sexta-feira, 10 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Oito

_ Senhor, há algo que eu... – e calou-se.
Gradativamente, a atenção do líder se desviou para seu Mordomo através do espelho. As órbitas azuladas encontraram as semelhantes escuras e surpresas do moreno que o avaliava em silêncio. A beleza e a elegância daquele homem de madeixas acinzentadas deixava o próprio rapaz a mercê de seus encantos. Mas no fundo, Jongdae sabia que seu Mestre somente estava vestido assim por que visitaria a Máscara. Afinal, sua obrigação é agradar o Príncipe. Minseok percebeu o longo olhar do mais novo e suspirou, gesticulando para que se aproximasse. Seus pés caminharam lentos na direção do mais velho, desta vez, encarando o chão e parou ao seu lado.
_ Me acompanha? – pediu, deixando o quarto e se dirigindo ao escritório.
 Sua mente foi preenchida pelas mesmas palavras que dissera à Kyungsoo. De alguma forma, ele precisaria de um reforço maior. Não para si. Claro que não, Minseok era um ótimo lutador. Entretanto, não podia dizer o mesmo sobre o ‘recruta’. Seguiram até a outra sala, ao que o homem suspirou arrastado, parando próximo à mesa e se virou para o moreno.
_ O senhor deseja algo? – perguntou.
_ Jongdae. – o Mordomo engoliu em seco ao notar tamanha intensidade daqueles planetas azulados lhe encarando por algum tempo. – Antes de partir, preciso que me faça um favor. E é de extrema importância.
_ Sim. – assentiu vencido pelo olhar penetrante.
_ Durante os próximos dias, as coisas na Ordem mudarão drasticamente. – começou. – Haverá um momento em que estarei de mãos atadas e, quando esse momento chegar... Você terá de ser forte.
_ O que está me dizendo, meu senhor? – Jongdae olhou-o confuso.
Entretanto, a conversa não foi continuada, já que Joonmyun entrou no cômodo, cumprimentando-os com um leve aceno de cabeça e alegou que Kyungsoo estava pronto. Minseok o olhou breve, deixando o cômodo e foi seguido pelo Mordomo até o hall de entrada, onde avistaram o moreno de olhos grandes. Todavia, antes que o líder cumprimentasse seu acompanhante – seu braço-direito estava ocupado, cuidando de algumas investigações sob sua ordem –, Jongdae o impediu, colocando o braço a sua frente.
_ Meu senhor. – insistiu. – Sobre o que quer me pedir?
E, diante de Kyungsoo, Minseok respondeu:
Quando chegar a hora... Quero que treine Do Kyungsoo.
Ouvir aquelas palavras deixar os lábios levemente carnudos de Kim Minseok fez Jongdae piscar incrédulo e desviar a atenção para o ‘recruta’ que estava tão surpreso quanto ele. Mas o líder sequer os olhava. Apenas mantinha os olhos à frente, encarando o vazio e logo continuou o seu caminho, deixando a mansão da Ordem. Kyungsoo não demorou em segui-lo e entrou no veiculo, partindo em seguida. Aos ouvidos do Mordomo, aquilo só podia ser uma loucura. Blasfêmia total! Por que, de todos, logo o seu Mestre... Estava lhe pedindo aquilo?
_ Eu ouvi direito ou Minseok acabou de dizer que quer você treinando o desgraçado que mais odeia? – suas órbitas se desviaram para o lado, onde Eunjung reprimia um sorriso, segurando uma prancheta em mãos. – Eu diria que isso foi mais do que um tiro em seu peito, Jongdae.
_ Volte ao trabalho, Eunjung. – rapidamente, a atenção dos dois se desviou para o andar de cima, onde Joonmyun os observava em silêncio. – Afinal, acabei de passar pela enfermaria e ela estava lotada de pacientes.
_ Claro. – a mulher sorriu de deboche, subindo as escadas devagar e, ao passar pelo loiro, o fitou brevemente. – Sr. Kim.
Joonmyun a fitou de soslaio, observando-a desaparecer no fim do corredor e, num rápido movimento, segurou o pulso de Jongdae que ameaçava seguir para a sua sala, onde continuava suas investigações com a ajuda de Lay. Um suspiro arrastado abandonou a boca pequena do mais velho que fitou o moreno, soltando-o aos poucos.
_ Não se importe com o que Eunjung diz. – pediu. – Ela é apenas uma mulher...
