terça-feira, 14 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Treze

_ Ataque! – alertou Jongdae, defendendo-se dos golpes do ‘recruta’. – Mais forte! – ordenou, desviando dos movimentos alheios que se tornavam cada vez mais rápidos. Por um momento, a lâmina da adaga quase lhe feriu na garganta, surpreendendo o Mordomo que ofegou, afastando-se alguns passos.
Kyungsoo respirou fundo, enquanto caminhava devagar em torno do oponente e mais uma vez, avançou contra o moreno, saltando e chutando-lhe. Um pouco afastado do combate, Minseok os observava em silêncio... Ou seria melhor, o observava em silêncio? Afinal, as órbitas brilhantemente azuladas do líder da Ordem estavam estranhamente concentradas nos movimentos de seu Mordomo e em sua estrutura física. A camiseta branca – um pouco suada – parecia realçar melhor os músculos do peito e abdômen, assim como os braços. E se a memória do Mestre não estiver confusa, Jongdae era um garoto franzino e desesperado para se tornar seu seguidor. Então... O que aconteceu nesse intervalo de tempo que ele não percebera?
Subitamente, a adaga voou das mãos do menor durante o desarme do maior e cravou ao lado da cabeça de Minseok, na poltrona. Lentamente, os olhos de gato se desviaram para a arma e um meio sorriso quase transpareceu em seus lábios. Quase, já que ele não permitiria que o vissem assim. O treinamento dos dois estava mais do que sério, pelo que ele pode notar. Enquanto Kyungsoo pedia desculpas ao homem de madeixas acinzentadas que nada dissera, Jongdae se aproximou do mais velho e removeu – olhando diretamente para ele. A troca de olhares durou pouco tempo, no entanto, o suficiente para que uma provocação se iniciasse – a adaga, retornando assim ao combate.
E a luta recomeçou. Novos golpes foram desferidos em ambos os oponentes suados e ofegantes. A dor em seus corpos parecia tentar confundir suas mentes concentradas, ainda que eles se esforçassem em não ceder a ela. Kyungsoo rolou pelo chão, logo ficando de pé e chutou o Mordomo, que se defendeu com os braços, lhe revidando com um soco. O menor conseguia se mover rápido e todos os seus movimentos possuíam um impacto muito forte contra o outro combatente. Entretanto, o jovem ‘recruta’ ainda tinha uma falha que Jongdae precisava quebrar: o rapaz não conseguia fixar seus pés no chão. Imediatamente, o maior deu-lhe uma rasteira, fazendo o garoto cair de costas e imobilizou seus membros, colocando a ponta da adaga em sua garganta.
“You lose”. – disse Jongdae, ofegante. – Seus movimentos são bons, mas você ainda falha quando está de pé.
_ O que... Quer dizer? – murmurou, abafado.
_ Que se uma cria mal-abraçada chutar suas pernas, você morre. – explicou, soltando-o aos poucos. – Precisa fincar mais seus pés no chão, Do.
_ Sim, senhor. – assentiu, aceitando a ajuda para ficar de pé.
_ Não se preocupe, Kyungsoo. – devagar, a atenção dos dois se desviou para o líder que se ergueu, removendo o casaco escuro. Mancando, Minseok se aproximou da dupla e retirou, delicadamente, a adaga das mãos de Jongdae. – Todo caçador possui um ponto fraco. – e, finalmente, o atacou.
O ‘recruta’ afastou-se dos dois, ao mesmo tempo em que o líder da Ordem avançava rápido contra o próprio Mordomo, que se desviava de seus golpes. Jongdae se esquivou de alguns ataques, entretanto, não foi o suficiente, já que Minseok imobilizou seus braços e o prendeu contra a parede, colocando a ponta da adaga em sua garganta. O dono das órbitas de safira suspirou arrastado e balançou a cabeça levemente. Ele sabia que o moreno ainda possuía suas fraquezas e, neste caso, seu ponto fraco era o próprio Mestre. Todavia, o mais novo nada disse, enquanto encarava os Netunos brilhantes de seu senhor. Kyungsoo, que estava um pouco longe dos dois, notou a frieza que o mais velho emanava dos poros, principalmente quanto encarava o fiel seguidor.
