendendo? – e esperou. – Como assim, “ele ainda está dormindo”? – franziu o cenho e engoliu em seco. – Eu já disse para ele não participar de caçadas à noite... Enfim. Isso não importa. Os motivos por eu te ligar é que... Espera. Eu estou falando com você! – justificou, porém a resposta do Mordomo o calou ao que a chamada foi encerrada. – O que houve com ele?
_ Baekhyun. – e o moreno desviou a atenção para a porta. Era possível ver a sombra do maior sentado, já que o vidro era fosco. – Por favor... Me deixa explicar.
_ Explicar o que? – questionou num tom mais alto.
_ Meus sentimentos. – respondeu. – Eu... Quero que saiba dos meus sentimentos.
_ Richard... – respirou fundo. – Eu... Eu sinto muito se o iludi, fazendo-o pensar que eu estava gostando de você, mas... Eu estou noivo. De uma mulher.
_ Eu sei que está. – concordou. – Aliás, você deixou isso bem claro na nossa primeira conversa. – e a sombra se ergueu, aproximando-se do vidro. – Mas... Eu gosto de você. Eu não posso controlar meus sentimentos e acho um crime quem o faz, então... – devagar, o menor se aproximou e girou a maçaneta, abrindo a porta. Não demorou muito para que aqueles olhos grandes lhe encarassem longamente.
_ Você se lembra do que aconteceu naquela noite, não lembra? – perguntou.
_ Sim. – assentiu, sem desviar os olhos.
_ Também se lembra de que me levou para a cama? Contra a minha vontade? – e estreitou as sobrancelhas.

_ Eu sei que foi errado. – sussurrou.
_ Errado? – bufou, irônico. – Você me assediou. Aquilo é abuso e, em pleno século 21...
_ Eu sei que errei. Eu não devia ter feito aquilo! – admitiu, e num impulso, segurou o rosto alheio com as palmas grandes. – Mas eu não resisti. Eu não suportei a ideia de te ter ali, completamente entregue para mim e não fazer nada...
_ Canalha. – rosnou. – Que tipo de amigo você é? – e subitamente, afastou as mãos alheias com uma tapa. – Não se atreva a encostar em mim.
_ Baekhyun... – tentou chamá-lo.
_ Eu não acredito nisso, Richard. – suspirou, recolhendo sua bolsa e afastou-se. – Eu pensei que fosse meu amigo.
_ Espera... Baekhyun! – chamou, tentando segurar seu braço, porém, de súbito, Baekhyun acertou-lhe um chute na face, fazendo-o ir ao chão. O impacto lhe pegou de surpresa, como se aquela força pertencesse a um caçador da Ordem.
_ Eu tenho nojo de você. – praguejou, afastando-se pelo corredor.
Ainda no chão, Chanyeol observava o moreno desaparecer no fim do corredor e suspirou pesadamente, levantando-se. Aquela não era uma reação que ele esperava do humano, porém, ficou surpreso com a mesma. Devagar, o maior retirou os óculos e sorriu de leve, enquanto massageava o local atingido.
_ É, Bebê... – murmurou. – Você ainda tem a força do seu irmão.
As razões de Baekhyun ter esse ódio e medo de Richard não se remetia apenas ao fato de ter sido levado para a cama do outro contra a vontade. O que forçava o jovem professor a se afastar do bibliotecário era a estranha citação de seu irmão na conversa. Não. Ele não havia desmaiado completamente. Mesmo com parte de seus sentidos adormecidos, o moreno ainda conseguiu ouvir a rápida discussão entre o castanho e uma terceira pessoa, que parecia furiosa por ele estar ali.
“_ O que pensa que está fazendo? Está querendo iniciar uma guerra, Chanyeol? – dissera o visitante.”
“_ O que faz aqui? Achei que estivesse assistindo Minseok morrer. – respondera Richard.”
“_ Largue o garoto. – ordenou o outro e Richard riu.”
“_ ‘Largue o garoto’? – provocara. – É tudo o que tem a dizer?”
“_ Você está provocando a Ordem, Chanyeol. Em especial, Minseok. – alertou. – Sabe que se algo acontecer ao garoto...”
