domingo, 5 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Três

As pernas forçavam o corpo esguio a correr mais rápido pela floresta escura. Segurando apenas uma cruz de ferro mediana na mão direita, o rapaz de olhos grandes e lábios carnudos fugia a toda velocidade, na tentativa de escapar do bando que o seguia, anunciando sua aproximação através de gritos e uivos empolgantes. Kyungsoo já não aguentava mais aquela perseguição. Já durava mais de duas noites e não conseguia ao menos descansar. Nem mesmo suas pernas aguentavam mais o peso do corpo cansado e suado e, podia garantir que, se caísse, seria morto imediatamente.
O ar escapava mais rápido do que entrava em seus pulmões, mas o moreno resistiu um pouco mais, implorando por uma entidade maior para que o salvasse daquele ataque. Suas lágrimas de desespero misturavam-se ao suor que escorria por seu rosto, e, sem perceber, Kyungsoo tropeçara numa raiz, caindo no chão. Seus ouvidos alcançaram os sons dos vampiros que se aproximavam, conturbando ainda mais sua mente. Ele iria morrer. Ele tinha certeza disso no instante em que vira aquele bando se alimentando de um casal.
Em seu ultimo ato, o rapaz fechou os olhos e pressionou a cruz contra o peito, rezando baixinho. Não era a melhor solução, mas não havia mais nenhuma saída. Fosse na floresta escura, fosse na cidade, ele seria morto. Seus lábios trêmulos tentavam abafar os soluços que ameaçavam sair em meio à oração e antes mesmo que pudesse proferir ‘e livrai-nos do mal’, os uivos e gritos foram interrompidos, enquanto rosnados assumiam os sons. Relutante, Kyungsoo abriu um dos olhos, logo avistando alguns homens mais a frente, como se o defendesse do bando. Mas... Quem seriam eles?
“Voltem!” ordenou um rapaz esguio e alto que segurava duas pistolas.
O que Kyungsoo deduziu ser o líder daquele bando gargalhou alto, seguido dos outros que logo se calaram ao aceno do primeiro. Em passos lentos, o vampiro se aproximou do homem, olhando-o de forma curiosa e, num rápido movimento, avançou no grupo. Temeroso, o rapaz fechou os olhos, encolhendo-se, ao que o som de um disparo ecoou pela floresta, seguido de muitos outros. O suposto tiroteio durou exato vinte segundos, silenciando-se completamente. Os olhos grandes abriram-se devagar, notando que não havia mais nenhum dos vampiros que o perseguia.
“Perdido, garoto?” logo sua atenção se desviou para o rapaz que o protegera, enquanto o maior verificava se ele estava ferido. “O que faz por essas áreas?”. “Eu...” gaguejou, sem saber como explicar. “Há quanto tempo está fugindo deles?” refez a pergunta. “Dois dias... Eu acho.” murmurou, finalmente sentindo a enorme dor em suas pernas. Kyungsoo sentou-se com dificuldade, olhando a sua volta, sendo seguido pelo outro. “Para onde eles foram?” e tornou a olhá-lo. “Levem-no para o carro.” ordenou ele aos outros.
Sem entender por que seria levado, Kyungsoo relutou contra os homens que o seguraram e o carregaram até um carro preto, sendo colocado no interior do veiculo. Aquilo era impossível de acreditar: além de ser quase morto por um bando de vampiros, agora seria capturado por uma gangue de bandidos? O rapaz empurrou os homens que o seguravam, mas logo parou ao receber uma coronhada na cabeça, apagando em seguida. E assim, o trajeto até a capital seguiu-se num completo silêncio.
Jongdae, que estava ao lado do rapaz desacordado, observou-o por alguns minutos, impressionado pelo período de tempo em que ele esteve fugindo daquele bando. Provavelmente, se fosse alguém mais fraco, teria morrido horas antes. Pensando seriamente em acordá-lo para lhe explicar o que fizera para sobreviver naqueles dois dias, fora interrompido por uma mensagem. Logo, ligou a tela, verificando a informação enviada e ordenou para que se apressassem.
 Não demorou muito para que atravessassem os portões de ferro da Ordem, levando o rapaz capturado até um dos quarto. Jongdae desviou os olhos do garoto adormecido para a cruz que segurava, reconhecendo o pequeno símbolo entalhado. E, em passos largos, seguiu até o escritório do líder, colocando o objeto em sua mesa. Em poucas palavras, explicou sobre o incidente daquela noite, sendo ouvido pelo rapaz que observava a janela longamente. Os orbes azul-safira desviaram para seu Mordomo recém-nomeado, concordando brevemente e seguiu para os aposentos onde o garoto estava.