_ Mal comida. – resumiu, olhando-o e sorriu de leve ao notar a expressão surpresa do outro. – Se me der licença. – por fim, afastou-se.  
Caminhando devagar pelos corredores da mansão, Jongdae não demorou muito para entrar em sua sala, onde inúmeros papeis e fotos estavam espalhadas e penduradas. Ali, Lay examinava as imagens e os documentos sobre a mesa, sem sequer se importar com a nova presença no ambiente. O coreano avaliou a imagem, mais uma vez, da mulher estraçalhada dada pelo seu líder, logo ouvindo o suspiro arrastado do colega.
_ O que Minseok queria? – perguntou.
_ Nada importante. – mentiu. Jongdae considerava todas as palavras de seu Mestre importantes.
_ Mesmo? – o chinês, apoiado sobre a mesa, desviou os olhos para o outro que não esboçou reação alguma.
_ E então? Encontrou alguma coisa? – cortou-o, voltando sua atenção aos documentos.
_ Bem... Essa é Alisson Norton, 32 anos. Ruiva, 1,67m de altura e modelo. – resumiu o homem. – Pelo que minha equipe conseguiu, parece que ela estava saindo de um pub com algumas amigas, mas após uma discussão com elas, decidiu ir sozinha para casa. – logo, ele estendeu a foto da garota para o Mordomo. – Olha... Até que eu a pegaria.
_ E a pergunta é: ela pegaria você? – provocou, sorrindo. – Por que eu acho que não.
_ Vai se danar. – Yixing resmungou, escutando-o rir.
_ Não acha melhor ampliar a área de busca? – sugeriu Jongdae, seguindo na direção do mapa de Londres. – Vê se encontramos algum corpo ou pistas desse assassino?
_ E você acha que eu fiz o que? – cruzou os braços, sorrindo satisfeito.
_ É. – concordou o moreno. – Pelo visto, você não é tão lerdo quanto achei que fosse.
Yixing riu do elogio alheio e voltou sua atenção a pasta aberta sobre a mesa. E Jongdae estava certo quanto ao que acabara de dizer. Por mais que todos os caçadores, zeladores, médicos, enfermeiros e ‘recrutas’ alegassem juntos que Zhang Yixing era um homem completamente desligado do mundo – ou se questionassem quem foi o louco que o aceitou na Ordem –, aquele chinês lhes provava do contrário. Além, é claro, de ninguém ter certeza de como ele começara na Ordem dos Caçadores. Ninguém, exceto Minseok.
Todavia, Jongdae nunca ousou questionar sobre isso ao líder.
_ Senhor. – seus pensamentos foram interrompidos pelas palavras de alguns caçadores que adentraram o cômodo. Em torno de sete homens estavam parados próximos à porta e cumprimentaram os dois superiores com uma rápida mesura. – Temos novidades.
_ Encontraram o assassino? – Yixing os olhou.
_ Não, senhor. – respondeu. – O rastro esfriou a uns 200 metros do local onde o corpo da mulher foi encontrado. Entretanto...
_ O que? – desta vez, Jongdae se aproximou aos poucos, vendo-o encará-los.
_ Encontramos um novo corpo do mesmo estado. – disse. – E, desta vez, é um homem.

_ Devo esperar pelo senhor?
Kyungsoo fitou o homem de madeixas acinzentadas através do retrovisor interno, enquanto este encarava a grandiosa construção antiga, suspirando arrastado. As órbitas azuladas desviaram para a varanda, onde logo avistou o Matador do Príncipe que o encarava confuso. Afinal, nem mesmo ele sabia que o líder da Ordem o visitaria à noite, já que o mesmo alegara não ver seu Mestre naquele dia. Minseok baixou os olhos, desviando-os para o moreno que ainda o observava e assentiu de leve, deixando o veiculo.
Sem levar o guarda-chuva, o homem caminhou na direção dos portões de ferro, atravessando-os quando os mesmos se abriram devagar. De alguma forma, Minseok precisaria evitar esses encontros com o Príncipe, principalmente por conta das suspeitas de seus seguidores. Caminhou devagar, apoiado em sua bengala, até a mansão, onde involuntariamente, as portas se abriram, permitindo sua passagem. Todavia, ao erguer os olhos para o andar de cima, encontrou os semelhantes vermelhos e o sorriso discreto de seu oponente, que o assistia subir as escadas.
