sábado, 11 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Nove

Senhor, levaste esta jovem alma para junto de ti... – pronunciou-se o padre, enquanto todos os presentes ali ouviam o choro da Sra. Byrne.
Baekhyun, que estava junto da noiva na quarta fileira de cadeiras, vagou os olhos pela igreja onde celebravam a missa de sétimo dia de sua aluna. Mais atrás, ele avistou seus alunos e alguns professores da escola onde lecionava. Em especial, Aaron, Andrew e Benjamin.
Por ordem da diretoria, a Instituição paralisou suas atividades por uma semana em respeito à aluna que morrera. E por esse motivo, muitos trabalhos que seriam apresentados naquela semana, juntamente com os testes-surpresas e as revisões para as provas bimestrais foram adiadas. O diretor também dera mais uma semana de folga à Baekhyun, já que fora ele quem encontrara o corpo da garota. “Você deve estar em choque, Sr. Byun. É por esse motivo que estou lhe dando a semana de folga”, alegou o diretor, assinando seu afastamento.
Mas o moreno não precisava daquele afastamento. Bastava apenas à semana de luto da instituição e ele ficaria melhor. Taeyeon concordava com as palavras do diretor, complementando que ele estava em estado de choque e ainda não percebeu, sendo seu argumento rebatido pelo noivo que insistia em dizer que estava bem. E estava. Baekhyun não teve um surto sequer nos dias que se passaram após a morte da jovem. Fora ele quem deu o suporte a família durante todo o funeral e a missa. Assim que a celebração terminou, o professou esperou que todos os presentes ali deixassem a Casa de Deus, antes de se aproximar dos Byrne.
_ Você vai ficar bem, Baekhyun? – Aaron o olhou após fazer o sinal da cruz em si.
_ Vou sim. E obrigado por terem vindo à missa. – agradeceu o moreno, despedindo-se dos amigos com apertos rápidos de mão e seguiu até os pais de sua aluna.
O primeiro a lhe cumprimentar, juntamente com a noiva, fora o pai da jovem, que ainda com os olhos marejados, agradeceu de coração por tudo o que ele fizera à família. A mãe de Evelyn apenas abraçou Baekhyun e chorou contra seu ombro, murmurando algumas palavras como “muito obrigada” e “ela realmente gostava de você, Sr. Byun”.
_ Há mais alguma coisa que eu possa fazer por vocês? – perguntou ele, recebendo um aceno negativo do patriarca.
_ Não é mais necessário, professor. – disse Sr. Byrne. – O senhor já fez muito por nós. Muito obrigado.
_ E o inspetor disse alguma coisa sobre as investigações? – questionou.
_ Eles alegaram que foi suicídio. – o homem suspirou cansado, gesticulando para que não continuassem com aquele assunto.
Baekhyun despediu-se dos familiares de sua aluna e entrelaçou sua mão à semelhante de Taeyeon, afastando-se pelo longo corredor até as portas de entrada. Ele sabia que as investigações não continuariam pelo simples fato de que o principal suspeito foi morto por seu “salvador”. Do lado de fora, a chuva aumentava, enevoando o estacionamento e as ruas londrinas. A morena abriu o grande guarda-chuva e permitiu-se ser coberta pelo casaco do maior, que a abraçou, guiando-os na direção do carro.
O mais novo conseguiu ajudar a menor a entrar no carro e, ao dar a volta no veiculo, seus pés pararam subitamente, enquanto sua atenção se desviava na direção de um velho carvalho. Embaixo da robusta árvore, um homem o observava em silêncio, com uma das mãos enfiada no bolso do casaco, enquanto a outra segurava o guarda-chuva. Baekhyun percebeu que parte do capuz cobria seu rosto, porém não o impedia completamente de ver seu rosto. Havia dois cortes em sua sobrancelha direita e brincos nas orelhas. Seus olhos encontravam-se sérios e, gradativamente, uma de suas sobrancelhas se arqueou, realçando os cortes.