_ Como eu disse, todo caçador possui um ponto fraco... Não é mesmo, Jongdae? – murmurou.
_ Sim, senhor. – concordou. – No entanto... – e, suavemente, o moreno cutucou o diafragma alheio com a ponta de um punhal, atraindo assim, a atenção do líder para baixo. – Não se deve deixar abater pelo próprio ponto fraco. Estou certo, senhor?
Em passos lentos, o ‘recruta’ se aproximou dos dois e surpreendeu-se com a pequena arma do Mordomo, quando o líder afastou suas mãos do outro. A ponta do punhal espetava suavemente a pele alheia, enquanto ambos se encaravam por longos minutos. Minseok respirou fundo, desviando a atenção para Kyungsoo e o dispensou, ao que o rapaz concordou, deixando rapidamente o cômodo, após levar seus pertences. Entretanto, quando Jongdae tentou fazer o mesmo, seu nome foi proferido pelos lábios levemente carnudos do líder. O moreno segurava seu próprio casaco e os sapatos em uma das mãos, enquanto ouvia o homem de madeixas acinzentadas se aproximando.
_ Algo o incomoda? – questionou Minseok, ultrapassando-o e se sentando em sua poltrona.
_ Não senhor. – respondeu. – Com licença... – ameaçou se curvar, porém, foi impedido.
_ Eu não disse que podia ir, Jongdae. – o encarou. Gradativamente, os olhos pequenos e escuros do Mordomo se desviaram para o líder que o fitava em silêncio. – Pelo que percebi, durante todo o treinamento, é que algo o incomoda.
_ Só estou fazendo o meu trabalho, senhor. – alegou. – O senhor quer que eu treine Do. E é o que estou fazendo.
_ Mas sua mente não está na luta. – justificou. – Ainda não concorda com a minha decisão?
_ Não. – foi direto. – Não concordo. Kyungsoo ainda é incapaz de proteger seu irmão. – por fim, engoliu em seco. – Mas como minha opinião, nesse aspecto, não conta... Então, continuarei treinando-o. – e se curvou. – Agora, se me der licença, preciso descansar. Afinal... Ainda tenho que treiná-lo ao anoitecer.
E se afastou a passos largos. Porém, antes mesmo que se aproximasse da porta, uma adaga foi cravada na madeira demasiadamente próxima de seu corpo. O Mordomo encarou a arma por alguns segundos e a retirou, desviando os olhos para o líder que estava de pé. O silêncio entre os dois homens durou aproximadamente um minuto, enquanto Minseok se aproximava do mais novo. Por fim, lhe fez uma pergunta um tanto inusitada.
_ Ontem à noite... O que o Matador do Príncipe queria com você?
_ Eu não sei. – respondeu.
_ “Não sabe”? – arqueou uma das sobrancelhas. – Não está mentindo para mim, está, Jongdae?
_ Já lhe disse, senhor. – suspirou, olhando-o. – Eu não sei o que Sehun queria comigo.
“No entanto, é interessante se notar que o senhor está curioso pela aparição do Matador, quando sequer posso questionar sobre as visitas noturnas do Príncipe à Ordem, certo?”, pensou Jongdae, acenando de leve e deixando, finalmente, o salão de treinamento. O homem de madeixas acinzentadas observou o moreno se afastar aos poucos no corredor silencioso e desaparecer de seu campo de visão ao entrar em um novo corredor. Em passos largos, o Mordomo seguiu até seu quarto e adentrou-o, trancando a porta em seguida. Por dentro, todo o seu corpo parecia se remexer em um nervosismo sobrenatural e talvez – só talvez – tivesse uma explicação para isso: o líder parecia cada vez mais ameaçador aos seus olhos.
Rapidamente, abandonou a camisa e os sapatos próximos da poltrona e pegou o celular sobre a cama, discando o número que recebera do Matador na noite anterior. Assim que levou o aparelho ao ouvido, a chamada foi atendida no segundo toque. Em poucas palavras, Jongdae pediu que Sehun o encontrasse na Ponte de Westminster ao fim da tarde, desligando em seguida.

_ Andei cuidando de alguns detalhes do nosso casamento. – Taeyeon começou, retirando Baekhyun de seus devaneios. – Além do mais, não podemos ficar noivos para sempre, não é? – brincou.