Quando os primeiros raios da manhã começaram a surgir no horizonte nublado, Kyungsoo despertara de súbito, completamente suado e ofegante. Sem entender como parara ali ou por que o levaram até lá, o moreno tentou levantar da cama, a fim de deixar aquela casa, porém, uma voz suave soou pelo cômodo, interrompendo seus movimentos. “Volte a descansar”, disse, ao que o menor desviou os olhos para uma poltrona mal iluminada, onde um homem acomodava-se de pernas cruzadas e segurando uma bengala. “Passou tanto tempo fugindo que merece um momento para repousar”.
As lembranças do final de agosto de 2005 ainda permaneciam vivas na mente de Kyungsoo. Aliás, como não poderiam estar, já que fora a Ordem quem salvou sua vida da morte certa? Seus olhos escuros desviaram para o espelho, enquanto sua mente comparava seu eu de antes com o novo, notando as visíveis mudanças, como, por exemplo, matar desobedientes, ao invés de fugir deles. Mesmo que sua função não fosse essa.
_ Kyungsoo! – rapidamente, o moreno desviou os olhos para seu mentor que reprimia um sorriso, balançando a cabeça. – Pare de se olhar no espelho e volte para a enfermaria.
_ Sim, senhor. – concordou, vestindo o jaleco branco e deixou seu quarto.
Rapidamente, o menor caminhou até a enfermaria da Ordem, localizado no primeiro andar, juntamente com a sala de estar. E, no instante em que entrara, avistou dois “recrutas” – chamava-os assim, aqueles que estavam em fase de treinamento – gemendo de dor, enquanto protegiam os ferimentos nos abdomens. Kyungsoo também era um “recruta”, mesmo que seus mentores o considerassem como “enfermeiro”, e odiava quando os “caçadores” e “zeladores” o zombavam. Para ele, não havia muita diferença, já que eles também foram “recrutas”.
_ Preciso que alguém segure esse aqui. – ordenou a médica, ao que o moreno se aproximou, segurando o paciente pelos ombros e o imobilizando, enquanto ela rasgava a camisa para fazer a sutura do local. – Odeio quando esses moleques bancam os valentes. Até parece mesmo que os desobedientes vão se importar com isso.
_ Dói! – chorou o paciente, tentando afastar as mãos da mulher.
Prontamente, Kyungsoo segurou os braços do homem, prendendo-os abaixo da mesa de ferro. Em resposta àquela atitude, a mulher sorriu para ele, voltando ao seu trabalho. Logo, o menor observou a ferida se fechar lentamente, devido aos pontos colocados no paciente. Mesmo que cuidar das pessoas não fosse muito o seu forte, ele se esforçaria, já que a Ordem de se tornar um médico não veio de seu mentor. Não. A ordem vinha de alguém muito superior.
_ E como andam os trabalhos por aqui, Eunjung? – os passos lentos e a voz grave do Mordomo soaram pela enfermaria, fazendo Kyungsoo o olhar de soslaio. Fora Jongdae quem o salvou naquela noite. Ele se lembrava bem daquele rosto lhe questionando como sobrevivera daquele bando. – Tendo muito trabalho?
_ Nem imagina. – a mulher bufou rindo e limpou a testa com o dorso do braço. – Quem me dera poder calá-lo com uma dose de morfina! Mas e você? – olhou-o longamente. – Veio apenas verificar se eu estou trabalhando?
_ Na verdade, vim levar seu ajudante comigo. – e os olhos pequenos desviaram para Kyungsoo, que alternou os orbes escuros entre os dois. – Ele está muito ocupado?
_ Não. – negou ela, gesticulando para que o menor seguisse o homem. –Vá com ele. Eu me viro aqui.
_ Mas, Srta. Kim... – começou ele, sendo interrompido.
_ Vá, Kyungsoo. – e sorriu. – Não é todo dia que permito meu assistente acompanhar o Mordomo do líder. Agora, vá logo. – logo, desviou os olhos para o homem. – E você! Se machucar o meu ajudante, eu faço um belo rombo nas suas costas, ouviu?
Jongdae riu em resposta aquela ameaça e deixou a enfermaria, sendo seguido pelo moreno. Ambos subiram as escadas até o terceiro andar, caminhando pelo longo e silencioso corredor. Discretamente, Kyungsoo removeu o jaleco, pendurando-o no braço e notou o olhar sombrio do Mordomo em si. Mesmo que não quisesse aceitar, havia algo em si que fazia o maior odiá-lo profundamente. Seria pelo fato dele ser um “recruta” e o mais velho desgostar como muitos outros? Logo, ambos pararam diante uma porta de carvalho, que fora aberta pelo mais velho.
