sábado, 4 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Dois

_ Vamos dormir? – as mãos frias de Taeyeon tocaram o peito desnudo de Baekhyun, que fitava a janela molhada longamente.
Desde a visita de seu irmão à sua casa, Baekhyun ainda ficou perdido em seus próprios pensamentos, na intenção de entender as razões da visita alheia e suas palavras. O moreno suspirou, fechando os olhos, enquanto sentia os lábios rosados na noiva deslizarem por seus ombros e, em especial, a marca de mordida em seu ombro direito. Um sorriso leve transpareceu seus lábios, enquanto os olhos azuis se desviaram para os semelhantes castanhos da menor e, num rápido movimento a pegou no colo, guiando-a até a cama.
Deitando-a sobre o leito, Baekhyun se projetou sobre o corpo formoso, colando os lábios num beijo calmo, enquanto removia as roupas de dormir da noiva. As palmas quentes percorreram pela tez pálida, provocando um choque de temperaturas e fazendo os pelos da mais velha eriçarem. As unhas curtas rasparam pela extensão das costas, agarrando-se por fim, as madeixas escuras, enquanto ambos os corpos roçavam-se sensualmente. Taeyeon cercou uma das pernas em torno da cintura alheia, invertendo rapidamente as posições e projetou-se sobre o noivo, rebolando contra seu membro.
O professor fechou os olhos lentamente, removendo as ultimas peças de roupas de ambos e puxou a menor para mais um beijo fogoso. Baekhyun encaixou-se entre as coxas fartas da mais velha, afundando-se em seu interior, enquanto escutava-a gemer baixinho em resposta a invasão. Taeyeon fitou o amado ofegante, sorrindo de leve e moveu-se contra o falo alheio. As mãos firmes do moreno seguraram-na, fazendo-a cavalgar veloz sobre si, enquanto sentia seu peito explodir em excitação. E, entre os gemidos e pedidos no ato, algo nublara a mente do mais novo, que se perdia em meio aos toques e beijos.
Por um instante, Baekhyun sentiu que havia mais alguém dentro daquele quarto. Mesmo que suas mãos segurassem o corpo da noiva que se chocava contra o seu em movimentos rápidos, o moreno sentira seu próprio corpo inverter as posições e estocar a moça com força. Aquilo, supostamente, eram seus desejos fora do controle? As palmas estapearam as coxas e nádegas de Taeyeon, que gemera, agarrando-se em seus cabelos. Por fim, o mais novo selou-lhe a tez brilhante de suor, marcando o pescoço e os seios rosados.
Moveram-se em união, enquanto os sons de seus corpos se chocando ecoaram pelo grandioso cômodo. Os dedos escorregaram pela pele quente do moreno, que se projetava sobre ela, assistindo-a se contorcer em prazer. As mãos trêmulas da mulher cerraram contra os lençóis, puxando-os para cobrir o torso desnudo, enquanto sentia-o marcar-lhe os ombros e as saboneteiras.
Correntes elétricas percorreram pelas peles como combustível para todo aquele fogo. Algumas gotas de suor desciam pela face de Baekhyun, colando alguns fios negros em sua testa. Num impulso, o moreno puxou-a para seu colo, segurando-lhe os cabelos e forçou-a contra seu membro, ao que Taeyeon gemeu arrastado, afundando as unhas em sua pele. Arfaram contra os lábios entreabertos, suplicando por mais daquele desejo que os unia.
_ Por favor... – sibilou a voz feminina. – Mais...
Aquele pedido era como musica aos ouvidos do vampiro, que sorria malicioso em resposta, fechando os olhos. Um suspiro longo escapou de suas narinas, para então, assistir o jovem professor acelerar as estocadas. Comandar aquele momento era mais do que um deleite para si. Aliás, ele sabia que os dois – ele e Baekhyun – possuíam uma conexão desde o incidente na Coréia do Sul. Aquela marca que ele carregava nos ombros era como um rastreador para Chanyeol. No fundo, seu objetivo era localizar sua vítima.
Os olhos vermelhos estavam bem presentes à mente do moreno que maltratava o maxilar delicado da noiva, mordiscando-lhe o lóbulo da orelha em seguida. Os dentes da mais velha prenderam o lábio inferior do professor, que ofegava em meio às estocadas. Chanyeol reprimiu uma risada ao vê-lo jogá-la novamente sobre a cama e se afundando em seu cheiro.