De seus lábios carnudos, um sorriso de lado transpareceu, enquanto o estranho se afastava para longe dele. O moreno cogitou a ideia de segui-lo – já que parte de seu corpo implorava para fazê-lo –, porém seus pensamentos foram interrompidos pelo chamado de Taeyeon, que lhe questionou por que não entrara logo. Assim, ele seguiu até a porta do passageiro e abriu, entrando em seguida.
_ Eu estava pensando em irmos visitar a minha mãe. – começou ela, dirigindo pelas ruas. – Além do mais, já faz algum tempo que não a vejo e... Baekhyun! Está me ouvindo?
_ Estou. – respondeu, fitando a janela do carro. – Acho que seria uma boa ideia você visitar sua mãe.
_ E você viria comigo? – continuou.
_ Eu também preciso ver minha mãe. – resumiu, olhando-a. – Também não a vejo há algum tempo.
Taeyeon concordou brevemente, estacionando o veiculo em frente à casa da Sra. Byun e recebeu um selar rápido do moreno, que deixou o carro em seguida. Baekhyun assistiu à partida da noiva até a mesma virar na esquina e suspirou arrastado, voltando-se a casa simples e bem cuidada. Há quanto tempo não à via? Aproximou-se da porta, tocando a campainha e, em poucos minutos, a passagem fora aberta, revelando as feições sutilmente velhas de sua mãe. Sooeun avaliou longamente as roupas e o olhar preocupado do filho, notando que suas órbitas safiras estavam prestes a derreter-se em água.
_ Sente-se cansado... Professor? – perguntou ela, logo notando a cara de choro se formar no rosto alheio.
O-omma...
E, sem pensar muito, Sooeun envolveu o rapaz em seus braços, afagando-lhe as madeixas escuras, enquanto ouvia seu choro abafado. Pelo que a velha mulher pode deduzir, no fim, ele estava carregando um fardo muito grande nos ombros. Devagar, permitiu que Baekhyun adentrasse a casa, acompanhando-o até a sala de estar e acomodaram-se no sofá, onde o moreno chorou contra o seu colo. Ficaram assim por longos minutos, com soluços constantes e sussurros para que se acalmasse preenchendo o cômodo silencioso.
_ Eu soube de sua aluna. – murmurou ela, envolvendo-o em seu colo, como uma criança que acabara de perder seu melhor amigo. – Eu sinto muito por ela. – porém, Baekhyun não respondeu. Apenas ficou quieto, deslizando os dedos pela barra da saia. Sua mãe sempre ficara bem naquelas roupas que muito o lembrava dos anos 30: saias longas de cintura alta e camisas de mangas dobradas nos braços. – Deve ter sido uma ótima aluna.
_ Ela me lembrava você. – sussurrou, surpreendendo-a. – Estranhamente, me lembrava de você.
_ Oh, querido... – murmurou, beijando-lhe a têmpora e novas lágrimas deixaram seus olhos.
Sooeun sabia que se seu antigo marido assistisse aquele momento, com certeza riria da situação: Baekhyun parecia um bebê gigante em seu colo, enquanto suas mãos já tão cansadas de cuidar dele, mais uma vez voltavam ao trabalho de acariciar e afagar aquela cabeça cheia de problemas.
_ Aceita uma caneca de chocolate quente? – ela sugeriu, olhando-o, ao que ele assentiu, levantando de seu colo e acomodou-se ao seu lado.
 Por fim, a mulher seguiu para a cozinha, deixando o rapaz acomodado no sofá, onde removeu as botas e o casaco, entrando em posição fetal. Só havia um lugar ao qual Baekhyun podia ser o pequeno Baekkie: no aconchegante e inesquecível lar de sua mãe. Involuntariamente, um sorriso pequeno se formou em seus lábios, enquanto as lembranças de sua infância corriam soltas em seus pensamentos. Cansou-se de ver sua progenitora correr atrás de si, enquanto o moreno fugia completamente nu – talvez tivesse uns cinco anos – na tentativa de não ser enxugado por ela. 