Sob um aceno para que entrasse no cômodo, Kyungsoo obedeceu, caminhando para dentro do lugar e notando o quão espaçoso era. Havia uma enorme mesa no fim daquela sala e era o único móvel em todo o ambiente. Não havia estátuas, nem quadros, nem nada. As belíssimas cortinas azul-marinho descobriam as enormes janelas – três, que iam do teto até o chão – onde se podiam ver nitidamente as gigantescas nuvens acinzentadas, enquanto uma chuva fina se iniciava do lado de fora. Aquela, segundo os outros “recrutas”, era a sala de treinamento do líder e dos chefes dos departamentos. 
_ Espere aqui. – ordenou Jongdae, deixando o cômodo.
_ Mas... – Kyungsoo tentou chamá-lo, porém a porta se fechou, enquanto o silêncio se estendia pelo salão. – O que eu devo fazer?
_ Fique a vontade. – o moreno desviou os olhos na direção do fim da sala, onde um homem passava pela porta. Kyungsoo engoliu em seco, reconhecendo os cabelos acinzentados e as órbitas azuladas e, por um momento, desejou deixar aquela sala correndo, se fosse preciso. Ele não iria treinar com o líder da Ordem, iria? – Você é o Do Kyungsoo, não é?
Minseok – vestindo uma camiseta e calça preta – caminhou mancando até o moreno que ainda estava confuso e, ao mesmo tempo, surpreso por sua presença. Logo, o mais velho lhe estendeu a mão, que foi retribuindo num cumprimento demasiado tímido. Kyungsoo não esperava que aquele homem fosse falar consigo. O mais novo já ouvira boatos pelos outros “recrutas” de que o “Sr. Kim” era um homem carrancudo e de poucas palavras. Havia homens mais velhos que ele naquela Sede, porém, nenhum conseguiu estar tão próximo quanto ele estava.
_ Sim, senhor... – murmurou após algum tempo.
_ Jongdae lhe disse por que está aqui? – perguntou pausadamente. Minseok pensara que o moreno não havia entendido suas palavras anteriores.
_ Hã... N-não senhor. – gaguejou, baixando a cabeça.
_ Tudo bem. – concordou, gesticulando para que lhe seguisse. – Os chefes dos departamentos estão escolhendo, entre os recém-chegados, quem está apto a se tornar um membro da Ordem. Você sabe quantos departamentos há na Ordem, Kyungsoo?
_ Três, senhor. – respondeu. – O Departamento Médico, a Brigada de Caçadores e os Zeladores.
_ Muito bom. – olhou-o. – E qual é a função de cada um?
_ Bem... – os olhos grandes fitaram os próprios pés, um tanto confuso. – Eu sei apenas a função de dois, senhor. O Departamento Médico é responsável por cuidar dos caçadores...
_ Num resumo rápido... – Minseok o interrompeu. – O primeiro cuida, o segundo bagunça e o último limpa. Mas o objetivo aqui não é saber a teoria dos departamentos e sim, a prática deles. Há quanto tempo está no Departamento Médico?
_ Sete anos, senhor. Eu entrei em 2008 como “recruta”... – e calou-se. Kyungsoo sabia bem que passara dois longos e arrastados anos relutando em não entrar na Ordem. Se não fossem seus atuais amigos o convencendo a ficar, talvez estivesse a sete palmos do chão logo que deixasse a proteção dos portões de ferro. 
_ Entendo. – assentiu, pousando a bengala sobre a mesa e pegou dois bastonetes de madeira, entregando um à Kyungsoo. – Então, está acostumado a tratar de ferimentos. Mas, e seu treinamento físico? Ainda continua fazendo?
Kyungsoo observou o mais velho se afastar e logo o seguiu para o centro do salão. Num murmúrio quase inaudível, o moreno negou, alegando que o treinamento físico – segundo sua mentora e chefe – não era necessário, já que passaria mais tempo dentro da enfermaria do que num campo de batalha. Minseok riu da explicação alheia, balançando a cabeça e voltou-se para o rapaz, olhando-o longamente.
_ A regra principal da Ordem é: independente de qual departamento você está. Deve estar sempre preparado. – e, num rápido movimento, Minseok prendera o bastão entre as pernas do mais novo, derrubando-o no chão. O baque ecoou pelo extenso cômodo, ao que Kyungsoo olhou confuso para o mais velho que caminhava em torno de si. – Não leve a sério o que Eunjung costuma dizer. Ela tem 34 anos e jamais presenciou um ataque à Ordem. Agora, me entregue o jaleco e levante-se. – estendeu a mão para o outro.