_ Vamos apimentar esse momento... – seu sussurro chegou aos ouvidos do mais novo que apenas respirou fundo, fazendo novas investidas contra o corpo feminino.
E mais gemidos ecoaram pelas paredes, provocando-lhes a cada nova estocada. As pernas torneadas da mulher laçaram a cintura do amado, facilitando-lhe os movimentos, enquanto implorava-lhe por mais daqueles toques. Baekhyun sentiu seu corpo fora de controle, sucumbindo aos desejos insanos de possuí-la. Apertou-lhe as coxas fartas, deixando ali marcas arroxeadas de suas palmas. Gradativamente, suas forças foram se dissipando e, em sua ultima investida, desmanchou-se no interior de Taeyeon, que gritou em prazer.
Com o indicador preso aos dentes, Chanyeol sorriu em malícia, deslizando a ponta da língua pelo ferimento aberto. Observava-os atento aos últimos movimentos do professor de história, que abandonara o corpo da amada, deitando-se ao seu lado e desmaiou em seguida. Balançando levemente a cabeça em negação, o vampiro suspirou deleitoso e desviou a atenção para a mulher que se aproximava de si, completamente nua.
_ Por que não nos divertimos agora? – ela sugeriu, lambendo o rastro de sangue de sua mão, para então, sugar o indicador, provocante.
_ Por que não? – sorriu satisfeito, puxando-a para o seu colo e afundou as presas em seu pescoço.

Os orbes azulados fitavam atentos ao laço que as mãos faziam, enquanto fechava o roupão escuro em seu corpo. Algumas gotas da água ainda escorriam pelos cabelos acinzentados, devido o banho demorado. Os pés descalços caminharam sobre o azulejo branco e frio, mas logo pararam diante o espelho, onde a atenção do caçador se desviou de seu reflexo para as janelas da varanda aberta. Encostado ao parapeito da varanda, vestindo uma calça preta, botas de couro e uma camisa branca semi-aberta, Luhan sorria para o anfitrião de braços cruzados, esperando apenas a permissão alheia para entrar no quarto.
_ Que bela visão! – comentou o Príncipe, olhando-o de cima a baixo. – O que eu não daria para marcar essa tez imaculada...
_ A cada dia me surpreende, Príncipe. – Minseok o olhou se aproximando da varanda. – Mas poderia evitar esses comentários.
_ Oh! Não sabia que meu comentário o deixava constrangido. – e riu, apoiando as mãos no parapeito.
_ Claro que não. – e parou no portal da varanda, vendo-o se aproximar lentamente. – Na verdade, estou mais do que acostumado.
_ Suponhamos que eu acredite... – cerrou os olhos, assentindo.
_ Então, posso começar a reunião? – continuou.
_ Claro.
Minseok logo seguiu para a mesa de cabeceira, retirando da gaveta um envelope lacrado e voltou para a varanda, entregando ao castanho. Os orbes vermelhos desviaram curiosos da face redonda para a carta, abrindo-a e examinando suas informações. O líder da Ordem permaneceu em silêncio, esperando uma autorização – ou pronunciamento – do Príncipe que sorria levemente, desviando a atenção para o homem.
_ “Quer minha autorização para matar o Lorde”? – questionou. – Esse é o outro assunto que deseja resolver?
_ Sim. – foi direto. – E você deve saber as razões, não? Aliás... Esteve presente na noite em que meu pai foi morto.
_ Sim, estive. – assentiu, imerso nas antigas lembranças. – Seu pai foi um bom homem. – e devolveu a carta ao envelope. – Pelo menos, com seres de sua espécie. Mas, por favor. – suspirou, gesticulando para que iniciasse sua fala.
_ Pois bem. – Minseok fitou o envelope em mãos. – Não preciso repetir o que acontecera em agosto de 95, já que sua mente é tão viva quanto a minha. O “Lorde”, conhecido como Park Changmin, assassinou meu pai, Kim Baekhyung, e destruiu a Sede principal na Coréia do Sul.  Não havia razões plausíveis para tal matança que quase resultou na extinção da Ordem dos Caçadores. Ou se existia motivos, estas não eram suficientes para causar a morte de mais de 900 pessoas. – e continuou. – E esse número poderia ter sido maior se alguns caçadores não tivessem escapado, incluindo a mim e meu irmão.
_ E quer vingança contra o Lorde? – Luhan o olhou.
_ Sim. – respondeu. – Aliás, sabe que esse assunto é mais do que particular, não sabe?