No mesmo período em que Minseok o buscava nos finais de semana para brincarem na Ordem. Afinal, esse era o único período de descanso que ele tinha.
Apesar de Baekhyun negar veementemente, Minseok fora a única figura paterna que teve durante a infância. Chegou a quase chamá-lo de ‘pai’, porém foi repreendido por sua mãe que se cansou de repetir “Kim Minseok é apenas seu irmão, Baekhyun. Não o seu pai”. Sooeun entendia que a culpa não era de seu filho chamar o próprio irmão daquela forma. Até por que... Ele foi o único que o protegeu quando seu próprio pai havia desaparecido.
De imediato, Sooeun balançou a cabeça, afastando as lembranças do passado e seguiu para a sala de estar com duas xícaras de chocolate quente, entregando uma delas ao filho. Baekhyun agradeceu com um leve sorriso, bebericando da bebida quente e acabou se queimando, o que resultou numa risada curta da mais velha.
_ Está quente. – brincou ela.
_ Obrigado por me avisar. – sorriu fraco, tornando a bebericar.
_ E como andam as aulas? – perguntou, pousando a xícara sobre a mesa de centro. – Ainda tendo muito trabalho com os alunos?
_ As aulas foram interrompidas. – suspirou, fazendo o mesmo. – A Instituição está de luto.
_ Entendo. – devagar, levou os dedos frágeis à face alheia, afagando-lhe a bochecha delicadamente. – Continua cada vez mais bonito. – e gradativamente, seu sorriso foi morrendo. – Está mais parecido com seu pai.
_ Mãe... – começou ele, vendo-a se agitar na vã tentativa de conter as lágrimas. O moreno sabia que sua mãe sentia falta do pai de Minseok, afinal... Ele não considerava Baekhyung como seu pai. – Por favor...
_ Me perdoe. – sussurrou com a voz embargada.
Rapidamente, o moreno a envolveu em seus braços, consolando-a. Era sempre assim: se Baekhyun chorasse, sua mãe estava lá para acalmá-lo; e se Sooeun recordasse do ex-marido, lá estavam os braços calorosos de seu pequeno. O professor suspirou arrastado, limpando o rosto molhado da mulher e selou-lhe a testa, pegando-a, por fim, no colo. Em passos calmos, ele a guiou até o quarto e deitou-a na cama, removendo suas sapatilhas.
_ Descanse, sim? – pediu, sentando ao seu lado.
O que fiz para merecer um menino tão bom como você? – sorriu ela, segurando firmemente a mão delicada do menor. – Ficará para o almoço, querido?
_ Posso até cozinhar para a senhora. – brincou, ouvindo-a rir baixinho. Taeyeon podia até não saber, mas Baekhyun era um “mestre-cuca”. Exceto pela pilha de louças que deixava e a bagunça em cima do fogão após seus preparos. – Não, por favor. Não me queira na cozinha ou vou acabar pondo fogo na casa.
_ Como se eu não soubesse. – comentou. – Bem... Deixe-me ir. Preciso começar a preparar o almoço. – e se levantou da cama, rumando para o banheiro. – Ah, querido. Eu receberei uma visita de uma velha amiga. Você não se importaria, não é?
_ Não. – negou, olhando em volta. – Claro que... Não...
Aos poucos, sua atenção se desviou para o retrato preso a parede, onde um homem, tão parecido consigo, estava exposto. Devagar, o moreno se ergueu, caminhando até o quadro e o removeu da parede, examinando-o contra a luz. A foto era notavelmente do final dos anos 80, onde o rapaz estava sentado próximo ao balcão, trajando um longo casaco de couro semi-aberto e tomava o que Baekhyun deduziu ser uísque. E pela forma como tal momento foi registrado era tão natural que, a qualquer segundo, aquele homem tomaria sua bebida e desviaria as órbitas azuladas para o seu rosto, sorrindo em seguida.
Os mesmos Netunos que ele e seu irmão carregavam.