_ Alguma dúvida? – questionou o professor aos alunos que negaram com a cabeça. – Pois bem. Para a próxima aula, eu quero três laudas sobre o que vocês aprenderam. – logo um burburinho em negação soou pela sala de aula, arrancando um sorriso do homem. – Ora, vamos! – incentivou-os. – Isso é apenas para me garantir que vocês realmente aprenderam, sim?
E, aos poucos, os alunos foram deixando a sala de aula. Baekhyun esperou que a sala esvaziasse e caminhou até a janela, notando que o tempo estava completamente fechado, ao ponto das luzes dos postes se acenderem. O que, para ele era estranho, já que havia amanhecido parcialmente nublado. Um suspiro pesado deixou seus lábios, ao que os olhos azulados baixaram para as mãos, enquanto alguns fragmentos da noite anterior surgiam em sua mente. O moreno sabia que fizera amor com sua noiva, mas... Por que tinha aquela estranha sensação de que estava fora de controle?
Nem mesmo ele acreditou nas palavras de Taeyeon, quando esta o cumprimentou com um demorado beijo na boca. “Precisamos repetir mais vezes”, disse ela, afagando as madeixas escuras, enquanto andava com um sorriso sapeca nos lábios para fora do quarto. Baekhyun fechou os olhos, balançando a cabeça negativamente e reprimiu uma risada, voltando à sua mesa. Porém, antes que guardasse seu material na pasta, um calafrio percorreu seu corpo, fazendo-o levantar a cabeça e encarar a porta de entrada aberta. Ele sentira que havia alguém ali, mesmo que não visse ninguém.
_ Tem alguém ai? – perguntou, desconfiado, e logo uma garota entrara na sala, sorrindo tímida. – Ah, Evelyn. – suspirou aliviado, reconhecendo sua aluna e terminou de guardar seu material. – Esqueceu seu estojo de novo?
_ Ainda não sei por onde ando com a cabeça, professor. – murmurou ela, aproximando-se de seu lugar e retirou o estojo florido de sua carteira. – Tenha um bom dia.
_ Você também. – acenou, permitindo que a garota passasse.
Observando-a caminhar pelo extenso corredor da escola até a saída, o moreno seguiu o caminho contrário, dirigindo-se à sala dos professores. Colocando a pasta sobre a longa mesa, Baekhyun acomodou-se numa cadeira, espreguiçando-se e removeu os deveres de seus alunos de sua pasta, examinando e corrigindo as provas que passara na semana anterior. Vez ou outra, seus olhos azulados desviaram para o relógio de parede, notando que estava há mais de quatro horas naquela sala. Logo viu uma funcionária responsável pela limpeza da escola entrar na sala e o cumprimentar com um largo sorriso.
O moreno conhecia aquela mulher desde o dia em que fora admitido naquela instituição. Seus cabelos grisalhos sempre estavam amarrados num coque firme, enquanto o uniforme vestia o corpo de tantos anos. Fora ela quem lhe indicou o caminho para sua sala de aula quando ele se sentia perdido. E, com um sorriso travesso, Baekhyun chamou a atenção da senhora que o olhou por alguns minutos, antes de concordar com um sorriso simpático e rumar para a cozinha.
_ Eu já disse que amo a senhora, Sra. Egan? – perguntou ele, escutando-a rir da cozinha.
_ Muitas e muitas vezes, Sr. Byun. – logo, a senhora se aproximou do professor com uma xícara fumegante de chá. – Mas, me diga: esses alunos estão estudando muito? – e apoiou-se no encosto da cadeira, a fim de examinar as provas já corrigidas.
_ Alguns possuem uma dificuldade de aprender, mas nada muito grave. – respondeu, tomando um gole breve do chá. – Está uma delícia, Sra. Egan.
_ Meu Deus! – riu ela, corando. – O que eu faço com você, Baekhyun?
Baekhyun observou a senhora retornar ao seu trabalho, e logo ele fez o mesmo. Mais alguns minutos se passaram quando um novo calafrio percorreu seu corpo, fazendo os orbes azulados se desviarem para a janela. Gradativamente, a chuva aumentara, tornando os vidros embaçados devido à temperatura. O moreno deixou seu lugar e caminhou até o parapeito, vagando os olhos pelo extenso campo de futebol, como se procurasse algo em meio à névoa.