O jovem casal estava num restaurante próximo da Instituição onde o professor de História lecionava. A pedido da noiva, Baekhyun concordou em almoçar consigo, já que Richard havia recusado o seu, alegando que “estava ocupado demais organizando os livros da biblioteca”. O moreno a observava tagarelar constantemente sobre o futuro casamento e os detalhes da festa, apesar de sua mente divagar sobre o passado relatado pelo bibliotecário. Era um tanto impossível de acreditar que aquele homem de aura divertida tivesse sofrido por amor.
_ Baekhyun, está me ouvindo? – questionou a mulher, vendo-o desviar os olhos para si. – Algum problema?
_ Nenhum. – sorriu-lhe fraco, tornando a comer em silêncio.
Entretanto, antes que Taeyeon tentasse numa nova investida, seu celular tocou em modo vibratório no seu colo. Baekhyun percebeu que a morena encarava a tela do próprio aparelho e, de imediato, atendeu. Durante toda a conversa, sua noiva explicava à mãe que estava almoçando com o noivo e que, mais tarde, ambas se encontrariam no shopping. Assim que a ligação foi encerrada, os olhos da moça se desviaram para o rapaz e um pequeno sorriso se formou em seus lábios, tornando assim a comer.
_ Sua mãe? – perguntou ele, vendo-a concordar. – Quer que eu a deixe no...
_ Não é necessário. – cortou, olhando-o. – Afinal... Você dará aula hoje, não?
_ Vou. – assentiu. – Mas ainda terei tempo para...
Imediatamente, Taeyeon se ergueu, deixando algumas notas sobre a mesa – já que ambos combinaram de dividir a conta – e despediu-se do mais novo com um selar de lábios. O rapaz observou-a andar rápido até a porta do restaurante e vestir o casaco de frio, sumindo em meio à multidão. Baekhyun suspirou arrastado e terminou seu almoço, logo pedindo a conta. Todavia, ao terminar de contar as notas deixadas sobre a mesa, o professor percebeu que sua noiva havia deixado mais do que o necessário para pagar. Por fim, efetuou o pagamento e deixou o estabelecimento, ainda sem entender o motivo de tanta pressa.
Ele conhecia bem a futura sogra e sabia que ela esperaria pacientemente pela filha.
Então... Para que correr?
Ainda confuso, o professor retornou à Instituição e transitou pelos corredores pouco movimentados, rumando até sua sala. Sem perceber, se flagrou pensando no misterioso homem ao qual seu colega de trabalho havia se apaixonado e no cruel desfecho de sua vida. Estava mais do que óbvio que aquele era um assunto no qual Rick preferia não comentar, principalmente quando este evitou conversar consigo pelo resto do dia.
E antes que seus dedos se fechassem na maçaneta da porta, seu nome foi chamado quase como um sussurro ao pé do ouvido, fazendo-lhe desviar os olhos para a direita, onde Richard se aproximava sorrindo e acenando. O moreno sorriu de leve, afastando-se de sua sala e seguiu até o outro, que o cumprimentou com um leve curvar, sugerindo que ambos fossem para a biblioteca. Baekhyun aceitou o convite, seguindo o maior em silêncio e, vez ou outra, desviava os mares azulados para o outro que estava distraído.
_ Rick... – começou, vendo-o desviar os olhos para si. – Sobre ontem...
_ O que? – questionou.
_ Não é nada. – murmurou, sorrindo de leve. Reiniciar aquele assunto poderia magoá-lo. Pelo menos, era assim que Baekhyun pensava.
_ Você trouxe o meu almoço? – perguntou ao que o outro parou de andar. – O que foi?
_ Hã... Eu não sabia que você...
_ Brincadeira. – e riu, vendo-o franzir o cenho. – Nem sempre eu consigo almoçar por causa do trabalho. E às vezes você acredita muito no que eu digo, Baekhyun.
_ O que quer dizer? – questionou, novamente lhe seguindo.
_ Já parou para pensar que a história que te contei... Pode não ser verdadeira? – desta vez, o rapaz desviou os olhos para o menor que o observava em silêncio. – Como, por exemplo, o homem ao qual me apaixonei. E se for apenas uma história que eu inventei de algum romance dramático?