Entretanto, o problema não estava na imagem velha, em que a fotografou ou o cenário. Não. O problema visível estava naquele homem que estava sentado naquele banco, tomando sua bebida. Todo o seu perfil, desde as mãos pequenas e visivelmente delicadas até o leve repuxar dos lábios num sorriso discreto e a atenção que seus olhos davam ao objeto em mãos... Pertencia à Baekhyun.
_ Sim. – murmurou Sooeun, fazendo o moreno desviar os olhos para a mulher a sua frente. – Este é seu pai, Kim Baekhyung. Quando lhe disse que você está mais parecido com seu pai, eu não me referia apenas aos olhos ou as características principais. Você é a versão dele quando o conheci em Londres, no passado. Só um pouco mais baixo, mas com certeza, você é parecido com ele...
_ Pare com isso. – olhou-a. – Eu não sou parecido com ele, mãe.
_ Eu sei que não gosta de ser comparado a ele, mas você precisa entender... – tentou novamente, mas foi interrompida.
_ O que eu preciso entender é que ele a deixou quando você mais precisava dele. – apressou-se, devolvendo o quadro para o seu lugar e despediu-se da mulher com um selar em sua cabeça.
_ Baekhyun, espere. Não foi isso o que aconteceu! – ela tentou segui-lo, descendo rapidamente as escadas e o deteve na porta. – Por favor, você precisa me escutar...
_ Mãe. – e Sooeun tremeu com o olhar do filho. Sem sequer perceber, Baekhyun estava utilizando do típico olhar de seu pai. Principalmente quando estava determinado em algo. – Eu vou deixar uma coisa bem clara: Kim Baekhyung a abandonou durante a gravidez e me tirou de você logo que eu nasci! Ele é um desgraçado que sequer se importou com sua felicidade. Nada mais do que isso!
_ Não é verdade! – gritou em meio às lágrimas. – Baekhyung é um homem maravilhoso! Ele cuidou de mim enquanto eu esperava você.
_ Mãe, por favor, pare... – o moreno estava impaciente.
_ Ele me pediu para ir com ele quando eu estava grávida de você! – explicou. – Disse que, com ele, eu poderia dar a você uma vida maravilhosa... Fui eu quem não queria ir! Fui eu que decidi ficar! Eu nem sabia que estava grávida de você, Baekhyun!
Ao ouvir aquilo, o moreno piscou incrédulo, ouvindo o choro constante da mulher. Devagar, Sooeun fechou a porta, guiando o filho novamente para o sofá e sentou-se, fungando e limpando o rosto. Por fim, iniciou a maldita conversa que Baekhyun evitou durante toda a sua vida.
A verdadeira história de seu nascimento.

_ Levante-se. – Kyungsoo tentou se mover sob a ordem de Jongdae, mas não conseguia. Não quando sua perna doía como o inferno. – Eu disse: LEVANTE-SE! – gritou.
Lentamente, os olhos grandes e escuros do ‘recruta’ se desviaram para o líder que os assistia em silêncio, acomodado em uma cadeira. Realmente, ele não esperava que aqueles treinamentos se tornassem puxados e estressantes com o Mordomo. Mas estavam. Jongdae suspirou pesadamente e puxou o menor pelo braço, erguendo-o a força e se afastou, enquanto Kyungsoo tentava permanecer de pé.
_ Concentre-se. – ordenou o maior, que pegando o outro desprevenido, desferiu-lhe um chute duplo em sua face.
O impacto fez o ‘recruta’ girar e tombar no chão, enquanto cuspia um pouco de sangue no chão limpo. O homem de madeixas acinzentadas suspirou pesadamente, esfregando levemente a têmpora e levantou de seu lugar, pedindo para que seu Mordomo descansasse um pouco. Jongdae assentiu, curvando-se e seguiu novamente na direção da mesa. Devagar, Minseok soltou a bengala ao seu lado, abaixando-se próximo do menor e ajudou-o a se sentar, começando a limpar o sangue que escorria de sua boca.
_ O que está acontecendo? – perguntou Minseok, tomando cuidado com os ferimentos.