“_ O que acontecerá ao garoto ou não... Não é da sua conta, Sehun. – interrompeu-o. – Agora, volte para debaixo da saia de Luhan, que é o seu lugar.”
Baekhyun entrou no taxi e respirou fundo, indicando o caminho de sua casa, enquanto sua mente insistia em inúmeras perguntas sem resposta. Mas, afinal... Quem era o visitante furioso ao qual Richard chamou de “Sehun”? Por que Sehun insistia em chamar Richard de “Chanyeol”? E, principalmente... O que Richard quis dizer com “achei que estivesse assistindo Minseok morrer”?
_ Acho que está na hora de visitar a Ordem novamente. – murmurou, encarando o mundo através da janela.

As últimas investidas de Sehun contra Luhan foram precisas, proporcionando o prazer ao Príncipe que se esticou como um felino e arranhou as costas largas do ruivo, ferindo-o. Algumas gotas de sangue escorriam pelas costas alheias, manchando a tez clara e os lençóis da cama, no entanto, seus ferimentos logo se fecharam. Devagar, o mais novo abandonou o leito, seguindo para o mini-bar e serviu uma taça de sangue para seu Mestre, retornando.
_ Obrigado. – agradeceu, porém antes de levar a taça aos lábios, observou seu Matador recolher as próprias vestes e se vestir. – Vai a algum lugar?
_ Preciso continuar minha pesquisa. – resumiu, enquanto fechava os botões da calça.
_ Sobre essa nova raça? – questionou e Sehun assentiu. – Então, eu irei com você.
_ Não é necessário. – declarou e Luhan o olhou confuso.
_ Não é necessário? – repetiu.
_ O senhor ainda está se recuperando do incidente. – alegou, olhando-o. – Descanse um pouco. Não irei demorar.
Por que seu Matador estava recusando sua ajuda, quando ele sempre foi clamado pelo mais novo? O castanho o fitou por alguns segundos, notando a agilidade alheia em recolher seus pertences e desaparecer do cômodo. Por acaso, Sehun estava lhe provocando? Luhan respirou fundo, arqueando uma das sobrancelhas e deixou a cama, caminhando pelo quarto silencioso. Antes mesmo que vestisse o roupão rubro de seda, um vampiro de seu clã Ventrue surgiu na entrada, pronto para receber as ordens.
_ Deseja algo meu senhor? – perguntou.
E enquanto o Príncipe passava as ordens para o ventrue, Sehun pilotava sua moto na mais alta velocidade, chegando aos portões da Ordem em poucos minutos. Logo que estacionou, a guarda se prontificou nos muros, apontando suas armas na direção do Matador, que calmamente, removeu o capacete. E talvez, o ruivo entenda os motivos. Desde o combate mortal entre o líder da Ordem dos Caçadores e o “Lorde” – que resultou na vitória de Kim Minseok –, todos os caçadores da Instituição estão sob constante alerta, prontos para qualquer invasão da Máscara.
Para Sehun, a ordem de “vigilância 24 horas” não veio do Mestre deles, mas de alguém que conhece bem os vampiros tanto quanto Minseok. O Matador ergueu as mãos, em rendição e alertou que estava ali sob ordem do Príncipe. Entretanto, os portões não foram abertos, como de costume. As órbitas de Marte avaliaram atentamente cada um dos homens que lhe apontava as armas e esperou cauteloso, quando, finalmente a passagem foi aberta. E, ainda sob observação, o vampiro adentrou os terrenos da Ordem, parando próximo à construção. Por mais que não quisesse admitir, ali havia uma forte tensão como se, a qualquer momento, um caçador fosse atirar uma bala em sua cabeça.
Então... Se ele quisesse sobreviver, teria de ser o mais breve possível.
_ Surpreende-me vê-lo aqui. – a voz grave chegou aos seus ouvidos com certa autoridade. Logo que Sehun desceu da moto e subiu as escadas, Jongdeok se pôs a sua frente, cruzando os braços, rente ao peito. – O que quer?
_ Vim sob ordens do Príncipe. – mentiu, enquanto o observava com calma.
_ E desde quando seu Mestre se importa com o nosso? – provocou.
_ Basta, Jongdeok.