Logo, os dois pararam diante a biblioteca, enquanto se encaravam por longos minutos. Baekhyun avaliou atentamente as órbitas escuras do mais alto, notando que este também encarava suas semelhantes brilhantemente azuladas. No fundo, Chanyeol conseguia encontrar a sutileza e o calor no olhar alheio; mesmas características que o outro também possuía quando o conheceu pessoalmente. Como... Como se cresse em suas palavras.
_ Não. – murmurou, vendo-o piscar. – Você não inventou essa história.
_ Não inventei? – bufou rindo. – Tem certeza? – e estreitou os olhos.
_ Se quiser mentir para alguém, vá em frente. – concordou. – Mas sei que não está mentindo para mim.
Por fim, se afastou, sentando-se numa cadeira em seguida. Richard sorriu de leve, desviando os olhos para o rapaz e o observou pegar um romance deixado sobre a mesa. Provavelmente de algum aluno que não o guardara. Calmamente, o rapaz caminhou até o menor e não demorou muito para que Baekhyun notasse a presença do maior ao seu lado, enquanto lhe avaliava cuidadosamente.
_ Falando sério... – recomeçou, retirando o livro das mãos alheias. – Como pode ter tanta certeza de que não estou mentindo?
_ Bom... – suspirou, passando a mão pelos cabelos e cruzou os braços. – Uma pessoa, quando mente, tende a gaguejar ou demonstrar alguns sinais de que está mentindo. Ela sua, desvia os olhos, esfrega ou agita as mãos... Mas você não. Tentei identificar todos os sinais de que estivesse mentindo... Porém, eu não os encontrei.
_ Talvez seja por que eu sou um ótimo mentiroso. – sorriu maroto.
_ É... Pode ser. – concordou, desviando os olhos para a janela.
_ Está... Tudo bem? – olhou-o preocupado.
_ Está. – respondeu sem olhá-lo. – Só... Acho que minha noiva está mentindo para mim.
_ Mentindo? – franziu o cenho. – Você acha... Que ela está te traindo?
_ Eu não sei. – suspirou. – Mas ela está estranha. – e rapidamente balançou a cabeça. – Não vamos falar sobre isso, ok?
_ Ok. – assentiu, apesar de desconfiar sobre o que acabou de ouvir. – Então... Você ouviu os noticiários de hoje?

Encostado ao parapeito da Ponte de Westminster e assistindo os últimos segundos do crepúsculo, o Mordomo de Minseok suspirou pesadamente, enquanto esperava pacientemente a chegada do Matador. Mentalmente, o moreno refletiu sobre as palavras do vampiro em relação às supostas mortes misteriosas. “Londres não é tão segura quando aparenta ser. Alguma coisa maior está por trás dessas mortes estranhas”, foi o que dissera naquela noite. Mas... O que seria?
_ Estou surpreso por solicitar a minha presença. – a voz levemente rouca de Sehun chegou aos ouvidos aguçados do moreno, juntamente com a brisa gelada, fazendo-o desviar a atenção para si. – O que quer?
_ Sobre essas mortes estranhas... O que sabe a respeito? – questionou, vendo-o enfiar as mãos nos bolsos do casaco e encarar o horizonte longamente.
_ As mortes não estão concentradas apenas em Londres. – começou. – Manchester, Liverpool, Glasgow... Até onde sei, a mancha se estende desde o Sul da Escócia até Winchester. O que a Máscara teme é que todo o Reino Unido vire uma grande poça de sangue.
_ Quantos foram encontrados? – questionou.
_ Até agora? – e o olhou. – 94 corpos. E, pelo visto, o número tende a crescer.
_ Como pode ter certeza disso? – e arqueou uma das sobrancelhas.
_ Assim como a Ordem possui sua Sede e seus distritos em alguns países, eu possuo olhos em toda a Europa. Ainda que ela seja do tamanho de um grão de café. – explicou. – Em termos técnicos, eu sou o binóculo do Príncipe.
Jongdae o fitou longamente e desviou os olhos para o horizonte, enquanto o céu nublado se escurecia. Gradativamente, as luzes das ruas se acendiam ao mesmo tempo em que os cidadãos se apressavam em voltar para as suas casas, já que nem o governo britânico e muito menos a companhia elétrica possuía explicações sobre o estranho blackout da noite anterior. Sehun desviou as órbitas rubras para um casal que caminhava rápido e suspirou arrastado, voltando à atenção, mais uma vez, para o vazio.