_ Por que quer que ele me treine, senhor? – e desviou os olhos para o Mordomo que sequer tinha um arranhão em si. Diferente de Kyungsoo, que estava arrebentado. – Eu ainda não entendo...
_ Por que ele é melhor em combate, Kyungsoo. – respondeu, por fim, encarando-o nos olhos. – Eu preciso que você também treine para que seja como ele. – as palavras alcançaram os ouvidos do mais novo que assentiu de leve, baixando os olhos. – Lembre-se do que conversamos naquele dia, por favor.
_ Sim, senhor. – respondeu.
_ E tem mais uma coisa. – logo, desviou os olhos para Jongdae que se aproximava devagar. – Eu quero que você revide e se defenda.  E, se possível, fira o meu Mordomo.
E se ergueu, agradecendo com um leve aceno ao receber a bengala do menor. Minseok retornou em passos lentos para a sua cadeira, mas antes mesmo que pudesse se sentar, Kyungsoo apoiou todo o peso no braço, girando as pernas e acertou, em cheio, a face do Mordomo que virou o rosto, protegendo, em seguida, o local atingido. As órbitas azuladas piscaram devagar, levemente surpresas com aquela cena e, por muito pouco, não deixou um sorriso transparecer seus lábios. Além do mais, havia um corte nos lábios finos de Jongdae. Finalmente, o ‘recruta’ revidou o intocável.
_ Até que fim. – comentou o Mordomo, cuspindo um pouco de sangue, enquanto o resto subia-lhe a cabeça de raiva. – Achei que eu estava batendo num saco de areia. – e avançou contra o outro.
_ Estou perdendo alguma coisa? – Joonmyun logo adentrada o salão, surpreso em ver a luta intensa dos dois homens. – O que houve com eles?
_ Estão treinando. – respondeu, assistindo a luta. – O que faz aqui?
_ Vim saber o que estava fazendo. – continuou, abaixando-se ao seu lado.
Gradativamente, o sorriso do loiro desapareceu, permanecendo apenas o olhar perdido em meio aquela cena agitada de chutes e socos. Minseok sentiu quando sua mão foi discretamente entrelaçada ao do outro, enquanto o polegar deslizava pelo dorso da mesma e lentamente desviou as órbitas para o mais novo. Joonmyun suspirou, ainda observando a luta entre Jongdae e Kyungsoo que sequer paravam de se enfrentar, e sorriu fraco.
Eu vou voltar para Busan.
Aquelas palavras sussurradas soaram com um baque seco em seu coração. Por longos minutos, o líder encarou o arquiteto que sequer desviou os olhos para si, ainda mantendo o foco na luta. Ele... Não podia estar falando aquilo, podia? Quer dizer, Minseok sabia que o seu tempo ali era curto, afinal, ele ainda tinha que voltar para a Sede em Busan e concluir o seu trabalho, mas... Por que voltar tão cedo para o seu país de origem?
_ Parem! – ordenou sem olhar e, por um triz, ambos os socos estavam próximos de cada face alheia. Joonmyun surpreendeu-se com o quase soco duplo de Jongdae e Kyungsoo, que ofegavam, encarando-se. – Descansem um pouco. – Minseok logo se ergueu, soltando a mão alheia e seguiu para fora do salão.
Os dois desviaram os olhos do líder para o loiro que sorriu de leve, acenando-lhes com a cabeça e prontamente seguiu o homem de madeixas acinzentadas pelos corredores. Caminharam por mais alguns minutos até Minseok finalmente parar num corredor silencioso e encará-lo incrédulo. As órbitas castanho-esverdeadas desviaram de seu rosto para o chão, mostrando a visível hesitação de Joonmyun.
_ O que quer dizer? – questionou.
_ Ontem à noite, recebi um email de um dos operários, alegando que a construção estava quase no fim. – suspirou. – Estavam me questionando quando eu voltaria para Busan, já que precisavam concluir o trabalho.
_ E quando iria me dizer? – arqueou uma das sobrancelhas.
_ Ontem mesmo, quando me abraçou. – o fitou. – Mas eu não pretendia lhe preocupar com isso...