E a atenção dos dois homens se desviou para a escada, onde um terceiro, de rosto cansado e vestimentas simples, descia os degraus. Mais parecia que aquele homem não havia dormido por dias e ainda estivesse em vigília constante. Os passos calmos do moreno seguiram até o hall de entrada e finalmente parando ao lado do irmão mais velho, que se afastou desconfiado, desaparecendo em pouco tempo de vista. Sehun podia notar – independente se fosse uma criatura da noite ou humano – as enormes olheiras por baixo dos olhos pequenos. Além, é claro, da palidez de Jongdae.
_ O que faz aqui? – suspirou o Mordomo, desta vez, num tom mais brando. – Achei que Luhan soubesse da situação do Sr. Kim.
_ Na verdade... Ele não sabe. – admitiu. Os olhos pequenos se desviaram para os semelhantes rubis por alguns segundos, antes de assentir e se afastar em direção à escadaria. Não demorou muito para que Sehun o seguisse e juntos, subissem os degraus. – Como está o Sr. Kim?
_ Em coma. – declarou cansado, como se repetisse a mesma história para uma criança. – Os médicos o deixaram assim para melhor se recuperar dos ferimentos. No entanto... – e parou de andar em meio ao corredor. – Acho que estão o torturando cada vez mais. – logo, Sehun o olhou. – Estamos filtrando o sangue dele a cada duas horas, por conta do veneno que havia na lâmina. E a cada dia que se passa... Ele parece definhar.
_ Há alguma chance de sobreviver? – questionou, tornando a segui-lo quando Jongdae continuou.
_ Não sabemos. – admitiu visivelmente perdido. – Para dizer a verdade, há muita coisa que ainda não sabemos.
_ Como o que, por exemplo?
_ Sua aparição. – e o olhou, parando próximo ao escritório do líder. – O que veio fazer aqui? Está sob ordens de Luhan?
_ Não. – negou. – Meu Mestre não sabe que vim à Ordem.
_ Então, por que veio? – estreitou as sobrancelhas.
_ Eu... Vim buscá-lo. – declarou e Jongdae franziu o cenho. – Há dois dias, encontrei um lugar suspeito onde possivelmente pode estar essa nova raça.
_ Possivelmente? – questionou. – Então, você não tem certeza?
_ Dois homens, como o daquela noite, deixaram o local acompanhado de uma garota menor. – explicou. – Eu sei o que eu vi e preciso que venha comigo.
_ Sehun, eu... Agradeço a informação, mas...
_ Podemos provar o que encontramos, Jongdae. – garantiu.
_ Eu não deixarei o meu posto. – concluiu, como se não fosse interrompido. Em resposta, Sehun se calou e o moreno suspirou. – A Ordem está um caos, os “recrutas” estão assustados, os caçadores tiveram que deixar suas famílias para proteger a Instituição. Estamos em vigilância constante por que não sabemos quando seremos atacados novamente.
_ Quem comanda a Ordem? – perguntou.
_ Isso não importa...
_ Seu Mestre foi derrubado. – interrompeu. – E, pelo que conheço das regras da Ordem, há sempre um substituto. Agora... Quem comanda, nesse momento, a Ordem?
_ Eu. – respondeu, após longos segundos. – Eu sou o líder temporário da Ordem desde uma semana atrás.
Devagar, o ruivo se aproximou do homem e descansou a palma gelada contra a face alheia, ao que Jongdae fechou os olhos, relaxando um pouco. O contato frio contra a pele quente parecia tranqüilizar os pensamentos do humano. Pelo menos, parcialmente. Sehun percebeu a enorme pressão que o moreno estava recebendo e aquilo estava piorando seu estado.
_ Você está cansado. – sussurrou, roçando os lábios contra a testa alheia. – Devia tirar algum tempo para dormir.
_ Quem me dera poder dormir. – zombou, suspirando. – Eu não posso. Não enquanto meu Mestre estiver desacordado. – e o afastou.
_ Então, não virá comigo? – continuou. – Para tentarmos descobrir o que é essa nova raça?
_ Achei que tinha descoberto. – o fitou.
_ Eu estava esperando por você.
Gradativamente – e visivelmente cansado –, Jongdae arqueou uma das sobrancelhas, sem realmente acreditar no que havia acabado de ouvir. Se aquilo era alguma cantada de Sehun, com certeza, ele não estava interessado. Em resposta, o humano sorriu e suspirou, balançando a cabeça.