_ As pessoas estão ficando assustadas. – comentou. – O Governo disse alguma coisa?
_ Ainda não. – negou Jongdae. – O Primeiro-Ministro ainda está investigando sobre isso.
_ Acho que temos companhia. – suspirou Sehun, notando a atenção alheia para si. – Ontem à noite, meu Mestre foi atacado por algumas criaturas estranhas. Quando o encontrei, ele estava gravemente ferido.
_ E o que eram? – questionou.
_ Não sei. – negou, recostando-se ao parapeito de concreto. – Apenas sei que eles não vieram “em paz”.
_ Cite uma raça que “veio em paz”? – ironizou.
Discretamente, um meio sorriso escapou dos lábios de ambos. Afinal, ambas as raças – vampiros e homens – nunca vieram para viver em harmonia com as outras raças. “Sempre haverá uma raça que se sobrepõe das outras”, ou pelo menos, é o que dizem. Suavemente, o celular de Jongdae vibrou no bolso do casaco, fazendo-lhe tirá-lo e examinar a tela. Seu Mestre estava ligando. Sehun notou quando o moreno suspirou arrastado e atendeu a chamada, dando-lhe algumas respostas monossilábicas. Assim que desligou, seus olhos se voltaram para o ruivo que fingiu não se importar com a conversa alheia.
Seu dono está mandando voltar... – murmurou, bufando. – E como um cão obediente, você...
_ Ainda não. – ao responder, Sehun desviou os olhos, levemente surpreso para o humano que sorriu de leve. – Voltarei quando todas as luzes se acenderem.
_ Está desobedecendo pela primeira vez? – perguntou, sorrindo, porém, Jongdae não lhe deu uma resposta. Apenas questionou.
_ Há quanto tempo o Príncipe faz visitas à Ordem? – suspirou, encarando o chão.
_ Há 10 anos. – respondeu, mantendo a atenção no horizonte.
_ Você sabia? – e o olhou. – Da obsessão de Luhan?
Por Minseok? – e bufou, sorrindo triste. – Sabia. O curioso é que eu... Só posso se agraciado pela presença dele quando não há mais escolhas disponíveis.
_ Em outras palavras... – murmurou.
Em outras palavras, Luhan somente satisfaz suas fantasias sexuais comigo quando Minseok se recusa. – e o olhou.
_ Então... Esta é a ligação entre o Príncipe da Máscara e o Líder da Ordem? – estreitou os olhos. – Somente sexo?
 _ Ou era esta a ligação dos dois. – corrigiu. – Pelo que me lembro, na última aparição de seu líder, ele deixou mais do que claro ao meu Mestre que não havia mais intimidades entre eles.
_ E o Príncipe acreditou em suas palavras? – debochou.
_ Em parte. – suspirou. – Luhan ainda acredita que pode reconquistá-lo. Fazê-lo mudar de ideia. No entanto... – e o fitou. – Acredito que o Sr. Kim não o aceite de volta já que está comprometido.
Gradativamente, as sobrancelhas do humano se estreitaram confusas, já que não acreditava no que acabara de ouvir do não-humano e Jongdae piscou devagar, desviando a atenção para o chão. Desde quando Minseok estava comprometido com alguém? E quem era o bastardo filho da puta que havia conquistado o coração de seu Mestre? O ruivo, notando o estranho silêncio alheio, esperou alguma reação do moreno que apenas respirou fundo, enquanto fechava os punhos dentro do casaco escuro.
_ Você não sabia. – murmurou um pouco surpreso. – Seu Mestre... Não. Você... Nunca desconfiou de que seu Mestre estava comprometido com alguém?
_ Em relação às intimidades de meu Mestre, não me é permitido saber. – alegou, sentindo o coração despedaçar.
_ “Não é permitido” ou você nunca cogitou a ideia dele estar com mais alguém? – aos poucos, Sehun se aproximou do homem, observando-o de forma curiosa. – Você sequer lhe questionou... – bufou.
