domingo, 19 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Quinze

Por mais que durante a semana, a chuva não tenha dado nenhuma trégua aos ingleses, naquele dia em especial, o sol decidiu dar as caras, emergindo das nuvens em todo o seu esplendor. Gradativamente, o grandioso cômodo foi iluminado pelos raios solares vindas da janela da varanda, enquanto, manhosamente, o jovem rapaz de madeixas escuras se espreguiçava na confortável cama. Um por um, os olhos de Jongdae se abriram, adaptando-se com a nova iluminação. Com esforço, o Mordomo sentou na cama, espreguiçando-se quando subitamente, um arrepio percorreu sua espinha.
Ele não estava em seus aposentos.
Mas afinal, como ele foi parar no quarto de Minseok?
Rapidamente, o moreno encarou em volta, notando que o cômodo estava devidamente arrumado, exatamente como seu Mestre deixou e se levantou num pulo, ainda confuso de como fora parar ali. Nervoso, passou a mão pelos cabelos, desarrumando-os mais do que estavam bagunçados e ao encarar o espelho mais afastado, assustou-se com seu estado físico. Por que, diabos, Jongdae estava tão marcado e nu? E o que é que estava acontecendo ali?
_ Mas que merda é essa?! – questionou num sussurro.
Havia tantos hematomas em seu corpo – desde o maxilar ao interior das coxas – na qual o Mordomo tinha certeza de não terem sido feitas durante o treinamento. Ainda confuso com aquilo, Jongdae tratou de procurar suas roupas, encontrando uma muda sobre uma cadeira próxima a varanda. E, às pressas, vestiu a boxer, ao mesmo tempo em que uma vaga lembrança surgiu em sua mente. Como se algo importante tivesse acontecido na outra noite. Mas... O que teria sido? Atentamente, o moreno estendeu os braços, avaliando os hematomas pelo corpo, sem entender todas as manchas. Por fim, desistiu de pensar sobre isso e terminou de se vestir. No entanto, no segundo em que fechou o terceiro botão da camisa, Minseok passou pela porta, parando e fitou seu seguidor em silêncio.
_ Bom dia. – desejou o dono dos Netunos brilhantes, adentrando o cômodo, mancando. Por mais que Jongdae tentasse esconder, Minseok ainda podia ver a trilha de marcas que deixou em sua pele, paralelas as pintinhas em seu pescoço.
_ Bom dia... Senhor. – respondeu num murmúrio, arrumando a gola e as mangas da camisa. Logo, o Mordomo mesurou em respeito. – Com licença.
_ Não vai tomar o café da manhã? – perguntou Minseok, notando que o outro parou de andar no centro do quarto. – Eu... Pedi que trouxessem o seu café.
_ Pediu? – se virou, olhando-o confuso, ao que o outro concordou, sentando-se à mesa. E Minseok levantou as duas tampas, expondo dois belíssimos pratos recheados de comida.
_ Venha se servir. – pediu, mas com um tom autoritário.
Pelo canto dos olhos, Minseok assistiu a relutância do Mordomo, que se aproximou devagar e acomodou-se a sua frente, visivelmente confuso com tudo aquilo. O Líder da Ordem comeu em silêncio, logo sendo imitado pelo moreno que evitava, a todo custo, encarar o homem a sua frente. Afinal, como Jongdae podia reagir depois de seu Mestre o flagrar em seus aposentos, se vestindo? Mentalmente, o rapaz se forçou a relembrar do que aconteceu na noite anterior, quando se assustou com o tilintar dos talheres contra o prato.
_ Baekhyun ligou-me hoje de manhã. – começou o mais velho, fingindo não perceber que seu seguidor estava diferente. – Disse que está reunindo a família para um almoço... Eu não sei.
_ Devo... – murmurou, pigarreando. – Preparar o carro?
_ Nós vamos no seu carro. – respondeu, tomando um gole de suco.
_ Como? – piscou rápido, vendo Minseok o olhar. – N-no meu... C-carro, Senhor?
_ Sim. – concordou Minseok. – Algum problema?
_ Hã... Não. – negou, baixando a cabeça. – Eu... Só achei que o senhor fosse em seu carro...
_ Um carro empresarial rodando em plena manhã de domingo? – estreitou as sobrancelhas, sorrindo. – Não acha que é demais?
_ Sim, senhor. – concordou, encarando o próprio prato.
_ Algum problema, Jongdae? – perguntou, notando que o outro estava meio perdido. – Não se sente bem?