_ Devia ter me dito do mesmo jeito. – e se aproximou, notando que o loiro se encolhera um pouco. Por fim, suspirou, fechando os olhos. – Quando pretende ir?
_ Quando não precisar mais de mim aqui em Londres. – falou.
_ Não posso prendê-lo aqui sempre. – murmurou. – Havíamos combinado de que se a Sede principal fosse concluída logo, voltaríamos para lá o quanto antes.
_ Eu sei. – concordou. – Mas algo me diz que você não quer que eu volte para Busan. – e a atenção do maior se desviou para o seu rosto. – De qualquer forma, talvez eu fique até amanhã. Ainda não preparei minha passagem de volta e isso vai demorar um tempo.
_ Somente três dias? – olhou-o.
Não pode ficar mais tempo?” era o que refletia em suas órbitas brilhantemente azuladas, surpreendendo as semelhantes castanho-esverdeadas do menor.
_ Não posso ficar mais do que isso, Sr. Kim. – alegou, levando a mão até a face alheia. – Acredite: eu gostaria de ficar um pouco mais...
Subitamente, seu corpo fora puxado pela cintura, ao que o homem colou ambas as bocas num beijo longo e saudoso. Aos poucos, os dedos do mais novo embrenharam-se nas madeixas acinzentadas do maior, puxando-o para si, mas logo interrompeu o ósculo mal iniciado. Joonmyun ofegou contra os lábios alheio, mantendo os olhos fechados e negou com a cabeça, afagando seu rosto. Minseok o fitou em silêncio, ainda com o rosto tão próximo do seu e somente se afastaram um do outro quando ouviram a movimentação pelo corredor.
_ Eu sinto muito por isso. – sussurrou, sorrindo fraco.
_ A culpa não é sua. – respondeu, observando dois ‘recrutas’ passarem atrás do loiro, sem sequer perceber a presença dos dois homens ali.
_ Eu ainda o verei hoje à noite? – questionou, vendo-o desviar os olhos gradativamente para si e, sem proferir absolutamente nada, Minseok afastou-se.
Joonmyun ainda tentou segui-lo, porém, parou de caminhar, observando o dorso forte do líder. Céus! Ele realmente não queria partir. Não queria deixá-lo ali, com todo aquele peso e responsabilidade sendo carregados em suas costas já cansadas. Um suspiro cansado abandonou os lábios finos do loiro que seguiu pelo caminho contrário, dirigindo-se ao seu quarto.
Já no salão de treinamento, Kyungsoo estava sentado no chão, normalizando sua respiração, enquanto observava Jongdae encarar a entrada daquele cômodo por longos minutos. “Ele está esperando o líder”, pensou o garoto, que prontamente se levantou. Em passos lentos, se aproximou do maior e girou os punhos, num rápido aquecimento.
_ Espero que tenha descansado o suficiente. – alertou Jongdae.
_ Posso perguntar uma coisa? – começou o menor, olhando-o. – Por que me odeia tanto? – mas o moreno de olhos pequenos nada disse. – Tudo bem. Eu vou entender se não quiser me dizer. Mas... Eu queria pelo menos entender por que...
_ Eu não odeio você. – resumiu, notando o olhar confuso do outro. – Apenas odeio o fato do nosso líder lhe dar mais atenção do que aos outros caçadores.
_ Não foi isso exatamente o que eu ouvi da Srta. Kim. – murmurou.
_ Eunjung é uma solteirona mal comida. – alegou indiferente. – Ela só está na Ordem por que o Sr. Kim ainda não encontrou alguém melhor do que ela para assumir o posto de Chefe do Departamento Médico. Por que, se não, ela já teria desaparecido.
_ Entendi. – assentiu, fitando os próprios pés descalços. – Bem... – e deu de ombros. – Pelo menos, agora eu entendo por que você é assim.
Assim, como? – e o fitou de soslaio.