_ Que enorme prazer vê-lo aqui... Sr. Kim. – disse Changmin pausadamente. – Pelo que vejo... – e avaliou-o da cabeça aos pés. – Parece que o senhor veio conversar com o Príncipe. Estou certo?
Mas o outro não lhe respondeu. Apenas olhou-o em silêncio e o cumprimentou com um leve aceno de cabeça, tornando a seguir em direção ao escritório da criatura de tantos séculos. E, no instante em que ameaçara bater na porta de carvalho, a mesma se abriu, revelando um sério e ameaçador Oh Sehun e um surpreso Luhan. O líder os cumprimentou formalmente, curvando-se de leve e somente adentrou o cômodo quando o castanho lhe permitiu tal feito.
_ Pensei ter ouvido errado de meu seguidor. – comentou o homem, erguendo-se de sua cadeira e se aproximou, parando diante o humano. – Não foi você quem disse que não viria me ver... Por que estava ocupado?
_ Precisamente. – respondeu, olhando-o.
De imediato, Luhan gesticulou para que ambos ficassem às sós ao que Sehun curvou-se, deixando o cômodo em seguida. Por fim, o castanho pediu que seu convidado se acomodasse ao que o homem sentou no sofá, descansando sua bengala ao lado, porém, nada dissera quando o outro se acomodara ao seu lado, segurando seu rosto pelo queixo. Minseok encarou as órbitas brilhantes do vampiro que deixava um sutil sorriso transparecer seus lábios, exibindo suas presas. Se o Príncipe fosse humano como ele, com toda a certeza do mundo, seu coração estaria batendo mais rápido do que um trem-bala.
_ O que devo a visita? – sussurrou, enquanto o hálito gelado chocava-se contra a sua pele alva.
_ Vim por que o senhor me chamou. – respondeu calmo, sentindo o indicador alheio afagar-lhe sua bochecha. – O que quer de mim?
Muitas coisas. – sorriu, mas o mesmo logo desaparecera, permanecendo apenas o olhar perdido. – Park Changmin aceitou suas condições. Ele está disposto a cumprir os termos.  
_ Isso é bom. – assentiu.
_ Não é. – e o olhou. – Os termos que propôs na carta foram impensadas, Sr. Kim. O que o senhor acha que acontecerá quando ficar em desvantagem? Serás morto. E me desculpe, mas Changmin é muito mais experiente em combate do que você.
_ O que está querendo insinuar, Príncipe? – olhou-o longamente.
_ Não aceite essa luta. – desta vez, Luhan sussurrou. – Não o enfrente ou, do contrário, acabarás morto.
_ Não posso fazer isso. – negou, logo se levantando.
_ Minseok, por favor. – Luhan lhe impediu de se afastar, segurando-o pelo pulso. Devagar, os planetas azulados se desviaram para o castanho. – Não vês o meu desespero em perdê-lo? Eu não suportaria saber que estarás morto antes do raiar do dia...
Minseok avaliou o semblante preocupado alheio e respirou fundo, afastando a mão do outro de si. E tal reação não passou despercebida pelo Príncipe, que encarou ambas as mãos com seus respectivos donos. O silêncio dentro do escritório durou longos minutos, o suficiente para que Luhan descobrisse que havia algo de errado com aquele humano. Por fim, o homem de madeixas acinzentadas sorriu de leve, piscando devagar.
_ É só isso que queria me dizer? – perguntou, recebendo o silêncio como resposta. – Bem... Aproveitando minha visita ao senhor, Príncipe, eu gostaria de lhe pedir algo. – e continuou. – A partir desta noite, nossa única ligação serão apenas assuntos políticos. Peço-lhe, por favor, que não me visite mais na Ordem e se solicitar minha presença, que nos encontremos em algum local público e discreto.
Aquilo foi o mesmo que cravar um punhal em seu coração morto. A respiração do mais velho falhou miseravelmente, enquanto que a incredulidade estampava em sua face delicada. Minseok não estava lhe falando aquilo... Estava? Ou seria mais uma de suas supostas visões? De imediato, Luhan segurou o rosto alheio, pronto para beijá-lo, quando o humano virou o rosto, afastando as mãos de si.
E o que o Príncipe mais temia... Estava acontecendo.
Seu amante... Estava lhe deixando.
_ O que está fazendo? – sussurrou contra a orelha alheia.