_ A escolha é um pouco confusa. – riu, examinando-o. – Seria mais aceitável se você escolhesse matar a cria ao invés do criador. Afinal, não fora Changmin quem tentou matar vocês. E eu sei Sr. Kim. – respondeu. – Entretanto, não se esqueça de que o “Lorde” é pai de Chanyeol. Posso autorizar sua morte, mas não lhe garanto se seu filho resolver se vingar.
_ Sobre Chanyeol, deixe. Eu resolverei isso depois. – suspirou, voltando os olhos azulados aos semelhantes carmins. – E por hora, é apenas isso.
_ É uma pena. – seu sorriso sequer desapareceu de seus lábios. – Eu esperava mais do que uma conversa... Minseok.
O líder da Ordem sorriu de leve, observando o outro se afastar de si para então, avançar um passo para fora do quarto. Luhan assistiu o homem deixar os limites de proteção, enquanto suas presas se faziam presentes em meio ao largo sorriso. Logo, suas mãos moveram as janelas, fechando-as de leve e, prontamente, o puxou pelo roupão, colando os corpos. Minseok arqueou uma das sobrancelhas, examinando o vampiro de perto, que deslizava as palmas pelo torso coberto, desfazendo o nó do roupão e abriu-o. Assim que as íris avermelhadas desceram para o tronco nu e forte, uma corrente elétrica transpassou pelo corpo do Príncipe, enquanto escutava o sangue do caçador pulsar pelas veias e correr por todo o organismo.
_ Era isso o que queria? – questionou, vendo-o erguer os olhos para fitá-lo.
_ Oh, por favor. – sussurrou, aproximando os lábios da tez quente. – Um pouco mais, sim? – segredou contra o pescoço alheio, selando-o longamente.
_ Seu Matador se sentirá traído. – falou, vagando a atenção pelo grandioso jardim.
_ Sehun não é ciumento. – sibilou, desviando os olhos sanguinários para a face alheia. – Muito menos, eu. Juntos, possuímos um relacionamento aberto. – e sorriu. – Ele se deita com quantos quiser e eu... Deito-me com você.
_ Então, sou uma diversão para você? – desta vez, Minseok desviou os olhos para o castanho.
_ Mais do que isso. – Luhan ficou de pé, pousando ambas as mãos na face do caçador. – Muito mais.
Na medida em que o maior se aproximava do caçador, suas mãos deslizavam pelo torso despido do menor, cercando os braços entorno dele. Por fim, os lábios rosados selaram os semelhantes do homem, sugando-os delicadamente. Um novo sorriso se formou nos lábios do Príncipe que raspou os dentes no lábio inferior alheio, escutando-o suspirar arrastado. Mesmo considerando os humanos como suas fontes de alimentação, não havia como não se divertir com suas reações prazerosas. Porém, Luhan conseguia enxergar naquele líder o que não conseguia fazer aos outros. Para ele, Minseok possuía um estranho poder de atração que fazia os pensamentos do vampiro saírem do foco. Principalmente, quando se deitava com Sehun.
Lentamente, o castanho abriu os botões da própria camisa, guiando uma das mãos do humano até seu peito, ao mesmo tempo em que lhe invadia a cavidade, pacientemente. A língua pequena explorou-lhe a boca, incitando-o a acompanhar seu ritmo. Minseok sugou o pequeno músculo que trabalhava contra a sua semelhante, friccionando-a e mordiscou-lhe o lábio inferior, arrancando um gemido baixo e deleitoso de Luhan.
_ Espero que tenha se alimentado. – sussurrou o caçador.
_ Estou bastante satisfeito. – sorriu. – Agora, permita-me...
A língua impiedosa deslizou desde a saboneteira até o maxilar, provocando arrepios no caçador, que respirava com dificuldade. Aos poucos, o Príncipe encostou-se ao pilar, abrindo as pernas e encaixando-o entre elas. E, enquanto maltratava o pescoço alheio com selares longos, Luhan movia o menor contra si, roçando seu membro desperto contra o outro. Minseok resistiu aos toques alheios, mas não o afastou, já que interrompê-lo naquele momento não seria nada bom para eles. Sua cabeça tombou sobre os próprios ombros, sentindo o maior inverter as posições e sentá-lo sobre o parapeito, abrindo suas pernas.
As mãos deslizaram pelo interior do roupão, puxando as pernas alheias e encaixando-se entre elas, enquanto provocava-lhe, roçando a calça contra a sua intimidade. Mais uma vez, as bocas se colaram, porém, Minseok teve de se segurar no maior para não ir ao chão, já que seu corpo estava suspenso. Seu peito subia e descia afoito, numa tentativa falha de recuperar o fôlego que perdia em baforadas fortes e, por um instante, percebera que o maior se divertia as suas custas.