_ Acho que não. – suspirou, passando a mão pelos cabelos. – Perdoe-me, senhor, mas terá de pedir a Kyungsoo que vá com o senhor.
E, sem esperar um segundo, Jongdae levantou da cadeira e deixou o cômodo em passos largos. Minseok o assistiu desaparecer após o fechar da porta e suspirou arrastado, pousando a cabeça na mão. Por mais que quisesse negar, algo lhe dizia que seu Mordomo não se recordava do que havia acontecido entre eles. Ou pior: não se sentia mais confortável em estar consigo.
Enquanto isso, Jongdae atravessava os corredores da mansão tão rápido, que muitos dos instrutores que passavam por si tinham de se afastar de seu caminho para não se esbarrarem. Os olhos pequenos brevemente identificavam as pessoas e, logo que ele reconheceu Kyungsoo conversando com seu irmão, o arrastou pelo pulso, fazendo-o tropeçar algumas vezes, antes de ambos entrarem em seu quarto.
_ O que foi, Jongdae? – perguntou o menor de olhos grandes. – Afinal, onde esteve? O seu irmão disse que nós precisávamos treinar...
_ Esqueça o treinamento. – interrompeu, olhando-o. – Preciso que me faça um favor.
_ Um favor? – fitou-o confuso.
_ Quero que leve o Sr. Kim Minseok a um almoço com a família. – explicou, logo caminhando até o guarda-roupa e procurou algumas peças que pudessem caber no “recruta”. Por fim, escolheu uma camisa azul-marinho de mangas curtas e uma calça jeans, colocando sobre a cama. – Vista isso.
_ M-mas... Espera. Eu não estou entendendo... – olhou-o confuso.
_ Hoje eu não estou me sentindo bem, ok? – resumiu, abrindo os botões e removeu a camisa, ao que Kyungsoo o assistiu surpreso. – Você precisa me substituir.
_ Ok. – concordou. – Mas o que houve com você? – perguntou, vendo escolher uma roupa de moletom preta.
_ Eu não sei. – murmurou, encarando o vazio. – Só... Se apresse em se vestir.
Porém, antes mesmo que Kyungsoo pudesse remover a camisa que vestia, a porta do quarto se abriu e Eunjung surgiu, olhando-os rapidamente. No entanto, ao pousar os olhos em Jongdae, a mulher abriu a boca, incrédula com o que estava diante de seus olhos.
_ Primeiro: o que houve com o seu corpo? – sua voz subiu algumas oitavas. – E, segundo: o Mestre está esperando você no hall de entrada.
_ Eu o avisei de que... – o mais velho tentou se explicar, mas a médica apenas negou com a cabeça, interrompendo-o.
_ Minseok não quer suas desculpas, Jongdae. Ele quer você lá embaixo em três minutos. – resumiu Eunjung, reprimindo uma risada. – Meu Deus, o que houve ontem à noite que o deixou assim... – e saiu do quarto.
Logo, o cômodo ficou em silêncio, enquanto os dois rapazes se encaravam longamente. Por fim, o Mordomo procurou dentre suas roupas, alguma que poderia cobrir as marcas de seu pescoço, mas não havia nenhuma camisa de gola alta que pudesse fazê-lo. Kyungsoo assistiu o maior bufar, completamente perdido e sentar na cama, escondendo o rosto entre as mãos.
_ Se quiser que eu fale com o Sr. Kim... – começou o menor. – Posso dizer que você não se sente bem e que eu...
_ Eu já disse isso a ele. – rebateu. – E você ouviu Eunjung: ele me quer no hall em dois minutos e meio.
_ Então... O que vai fazer? – suspirou.
Jongdae encarou as roupas por alguns segundos e engoliu em seco, despindo-se. Por fim, vestiu as peças que havia entregado à Kyungsoo e, antes que se olhasse no espelho, – e preocupar-se cada vez mais com o seu estado – Eunjung retornou com uma pequena nécessaire em mãos.
_ Eu sei que deixar você ir assim seria bastante cômico, mas tanto eu quanto seu irmão temos pena de você. – começou ela, colocando a bolsinha sobre a cama. – Agora senta aqui que eu vou dar um jeito nessas marcas.  Kyungsoo, procure outra camisa que tenha mangas longas para o Jongdae. E você, tire essa daí.