E, subitamente, um corpo caiu do lado de fora, assustando não apenas ele, mas a Sra. Egan. O ar escapou rápido dos pulmões do moreno, que abriu a janela rapidamente, notando que havia sim um corpo caído nos arbustos. Baekhyun passou a mão pela face, sem compreender como aquilo acontecera e ouviu o desespero da funcionária ao seu lado.
_ Ah, meu Deus! O que foi isso? – disse ela, passando a mão pelo rosto, horrorizada.
_ Avise ao porteiro, Sra. Egan. – ordenou Baekhyun. – E peça-o que chame a polícia.
Em passos largos, o professor deixou a sala, quase correndo para fora do prédio e apressou-se, em meio à chuva, até parar no local onde o corpo ficou. Devagar, Baekhyun passou pelo arbusto, aproximando-se da moça – era uma garota por causa das roupas intimas – e ao virar para olhá-la, seu estômago embrulhou-se, preparando-se para vomitar. Era a sua aluna, Evelyn.
As mãos do moreno tremeram ao que ele tampou a boca, sem acreditar no que seus olhos estavam vendo. Baekhyun rapidamente olhou em volta, logo avistando os dois funcionários da escola se aproximar. Assim que a Sra. Egan reconheceu a vítima, seu rosto atribuiu um tom mais pálido, sendo seguido pelo porteiro que alertara ao professor de que a polícia estava a caminho.
E, em poucas horas, o prédio foi cercado. Cães e policiais vasculharam pelos corredores da escola, a procura de algo ou alguém que fizera a aluna “se suicidar”. A imprensa logo se fez presente, tentando cercar Baekhyun que se trancou dentro de uma ambulância, evitando qualquer entrevista. A perícia removeu o corpo da jovem, levando-a para o carro e partiu em seguida, enquanto os pais da moça choravam copiosamente abraçados um ao outro.
_ Amor... – as portas da ambulância foram abertas, ao que Taeyeon apareceu no campo de visão do homem. Baekhyun suspirou aliviado, ajudando-a a entrar no carro e a abraçou forte, afundando o rosto contra o pescoço alheio. – Você está bem?
_ Só um pouco em choque. – murmurou, passando a mão pelo rosto. – Eu havia acabado de falar com ela. – e gesticulou na direção do prédio, ao que a menor assentiu, selando seu rosto muitas vezes. – Taeyeon, eu não acredito que ela tenha se matado.
_ Eu sei que não. – concordou. – Ela não faria isso. Evelyn era uma boa menina. – ela notara o desespero no rosto do noivo e tornou a abraçá-lo. – Quer voltar para casa? – como resposta, ele assentiu minimamente. – Aliás, você já falou com eles?
_ Eu expliquei o que aconteceu ao chefe de polícia. – respondeu. – Mas o que me deixa confuso são as duas perfurações do lado esquerdo do pescoço.
_ Duas... Perfurações? – ela o olhou confuso.
_ Vamos sair daqui. – pediu, abrindo a porta da ambulância e puxou-a consigo. – Preciso ligar para Minseok e alertá-lo.
Caminharam até o carro da noiva e entraram, partindo em seguida. Dentro do veiculo, Baekhyun discou o número que há muito tempo não fazia. Logo colocou o aparelho no ouvido, observando a movimentação do lado de fora e, no terceiro toque, escutou atender.
_ Minseok, aqui é o Baekhyun. – começou. – Aconteceu um acidente hoje na escola onde leciono. Minha aluna, Evelyn Byrne, caiu do terraço do prédio principal, onde fica a sala dos professores. – e suspirou. – A perícia acha que foi suicídio, mas eu discordo. Como pode ser suicídio se ela tinha duas perfurações do lado esquerdo do pescoço? – logo, suspirou arrastado. – Não foram marcas de faca ou agulhas, e sim, dentes! Presas, para ser exato. – calou-se, ouvindo o outro. – Ok. Avise-me assim que souber. – e desligou.
_ No que seu irmão trabalha, Baekhyun? – perguntou Taeyeon, enquanto dirigia pela via expressa.
_ Ele... – e engoliu em seco. – Ele é investigador.

_ Aconteceu alguma coisa? – Jongdae surgiu no campo de visão de Minseok, que guardou o celular no bolso.
_ Uma morte na escola. – respondeu. – Segundo Baekhyun, a garota não se suicidou...
_ Acha que foi algum vampiro? – falou, vendo-o assentir. Logo, o Mordomo colocou o casaco e pegou as chaves do carro. – Devo levá-lo à Máscara?
Minseok suspirou arrastado e negou com a cabeça, notando o olhar confuso de seu seguidor. Em passos lentos, o mais velho se aproximou do maior, tirando as chaves do veiculo de suas mãos e seguiu para fora do escritório. Rapidamente, Jongdae o seguiu, estendendo o braço a frente do líder e o impedindo de continuar andando.