_ Chega, Luhan. – murmurou.
_ Eu ainda nem comecei. – riu o castanho, cerrando uma das mãos em torno do membro alheio. – Apenas relaxe, sim?
E, em movimentos lentos e precisos, o Príncipe moveu sua mão contra o falo semi desperto. O homem de cabelos acinzentados apertou os olhos, segurando-se nas madeiras castanhas e mal-arrumadas do vampiro, que suspirava contra a sua pele, sorrindo abertamente. Luhan selou-lhe a bochecha corada, pedindo-lhe para que se entregasse de uma vez, mas Minseok seguiria firme contra a sentença alheia. Mal se lembrava quando fora a última vez que dormira com um homem, porém, certamente, não seria com aquela criatura que iria adormecer ao lado. Os orbes azulados abriam com dificuldade, encarando os semelhantes avermelhados que o admiravam em silêncio.
Logo, uma fina camada de suor se formou em seu peito, enquanto um calor absurdo tomava conta de seu corpo. Por uma fração de segundos, Minseok assistiu Luhan deslizar a língua por seu tronco, afundando o rosto na curva de seu pescoço e sussurrou “goza para mim”, arrancando, não apenas um longo arrepio, mas também um gemido baixinho. O caçador nunca chegara a tal ponto. Pelo menos, não ao ponto de gemer para aquele estranho tão conhecido e tão familiar.
_ Vamos, Minseok... – sibilou contra os lábios alheios. – Mais um pouco...
O corpo pequeno saltou e mais um gemido escapara pela fenda dos lábios, que eram aprisionados pelos dentes pequenos. Sua cabeça balançou rápido de um lado para o outro, negando-se acreditar que estava cedendo aos toques firmes do vampiro. Algumas gotas de suor escorreram pela face, que se contorcia em deleite aos movimentos. Num rápido movimento – mal acompanhado por Minseok –, Luhan removera a camisa e se colou ao peito do menor, iniciando mais um beijo luxurioso, enquanto bombeava o membro ereto.
As mãos ágeis agarraram os ombros do Príncipe, que ainda mantinha um sorriso malicioso estampado no rosto, enquanto respirava agitado. Logo a boca alheia fora abandonada e uma trilha de beijos fora depositado pela extensão do rosto e ombro do caçador. Minseok tombou a cabeça para trás, sentindo todo o seu corpo tremer em pequenas convulsões para, finalmente, desmanchar-se entre os troncos despidos. Um gemido arrastado deixou seus lábios trêmulos, enquanto puxava sôfrego, algum resquício de ar para seus pulmões desesperados.
_ Descanse, meu pequeno. – murmurou Luhan contra seu ouvido, descansando a cabeça contra seu ombro. Com a mão limpa, afagou-lhe os cabelos acinzentados, enquanto examinava a suja com satisfação.
_ Puta que pariu... – sussurrou o caçador, sem forças.
_ Foi divertido. – comentou, olhando-o de soslaio.
_ Fale por você. – aos poucos, sua respiração se normalizava.
_ Vai me dizer que não gostou? – e o olhou longamente.
Minseok encarou os orbes carmins e bufou, sorrindo. Não podia negar que não gostara, aliás, aquilo fora mais do que uma simples explosão de hormônios. Com ele, era sempre muito mais. Entretanto, não podia permitir que seus seguidores descobrissem sobre aquilo. Lentamente, o líder apoiou-se nas pernas bambas, sendo sustentado pelo maior que o fitava em silêncio.
_ Você precisa ir. – falou. – Ou meus garotos tentarão caçá-lo.
_ Quer que eu vá? – questionou. – Mesmo depois do que fizemos?
_ Não pode ficar aqui. – e o olhou. – E você tem seus assuntos para resolver.
Luhan fitou aqueles olhos de gato por longos segundos, mas antes de tomar seus lábios num beijo delicado, Minseok virou o rosto, recebendo assim, um beijo estalado em sua bochecha. Sob o olhar desejoso do Príncipe, o caçador despediu-se com um leve aceno, arrumando o roupão sobre o corpo e entrou no quarto.
_ Seu assunto é urgente? – sibilou, apoiando-se na porta da varanda.
_ Muito. – o olhou, mancando até o banheiro.
_ Por que não se despe e me deixa examinar de perto? – sugeriu, sorrindo.