_ Não posso mais permitir que me toque, senhor. – e tornou a olhá-lo.
_ O que está dizendo? – Céus! A face de Minseok... Seus lábios estavam tão próximos dos semelhantes alheios que ele podia sentir sua respiração quente.
_ Estou dizendo que a única ligação entre o Príncipe da Cidade e o Líder da Ordem dos Caçadores será somente sobre negócios. – resumiu. – Sem intimidades ou algo do gênero.
_ E desde quando decidiu isso? – sorriu, considerando aquilo, além de loucura, uma total provocação.
_ Há alguns anos. – suspirou. – Só estava esperando o momento certo para alertá-lo.
_ E somente agora decidiu me dizer? – debochou. – Agora... Quando a única pessoa que está em minha mente é você?
_ Eu sinto muito. – e baixou a cabeça. – Agora, se me der licença, preciso voltar à Ordem...
Minseok curvou-se breve, girando nos calcanhares e se afastou alguns passos quando Luhan o deteve na entrada do escritório, bloqueando o caminho. O caçador o fitou por alguns segundos, ao que o maior se aproximou, alternando os brilhantes olhos de Marte entre os semelhantes de Netuno enquanto as palmas deslizavam dos ombros para as mãos. Todavia, o Príncipe afastou a mão da semelhante esquerda do homem, baixando os olhos para o objeto que o queimara.
E então a viu.
Brilhante, discreta e extremamente simbólica.
A aliança prateada no anelar de Kim Minseok.
_ Há quanto tempo está noivo? – murmurou, voltando os olhos para o humano que seguiu seu olhar.
_ Há algum tempo. – suspirou. – Acho que... Há muito tempo.
Ele estava blefando. Não estava? Luhan implorava para que fosse. Os dois homens encararam o pequeno e chamativo símbolo na mão do humano, enquanto permaneciam calados por longos minutos. Não demorou muito para que Minseok tornasse a olhar para o Príncipe que o encavara friamente. Não. O castanho não esperava que o de madeixas acinzentadas lhe jogasse aquelas palavras.
_ E quando começou a usar a aliança? – sussurrou.
_ Há dois dias. – respondeu.
_ Por quê? – e estreitou os olhos.
_ Por que o lugar dela é em meu dedo e não no fundo de uma gaveta trancada. – olhou-o calmamente. – Tenha uma boa noite, meu Príncipe.
E curvando-se pela ultima vez, Minseok se despediu, deixando o cômodo em silêncio. Caminhou devagar pelo corredor, enquanto era seguido por algumas crias que nada fizeram a si, afinal, Sehun não lhes permitiu que o atacassem. Logo que o humano passou pelo Matador, seu olhar se desviou para ele que lhe fez uma breve mesura, escondendo um discreto e quase invisível sorriso em seu rosto. Mesmo que não dissesse em voz alta, o líder da Ordem sabia que aquele homem estava feliz por ele ter deixado seu próprio Mestre.
_ Tenha uma boa noite, Sehun. – desejou-lhe.
_ Boa noite, Sr. Kim. – respondeu, olhando-o.
O Matador observou o outro descer as escadas até o hall de entrada, atravessando as enormes portas da mansão. Minseok encarou o céu fechado pelas nuvens e suspirou fundo, absorvendo o cheiro da chuva e do tempo frio, continuando seu trajeto até os portões de ferro. No fundo, o que fizera foi o certo, afinal, ele não podia manter aquela antiga relação com o Príncipe quando já se encontrava intensamente comprometido com outro. Não demorou muito para que Kyungsoo lhe cobrisse com o guarda-chuva, mas o maior negou com a cabeça, afastando a coberta de si.
_ Mas senhor... – o ‘recruta’ tentou insistir.
_ Vamos para casa. – ordenou, entrando no carro.
Por fim, o moreno concordou, entrando no veiculo e de imediato, partiram, seguindo pela avenida principal. Kyungsoo ligou o aquecedor do carro, deixando-o no máximo e assistiu seu Mestre encarando a janela, enquanto os carros e as pessoas pareciam borrões aos seus olhos. Entretanto, os pensamentos de Minseok se concentravam na luta que estava por vir e nas palavras ditas pelo Príncipe. Inconscientemente, levou os dedos à aliança, deslizando-os lentamente por sobre o símbolo e suspirou arrastado, descansando a cabeça no encosto do banco traseiro.