O Mordomo a observou por alguns instantes e, finalmente, removeu a camisa, sentando-se na cama. Eunjung abriu a nécessaire e retirou alguns produtos de maquiagem que só Deus sabia identificá-los. Logo, Kyungsoo retornou para os dois com duas camisas – ambas de mangas três quartos, sendo as maiores que tinha –, nas cores branca e preta. A médica reclamou do estilo monocromático do maior que permaneceu calado, afinal, ela estava lhe fazendo um favor. Por fim, Jongdae vestiu a camisa branca, enquanto arrumava as mangas nos braços.
_ Tente não subi-las muito. – sugeriu ela, concluindo seu trabalho. – E tente não lavar o rosto ou a maquiagem sairá. Agora, vai dar uma olhada.
E o moreno se observou no espelho, surpreendendo-se com o desaparecimento das manchas de seu pescoço. Pelo menos, parte de seu problema havia sido resolvido. Agora, sua prioridade é não remover a máscara. Algo meio difícil para ele. Eunjung ainda murmurou algumas palavras como “eu sei, eu arrasei no make”, enquanto Kyungsoo apenas reprimia um sorriso. Por fim, Jongdae agradeceu aos dois, pegou as chaves e os documentos do seu carro e deixou o cômodo, seguindo para as escadas.
_ Achei que fosse demorar... – Minseok começou, mas calou-se ao ver seu Mordomo usando uma camisa de mangas três quartos branca e uma calça jeans. E o pior: sem suas marcas. – Se sente melhor?
_ Sim, senhor. – concordou, abrindo a porta de entrada.
Minseok o avaliou por alguns segundos antes de seguir para a garagem, onde ambos entraram no carro esportivo de Jongdae. Em pouco tempo, deixaram os terrenos da mansão e rumaram pela rua principal. O líder observou – já que estava no banco ao lado do motorista – o moreno dirigir rápido por dentre os carros, enquanto cerrava os punhos contra o volante.
_ Está tudo bem? – questionou o mais velho, vendo-o bufar.
_ Está. É só que... Eu tenho alergia a um produto na composição química da maquiagem. – explicou, respirando fundo.
_ Você é alérgico e ainda passou maquiagem? – Minseok arqueou uma das sobrancelhas.
_ Eu precisava esconder as marcas, senhor. – suspirou, sentindo um enorme incomodo no pescoço.
O homem de madeixas acinzentadas suspirou, passando a mão pelo rosto e controlou uma risada no fundo da garganta. Com certeza, esse almoço ficará em suas lembranças para sempre. Minseok ditou o endereço que deveriam ir, ao que o moreno concordou, entrando em algumas ruas. No entanto, quanto mais se aproximavam do restaurante onde se reuniriam, mais Jongdae se desesperava em remover aquilo de sua pele.
_ Quando chegarmos ao restaurante, você removerá essa maquiagem. – ordenou, vendo-o assentir de leve.
Por fim, o moreno estacionou o veículo no estacionamento e desligou-o, descendo do carro. Minseok o seguiu, vendo-o abrir o porta-malas e retirar dois antialérgicos, colocando-os no bolso. Jongdae o acompanhou até a porta de vidro, enquanto observava as roupas que seu Mestre vestia: jeans, camisa pólo azul-marinho e sapatos. Até mesmo seus cabelos estavam levemente desarrumados, dando-lhe um ar mais informal.
E, antes mesmo que o moreno seguisse para o toalete, Baekhyun se aproximou da recepção, surpreendendo-se com os dois. Ambos os irmãos se entreolharam por alguns segundos, antes de estenderem as mãos para um cumprimento simples. Além do mais, o convidado especial havia ligado mais cedo para desmarcar o encontro. Richard não podia ir já que estava doente. Logo, a atenção do mais novo se desviou para Jongdae que suava frio, apenas esperando a autorização do líder.
_ Está tudo bem, Jongdae? – perguntou, olhando-o.
_ Estou. – concordou, sorrindo forçado. – Com licença.
E rumou para o toalete masculino. Baekhyun se virou para o irmão que baixou os olhos, sem conseguir esconder o pequeno sorriso que ameaçava deixar seus lábios. Logo, o mais novo estreitou os olhos, desconfiado da reação alheia e pediu ao garçom para que levasse o mais velho à mesa onde sua família estava, seguindo na direção de Jongdae. Assim que entrou no toalete, avistou o seguidor de seu irmão apoiado a pia com alguns lenços molhados e a região do pescoço e colo avermelhados.
Com exceção, é claro, das manchas por seu tronco e pescoço, já que o maior estava sem camisa.
_ Está tudo bem com você? – questionou, vendo-o desviar os olhos para si.