_ Não tinha assuntos para resolver? – suas sobrancelhas arquearam-se em confusão.
_ Não acredito que vai me abandonar.
_ Não estou abandonando-o. – e sorriu. – Tenha uma boa noite, Luhan.
O vampiro suspirou longamente, vendo-o desaparecer no interior do banheiro. Devagar, caminhou até o pilar, apanhando a camisa e sentou-se no parapeito de concreto, enquanto examinava a mão suja de fluidos do caçador. Um sorriso transpareceu seu rosto, voltando os olhos avermelhados para o interior do cômodo.
Alguns minutos se passaram até que Minseok voltou desta vez, vestindo uma calça de algodão preta e apoiado na bengala de madeira. Em passos lentos, ele se aproximou do parapeito, encostando-se e jogou ao outro, uma bolsa de sangue. Luhan segurou-a, confuso com aquele presente, mas logo seus orbes reconheceram o tipo sanguíneo e o pertencente daquele sangue. Lentamente, desviou a atenção para o caçador que assentira, tomando um gole de uísque.
_ Antes que eu me esqueça... – pronunciou-se o homem. – Feliz aniversário.
_ Tenho mais de 800 anos. Que diferença faz entre mais um ou menos um? – e riu.
_ É só uma data que eu considero importante. – deu de ombros. – Mas se não gostou do presente, pode devolver.
_ Jamais. – sorriu, voltando a olhar para a bolsa. – Seu sangue, com certeza, é o melhor presente.
_ Considere-se honrado.
_ Eu me sentiria mais honrado... – devagar, o vampiro se aproximou do caçador, apoiando os braços em cada lado do corpo alheio. – Se o tirasse da fonte.
_ Contente-se apenas com a doação. – e ergueu uma das sobrancelhas. – Nada mais que isso.
_ Eu entendo. – assentiu, rindo. – Mas diga-me: e se Chanyeol resolver ir atrás de seu irmão? Como uma forma de se vingar pelo que você fará com o pai dele?
_ Eu pensei nessa hipótese. – murmurou. – Mas não vou permitir que ele se aproxime de Baekhyun.
_ Você sabe como somos. – lembrou-o, examinando a bolsa. – E ele é capaz de fazer tudo para capturar seu irmão.
_ Está tentando me convencer a desistir da ideia? – Minseok o encarou.
_ Estou tentando convencê-lo a repensar nela. – respondeu. – Sei que é um grande caçador, Minseok. Eu acredito no seu potencial, mas não se esqueça de que o “Lorde” é mais experiente em caça. E que no que seu filho também pode fazer.
_ Obrigado pelo aviso. – agradeceu, erguendo o copo com o último gole de uísque e tomou-o em seguida. – Agora, tenha uma boa noite.
Devagar, Minseok seguiu para dentro do quarto, sendo impedindo logo na entrada. Seus orbes azulados desviaram para a mão que segurava seu braço e ergueram-se para o rosto sério e os olhos vazios do Príncipe. Lentamente, os orbes avermelhados fitaram o rosto sereno do caçador que esperava seu pronunciamento. Aos poucos, se aproximou o suficiente para depositar um selar em sua testa, soltando-o.
_ Só peço-lhe que tome cuidado. – alertou-o. – Não estarei por perto para protegê-lo quando decidir matá-lo.
_ Eu sei. – concordou, sorrindo leve. – Estará do lado deles.

Os passos cansados do vampiro de madeixas castanhas mal ecoavam contra o piso de azulejos. Segurando as botas em um das mãos, a camisa branca na outra, juntamente com a bolsa e o envelope, Luhan subiu as escadas de mármore até seu escritório, enquanto seus pensamentos vagavam pelas informações daquela noite. Minseok estava disposto a matar o “Lorde”, o que possivelmente acarretaria uma vingança de seu filho caso fosse um sucesso e, conseqüentemente, uma nova guerra entre a Ordem e a Máscara se iniciaria. Tudo isso... Por causa de uma decisão precipitada tomada há 20 anos.
_ E como foi a noite com o caçador? – a voz rouca lhe arrancara de seus pensamentos, ao que o Príncipe ergueu os olhos, direcionando-os à cama, onde seu Matador estava sentado. Provavelmente, lhe esperando.
_ Normal. – deu de ombros, colocando as botas no closet e jogou a camisa sobre a cadeira, que cobriu a bolsa e o envelope. – Nada muito excitante, por quê?