_ Eu... Agradeço pelo que fez por meu Mestre, mas... Acho melhor você ir sozinho. – sugeriu, adentrando o escritório. Não demorou muito para que Sehun o seguisse, levemente confuso. – Acredite: a Ordem está em dívida com você, Sehun, no entanto... – e se virou para o ruivo. – Não posso acompanhá-lo nessa investigação.
_ Não pode... Ou não quer? – questionou.
_ Não posso. – esclareceu. – A Ordem precisa de um comandante. Não posso deixá-los na mão.
_ Entendo. – assentiu, aproximando-se do menor.
Jongdae recostou-se à mesa, cruzando os braços próximos ao peito e assistiu o ruivo diante de si. Talvez fosse sua mente confusa, devido a falta de sono e seguidas noites em claro, mas era possível notar um brilho diferente naquelas órbitas de Marte. Sehun suspirou leve e, num impulso, aproximou ambas as faces, provocando, em seguida, um selar demorado. Delicadamente, os lábios finos sugaram os semelhantes e, em pouco tempo, o moreno correspondeu ao ósculo. A posição fechada e “autoritária” do humano foi desfeita e logo as mãos seguraram as madeixas avermelhadas, enquanto que as palmas alheias lhe puxavam pela cintura. Friccionaram os pequenos músculos, provocando leves correntes elétricas pela extensão dos corpos.
_ Espere... – interrompeu, ofegante. O que diabos, Jongdae estava fazendo? Por que seu coração estava tão confuso?
Sehun encarou o menor que lhe soltava aos poucos e afastava-se, seguindo para a janela. E, no que o vampiro encontrava-se confuso, o humano estava nervoso. Afinal, Jongdae havia deixado bastante claro – para o seu coração – que este possuía um dono. Então, por que aquele ventrue estava confundindo seus pensamentos? Aliás, não é possível que o Mordomo esteja dividido entre o Matador do Príncipe e o Líder da Ordem... Ou é?
_ É melhor você ir. – murmurou o moreno, passando a mão pela face.
_ Não virá comigo? – questionou próximo à orelha. Nem mesmo o Mordomo sentiu a presença do outro se aproximar.
_ Não. – declarou, encarando-o de soslaio.
E, sem proferir mais uma palavra... Sehun deixou o escritório. Jongdae suspirou pesadamente, voltando a encarar a janela, enquanto observava o ruivo desaparecer atrás dos portões. Por mais que seja uma decisão difícil, foi a mais coerente a ser tomada. No entanto... “Coerente” para quem? Para não magoar os sentimentos de seu Mestre? Ou para a Ordem, que está completamente fragmentada?
Entretanto, Minseok lhe questionaria por que ele não concordara em investigar sobre essa nova ameaça.
_ Jongdae. – a voz de Jongdeok rompeu seus pensamentos logo que adentrou o cômodo.
_ Jongdeok. – se virou, caminhando até o irmão. – Preciso que vigie o Mestre. – e passou por este.
_ Mas... Espera. Aonde vai? – questionou, seguindo-o.
_ Resolver alguns assuntos. – respondeu, pegando o celular do bolso e discando rapidamente um número. Logo no segundo toque, a voz de Sehun soou na outra linha. – Eu irei com você. – e desligou.
Em pouco tempo, o moreno vestiu suas roupas – específicas para caçar – e deixou o quarto, ainda sob o constante questionamento de Jongdeok. Jongdae suspirou, alegando que não demoraria tanto e desceu as escadas, se dirigindo ao hall de entrada. No entanto, ao abrir a porta, um arrepio violento percorreu sua espinha, enquanto seu corpo permanecia estático diante as órbitas de Netuno. E parecia que o tempo estava contribuindo com o visitante, já que, segundos depois, um relâmpago, seguido de um estrondoso trovão surgiu atrás de si.
Independente de quem fosse o dono, aquelas íris sempre o fazia tremer.
_ Boa noite, Jongdae. – desejou Baekhyun, que, em silêncio avaliou as roupas do Mordomo. – Pretende ir a algum lugar?