_ Mas, meu senhor. – começou. – Se não for acompanhado, o senhor pode...
_ E quem disse que eu irei sozinho? – e o fitou confuso.
_ Então, deixe-me ir com...
_ Jongdae... – suspirou Minseok, se virando para o rapaz. – Hoje é seu dia de descanso. Deve aproveitá-lo bem. – notando que o maior ainda estava confuso com aquelas palavras, o mais velho prosseguiu. – E, não se preocupe. Kyungsoo irá comigo.
Em poucos segundos, o semblante confuso do Mordomo se tornou uma carranca, enquanto, lentamente, desviava os olhos para o baixinho de olhos grandes e feições nervosas, que se aproximava devagar. Minseok sorriu para o rapaz, que o cumprimentou com uma longa mesura e, por pouco, não deixara as chaves do carro cair quando ele as jogara para si. O líder pousou a mão brevemente no ombro de Jongdae que nada dissera, e desceu as escadas, acompanhado de Kyungsoo. Todo o trajeto silencioso foi acompanhado pelas órbitas escuras e sombrias do maior até que os dois deixassem o hall de entrada, fechando a porta.
E a única que parecia se divertir à custa do moreno era a chefe do Departamento Médico, que se aproximou cautelosa do Mordomo, apoiando-se no corrimão de madeira. Numa fração de segundos, os orbes escuros de Jongdae desviaram para a mulher, que riu, balançando a cabeça. Eunjung realmente gostava e achava engraçado o jeito “ciumento” do homem em relação à Minseok. Ele poderia até esconder de todos, mas não dela.
_ O que foi, Jongdae? – começou ela. – Está magoado por que seu dono resolveu adotar outro cachorrinho? – sem ouvi-lo responder, ela continuou. – Não entendo por que está zangado. Não é a primeira vez que Minseok faz isso com você, certo? Então, por que a raiva? – logo, seus olhos castanhos fitaram as palmas abertas. – Será que é por que você não quer mais ninguém perto do seu Mestre? – e, por fim, desviaram maliciosos para Jongdae. – Ou será por que você não gosta quando Minseok dá total atenção para o pequeno Kyungsoo?
_ Não tem nenhum corpo para abrir, Eunjung? – Jongdae a encarou friamente, afastando-se a passos largos.
_ Nenhum que eu me lembre. – disse alto o suficiente para que lhe escutasse.
 Os passos firmes seguiram pelos corredores da mansão e, de supetão, Jongdae entrou no próprio quarto, fechando a porta com força. Ele queria discordar veementemente da médica, porém, não conseguia. Não quando seu sangue fervia nas veias; não quando desejava insanamente a morte de Do Kyungsoo. Além do mais, quem aquele “recruta” pensava que era para atrapalhá-lo?
E, enquanto sua mente fervilhava com inúmeras ideias de como tirar “a coruja baixinha” do seu caminho, o moreno vestiu as luvas e removeu a camisa, dirigindo-se ao saco de areia suspenso. O Mordomo sabia que estava desobedecendo à ordem de seu mestre, e só desta vez, levaria a sério aquela desobediência. Logo, não demorou muito para que o local de impacto fosse afetado inúmeras vezes, enquanto a fúria do homem era canalizada para os punhos cerrados, socando violentamente o objeto a sua frente.
_ Por que tanto ódio nesse coraçãozinho? – um arrepio percorreu a coluna do moreno que rapidamente tirou a arma do coldre em sua cintura, apontando na direção da varanda. Encostado ao parapeito, Chanyeol estava com as mãos nos bolsos da calça, olhando longamente para o Mordomo, enquanto um sorriso largo se formava em seu rosto. – Algo parece ter lhe afetado demais.
_ O que faz aqui? – rosnou em resposta.
_ Vim falar com seu Mestre. – e deu de ombros. – Ele está?
_ O que quer com o Sr. Kim? – Jongdae estreitou os olhos, desconfiado.
_ O assunto é particular, rapaz. – suspirou o maior. – Só cabe a mim e a ele. Apenas diga: onde Minseok está? – e o silêncio se fez presente no cômodo. – Não vai me dizer ou vou ter que por a mansão abaixo para procurá-lo?
_ Ele não está. – disse, por fim. – O Sr. Kim está seguindo para a Máscara...
_ Então ele soube do “suicídio” na escola? – murmurou levemente surpreso. – Interessante.
_ Pelo que sei, não foi suicídio. – Jongdae o olhou.