_ Não é o que seu corpo diz. – Sehun gesticulou para o tronco despido de seu mestre. Luhan seguiu seu olhar, vendo-o se levantar e parar diante de si, deslizando os dedos próximos ao ventre do mais velho. – Ainda tem um pouco de porra aqui.
Ambos fitaram o dedo sujo do mais novo, voltando a encarar, um a face do outro. O silêncio entre os dois se estendeu por longos minutos, ao que o Matador limpou a ponta do indicador com a língua, resultando num repuxar de lábios do mais velho, que se impressionara com tal atitude. Sehun degustou daquilo por longos segundos, e suspirou, balançando a cabeça. Por fim, deduziu aquilo que Luhan julgaria ser uma tremenda loucura, apesar de desejar intensamente.
_ Você se deitou com ele. – concluiu.
_ Quem me dera! – gargalhou, batendo de leve em seu ombro e afastou-se. – O limite que posso ir com Minseok é esse: uma rápida e precisa masturbação.
_ Mas... – o outro o fitou confuso. – O cheiro dele está em seu corpo, Luhan.
_ Sim. – concordou. – O cheiro de Minseok está em mim, mas não me deitei com ele. – Luhan logo abriu o cinto e o zíper, tornado a se aproximar de seu Matador. – Precisa entender Sehun, que há uma diferença entre transar e masturbar alguém. E a diferença é se você vai querer ou não se deitar com ela.
_ Não foi vê-lo apenas para isso, foi? – continuou.
_ Não. – respondeu. – Havia um assunto que não podia ser discutido na Máscara. Não se preocupe. Não é tão grave assim.
Ou talvez fosse.
Sehun fitou o Príncipe por um tempo, despedindo-se com um leve aceno de cabeça e deixou o quarto, permanecendo apenas o mais velho. A audição aguçada de Luhan acompanhou os passos de seu Matador para fora da mansão e além dos portões de ferro. Logo, um suspiro arrastado abandonou seus lábios finos. Sobre alguns aspectos, Minseok estava certo: o mais novo não gostava nada daquela aproximação entre o vampiro e o líder da Ordem. Mesmo que Minseok os tenha conhecido no mesmo período de tempo.
_ É incrível essa conexão entre você e o Sr. Kim. – seus pensamentos foram interrompidos pela voz grave e a presença de Chanyeol, que estava recostado à porta. – E posso garantir que seu fiel seguidor não gosta nem um pouco disso.
_ Deseja algo, Sr. Park? – questionou o Príncipe, que vestia um roupão vinho.
_ Ah, sim. – concordou, afastando-se da porta e seguiu até a poltrona, sentando-se. – Gostaria que me explicasse melhor sobre essa “ordem” que devo seguir.
_ Não há o que explicar. – o olhou. – Deve apenas se manter afastado de Baekhyun.
_ Por quê? – e estreitou os olhos, fingindo confusão. – Por que o Sr. Kim não me quer próximo de seu irmãozinho? Seria por que você está fazendo um favor a ele? – logo, sorriu maroto. – E se for um favor... O que receberá em troca?
_ Pare de dizer tolices, Chanyeol. – Luhan revirou os olhos, cansado de ouvir as supostas hipóteses do líder dos Gangrels. – O Sr. Kim apenas solicitou uma ordem formal e não vejo problemas em segui-la.
Discretamente, o sorriso do maior se alargou, exibindo as pontiagudas presas, ao que ele se ergueu de seu lugar, aproximando-se sorrateiro do Príncipe. O castanho observou atentamente as órbitas avermelhadas do vampiro que segurou seu rosto pelo queixo, deslizando o indicador por seu maxilar. Chanyeol vagou os olhos pela face calma do mais velho e baixou a cabeça, segurando sua mão e selou-lhe o dorso demoradamente. Luhan conhecia aquela técnica do moreno. Aliás, já presenciara seu pai fazendo o mesmo com o antigo Príncipe da Cidade.
Uma forma de dizer, sem palavras, que não obedeceria à ordem.
_ Se é o que deseja... Meu Príncipe. – sussurrou, afastando-se do quarto.
De imediato, pensou em solicitar a presença de seu Matador, mas se lembrara de que Sehun havia saído.
_ Inferno... – rosnou, passando a mão pelos cabelos.