Jongdae não respondeu. Apenas retirou um antialérgico de fácil aplicação de seu bolso e aplicou em seu próprio pescoço, respirando fundo. Baekhyun se aproximou do outro devagar, vendo-o relaxar seus membros. Por fim, o Mordomo vestiu a camisa, se virando para o professor de História.
_ Alergia à maquiagem. – explicou.
_ Estava tentando esconder essas marcas? – e apontou para o pescoço do outro, vendo-o concordar.
_ Pode avisar ao Sr. Kim que não poderei ir ao almoço? – pediu, recostando-se a parede. – Eu ficarei no carro, esperando...
_ Nem pensar. – negou Baekhyun. – Quer dizer... Não estou tentando constrangê-lo, Jongdae, mas não posso aceitar que fique com fome logo na hora do almoço.
_ Mas eu não posso aparecer assim... – explicou. – O que as senhoritas irão pensar de mim?
_ Que a garota com quem está saindo ama o seu corpo. – brincou. – E que é bem ciumenta. Agora, vamos.
Enquanto isso, Minseok alternava os olhos entre a noiva de seu irmão, a mãe dela e a mulher que tirou seu irmão de si. Sooeun ainda tentou algumas investidas para que aquelas órbitas brilhantemente azuladas não lhe fuzilassem com tanto fervor. Taeyeon tentou quebrar o clima tenso naquela mesa quando avistou o noivo retornar com Jongdae. O Mordomo cumprimentou todas à mesa e acomodou-se ao lado de seu Mestre, enquanto três pares de olhos femininos se impressionavam com as marcas pelo pescoço até as saboneteiras – onde elas podiam enxergar. E, finalmente, Baekhyun fez as apresentações a todos os convidados.
_ Esta é minha mãe, Byun Sooeun e a mãe de minha noiva, Sra. Song. – disse Baekhyun, ao que as duas cumprimentaram Jongdae e Minseok. – Sra. Song, este é meu irmão... – e o olhou. – Kim Minseok e seu assistente, Kim Jongdae.
_ É um prazer conhecê-los pessoalmente. – a senhora sorriu, logo avaliando o Mordomo.
_ O que houve com seu pescoço, Jongdae? – questionou Taeyeon, preocupada.
_ Foi sua namorada quem fez isso? – brincou Sooeun, vendo-o sorrir abertamente.
_ Eu diria que ela não se controlou muito ontem à noite. – comentou, levando na esportiva.
_ Uau... – concordou a garota. – Ela deve ser quente, não? E o seu chefe... – logo, desviou os olhos para Minseok. – Já tinha visto isso?
_ Hã... – o moreno desviou os olhos para seu Mestre que bebeu um gole de água, fingindo indiferença. – As roupas de trabalho cobrem as marcas.
_ E... Até onde, elas vão? – perguntou a Sra. Song.
_ Vocês já fizeram o pedido? – disseram Minseok e Baekhyun ao mesmo tempo, a fim de afastar a atenção das senhoritas.
E, em pouco tempo, Jongdae deixou de ser o foco das atenções, sendo direcionado aos cardápios. Rapidamente, fizeram seus pedidos, tornando a conversar entre si. Baekhyun e Taeyeon explicavam às mães sobre o casamento que ambos planejavam, enquanto as duas senhoras se animavam com as boas novas. Já Minseok apenas ouvia em silêncio, e, vez ou outra, desviava os olhos para o moreno ao seu lado que tentava se prender na conversa.
_ Então... Sua namorada fez isso, ontem à noite? – perguntou baixinho, vendo as órbitas escuras se desviarem para si. – Eu... Não sabia que estava namorando, Jongdae.
_ Hã... Bem... – e engoliu em seco, assentindo. – E-estou, senhor.
Ela fez um estrago e tanto... – murmurou, tomando um novo gole de água e voltando a atenção calmamente para a conversa. – E, pelo menos... Ela é bonita? – logo, desviou as órbitas azuladas para o outro.
_ Ela é... – murmurou, perdido em devaneios. – Muito bonita.
_ E vocês? – rapidamente, a dupla desviou os olhos para a mãe de Taeyeon, que os avaliava em silêncio. – No que trabalha, Sr. Kim Minseok?
_ Eu... – começou ele, notando o olhar longo de Sooeun em si. – Sou CEO de uma multinacional. – e sorriu leve, percebendo que a outra havia assentido.
Como se já esperasse por aquela resposta.
_ Hum. – concordou a Sra. Song. – E o jovem Jongdae é seu assistente?