_ O senhor deseja algo, Sr. Kim? – perguntou Kyungsoo.
_ Pare naquele pub. – pediu, ao que o moreno assentiu, estacionando o carro próximo ao estabelecimento.
E sem nada dizer, Minseok desceu do carro, ao que Kyungsoo o seguiu, logo adentrando o lugar. Estava pouco movimentado, o que era bom para o caçador que se acomodou numa mesa vazia e observou o menor sentar a sua frente, um tanto nervoso.
_ Relaxe. – pediu, passando a mão pelos cabelos molhados. – Não seremos atacados esta noite.
_ Como pode ter tanta certeza? – o olhou.
_ Não tenho. – negou, levantando e seguiu até o balcão. – Um uísque duplo com gelo, por favor.
Rapidamente, o dono do bar serviu o homem que retornou para a mesa e, por muito pouco, não riu da face surpresa do moreno de olhos grandes. Além do mais, Kyungsoo estava nervoso pela incerteza de seu líder naquele momento. Ou seja, as chances deles serem atacados por alguma criatura mal-abraçada eram enormes. Minseok avaliou o semblante alheio e suspirou, tomando um gole de sua bebida que desceu queimando sua garganta.
Entretanto, a mente do jovem ‘recruta’ estava focada às palavras de Minseok naquela manhã e a conversa dos dois pela tarde. Seu líder não podia estar dizendo a verdade quando lhe pediu aquilo... Quer dizer, quem, em sã consciência, faria aquele pedido a si? Logo ele, que estava no início de seus treinamentos!
_ Senhor. – Kyungsoo o chamou hesitante, vendo a atenção dos planetas azulados se desviarem para si. – O senhor tem certeza de que serei apto a cumprir com seu pedido?
_ O que quer dizer? – franziu o cenho.
_ Digo... – engoliu em seco. – Senhor... Eu sou apenas um ‘recruta’. Alguém completamente inexperiente em combate e...
_ E? – incentivou-o a continuar.
E Kyungsoo se calou. Por que Minseok não conseguia vê-lo que ele era inexperiente? Por que essa confiança, essa fé... Em si, quando todos estavam dispostos a debochar de sua fraqueza e incapacidade? O dono das safiras brilhantes esperou pacientemente pelas palavras alheias, que não vieram, e suspirou arrastado, retirando do bolso do casaco, sua carteira. Logo, a abriu, tirando uma pequena foto e colocou sobre a mesa, aproximando-a do menor. O moreno examinou a imagem, reconhecendo dois meninos abraçados e sorrindo para a câmera. Ou pelo menos, um deles parecia bem feliz. Já o outro...
_ Este é Byun Baekhyun. – e apontou para o garotinho sorridente. – Meu... Como se diz em coreano, dongsaeng. – logo, Kyungsoo o olhou surpreso. Ele não sabia que o líder possuía um irmão mais novo. – Apesar de sermos filhos do mesmo pai, ele adotou o sobrenome da mãe para que não tivesse nenhuma ligação com a minha família. – Minseok voltou sua atenção para a própria bebida, encarando-a longamente. – Durante o ataque à Sede em Busan, meu pai me deu uma única tarefa: a de protegê-lo. Baekhyun ficou debaixo das minhas asas durante toda a sua infância, até que eu finalmente encontrei a mãe dele e ela o tirou de mim.
_ Não faz muito tempo... Não é? – murmurou.
_ Não. – negou, sorrindo fraco. – Baekhyun tinha 10 anos quando decidiu deixar a Ordem.
_ E por quê? – olhou-o confuso, vendo-o tomar seu ultimo gole.
_ Por que ele queria ser normal. – resumiu, pondo-se de pé e seguiu para o balcão. Deixou algumas notas para o barman que agradeceu, e sairiam do estabelecimento rumando em direção ao carro.
_ Mas o que eu não entendo é... Por que decidiu me escolher? – ao ouvi-lo, Minseok parou e se virou para o moreno. – Digo... Por que logo eu... E não Jongdae? Que é seu Mordomo e está mais adaptado...
O homem de madeixas acinzentadas sorriu verdadeiramente e se aproximou do outro, pousando a mão em sua face confusa. Minseok fitou as órbitas escuras do ‘recruta’, que se sentia nervoso ao ver as semelhantes azuis lhe retribuindo o olhar tão intensamente e respirou fundo, afagando sua bochecha com o polegar.