_ Meio ranzinza. – murmurou, mas logo se assustou quando o outro o puxou pela camisa, pronto para acertar-lhe um gancho de direita. – Calma! Não fui eu quem disse isso, foi o Sr. Kim! – lentamente, Jongdae franziu o cenho, enquanto Kyungsoo o observava soltar sua camisa. – Para dizer a verdade, ele chegou a conversar algumas coisas comigo que eu ainda não entendi.
_ Como o que, por exemplo? – e estreitou os olhos.
_ O meu treinamento. – comentou, olhando em volta. Por fim, tornou a olhá-lo. – O que você pensou quando o ouviu pedir para me treinar?
_ De imediato? Achei que ele estava tentando me substituir por você. – explicou. – Mas eu ainda não entendi o motivo.
_ Bom... – suspirou cansado. – Não precisa se preocupar. Eu não estou sendo treinado para substituir você.
_ Não está? – e franziu o cenho.
_ Não. – negou, sorrindo fraco. – A minha função é completamente diferente. Segundo a conversa que tive com ele tem a ver com seu irmão. E-eu... Não sei explicar bem o que eu ouvi, mas...
_ Sem rodeios, Do. – Jongdae disse impaciente, surpreendendo o moreno. Kyungsoo nunca ouvira o Mordomo de seu líder lhe chamar pelo próprio sobrenome. – Sobre o que o Sr. Kim conversou com você?
_ Ele me pediu para...
_ Terminaram de descansar? – e a atenção dos dois se desviou para a porta de entrada, onde Minseok alternava o olhar azulado e sombrio entre os dois lutadores. Jongdae prontamente concordou ao que Kyungsoo o imitou. – Pois bem. Já podem ir.
O moreno mais baixo desviou os olhos para o outro brevemente, pegando seus sapatos e deixou o cômodo rápido. Entretanto, quando Jongdae estava prestes a segui-lo – e quem sabe, descobrir a verdade por trás daqueles treinamentos –, Minseok o chamou, alegando que queria conversar com ele. O Mordomo assentiu, seguindo até as portas e fechou-as, tornando a se aproximar de seu Mestre.
_ O que achou de Kyungsoo? – perguntou, gesticulando para que se sentasse no chão. – Ele é um bom lutador?
_ Além de ser bastante desligado, é muito atrevido. – comentou. – Ele possui muitas falhas durante o combate. Parece que ainda não consegue prever os movimentos do oponente.
_ Também percebi isso quando o treinei. – suspirou, fechando os olhos. – Claro que, durante os treinos, apenas fiz um combate mais simples. Sem surpresas. – logo, o olhou. – Acha que ele pode melhorar?
_ Se continuar como está, ele nunca vai evoluir. – foi sincero.
_ E por quanto tempo... – desta vez, ele sorriu. – Vai continuar espancando-o?
_ Depende. – cruzou as pernas e abraçou os joelhos. – Por quanto tempo o senhor quer que eu continue espancando-o?
_ Você sabe do que estou me referindo, Jongdae. – e o olhou.
_ Para dizer a verdade... – pensou um pouco. – Vai depender do que o senhor pretende fazer com ele. Ele se tornará um caçador? Um zelador?
_ Os três. – suspirou. – Acabei de falar com Yixing e Jongdeok sobre o treinamento de Kyungsoo em seus departamentos. Ainda preciso falar com Eunjung sobre o Departamento Médico.
_ S-senhor... Perdoe-me, mas... – Jongdae estava demasiado surpreso com o que acabara de ouvir de seu Mestre. – Está me dizendo que Zhang Yixing, Chefe dos Zeladores, e Kim Jongdeok, Chefe dos Caçadores... Irão treinar Kyungsoo?
_ E isso é um problema, Jongdae?
Sr. Kim? – a atenção dos dois se desviou para a porta de entrada, onde a mesma fora aberta e um homem, tão parecido com Jongdae - entretanto, bem mais velho do que o próprio Mordomo - surgiu, cumprimentando-o com um breve curvar. – Perdoe-me minha intromissão, mas acabei de chamar a Sra. Kim Eunjung para conversar com o senhor...