_ Sou... – assentiu, antes de ser interrompido.
Acho que Jongdae é mais do que meu assistente. – e, lentamente, os olhos de gato se viraram para o moreno. – Mais até do que um braço-direito. Diria que chega a ser um meio irmão para mim.
_ Tome cuidado, Baekhyun, ou Jongdae tomará o seu lugar. – brincou a mãe de Taeyeon.
_ Eu não pretendo ir tão longe. – Jongdae riu encabulado.
_ E sua noiva sabe dessa ligação de vocês? – a pergunta de Sooeun -por mais sutil que soasse- assustou Minseok, que piscou incrédulo. – Quer dizer... – e reformulou. – Você está noivo, Minseok, então, de alguma forma, sua noiva sabe dessa parceria entre você e Jongdae.
Nem Jongdae e nem Baekhyun haviam notado que o mais velho dos três homens portava uma aliança prateada no anelar esquerdo. Minseok baixou os olhos devagar para a mão esquerda e sorriu forçado, assentindo, enquanto recolhia a mão para debaixo da mesa. Não demorou muito para que a Sra. Song risse animada, enquanto parabenizava os irmãos por seus noivados. “Por que não me disse, querida, que tanto o seu noivo quanto o irmão dele estavam comprometidos?”, questionou à Taeyeon que sorriu nervosa, alegando não saber da outra novidade.
_ Mas, afinal... – e Taeyeon se virou para o homem de madeixas acinzentadas. – Por que não trouxe sua noiva, Minseok?
_ Por que... – começou o outro.
_ A Srta. Kang não se sentia muito bem para vir. – completou Jongdae, sorrindo educadamente. – Pelo que sei eram dores de cabeça.
_ É mesmo uma pena. – suspirou a Sra. Song. – Eu gostaria de conhecer a moça que laçou o Sr. Minseok.
_ Eu também. – concordou Baekhyun, encarando o irmão. – Por que não a traz na próxima vez?
Jongdae desviou os olhos para o líder que suspirou e assentiu, sorrindo forçado. Afinal, Baekhyun ainda não tinha conhecimento da batalha mortal que ocorreria nas próximas horas. E, mais uma vez, o silêncio foi interrompido pela chegada dos pedidos, que foram servidos a cada um deles. Por fim, iniciaram o almoço, ainda conversando sobre o casamento que estava encaminhado. Minseok remexeu no prato e comeu em silêncio, sendo acompanhado pelo Mordomo que nada disse sobre a conversa anterior.
_ Alerte Baekhyun. – sussurrou Jongdae discretamente ao líder. – Deixe-o saber do...
_ Não. – pigarreou, franzindo o cenho. – O que...
Minseok cuspiu a pequena porção num guardanapo, enquanto se esforçava em puxar ar para os pulmões. No entanto, por mais que repetisse o exercício, mais a sua garganta se fechava. Aos poucos, a face do mais velho corou, fazendo-o se erguer e cambalear para trás, caindo no chão. Prontamente, Jongdae correu até o Mestre, ao que os clientes mais próximos da mesa assistiam horrorizados à cena. Baekhyun se apressou em socorrer o irmão que apertava o próprio pescoço e gritou para que chamassem uma ambulância. As três mulheres à mesa observavam confusas ao desespero dos três homens, até que o mais novo retirou o antialérgico do bolso da calça e aplicou friamente no pescoço do mais velho.
E, no que parecia um desespero sem fim, encerrou. O remédio logo surtiu efeito e Minseok engoliu em seco, respirando devagar, enquanto Jongdae limpava seu rosto com um lenço e o ajudava a sentar no chão do restaurante. O gerente do estabelecimento rapidamente se aproximou da confusão, abaixando-se na frente dos dois e os avisou de que a ambulância estava a caminho.
Mesmo com a mente conturbada, Minseok assistiu seu Mordomo conversar e tranqüilizar com todos a sua volta. Até o garçom que havia lhes servido, pediu desculpas pelo erro, mas foi interrompido pelo moreno que alegou entender que a culpa não era do jovem rapaz. Aos poucos, seu corpo foi recostado ao peito de Jongdae, enquanto este lhe sussurrava no ouvido que seu pedido havia um composto que lhe dava alergia: havia muito alho na comida. Relutando para não se deixar abater pelo efeito do antialérgico, o mais velho ainda conseguiu vislumbrar Baekhyun balançando a cabeça, como se compreendesse seu pedido de desculpas.