E enquanto Luhan se condenava em seus aposentos por ter permitido seu Matador sair da mansão, Chanyeol sequer disfarçava o belíssimo sorriso de satisfação, enquanto atravessava o longo corredor e descia as escadas para o andar de baixo. Sendo seguido por duas mulheres de seu clã, o vampiro interrompera seus passos no hall de entrada, olhando-as de soslaio. Ambas pararam hesitantes e permaneceram ali, assistindo seu líder deixar a mansão bem vestido.
Os passos calmos seguiram gradativamente rápidos para longe dos portões e, num salto, Chanyeol subiu nos telhados, correndo numa velocidade sobre-humana. As pernas longas e torneadas flexionaram-se, impulsionando o corpo para o alto, a fim de atravessar dois prédios num único pulo. O sorriso animalesco transpareceu o rosto do gangrel que parou no alto de um prédio comercial. A respiração suave escapou entre os dentes branquinhos e pontiagudos, enquanto sua visão aguçada alcançou o desespero de uma vitima num beco escuro.
_ “Por favor! Alguém me ajude!” – gritou nervosa, relutando contra a força dos dois homens que a seguravam.
_ Era uma vez, uma menina que entrou no país das maravilhas. – começou, caindo do prédio e pousou silenciosamente próximo ao trio. – Seu nome era Alice. Dos muitos amigos que ela conheceu, havia um que era tão misterioso... – logo, um sorriso largo se formou em seu rosto. – Quanto seu próprio sorriso.
Os dois homens que tentavam segurar a nova vítima desviaram os olhos para o fim do beco. O maior deles olhou confuso para a suposta sombra que se aproximava da dupla. Já o menor, apenas puxou um canivete, colocando no pescoço da mulher que chorou abafado.
_ O que temos aqui? – perguntou, num timbre suave, enquanto emergia das sombras. – Dois vagabundos e uma dama? Olá.
_ Se manda daqui, moleque! – disse o maior. – Ou vai sobrar pra você.
_ Concordo... – e se aproximou dos três, jogando os braços em torno dos ombros dos homens. – Isso vai sobrar para mim.
Não havia nada que a mulher pudesse distinguir entre os três homens que se afundaram nas sombras. Gritos de terror ecoaram pelo beco escuro, ao que ela desesperou-se, correndo para longe dali. Sem se importar o que, possivelmente, aconteceria aos dois que a cercaram no beco, ela correu o máximo que suas pernas permitiram, enquanto o vento frio de Londres maltratava sua pele machucada, devido às roupas rasgadas que mal cobriam o corpo esguio.
De súbito, virou numa esquina, quase escorregando na calçada molhada pela chuva fina que caia e tornou a fugir rápido. A todo instante, olhava para trás, na tentativa de garantir que ninguém a perseguia e, subitamente, chocou-se ao um homem que tinha o dobro de sua altura, quase indo ao chão. E iria, se as mãos fortes não a segurassem com firmeza.
_ Está tudo bem? – os olhos assustados fitaram o homem de olhos pequenos e sorriso confuso. – A senhorita parece assustada.
_ E-eu... – gaguejou ela, chorando nervosa e ajoelhou-se, sendo seguida pelo outro. – Meu Deus! Por favor, me ajuda, eu...
_ Acalme-se. – pediu Jongdae, afagando-lhe os cabelos, enquanto olhava em volta. – Está segura agora. Não precisa ficar com medo. – sussurrou, escutando seus soluços constantes. O moreno desviou a atenção para a esquina, avistando Chanyeol encostado a um poste mal-iluminado. – Eu vou ajudá-la.
Rapidamente, o mordomo removeu o casaco escuro, cobrindo-a e guiou até o carro, colocando-a no banco de trás. Sob o olhar preocupado e assustado da mulher, Jongdae caminhou lentamente na direção do vampiro, que mantinha um sorriso nos lábios, agora, sujos com filetes de sangue, e puxou a arma do coldre, engatando-o.
_ É uma pena. – comentou Chanyeol, franzindo as sobrancelhas numa tristeza falsa. – Achei mesmo que eu fosse me alimentar dos três.
_ Não pode matar humanos. – o moreno estreitou os olhos. – É uma das regras da Máscara. Devia saber.
_ Não consideramos humanos àqueles que fazem mal a outros humanos. – comentou Chanyeol, afastando-se do poste. – E me surpreende vê-lo nesta hora tão tardia. Não devia estar debaixo das asas de seu líder?
O moreno estreitou os olhos, relutando mentalmente se devia ou não acabar com aquele vampiro. Se o fizesse, poderia agradar ao seu líder, que deseja o afastamento do gangrel, assim como poderia salvar Baekhyun. Dois coelhos numa cajadada só. Mas, por outro lado, iria resultar uma das maiores guerras não-conhecidas pelo homem. Notando o longo silencio do humano, Chanyeol sorriu maroto, enfiando as mãos nos bolsos, e estreitou as sobrancelhas.