_ “Senhora” uma ova! – protestou ela, empurrando o homem que reprimiu uma risada, permitindo que ela entrasse na sala. Eunjung logo encontrou Minseok e Jongdae e curvou-se rápida, arqueando uma das sobrancelhas para o outro. – Me chame de “senhora” de novo, Jongdeok, e eu arrebento a sua cara com um bisturi.
_ Os modos, Srta. Kim. – pediu Jongdae, encarando-a enquanto se levantava. – Se me der licença, eu...
_ Não precisa ir, Jongdae. – falou Minseok, ainda mantendo os olhos em Eunjung. – Poderia chamar Yixing, Jongdeok?
_ Sim senhor. – concordou, logo deixando o salão.
Jongdae suspirou arrastado e balançou discretamente a cabeça. Aquilo não podia estar acontecendo. Por que, diabos, seu Mestre decidiu chamar todos os chefes dos departamentos naquele momento? E o pior de tudo é que seu Hyung, com certeza, fará alguma brincadeira consigo. O moreno já podia imaginar os supostos comentários divertidos de Jongdeok durante a reunião. Não demorou muito para que o homem retornasse com Yixing que segurava uma xícara fumegante de café.
_ Agradeço por todos estarem aqui. – começou, olhando-os. – Por favor, sentem-se.
_ No chão? – a mulher olhou confusa para o local sujo de suor e sangue.
_ Se desejar sentar no teto, Srta. Kim, por favor, fique a vontade. – Minseok falou, fazendo Lay quase se engasgar com a própria bebida. E fazendo uma carranca, Eunjung ajoelhou-se no chão, sentando-se sobre as pernas. – Pois bem... Já que todos estão aqui, eu gostaria de lhes fazer e reforçar o pedido. Como vocês sabem, Do Kyungsoo é um dos nossos muitos recrutas, e recentemente, está recebendo treinamentos diferenciados dos outros garotos.
_ Agora entendo por que perdi o meu melhor ajudante. – comentou a mulher, desviando os olhos para o líder. – O que pretende fazer com ele? Colocá-lo numa roda gigante e forçá-lo a correr como um hamster?
_ Primeiro: Kyungsoo não é o seu animal de estimação, Eunjung. – começou, cerrando o semblante. – Segundo: os treinamentos dele já foram iniciados, então, não tente passar por cima da minha ordem. E, por ultimo: vim reforçar o meu pedido a vocês. Quero que todos vocês treinem Do Kyungsoo em seus departamentos.
_ Treiná-lo em nossos departamentos? – Jongdeok o olhou levemente confuso. – Quer que o transformemos em médico, caçador e zelador ao mesmo tempo?
_ Exatamente. – concordou Jongdae. – E vocês não serão os únicos a treiná-lo. Eu também irei treinar Do Kyungsoo.
_ E qual é a finalidade? – Eunjung os olhou. – Transformá-lo num super soldado, como o Capitão América?
_ Você, por acaso, criou algum soro super poderoso? – Yixing a olhou.
_ Não. – negou ela.
_ Kyungsoo não será um super soldado, por que ele não é um soldado. – Jongdae os olhou. – Ele é um caçador.
_ Quanta diferença! – bufou a mulher. – E vocês entenderam o que eu quis dizer!
_ O que eu quero de vocês é simples: treinem Do Kyungsoo em seus departamentos. Ensinem-no sobre tudo o que sabem e prometo que os recompensarei. – Minseok interrompeu-os. – Estamos entendidos?
_ Sim, senhor. – Yixing assentiu, desviando os olhos para Jongdeok que sorriu de leve, concordando. – Estamos dentro dessa sua ideia meio louca, Minseok.
_ Obrigado. – agradeceu, desviando os olhos para Jongdae e assentiu, concordando com os termos. Afinal, querendo ou não, ele já estava dentro. Por fim, Minseok desviou os olhos para Eunjung que bufou, balançando a cabeça.
_ Vocês são loucos e vão acabar enlouquecendo o garoto. – comentou.
_ Então... Isso significa “sim”? – questionou o líder.

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