E, logo, Jongdae o pegou no colo, levando para fora do estabelecimento.
_ Está tentando se matar? – murmurou o moreno para o homem em seus braços. – Antes mesmo de ir ao combate?
_ Eu não sabia... Como eu não podia me lembrar disso? – murmurou Minseok zonzo, logo que chegaram ao carro. – E... Como você sabia disso?
_ Eu estudei o seu registro médico, senhor. – explicou, enquanto observava Baekhyun abrir a porta do carro e o colocou no banco, arrumando-o. – No relatório diz que, aos quatro anos, o senhor comeu uma torta salgada onde temperaram o recheio com alho, sal e pimenta. Seis minutos depois, a garganta se fechou e o Sr. Kim lhe aplicou um antialérgico.
_ Meu... Pai? – Minseok olhou para Jongdae que concordou breve, se afastando.
_ Sinto muito que o almoço tenha terminado dessa forma, Baekhyun. – pediu o moreno.
_ Tudo bem. – conformou-se, assistindo o Mordomo fechar a porta do passageiro. – Na próxima vez, eu avisarei à Taeyeon que não acrescente alho. – brincou, sorrindo fraco.
_ Na próxima... – sussurrou Jongdae, pensativo. – Olha, Baekhyun...
As órbitas azuladas do mais velho se desviaram para o retrovisor interno, onde Jongdae ainda conversava com seu irmão. E, estranhamente, Baekhyun estava interessado nas palavras do moreno. Temendo que o Mordomo revelasse a verdade ao professor de História, Minseok apertou a buzina, assustando a dupla do lado de fora que o encararam, franzindo o cenho. O dono das safiras assistiu o maior se curvar calado e retornar para o veiculo, ligando-o e partindo em seguida. Ambos permaneceram em silêncio por alguns minutos até o mais velho bufar frustrado, balançando a cabeça.
_ Não acredito que iria contar a ele. – começou, logo desviando os olhos para o moreno. – Ia contar ao meu irmão que eu poderia morrer hoje?
_ Ele tem o direito de saber. – Jongdae respirou fundo. – Baekhyun não é mais uma criança! – e o olhou.
_ Ele escolheu estar fora da Ordem. Então, não precisa saber do que está acontecendo.
_ Precisa sim! – rebateu. – Ele é seu irmão. É a sua família, Minseok.
_ Que tipo de família desiste de sua verdadeira origem? – e o olhou furioso. – Baekhyun não merece...
_ Está agindo de forma infantil. – interrompeu. Naquele segundo, nem mesmo Jongdae acreditou na própria ousadia. No entanto, resolveu não recuar. Não, desta vez. – Perdoe-me sobre o que direi agora e se quiser me punir, vá em frente. – e prontamente estacionou o carro na calçada. – Agora, me escute: Baekhyun é um homem crescido, maduro e comprometido. Ele sabe a diferença entre o certo e o errado e contribui para que a população também enxergue essa diferença. Eu compreendo que sua intenção é protegê-lo de Chanyeol e apoio totalmente isso, mas ele precisa andar com as próprias pernas e enxergar o mundo com os próprios olhos. E admito que seu irmão até tentaria... Se o senhor não o impedisse.
_ Eu estou impedindo Baekhyun? – franziu o cenho.
_ Está. – e seu tom de voz soou baixo e autoritário. Como se ambos invertessem os papéis. – Diga-me: Até quando vai mantê-lo debaixo de suas asas? Por quanto tempo vai deixá-lo cego, até que ele perca a paciência e decida, por conta própria, ver o mundo? O senhor não parou para pensar que suas interferências deixaram Baekhyun diferente de antes?
_ Minhas interferências? – zombou incrédulo.
_ Se não tivesse obrigado metade dos caçadores a segui-lo e raptá-lo até a mansão da Ordem, talvez seu irmão não teria o desprezado todo esse tempo. – concluiu.
_ Está me dizendo que a culpa é minha? – e arqueou uma das sobrancelhas.
_ Estou dizendo que o senhor não precisa carregar o mundo nas costas e obrigar ao seu irmão que siga seus passos. – corrigiu, ficando em silêncio por alguns segundos. Por fim, segredou-lhe. – Baekhyun reconhece o seu trabalho e o admira intimamente, senhor. Mais do que a qualquer um. O problema é que seu Hyung está cego por não enxergar sua admiração.