_ O que você quer? – perguntou Jongdae.
_ Bem... – o maior ergueu os olhos para o alto, numa demonstração dramática de que estava pensando. – Eu quero muitas coisas. Mas, como prioridade... – e voltou a olhá-lo, sorrindo. – Eu quero Baekhyun.
_ A Ordem não permitirá que o tenha. – disse firme.
_ A Ordem não permitirá que o tenha. – balbuciou, imitando-o. – Não me importo se a Ordem tentará me impedir. – logo, os olhos se estreitaram. – Na verdade, eles me darão um bom motivo para destruí-los de uma vez por todas.
_ Por que essa obsessão pelo irmão do Sr. Kim? – Jongdae questionou. – Eu compreenderia se fosse pelo próprio Sr. Kim, mas...
_ Ah, meu caro Kim... – Chanyeol riu das próprias palavras, como se recordasse de um investigador famosíssimo da literatura. – Nem se eu escolhesse Minseok como minha obsessão, você conseguiria entender.
_ Então, me explique. – e sorriu leve. – Estou disposto a ouvir e entender tudo perfeitamente. Então, por que essa obsessão pelo irmão do líder da Ordem dos Caçadores?
 _ Simples. – Chanyeol o fitou longamente. – Baekhyun é perfeito. Diferente de seu irmão, ele nasceu com as perfeitas condições que eu precisava num humano. – e enquanto explicava, sua voz dramatizava como numa peça de teatro, onde o mocinho descreve o mais belo dos anjos já vistos. Logo, o olhou. – Por isso, estou bastante disposto para consegui-lo.
_ Só por isso? – o moreno franziu o cenho confuso. – Por que “Baekhyun é perfeito”?
_ Ah, meu caro... – suspirou, balançando a cabeça. – És humano. Nunca entenderá a obsessão de nossa raça.
E, girando nos calcanhares, Chanyeol se afastou do Mordomo, caminhando lentamente na direção da mansão. Ainda olhando-o confuso, Jongdae guardou a arma no coldre, voltando ao carro escuro e deu a partida. O homem só finalmente percebera que a mulher ainda estava em seu carro quando verificou o retrovisor interno. Um suspiro pesado deixou seus lábios, que educadamente, pediu uma localização onde poderia deixá-la e, assim, parou o veiculo em frente a uma loja de conveniência.
Dirigindo todo o trajeto em silencio, o moreno repensou na curta conversa entre ele e o vampiro, sem conseguir compreender os motivos reais de Chanyeol perseguir Baekhyun. Virou em algumas esquinas, antes de adentrar o enorme terreno da Ordem. O trajeto do portão de entrada até o belíssimo casarão foi observado pelos caçadores que estavam em vigília, ao que Jongdae estacionou o carro junto aos outros veículos. Logo, desceu, entrando pelos fundos da casa sorrateiramente, já que muitos estavam dormindo.
E, no momento em que subiu as escadas, assustou-se com seu mestre no alto, trajando roupas de dormir, enquanto o encarava silencioso. Jongdae engoliu em seco, subindo os degraus lentamente e parou ao lado do menor, curvando-se em respeito.
_ Por que o atraso? – murmurou Minseok.
_ Aconteceu um imprevisto, senhor. – respondeu. – Estava a caminho daqui quando encontrei Chanyeol. – e o olhou. – Tentei descobrir a razão por ele estar atrás de seu irmão e...
_ O que descobriu? – as belas íris azul-safira desviaram gradativamente para o rosto do mais novo, que teve dificuldade em engolir a própria saliva, tamanha era o seu nervosismo. – Jongdae?
_ Pelo que disse, Chanyeol está obcecado pelo Sr. Byun... – sussurrou. – Por que ele possui algumas condições que o senhor não tem...
_ E você acreditou nas palavras dele? – as sobrancelhas do mais velho franziram-se em confusão, tendo um aceno positivo como resposta. Minseok suspirou arrastado, balançando a cabeça negativamente e, sob o olhar confuso do mais novo, explicou-lhe a verdade. – Jongdae... Chanyeol só quer terminar aquilo que ele não concluiu há 20 anos. – logo, afastou-se do mordomo, subindo as escadas aos poucos, rumo ao seu quarto. – Só isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário