quarta-feira, 15 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Quatorze

_ E como foi com a sua mãe? – questionou Baekhyun.
Desde que chegara da Instituição, o jovem professor de História observou a noiva preparar e servir o jantar com um enorme sorriso no rosto. Estranhamente, alguma coisa que ocorreu naquela tarde parecia ter lhe agradado muito. No entanto, a dúvida ainda permanecia em sua mente. E se Richard estivesse certo? E se Taeyeon estivesse lhe traindo? O moreno, aos poucos, desviou os olhos para a taça de vinho em mãos e bebericou um gole, voltando assim a olhá-la. Logo, a moça se acomodou à mesa e gesticulou para que o noivo se servisse.
_ Divertido. – Taeyeon sorriu, lhe entregando uma vasilha com verduras cortadas. – Aproveitando que estamos aqui, mamãe sugeriu que fizéssemos um almoço em família.
_ Um “almoço em família”? – repetiu confuso.
_ Sim. – concordou. – Você poderia chamar sua mãe, já que elas não se conhecem ainda... – e Baekhyun deteve o garfo no ar, desviando os olhos para a morena que tomou um gole de sua bebida após completar. – E seu irmão também. – por fim, sorriu. – Minseok também faz parte da família, não?
_ Por que quer que Minseok venha? – perguntou calmamente, após deixar os talheres no prato.
_ Ué? Ele é seu irmão, Baekhyun. – disse simplista. – E de qualquer forma, o convite de almoço já estava de pé.
Por alguns minutos, as órbitas de Netuno se mantiveram focados nas feições suaves e femininas da noiva que comia em silêncio. O professor se lembrava de ter feito o convite ao irmão, porém, ele conhecia Minseok o suficiente para vê-lo se recusar. Devagar, Baekhyun voltou sua atenção para o próprio prato e comeu, enquanto ouvia Taeyeon relatar sobre o que ela e a mãe fizeram naquela tarde.
Logo após o jantar, Baekhyun seguiu para seu escritório e retirou o telefone do gancho, enquanto decidia se devia ou não refazer o convite ao irmão. Afinal, Minseok sempre repetia que “estava muito ocupado para aceitar convites que não se remetiam a assassinar crias mal-abraçadas”. Ou assim, ele pensava do mais velho. E no instante em que seus dedos roçaram uma das teclas, seu pensamento mudou de rumo, dando-lhe uma visualização parcial do enorme sorriso e da notável altura do jovem bibliotecário. Deveria ele ligar para Richard e fazer o convite do almoço em família?
Mas... O termo “almoço em família” não está relacionado apenas às pessoas que estão interligadas no sangue? Então... Se for realmente isso... Richard não era da sua família.
Entretanto, por que ele sentia uma estranha e forte ligação com aquele garoto?
O moreno crispou os lábios, ainda pensativo e balançou a cabeça, discando finalmente o número que recebeu naquela manhã. Talvez fosse alguma coincidência do destino quando Richard lhe deu o número de seu celular, alegando que “ficaria feliz em ajudar se ele precisasse desabafar algum dia”. Por fim, colocou o aparelho no ouvido e esperou. Chamou uma, duas, três vezes e caiu. Baekhyun discou novamente quando, mais uma vez, caiu a ligação. “Talvez ele tenha me dado o número errado”, pensou enquanto tentava pela ultima vez.
Ele esperou.
Até que, finalmente, houve resposta.
Alô? – Baekhyun piscou rápido ao ouvir o timbre rouco na outra linha. – Alô!
_ Richard? – chamou pigarreando. Era estranho sua voz ter falhado de primeira.
Ah, Baekhyun! – respondeu um pouco mais animado.
_ V-você estava dormindo? Eu... Te incomodei? – perguntou.
Não... Não... – murmurou arrastado e, por fim, riu. – Sim. Eu estava dormindo. Mas... Você queria alguma coisa?
_ Hã... – e engoliu em seco, fechando os olhos. – Desculpa. Eu deveria ter ligado mais cedo, ou esperado... Deixa para lá. Nós nos falamos amanhã...
Baekhyun, diga. – pediu, quase como uma ordem involuntária. – O que você quer?
_ Bom... – e suspirou, sentando em sua cadeira. – Amanhã, minha noiva e eu estaremos preparando um almoço especial... Para reunir a família...
Sei.
_ E eu queria saber se você... Não gostaria de vir. – a última parte saiu quase num sussurro aos ouvidos do professor.
Amanhã? – repetiu. – Que horas?
_ Ao meio dia. – alegou, notando um enorme silêncio na outra linha. Teria Richard adormecido ao telefone? – Rick...
Tudo bem. – respondeu. – Se eu não estiver tão ocupado, posso passar por aí.
_ Obrigado. – agradeceu, sorrindo levemente. – Agora, pode voltar a dormir. Desculpe... Por incomodá-lo, Richard.
Muito obrigado, Sr. Byun. – riu abafado. – E tenha uma boa noite de sono.

Por fim, a ligação foi encerrada. Baekhyun encarou o telefone por alguns instantes, enquanto desviava a atenção para a janela molhada pela chuva. Pelo menos, em tese, a sua companhia agradável estava garantida.

_ Vamos recomeçar. – era notável nas órbitas de Netuno o tamanho da fúria de Minseok. Parecia que suas safiras cintilavam mais do que o natural, como se fuzilassem o seu oponente. Jongdae avaliou atentamente as reações de seu Mestre, enquanto cuspia um pouco de sangue. – O que Oh Sehun queria com você?
_ Eu não sei... – respondeu, tentando se levantar.
_ Jongdae, não minta para mim... – ameaçou, caminhando em torno do moreno.
O Mordomo respirou fundo, reprimindo a dor que sentia por todo o corpo e, mais uma vez, entrou em combate contra seu Mestre. Com esforço, Jongdae se esquivou dos chutes e socos do mais velho que, em momento algum, interrompeu seus movimentos. Por muito pouco, a lâmina da adaga não lhe cortou o pescoço, fazendo-o deslizar pelo gramado e rolar. Minseok girou o corpo e chutou-lhe as costelas, ao que a ponta da lâmina feriu levemente a face do rapaz. Lentamente, o moreno guiou os dedos até a maçã do rosto, notando o pouco de sangue que escorria por sua tez clara.
_ Jongdae...
_ Já lhe disse... Senhor. – e lentamente, desviou os olhos para o homem de madeixas acinzentadas. – Eu não sei.
Minseok ofegou cansado, enquanto o suor escorria por sua têmpora, misturado a chuva que havia aumentado. Por que raios o seu seguidor estava mentindo? Por que ele simplesmente não lhe dizia? Afinal, o caçador que ele enviara não havia mentido sobre o que vira naquela tarde. Ou pelo menos, ele não ousaria mentir. Durante longos minutos, ambos se encararam em silêncio, ao que o mais velho piscou devagar, mancando aos poucos na direção da varanda. Em passos lentos e ainda protegendo as costelas – possivelmente quebradas –, Jongdae seguiu o líder e deitou-se no piso frio e molhado.
Respirar – com dificuldade, sendo mais exato – talvez ainda fosse a única função involuntária permitida para o jovem Mordomo que estava caído no chão da varanda. Os olhos pequenos e escuros gradativamente desviaram do teto branco para o homem de madeixas acinzentadas sentado próximo à si, enquanto lhe avaliava longa e silenciosamente. Mesmo que o combate entre eles estivesse encerrado há algumas horas, Minseok continuava furioso pelo atraso e certa desobediência de seu seguidor. No entanto, Jongdae nada relatou sobre o ocorrido entre ele e o Matador do Príncipe, Oh Sehun.
E, sem proferir uma palavra sequer, o líder da Ordem se ergueu e mancou devagar para o interior da mansão, desaparecendo do campo de visão do moreno. Com um pouco de esforço, o Mordomo sentou-se no chão, afagando a cabeça um pouco dolorida – além do mais, Minseok possuía um punho forte quando se tratava de agarrar alguma coisa e, nesse caso, seus cabelos foram o alvo – e suspirou arrastado, removendo a camisa branca. Miseravelmente, tentou limpar o pouco de sangue que manchava o piso branco e se levantou, cambaleando vagaroso até as escadas.
_ Jongdae. – aos poucos, sua atenção se desviou para o alto, onde Eunjung arqueava uma das sobrancelhas, demonstrando autoridade. Algo que o outro preferia não comentar. – O Mestre quer vê-lo em seus aposentos.
O Mordomo assentiu de leve e segurou no corrimão, subindo devagar as escadas até o andar de cima, enquanto mentalmente, decidia se deveria ou não explicar os motivos de seu atraso. Minseok não o entenderia. Ou melhor, nem mesmo ele conseguia entender o que havia acontecido naquela noite. Afinal... Que monstruosidade era aquela e como ele esperava que seu senhor acreditasse em suas palavras? As palavras de Sehun retornaram aos seus pensamentos, fazendo-lhe parar de andar no centro do corredor de acesso aos aposentos do líder. Enquanto o Matador do Príncipe não investigasse melhor sobre o que presenciou há algumas horas, Jongdae não poderia abrir a boca. Pelo menos, ainda não.
Então, o que diria ao seu Mestre? Afinal, Minseok necessitava de explicações.
E Jongdae não possuía palavras.
Parado diante a entrada dos aposentos, o moreno respirou fundo e deslizou os dedos pelos cabelos, recuperando miseravelmente a coragem para enfrentá-lo. E, ao descer os olhos para o próprio corpo, arrependeu-se por não ter vestido nada que cobrisse seu tronco. Nem mesmo a camisa branca em sua mão poderia ajudá-lo, já que estava ensangüentada. Brevemente, Jongdae cogitou a ideia de retornar para o seu quarto – rápido, se possível – e vestir algo, mas conhecia bem o homem de madeixas acinzentadas o suficiente para não tolerar mais atrasos.
Por fim, segurou a maçaneta da porta e girou-a, abrindo-a aos poucos. Mais a frente, sentado em sua cama, Minseok encarava o vazio em completo silêncio, como se meditasse profundamente sobre seus próximos movimentos. E o que Jongdae não daria para saber o que se passava em sua mente. Além do mais, ele não estava tão diferente de si: nenhuma camisa cobria seu tronco. Gradativamente, suas órbitas brilhantemente azuladas desviaram para o visitante recém-chegado e um sorriso fraco transpareceu em seus lábios levemente cheios. Era impressão sua ou o outro estava tristemente feliz? Sem proferir uma palavra, o mais velho gesticulou para que o moreno se acomodasse na cadeira posta a sua frente.
Os olhos felinos acompanharam atentos os movimentos do Mordomo que se acomodou no lugar indicado, arrumando, em seguida, a camisa sobre os ombros. E por longos minutos, ambos se encararam calados, apenas esperando. Um, pela ordem. O outro, pelos questionamentos. Jongdae nada lhe perguntou sobre os motivos de ter sido solicitado. Até que, finalmente, Minseok suspirou e pegou um pequeno envelope ao seu lado, estendendo para o rapaz.
_ O que é isto... Senhor? – perguntou Jongdae, pegando-o. – Suas ordens?
Minhas últimas ordens, Jongdae. – especificou.
_ Como... Disse? – murmurou, desviando a atenção para a face de seu Mestre.
_ Amanhã à noite... Será a minha luta. – e levantou-se da cama, caminhando na direção da varanda.
_ Mas... Meu Senhor... – apressado, Jongdae levantou da cadeira, seguindo-o. Sequer percebeu que sua camisa caiu de seus ombros. – Isso não é possível, quer dizer... – logo Minseok desviou os olhos para o outro que cerrava os punhos contra o corpo. – Como os dias se passaram tão rápidos!
_ Digo o mesmo. – concordou, vagando os olhos para a noite chuvosa através do vidro. – Não... Pude aproveitar o tempo que me restou.
Aos poucos, as órbitas escuras se desviaram para o homem de madeixas acinzentadas, enquanto suas palavras pareciam entaladas em sua garganta. Jongdae precisava confessar. Contar sobre tudo: desde o instante em que colocou os olhos naquele garoto de feições fofas e olhar sombrio até aquele momento. E Minseok somente precisava de mais algumas horas para cometer a maior e a melhor loucura de sua vida.
Ele esperava que, no fundo, Joonmyun lhe perdoasse pelo que estava prestes a fazer.
_ Jongdae. – chamou.
_ Sim?
_ Tomaria alguns drinques comigo? – o olhou, vendo-o baixar os olhos gradativamente. – Eu não gostaria de beber sozinho esta noite.
E assentindo minimamente, o moreno concordou, seguindo até o escritório de Minseok. Durante a curta ausência do mais novo, o mais velho vagou os olhos por todo o cômodo, enquanto suspirava arrastado. A Ordem... Por muito tempo, se tornou seu único lar. Pelo menos, aquela situada em Londres. Estranhamente, sentiria falta de todos os que vivem ali. Até mesmo seu “aluno especial”, Do Kyungsoo; seus seguidores, Kim Jongdeok, Kim Eunjung e Zhang Yixing; e principalmente... Daquele rapaz. Não demorou muito para que Jongdae retornasse com uma garrafa de uísque e dois copos com gelo.
“Era impossível acreditar que aquelas órbitas azuladas já presenciaram o terror pessoalmente”.
Minseok o assistiu encher e servir os dois recipientes, entregando um deles ao homem de madeixas acinzentadas. Por fim, brindaram e beberam o conteúdo. Durante longos minutos, ambos entornaram a bebida, sem nada dizerem, ficando assim levemente embriagados.
“Assim como era impossível crer que aquele homem, uma vez, embriagado, lhe ameaçou de que conseguiria ser seu braço-direito.” 
Minseok avaliou seu seguidor em silêncio, que parecia bastante relaxado na cadeira a sua frente. Uma das pernas de Jongdae estava sobre o braço da cadeira, deixando notavelmente exposta, sua intimidade coberta pela calça escura. Estranhamente, o moreno se sentia excitado e – simultaneamente – desconfortável com tamanha intensidade que àqueles Netunos lhe miravam. Como se lessem, não apenas seus pensamentos, mas sua alma também. E, por alguma coincidência não compreendida, seu Mestre entendeu o que ele queria.
Como uma pantera à espreita, o homem se ergueu de seu lugar e caminhou a estreita distância entre eles, enquanto apoiava as mãos nas costas da cadeira. A distância entre os rostos minguava aos poucos, descompassando a respiração do moreno que estava quase entregue ao líder da Ordem.
_ Muitos culpam o álcool por seus atos impensados. – comentou, próximo aos lábios alheios.
_ Este é um ato impensado... Senhor? – sussurrou Jongdae. Céus! Era possível sentir o cheiro amadeirado misturado ao suor e grama molhada.
_ Não. Este é um ato milimetricamente pensado. – e tomou-lhe a boca suavemente.
Era estranho de se pensar que aquelas bocas – visivelmente diferentes – se encaixavam e completavam-se inteiramente. Como se moldadas exclusivamente uma para a outra. Nem o consciente de Jongdae o repulsou ao sentir aquela pressão gostosa. Muito menos, a razão de Minseok gritou com o seu dono para que não destruísse sua vida e a de seu Mordomo. Além do mais, ambas se encontravam inertes e temporariamente esquecidas por seus respectivos proprietários. Quando o mais velho soltou seu lábio inferior, uma estranha corrente elétrica percorreu por seu corpo, deixando-o mais sensível do que estava. E não demorou muito para que aquelas pedras preciosas lhe observassem caladas. Mas, afinal... Há quanto tempo seu Mestre possuía sentimentos por si?
_ Minseok... – sussurrou, alternando a atenção entre os olhos que ameaçavam se fechar e os lábios que se aproximavam novamente.
Não houve relutância quando o líder o puxou para junto de si, assim como também não houve protestos quando as mãos ágeis desfizeram de suas roupas. Jongdae estava completamente a mercê dos encantos, toques, cheiros e beijos do mais velho, que o aprisionava no leito. Suas mãos frias e nervosas passeavam pela extensão das costas delineadas, enquanto suspiros entrecortados escapavam de seus lábios finos. Minseok o torturava. Intimamente, deixando-lhe hematomas e vergões por sua tez alva. Como se o repreendesse de algo que fizera.
“Teria sido a sua teimosia e insistência em mostrar ao outro que seria capaz de protegê-lo?”
Havia muita conversa em meio àquela festa agitada. Acomodado numa mesa mais afastada com Yixing e mais alguns garotos que insistiam em lhe acompanhar, Minseok se encontrava quieto, apenas observando o caminhar de um lado para o outro dos recrutas que, pareciam animados com a comemoração. No fundo, o garoto de madeixas acinzentadas desejava estar treinando sozinho e afastado, no entanto, por ordens dos instrutores – e, especialmente, do pai de Joonmyun – ele deveria ficar ali e aproveitar a música boa e as comidas servidas.
_ Algo me diz que você não quer estar aqui. – Yixing o olhou, bebericando de sua bebida. – Por que não sai?
_ Eu gostaria. – suspirou, examinando o conteúdo de seu copo. – Mas o Sr. Kim obrigou-me a ficar aqui por pelo menos três horas.
_ Bem... – Yixing analisou o relógio de pulso por alguns instantes. – Já se passaram três horas.
E, velozmente, Minseok levantou de seu lugar, deixando o grande salão em seguida. Se Yixing não o tivesse alertado do horário, talvez ele tivesse ficado até o fim da festa sem saber. Durante o trajeto até seus aposentos, um timbre arrastado e grave ecoou pelo extenso corredor, fazendo-o parar de andar aos poucos.
_ Eu estou falando com você! – declarou a voz, conseguindo chamar sua atenção. – Você, Kim Minseok!
Gradativamente, os Netunos brilhantes se desviaram para trás, onde um garoto moreno e visivelmente bêbado se aproximava cambaleando até parar finalmente diante de si. Minseok percebia que sequer os olhos pequenos do outro se mantinham abertos por muito tempo. Vez ou outra, alguma palavra conseguia – com muita dificuldade – deixar aqueles lábios finos, fazendo com que o mais velho compreendesse sua fala.
_ Escute... O que vou... Dizer... – rosnou, encostando-se a parede e ergueu o indicador. No entanto, havia uma distância considerável entre os dois. Mentalmente, Minseok esperava que algum instrutor aparecesse para que levasse aquele menino à enfermaria, já que... Se o “pirralho” ficasse mais alguns segundos na sua frente, ele não responderia por seus atos. – Fique sabendo... Que eu... – continuou. – Vou ser o seu braço-direito, ouviu?
_ Como? – e os olhos de gato se estreitaram. “Merda”, pensou Jongdae, engolindo em seco, enquanto assistia o tão conhecido filho de Kim Baekhyung se aproximar de si, cruzando os braços. Ele não achou que o outro fosse levar a sério suas palavras. Nem mesmo o efeito da bebida parecia ajudá-lo a ter coragem. – Perdão. Eu não ouvi.
_ Eu... – recomeçou, agora, nervoso. – Vou treinar o suficiente para que você me reconheça e me aceite como seu... Mordomo.
Em silêncio, as órbitas azuladas avaliaram atentamente o moreno que se sentia exposto demais diante o garoto. Afinal, ele conhecia bem a lenda que rondava por dentre os outros recrutas. Até seu irmão mais velho, Jongdeok, acredita nela: que somente um tolo sem um pingo de juízo enfrentaria o primogênito de Baekhyung. Minseok avaliou as condições do mais novo e bufou, sorrindo de leve. Ele conhecia aquela ousadia em outra pessoa.
_ Você... Meu Mordomo? – murmurou baixo, vendo-o hesitar. – Boa sorte. – e, se afastou em silêncio.
Todos os devaneios do mais novo se dissiparam na medida em que os movimentos se aceleravam. Gradativamente, o suor se tornava apenas uma fina camada por sobre as peles, que friccionavam entre si, provocando arrepios e ofegos de ambas as partes. Parecia que os corpos compreendiam e realizavam os desejos de seus respectivos donos: quanto mais Jongdae o desejava para si, mais Minseok parecia devorá-lo. Seja lhe invadindo, seja lhe marcando com dentes e beijos.
Pernas se prendem na cintura, como algemas em torno de pulsos. Gemidos baixos ecoam no cômodo como música para os ouvidos daquele casal. Mãos se entrelaçam numa jura muda de que permanecerão unidas eternamente. Bocas se colam e descolam inúmeras vezes, provocando estalidos molhados. E, em pouco tempo, o quarto – uma vez, frio – se tornou quente e excitante para os dois homens. Jongdae o abrigou dentro de si, enquanto uma mistura embriagante de álcool, suor e perfumes enchiam aquele pequeno espaço. Minseok, em nenhum momento sequer, desviou a atenção do mais novo, impressionado com as reações deste, que se contorcia abaixo de si.
E pensar que fora ele quem o desafiou.
Amaram-se como se aquela fosse a última vez. Amaram-se... Como se soubessem que não haveria outra escapatória. E, logo, Minseok velou o sono do mais novo. Curiosamente, havia diversas marcas deixadas pela pele clara, enquanto afagava, de forma suave, a face adormecida de Jongdae. Por Deus... Como ele não podia tê-lo conhecido antes? Por que não se apaixonou logo que o viu naquela noite? Não. O Destino decidiu brincar consigo, exatamente como nas outras vezes.
O homem de madeixas acinzentadas inclinou-se até o outro, depositando um selar tímido em sua testa, ao mesmo tempo em que uma lágrima abandonou seu olho e escorreu por seu rosto. Despedir-se de Jongdae estava sendo mais difícil do que ele previa. Por fim, o dono dos Netunos brilhantes abandonou a cama, vestindo uma calça de moletom e saiu do quarto. Em silêncio, transitou pelos corredores silenciosos da mansão, enquanto recordava-se de todas às vezes que se encontrou com seu Mordomo, na adolescência.
_ O grande Kim Minseok... – a voz suave de Yixing surpreendeu Minseok, que se virou, assistindo o amigo emergir das sombras. – Perdeu o sono?
_ Não sabia que estava aí. – comentou, vendo-o se aproximar.
_ Foi uma noite e tanto, não? – um sorriso maroto transpareceu na face angelical do chinês, enquanto gesticulava para o dorso do Líder da Ordem.
_ Vamos mesmo falar sobre isso? – questionou, reprimindo um sorriso.
_ Tudo bem. – deu de ombros. – Mas Jongdae sabe de Joonmyun?
_ Não... – negou num suspiro. – Ele não sabe.
_ E vai mantê-lo às escuras? – arqueou uma das sobrancelhas.
_ Para dizer a verdade, Yixing... – e os Netunos se viraram para o outro. – Eu estou meio perdido.
_ Espero que isso seja apenas uma metáfora, senhor. – disse, se aproximando aos poucos. – Assim como espero que o senhor revele a verdade para o Mordomo, afinal, ele tem o direito de saber.
Minseok concordou com as palavras alheias. Yixing tinha razão quanto aquilo. Quanto mais o Mestre de Jongdae lhe esconder a verdade, mais impactante ela será quando vir à tona. Por fim, o rapaz sorriu-lhe minimamente, pousando a mão em seu ombro e assentiu de leve.
_ Algo me diz que está agindo como o seu pai, Minseok. – murmurou. – Nunca o vi tão tagarela com Jongdae do que com qualquer outro. – e logo um sorriso transpareceu nos lábios de Minseok. – Você está apaixonado por ele, não está?
_ Achei que estava escondendo bem. – comentou, recostando-se a parede.
_ E você está. – concordou. – Mas não de mim.
_ Por que, com ele, é diferente, Yixing? – suspirou, fechando os olhos. – Eu... Não consigo controlar meu coração quando meus olhos o encontram.
_ Acalme-se. – riu. – E não se preocupe: todo mundo passa por isso.
_ Mas eu temo perdê-lo. – sussurrou.
_ A batalha... Será amanhã à noite. – comentou, como se lesse os pensamentos alheios.
_ Sim. – concordou. – Será contra Park Changmin.
_ Quais são as ordens?
_ Na verdade... Eu apenas quero que me faça dois favores, Yixing. – e o olhou.

Como um gatuno, os pés desceram silenciosamente as escadas, rumando para o hall de entrada. Apressadamente, a moça vestiu o casaco de frio e deixou o lar em poucos minutos, rumando pela rua mal movimentada. Vez ou outra, os olhos castanhos vasculhavam pelos lados à procura de alguém que estivesse lhe seguindo. E, em pouco tempo, a morena cortou caminho por dentre os becos e seguindo para o noroeste de Londres.
Do alto de um prédio, as órbitas avermelhadas acompanharam atentamente a direção em que aquela moça seguia, percebendo que a mesma parou finalmente diante um beco sem saída e olhou para os lados, a fim de descobrir se alguém a observava. Chanyeol a assistiu entrar no beco e parar diante uma porta de metal, batendo duas vezes e esperando alguma resposta. E não demorou muito para que um homem com quase 2,50 m de altura surgisse na pequena entrada, assustando-a.
Senha? – ditou ele, quase como um rosnado.
Andarilho. – respondeu.
O homenzarrão a avaliou por alguns instantes e afastou-se da passagem, deixando-a entrar. Chanyeol arqueou uma das sobrancelhas, curioso em descobrir o que havia por trás daquela porta metálica. E, pacientemente, esperou que a moça reaparecesse. Foram longos minutos esperando sentado no parapeito de um prédio quando, finalmente, a garota deixou o local, novamente caminhando com cautela pela avenida.
_ Interessante... – sussurrou Chanyeol, seguindo-a pelos prédios em silêncio.
Num rápido movimento, o vampiro desapareceu ao mesmo tempo em que a moça parou e desviou os olhos para o alto, tendo a impressão de estar sendo seguida. Por fim, continuou seu trajeto até sua casa, onde, mais uma vez, desapareceu do campo de visão do maior. Chanyeol surgiu dentre as sombras, observando atentamente a frente da casa e respirou fundo, visivelmente curioso.
_ O que Taeyeon estava fazendo naquele beco? – murmurou.
_ Não sabia que estava aqui.
Aos poucos, o gangrel desviou a atenção para a voz rouca e baixa, avistando Sehun a poucos metros de si. Trajando um casaco longo e escuro, o ventrue caminhou devagar em sua direção, ainda com as mãos enfiadas nos bolsos. Chanyeol sorriu sarcástico, também se aproximando e parou diante o ruivo que o encarava.
_ Não sabia que você estava aqui. – o imitou. – Não estava debaixo das asas de seu Mestre.
_ O Príncipe foi atacado. – o alertou.
_ Atacado? – franziu o cenho, como se não soubesse daquela informação. – Quando?
_ Ontem à noite. – suspirou. – Nós não somos os únicos a sermos temidos... Chanyeol.
_ Está dizendo que há uma nova raça em Londres? – questionou surpreso. – Por que não me disse?
_ Talvez por que estivesse ocupado... Mimando o humano. – e arqueou uma das sobrancelhas. – Por acaso, está preparando-o para amanhã?
_ Do que está falando?
_ Achei que soubesse. – olhou-o, fingindo confusão. – Amanhã... O Líder da Ordem dos Caçadores e o seu pai, Park Changmin, irão se enfrentar.
Chanyeol piscou devagar, um tanto surpreso com a notícia anunciada pelo Matador do Príncipe. Em poucas palavras, Sehun resumiu para o líder dos Gangrels que todo o clã e, inclusive, o Príncipe já sabem da tão esperada batalha mortal. O castanho ouviu a tudo de forma atenta e agradeceu numa reverência quase forçada ao rapaz que acenou com a cabeça, ameaçando partir.
_ E o líder da Ordem... Já sabe? – perguntou, vendo-o parar de andar.
_ O Sr. Kim? – e o olhou de soslaio. – Sim.
_ E quanto... Ao seguidor dele? Como Jongdae reagiu? – provocou.
_ Eu não sei. – as órbitas avermelhadas do Matador se perderam no vazio, enquanto um suspiro arrastado abandonou seus lábios finos. – Eu não lhe questionei sobre isso...
_ Diga-me... – Chanyeol estava curiosamente interessado nas reações estranhas do outro. – Seria impressão minha ou... Você está preocupado com Minseok?
_ Eu não estou preocupado com o humano. – respondeu. – Mais alguma coisa?
_ Não. – negou, e, finalmente, Sehun partiu.
Estando a algumas léguas de onde Chanyeol estava, o Matador interrompeu a corrida sobre a ponte do rio Tamisa. A chuva, naquele instante, se tornou apenas uma garoa suave, porém, não impediu que as poucas pessoas que ainda transitavam por ali se molhassem. Mesmo que tentasse esconder – e obtivesse sucesso em alguns momentos –, Sehun não conseguia mentir para os seus próprios sentimentos. Se ele conhecia bem Luhan, era de se esperar que o castanho assistisse o combate entre seu amante e Changmin, enquanto o ruivo apenas imaginaria como o Mordomo do líder estaria.
Afinal, Jongdae era fiel ao seu Mestre; assim como ele devia ser com o seu Príncipe.
E, sem que percebesse, seus olhos marejaram gradativamente, escorrendo algumas lágrimas de sangue pela tez pálida, que logo foi limpa pela chuva que caia. Sehun estava com medo. Medo, não por Minseok ou Changmin. Ou mesmo, pelo seu Mestre. Não. O Matador temia o que poderia acontecer à Jongdae. O que era engraçado, já que ele, desde antes – quando era apenas um humano frágil – ele nunca se importou com ninguém.
Então... Por que com o moreno era diferente?

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