Minseok piscou algumas vezes, desviando os olhos para o colo, enquanto o moreno respirava fundo, recostando-se ao banco e tamborilava contra o volante. O silencio entre os dois permaneceu longo e mórbido, enquanto as mentes insistiam em encontrar argumentos para rebater. Jongdae suspirou, olhando em volta e passou a marcha, tornando a dirigir pelas ruas londrinas.
_ Eu entendo o que está tentando fazer, Minseok. – continuou baixinho. – Jongdeok fez o mesmo comigo na infância e eu reagi da mesma forma que Baekhyun. No entanto, eu decidi, por conta própria, aceitar o meu destino. Só o que peço é que o deixe ver o mundo com os próprios olhos antes que seja tarde.
_ Tem mais alguma coisa a me dizer? – questionou, após longos minutos.
_ Não. – negou.
_ Então, encoste aqui. – e apontou para um pub próximo, ao que Jongdae o fez.
Mal o veiculo parou, Minseok desceu, caminhando devagar até o estabelecimento e desapareceu do campo de visão de Jongdae. O moreno suspirou arrastado, desligando o carro e desceu, seguindo-o pela mesma direção. E, no instante em que adentrou o pub, avistou seu Mestre acomodado numa mesa afastada da entrada. Em passos lentos, o Mordomo se aproximou o balcão, pedindo uma garrafa de água e agradeceu ao recebê-la, logo se acomodando à frente do mais velho que segurava uma caneca de cerveja preta.
_ Não acha que vai se embriagar mais rápido? – questionou, gesticulando para a caneca.
_ Posso fazer uma pergunta? – Minseok o olhou, vendo-o assentir. – O que faria em meu lugar?
_ Para ser sincero... – suspirou, tomando um gole pequeno de água. – Eu não sei. Mas com certeza, não o seqüestraria.
_ Seqüestrar... – bufou, sorrindo fraco. – Seqüestrando-o ou não, Baekhyun me odiava antes disso...
_ Para dizer a verdade, Baekhyun só começou a odiá-lo quando o senhor o levou à força. – e o olhou. – Quando pequeno, ele estava preocupado por você não aceitar suas escolhas.
_ Está insinuando que conhece meu irmão melhor do que eu? – e os olhos de gato se estreitaram.
_ Estou dizendo isso por que conversei com ele. – alegou. – E há uma enorme diferença entre discutir e conversar.
Logo, Jongdae relatou sobre as conversas “secretas” com o jovem Byun. Baekhyun admitira, durante uma tarde toda – e em meio aos choros presos e lágrimas traiçoeiras – que se importava com a segurança do irmão mais velho e que se preocupava com o que poderia acontecer com Minseok, afinal, com exceção de sua mãe, ele era o único membro de sua família. O líder da Ordem ouviu a tudo sem encostar – em momento algum – os lábios nas bordas da caneca, e, assim que o moreno se calou definitivamente, o homem de madeixas acinzentadas suspirou, passando a mão pela face cansada.
_ Eu... Não sabia disso. – murmurou, vagando os Netunos pelo vazio.
_ Eu peço desculpas por não ter contado antes. – disse Jongdae.
E ficaram em silêncio novamente. Talvez por que eles não tivessem mais do que discutir sobre aquele assunto. Ou talvez fosse por Jongdae estar preocupado com o maldito relógio que insistia em continuar funcionando. Minseok suspirou pesadamente e agitou a cabeça, afastando seus pensamentos conturbados da mente.
_ Sabe o que é engraçado? – mudou de assunto, observando em volta. – Este foi o pub onde meu pai conheceu a mãe do Baekhyun. – e apontou para a mesa mais próxima da porta. – Segundo ele, ela estava sentada naquela mesa com as amigas quando ele havia retornado de uma caçada.
_ O que ele procurava? – perguntou Jongdae, curioso.
_ O antecessor de Luhan na Máscara. – explicou. – Meu pai veio à Londres só para resolver esse problema, já que a criatura havia matado 61 vitimas em apenas quatro noites. Na época, Londres estava se tornando um banho de sangue e a Ordem estava sem recursos para capturá-lo. Foi então que solicitaram a presença de meu pai. Mas nem ele imaginava que se apaixonaria novamente. – e sorriu.
_ Então... O senhor conhece esse lugar? – a voz rouca e falha de um senhor chegou aos ouvidos dos dois homens, que desviaram a atenção para o balcão, onde o barman os olhava longamente. – Ainda que seu rosto tente me enganar... Eu reconheço essas safiras peroladas a quilômetros de distância. O senhor deve ser o Sr. Kim Minseok, estou certo?