_ É claro que não foi, criança. – sorriu abertamente. – Alguém está tentando se passar por mim... De uma forma absurdamente infantil, se me permite dizer. – e riu. – Afinal, por que eu tentaria matar uma garota na frente de Baekhyun?
Jongdae observou-o em silêncio, notando que não havia mentiras naquelas palavras. Ou talvez tivesse, aliás, não era tão difícil enganar os humanos. Em passos lentos, o Mordomo se aproximou do vampiro, parando na entrada da varanda, recebendo um olhar longo do maior, que ainda mantinha o sorriso largo estampado no rosto. Chanyeol conseguia sentir, naquele corpo, a hesitação necessária para que se questionasse sobre a própria existência.
_ Então... Quem assassinou a estudante? – questionou.
_ Uma cria mal-abraçada. – respondeu, dando de ombros. – Pelo que sei, ele estava tentando chamar a atenção do Baekhyun para me provocar... Pobre coitado! – e gargalhou.
_ Você o matou? – Jongdae falhou em esconder a surpresa em seu tom de voz.
_ Ora... – riu ele, desviando as órbitas avermelhadas para o rosto do mordomo. – Ele seria morto independente se fosse eu ou seu líder. Então, por que a surpresa?
_ Não estou surpreso. – respondeu, cerrando o cenho. – E se veio apenas para avisar sobre isso, então pode ir.
O mordomo ameaçou um passo para o interior do quarto, mas antes que pudesse se aproximar do saco de areia, um arrepio percorreu sua espinha, fazendo-o virar na direção da varanda. Chanyeol ainda estava ali, parado no parapeito da varanda, olhando-o fria e longamente. Aos poucos, algo em seu interior aqueceu, fazendo o sangue em seu corpo correr mais rápido do que o normal. Jongdae não entendia aquela reação final, porém, sabia que ela era provocada pelo gangrel, que sorria, na medida em que o moreno relutava, ao ponto de fechar os olhos.
_ Chega. – rosnou, encarando-o.
_ Oh! – Chanyeol piscou rápido, observando o moreno cair de joelhos. – Não me diga que está se guardando para o seu líder, Jongdae? – lentamente, os olhos pequenos do mordomo se desviaram para o rosto alheio. – Você está apaixonado por ele. Exatamente como o Príncipe...
_ O Príncipe possui apenas atração pelo Sr. Kim... – respondeu com dificuldade, levantando aos poucos.
_ Oh, não, não. – negou, ainda sorrindo. – O que eu sinto por você é atração, Jongdae. Simplesmente, por que você, assim como muitos humanos, é a nossa comida. – devagar, o maior se afastou do parapeito, apoiando-se na passagem da porta. – Mas o que Luhan sente por seu líder... É quase humano. Agora... Diga-me: não acha que as visitas à Máscara estão se tornando muito freqüentes?

Dentro do veiculo, os olhos de gato do líder ora desviavam para a avenida movimentada, ora para o retrovisor, notando o nervosismo de seu motorista. Minseok percebeu a agitação no olhar de Kyungsoo quando este parava o carro no sinal. As órbitas grandes alternavam-se em todas as direções, enquanto os dedos tamborilavam o volante, o que causou um pequeno sorriso no mais velho. Lentamente, o homem de cabelos acinzentados inclinou-se até o banco do motorista, pousando a mão delicadamente sobre o ombro do moreno, que fechou os olhos, respirando fundo. E, no que causou uma calmaria para o mais novo, um calor estranho percorreu a extensão de seu braço, preenchendo todo o seu corpo. O ‘recruta’ desviou os olhos para o retrovisor interno, encontrando o semblante confuso do outro.
_ O senhor está bem? – perguntou, por fim.
_ Estou. – respondeu, voltando a se recostar no assento.
Por fim, seu celular tocou, fazendo Minseok examinar a tela por longos segundos antes de suspirar arrastado. Kyungsoo, que dirigia em silêncio, fitou o mais velho pelo retrovisor, vendo-o atender e conversar baixinho ao celular. Aos poucos, o semblante do homem de cabelos acinzentados se fechou para logo suavizar-se, concordando e finalizando a ligação.
_ Algum problema, senhor? – perguntou o moreno hesitante.
_ Vamos voltar. – ordenou, notando o veiculo parar diante a entrada da Máscara. – Jongdae disse que Chanyeol foi visitar a Ordem.