_ E-eu... – como Jongdae poderia ficar nervoso diante de Baekhyun? Seria por que o moreno não esperava a presença do mais novo naquela noite? Ou por ter desligado a chamada que recebeu do menor? – Pretendia. O que faz a essa hora tão tardia na Ordem? Eu não achei que fosse...
_ Vim conversar com você e Minseok. – resumiu. – Podemos entrar? – sugeriu, passando pelo moreno que o acompanhou nervoso com os olhos. – Meu irmão está?
_ O Sr. Kim está descansando. – explicou, fechando lentamente a porta. – Eu lhe disse que ele havia caçado...
_ Então, pode acordá-lo. – decidiu, caminhando na direção da escadaria. – Estarei esperando-o no escritório...
_ Sr. Byun. – chamou Jongdae, apressando-se em segui-lo. – Será que não podemos ter essa conversa num outra hora?
Subitamente, Baekhyun parou de andar.
_ Aconteceu alguma coisa na Ordem que eu não sei? – e desviou a atenção para o moreno que novamente travou o corpo. – Ou melhor... – desta vez, os três chefes dos departamentos surgiram no alto da escada. – Aconteceu alguma coisa à Minseok... Que você não me contou?
O Mordomo alternou os olhos entre o trio e o irmão mais novo de seu Mestre, sem proferir uma única palavra. O que ele diria: o que houve anterior ou posterior ao ocorrido? Deduzindo que aquela resposta silenciosa era suspeita – afinal, Jongdae não conseguia guardar muitos segredos. Essa função cabia à Minseok –, o professor subiu as escadas correndo e disparou pelos corredores, ao que o quarteto o acompanhou na mesma velocidade, chamando-o constantemente. No entanto, nenhum deles conseguiu impedir Baekhyun de adentrar os aposentos de Minseok, que estancou subitamente na entrada, enquanto encarava aquela cena, incrédulo.
_ M-mas... – sussurrou.
_ Baekhyun. – Jongdae puxou o menor para fora do cômodo e, prontamente, as portas se fecharam, enquanto Yixing as trancava com a chave. – Eu posso explicar, mas, por favor...
_ O que aconteceu com ele? – o terror estava estampado nos brilhantes Netunos, que sequer desviou a atenção para as portas de carvalho. Ele nunca vira o irmão daquela forma. – Diga-me que aquilo não é verdade. Diga-me que eu não vi o que vi...
_ Por favor, se acalme. – pediu Eunjung, tentando tocá-lo, porém, suas mãos foram afastadas pelo moreno.
_ Não! – gritou nervoso. – Jongdae! O que aconteceu com Minseok?! Por que ele está daquele jeito? – e apontou para a porta.
_ Ele estava... – começou Jongdeok, mas foi interrompido pelo irmão mais novo.
_ Cale-se, Jongdeok! – ordenou, respirando fundo. – Baekhyun, por favor. Eu preciso que fique calmo e...
_ Eu quero respostas! – gritou o moreno.
Enquanto Jongdae tentava explicar à Baekhyun sobre o ocorrido, Yixing se aproximou do menor e bloqueou seus olhos com uma das palmas, enquanto cercava-lhe o corpo com o outro braço. E, ao lhe sussurrar algumas palavras no ouvido, o moreno adormeceu de imediato, sendo sustentado pelo outro. Eunjung e Jongdeok alternaram os olhos entre si, perplexos com o que haviam presenciado, enquanto o chinês arrumava o professor no colo, guiando-o pelo corredor.
_ Yixing... – chamou Jongdae, ao que o outro parou, desviando os olhos para o Mordomo.
_ Vá. – incentivou-o. – Você tem assuntos a resolver. Eu cuido de Baekhyun. – e sorriu leve, tornando a caminhar pelos corredores.
Jongdae ainda assistiu a dupla desaparecer no corredor antes de deixar a mansão. Dirigiu para além dos portões e ao parar no sinal, a porta de seu carro se abriu, enquanto Sehun se acomodava no banco do passageiro.
_ Sabe qual é o endereço? – questionou o humano, encarando o semáforo.
_ Conhece a boate que todos os jovens comentam, mas são poucos os que a freqüentam? – e o olhou.
_ Conheço. – respondeu, partindo em seguida. – O que vamos encontrar lá?
_ Bom... Para isso, vamos ter que descobrir. – e sorriu, calando-se.

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