_ Por que algo me diz que você é muito mais apto do que Jongdae. – falou logo se afastando. – E acredite, Kyungsoo: eu nunca erro em meus palpites.

_ Encontramos outro corpo, senhor. – alegou Jongdae ao líder, antes mesmo do outro se acomodar em sua cadeira. – Desta vez, é um homem. Segundo os caçadores, o encontraram do mesmo estado que a mulher.
_ Primeiro... – começou Minseok, suspirando pesadamente. – Boa noite para você também, Jongdae. – ao proferir tais palavras, o moreno baixou a cabeça, murmurando ‘boa noite, senhor’ e corou de leve. – Agora, onde encontraram o corpo?
_ Nas proximidades do galpão onde a mulher foi encontrada. – relatou. – Mandamos uma equipe de busca para verificar o local.
_ Certo. – concordou. – Mais alguma novidade?
_ Nenhuma, senhor. – concluiu. – Se me der licença...
Mas Minseok conseguiu detê-lo ao chamar seu nome. O moreno parou na entrada do escritório, encarando a maçaneta e a proximidade de seus dedos da mesma, enquanto engolia em seco. Afinal, ele não esperava ser chamado pelo líder após tudo o que dissera. Gradativamente, Jongdae se virou para o homem, avistando o semblante cansado e os impactantes olhos azuis lhe fitarem com calma.
_ Por favor. – e gesticulou para a cadeira próxima a sua mesa. – Sente-se.
Relutante, o Mordomo assentiu, caminhando na direção do líder e se sentou no lugar indicado, surpreendendo-se em seguida quando Minseok deixou sua cadeira e acomodou-se ao seu lado. Num rápido movimento, o homem puxou a cadeira do mais novo para perto, assustando Jongdae com tamanha proximidade. Por fim, fitaram-se em silêncio, ao que o menor piscou algumas vezes, iniciando assim, sua conversa.
_ Jongdae, eu quero que me ouça com bastante atenção e não diga nada até que eu conclua. – pediu, vendo-o assentir rápido. – Os próximos dias, provavelmente, estarão contados para mim. Como sabes, mais do que qualquer um, terei um confronto com o antigo inimigo de meu pai. Não posso garantir nem a você e, muito menos, ao meu irmão, que sobreviverei ao combate, mas até lá, precisarei de todo o seu treinamento como meu Mordomo.
_ O que o senhor quer que eu faça? – questionou.
_ Que nos próximos dias, além de treinar Kyungsoo sob minha supervisão... – começou. – Você e eu treinaremos juntos.
E, por alguma razão, Kim Jongdae agradeceu as entidades superiores por aquele momento. Tirando o fato que treinaria o ‘recruta’ desgraçado, ele, a partir daquele momento, teria mais tempo para estar com seu Mestre.
Não era exatamente aquilo que queria...
Mas, pelo menos, era um começo.
_ Sim senhor. – aceitou, escutando-o rir baixinho.
_ Primeiro, escute os termos, Jongdae. – lembrou, mas de imediato, foi interrompido. Afinal, nem mesmo o moreno conseguia controlar seu coração que batia desesperado em seu peito.
_ Quaisquer que sejam os termos, meu senhor... Eu estarei cumprindo... – e calou-se ao receber um peteleco na testa.
_ Tolo. – olhou-o. – O que eu havia lhe dito?
_ Desculpe, senhor. – murmurou, franzindo o cenho.
_ Sei que está com Lay, participando das investigações, mas preciso que saia dela e dedique-se somente ao que estou lhe propondo. – explicou. – Nosso treinamento será somente à noite, no jardim, já que o treinamento com Kyungsoo é pela manhã. Iniciaremos os treinos com armas brancas e luta corporal.
_ Entendido. – assentiu.
_ Quanto ao treinamento de Kyungsoo, ele está bem treinado com os bastões. – pensou um pouco. – Provavelmente, ele precisará de um oponente muito bem treinado para poder mudar o estilo de combate. – e, por um instante, Minseok avistou um sorriso perverso no rosto de Jongdae. – Não o subestime. Ele é melhor em luta corporal do que você.
_ Não irei. – respondeu.