E, com um breve aceno, o ‘recruta’ retornou com o veiculo, dirigindo pelas ruas em total silêncio. As íris negras vagavam atentas pela estrada, estacionando no sinal quando este ficou vermelho. Kyungsoo sabia pelos outros membros da Ordem que era muito comum o líder mudar de decisão em questão de segundos, exatamente como fazia naquele momento. Segundo a Srta. Kim, Minseok possui o pensamento mais rápido e mais decisivo dentre todos os homens que chegou a conhecer. Em poucos segundos, conseguia enxergar vinte probabilidades antes de dar o primeiro passo.
Subitamente, seu pensamento foi interrompido quando um calafrio percorreu sua espinha. Rapidamente, o moreno desviou os olhos para o banco de trás, assustando-se com o sorriso largo e maroto de Chanyeol que estava ao lado de seu líder. Kyungsoo não tivera tempo de pensar e logo Minseok removeu a adaga de sua bengala, apontando-a para o peito alheio. Os olhos avermelhados do vampiro desviaram gradativamente para a arma branca e voltou-se para o humano ao seu lado.
_ Vim para dialogar e é assim que me recebe? – olhou-o, fingindo estar desapontado.
_ Dê-me um bom motivo para não matá-lo. – disse.
_ Eu salvei seu irmão. – e sorriu, vendo o cenho alheio se franzir confuso.
_ O que quer dizer?
_ O suposto “suicídio” na escola não foi um suicídio. – começou. – Uma cria mal-abraçada estava tentando assustar seu irmão mais novo, se passando por mim. Mas não se preocupe, eu já cuidei daquele bastardo. – e riu. – Aliás, eu odeio concorrência.
_ Cheguei a pensar que fora você quem fez aquilo. – provocou Minseok.
_ Aquilo? – Chanyeol bufou, rindo. – Se eu realmente quisesse matar o seu irmão, faria isso pessoalmente.
_ Só veio para me provocar, Chanyeol? – estreitou os olhos.
_ Avisá-lo também. – completou. – Não precisa ir à Máscara para falar com o Príncipe... – aos poucos, seus orbes o fitaram curiosos. – Ou será que você, Kim Minseok, estava apenas indo à Máscara para ver o Príncipe?
_ Eu iria alertá-lo de que suas crias estavam desobedecendo às ordens. – respondeu.
_ Somente isso? – e, lentamente, inclinou a cabeça. – Ou também iria se entregar para Luhan como na última vez? – em resposta aquele questionamento, Minseok sentiu um nervosismo iniciar em seu interior, mas logo o conteve. Não daria esse gostinho ao gangrel. Não mesmo. Porém, Chanyeol notara, sorrindo abertamente. – Não se preocupe. Esse é um assunto que não estou tão interessado em saber. Entretanto... – lentamente, se aproximou do líder da Ordem, alternando os olhos entre os semelhantes do homem e os lábios finos. – Alguém muito próximo de você parece não concordar com isso.
E, assim que o sinal abriu, Chanyeol deixou o veiculo, permanecendo apenas o silêncio. Aquelas palavras martelaram na mente do líder que gesticulou para que o rapaz voltasse a dirigir. Minseok repensou no que o vampiro havia dito e suspirou arrastado, passando a mão pelos cabelos acinzentados. Kyungsoo pensou que o mais velho fosse comentar algo sobre aquele incidente, porém, nenhum som fora proferido pelo homem. Aquele silêncio reinara o interior daquele veiculo por longos minutos e, nem mesmo quando atravessaram os portões de ferro da Sede, fora desfeito.
Afinal, o que aquele homem tinha a dizer? Kyungsoo podia até não entender o que Chanyeol dissera, mas Minseok compreendia mais do que o necessário. No entanto, ele podia admitir que a relação com o Príncipe não fosse nada a não serem negócios, ainda que Luhan não visse – de forma literal – algo assim. O homem subiu as escadas lentamente, porém, logo parou no primeiro andar, avistando seu Mordomo trajando seu pijama, enquanto encarava o mais velho em silêncio. Em passos lentos, o menor subiu os últimos degraus, parando diante de Jongdae, que baixou a cabeça, engolindo em seco.
_ Chanyeol veio aqui. – aquilo não era uma pergunta.
_ Sim, senhor. – respondeu o moreno. 
_ Alertou Baekhyun? – continuou.
_ Precisamente. – olhou-o. – O Sr. Byun virá amanhã para vê-lo.
_ Entendo. – logo, Minseok se afastou em passos lentos. – Pode voltar aos seus aposentos, Jongdae.
_ Sr. Kim... – o mais novo hesitou, vendo o menor parar no centro do corredor. – O senhor... Foi à Máscara?
_ Não. – suspirou, inclinando a cabeça em sua direção, sem se virar. – Chanyeol encontrou-me no caminho para me avisar sobre o assassino da estudante.

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