_ Está. – concordou Minseok, um tanto surpreso. Afinal, como ele sabia de si?
_ É claro que estou! – riu animado e saiu detrás do balcão, logo puxando uma cadeira. – É um prazer finalmente conhecê-lo, Sr. Kim. Meu irmão chegou a conhecer seu pai, o jovem e bonito Kim Baekhyung... Um grande homem por sinal. – dizia, após se sentar, até que notou a presença do moreno. – E está na companhia do pequeno ChenChen!
_ Sr. Bomer, por favor! – Jongdae riu, corando levemente.
_ Lembro-me desse garotinho entrando com o irmão praticamente correndo, enquanto o pai deles pedia que não fizessem aquilo. – Sr. Bomer estava visivelmente empolgado. – E como você cresceu... Espera. Uma garota fez isso com você?
Minseok riu baixinho, enquanto Jongdae tentava se explicar, o que, de fato, não ajudou muito. Logo, novas risadas recomeçaram entre os três ao que o moreno desistiu de discutir.
_ Sr. Bomer... – Minseok o olhou. – Como seu irmão conheceu o meu pai?
_ Bem... Matthew pertenceu, durante algum tempo, à Ordem dos Caçadores. – explicou. – Acho que o senhor não se lembra muito bem, Sr. Kim, mas o senhor era apenas uma criança quando você e seu irmão, o bebê Baekhyun, foram trazidos à Londres. – por fim, deu de ombros. – Além, é claro, de que meu irmão tinha uma queda pelo seu pai.
_ Uma... Queda? – Jongdae franziu o cenho.
_ Matthew era gay e seu pai, na época, foi “o homem mais sexy e gostoso que meu irmão um dia conheceu”. – e agitou os dedos em aspas, surpreendendo os dois mais novos.
_ Isso explica... – murmurou Jongdae.
_ E o senhor chegou a entrar para a Ordem? – perguntou Minseok, desviando o foco.
_ Para dizer a verdade, não. – foi sincero. – Até por que eu não me via como um caçador. Mas... Por mais que eu não quisesse, não havia como não saber sobre os acontecimentos na Ordem. – e os olhou. – Matt sempre repetia que a tragédia em Busan não passava de um maldito plano dos sanguessugas desgraçados. – por fim, fitou Minseok. – Eu realmente sinto muito pelo seu pai, Sr. Kim. Agora, se me derem licença... – e o Sr. Bomer se ergueu, retornando para o balcão, a fim de atender mais um cliente.
_ O senhor se lembra de como veio para Londres? – perguntou Jongdae ao líder.
_ Após a tragédia em Busan, eu e meu irmão fomos transferidos para Seul, permanecendo em um dos Distritos até o fim de 95. Em janeiro de 96, fomos levados para Londres, onde o Sr. Park nos fez companhia por algum tempo, no intuito de ajudar-nos a nos misturar. – o olhou. – De nós dois, fui eu quem teve mais dificuldade em me aproximar das pessoas.
_ Eu compreendo. – assentiu. – Mas... Esse Sr. Park... Qual era a sua função?
_ O Sr. Park, naquele tempo, era Chefe da Divisão dos Caçadores e Chefe da Brigada dos Caçadores em Busan. – pensou um pouco. – Foi ele quem me salvou do ataque de Chanyeol. E... Para dizer a verdade... Eu não sei como ele está agora.
_ Então... – o Mordomo engoliu em seco. – Já que a batalha está próxima... E só restam poucas horas...
Minseok percebeu no olhar alheio que havia mais do que uma preocupação estampada à sua frente. Parecia que Jongdae relutava bravamente em derramar suas lágrimas, ainda que seus olhos sequer estivessem marejados. Por fim, o dono dos Netunos sorriu de leve, deixando algumas notas sobre a mesa e levantou-se, gesticulando para que o seguisse. Apoiado na bengala e mancando, ambos caminharam pela calçada em silêncio até a Ponte de Westminster.
_ Por que viemos para cá? – Jongdae o olhou, ao que Minseok respirou fundo, enquanto admirava o sol que, ora era coberto pelas nuvens densas, ora emitia luz com força total. – Meu Senhor?
Ele poderia contar a verdade. No entanto, a mesma poderia doer. Por fim, decidiu que o certo era omitir alguns detalhes. Pelo menos, por ora.
E tudo o que restava para Minseok eram apenas algumas horas...

_ Eu... – começou, desviando os olhos para o moreno. – Acho que está na hora de contar sobre a minha origem...

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