_ Bom... – logo, Minseok recostou-se a cadeira, suspirando. – Agora, sobre os termos: não pegue leve com Kyungsoo durante o treinamento. Preciso que ele seja forte para suportar a proposta que lhe fiz. Em todos os treinamentos, seja rigoroso com ele e, se for necessário, demonstre com violência. Entretanto, nesse caso, eu mesmo posso dizer se deve ou não bater nele.
_ Sim, senhor. – disse.
_ Quanto ao meu treinamento, nós começaremos com resistência física antes de entrar para os treinamentos de combate. – explicou. – De algum jeito, preciso voltar à antiga forma.
E involuntariamente, a mente de Jongdae recordou-se dos anos em que Minseok treinava na academia da Ordem. Aliás, não fazia muito tempo em que o flagrara socando violentamente um saco de areia, quando entrara naquele cômodo. Mesmo suado e cansado, o moreno estava fascinado pelos braços fortes e abdômen sarado – ainda que o homem não estivesse sem camisa – daquele rapaz que, futuramente, se tornaria o líder.
_ Alguma dúvida? – perguntou, por fim.
_ Nenhuma, senhor. – respondeu.
_ Você aceita os termos? – olhou-o. – Está disposto a cumpri-los?
_ Sim, senhor. – assentiu.
A oportunidade perfeita para o jovem Mordomo. O moreno sabia disso e era apenas uma questão de tempo para que seu Mestre lhe observasse com outros olhos. Minseok fitou as órbitas escuras do mais novo que sequer desviou de seus semelhantes azulados, permanecendo em completo silêncio. Longos minutos se passaram no meio daquela troca de olhares, até que finalmente, o mais velho sorriu de leve para Jongdae, agradecendo-o com um breve aperto de mão.
_ Obrigado por concordar. – disse-lhe.
_ Será uma honra ajudá-lo, senhor. – concordou.
_ Por favor. – pediu. – Me chame de Minseok.
_ M-mas... – gaguejou.
_ Minseok, Jongdae. – sorriu, levantando-se e se afastou.
Jongdae olhou por algum tempo o dorso do homem que removeu o casaco do terno e afrouxou a gravata. Por fim, o Mordomo se ergueu de seu assento e curvou-se numa longa mesura, seguindo para fora do cômodo. E, mais uma vez, Minseok o deteve na entrada do escritório.
_ E mais uma coisa, Jongdae. – anunciou, vendo-o olhá-lo. E, por muito pouco, o jovem Mordomo não morrera ao ver o simpático sorriso de seu líder. – Não pegue leve comigo... Por que eu não serei nada gentil com você.
Assentindo rapidamente, Minseok observou o moreno deixar o cômodo em silencio e suspirou arrastado, seguindo para o seu quarto. Caminhou pelo lugar silencioso até a cama, removendo suas roupas frias – já que, desde que chegou, ele não teve tempo de se trocar – e deixou-as sobre a cadeira. O corpo forte, esguio e seminu – a única peça que lhe cobria era uma boxer preta – ameaçou seguir para o banheiro, porém se deteve na mesa de cabeceira, onde um pequeno bilhete estava posto com seu nome.
Devagar, o pegou, abrindo-o e, por um instante, desejou mudar seu oponente: ao invés de lutar com Park Changmin, Minseok desejaria assassinar cruelmente Park Chanyeol.
“Eu lhe disse que levaria o bebê comigo... Não disse?”.
_ Maldito. – rosnou, amassando e jogando a bolinha para um canto qualquer.
_ Está ocupado?
Rapidamente, as safiras brilhantes se desviaram para a porta de entrada, onde Joonmyun o assistia em silêncio. Discretamente, o loiro tragou o ar e a saliva, surpreso em como havia encontrado o líder da Ordem. Todavia, Minseok nada respondeu ao outro, que adentrava o quarto e se aproximava de si.
_ Perguntei a Jongdae se você havia chegado e ele – recomeçou, parando diante o outro que fitava as órbitas castanho-esverdeadas longamente. – me disse... Que você acabou de chegar. Aconteceu alguma coisa?
Entretanto, Minseok nada disse. Apenas se aproximou do menor e o envolveu em seus braços, afagando-lhe as madeixas louras. Joonmyun estranhou aquele afeto do mais velho, porém, se calou, pousando a cabeça sobre o peito alheio. A partir daquele momento, as coisas voltariam a ser como deviam ter sido desde o começo. O Príncipe com seu Matador e ele...
Bem... Minseok estaria com quem?

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