Rapidamente, Jongdae removeu o punhal e segurou o ruivo pelas vestes, prendendo-o contra o parapeito, enquanto encostava a lâmina em sua garganta. As órbitas de Marte encararam as pérolas negras por longos minutos, sem acreditar que o Mordomo ficou alheio durante todo o tempo em que esteve com seu Mestre. E talvez Sehun estivesse certo, afinal, ele nunca cogitou a ideia de investigar sobre Kim Minseok.
Então, por que estava reagindo daquela forma?
Quem ele pensava que era para fazer aquilo?
_ Não se preocupe. – começou, sorrindo de leve. – Você está agindo exatamente como eu reagi quando me questionaram sobre o Príncipe. – devagar, ele afastou o punhal de seu pescoço e se aproximou da face do Mordomo. – Entretanto... Ao invés de segui-lo cegamente, eu decidi investigar. – e, suavemente, seus lábios roçaram contra a orelha alheia. – Sugiro que faça o mesmo, Jongdae. Por precaução.
_ Se meu Mestre esconde informações de mim, é apenas para me proteger. – rebateu, afastando-se. – Eu conheço Minseok...
_ Conhece? Tem certeza? – e estreitou os olhos.
_ O suficiente para confiar em si. – concluiu.
_ Pare de agir como um cãozinho que balança o rabo sempre que vê o próprio dono! – zombou. – Nunca questionou nada ao seu líder?
_ Apenas vim para sanar minhas dúvidas em relação às mortes estranhas. – interrompeu-o, dando a conversa por encerrada. – Tenha uma boa noite. – e se afastou.
Sehun o observou caminhar para longe da ponte, ao que ele revirou os olhos e velozmente, parou diante o outro que recuou um passo, preparado para atacar. Ambos se encararam por alguns minutos, ao que o vampiro se aproximou devagar, onde, simultaneamente, Jongdae se afastava. O ruivo sorriu de leve e balançou a cabeça, notando que o Mordomo continuava confuso com suas palavras proferidas. Além do mais, o moreno não esperava aquilo vindo de um vampiro. E se ele estivesse mentindo? O Matador o avaliou em silêncio e estendeu-lhe a mão, num convite mudo para que aceitasse sua ajuda.
Somente se quiser, Jongdae... – murmurou. – Eu posso ajudá-lo a descobrir mais sobre o líder da Ordem.
_ Eu agradeço, mas não. – rebateu, arrumando as próprias vestes e enfiou as mãos nos bolsos, se afastando em seguida.
Observando-o caminhar rápido na direção da Ordem, o Matador alegou, num sussurro, de que se o Mordomo precisasse, ele poderia chamá-lo a qualquer momento, seguindo, por fim, o caminho contrário ao do humano. Estando a, aproximadamente, dez metros da Ponte de Westminster, Jongdae parou subitamente e ofegou, piscando rápido. Aquela informação sobre seu Mestre caiu quase como uma bomba em seu colo. Há quanto tempo o Sr. Kim estava comprometido? E quem era essa pessoa? Visivelmente, o moreno estava abalado e sequer conseguia disfarçá-lo em seu rosto preocupado. Suas mãos passearam pela face e pelos cabelos, enquanto puxava o ar com força para os pulmões. Estranhamente, estava reagindo exatamente como na noite em que quase fora morto.
Jongdae estava tendo um ataque de pânico.
Mentalmente, o rapaz cogitou a ideia de ligar para o irmão e implorar para que fosse lhe buscar, entretanto, nem mesmo suas mãos paravam de tremer, assim como parte de seu corpo. Obrigando-se a manter a calma, ainda que seu cérebro fizesse exatamente o contrário, Jongdae ameaçou alguns passos à frente, mas, mais uma vez, seu ser parou. E, no segundo em que seus olhos se fecharam, seus membros relaxaram ao sentir uma leve pressão em seus lábios finos. O cheiro adocicado – uma mistura estranhamente gostosa de hortelã, menta e eucalipto – preencheu suas narinas, assim como seus pelos se eriçaram violentamente em resposta ao toque gelado das palmas por sobre seu casaco.
Lentamente, uma das mãos percorreu por suas costas até a nuca, ao mesmo tempo em que a língua traiçoeira do vampiro invadia-lhe a boca, sugando-lhe sua semelhante. Os dedos frios apertaram levemente a pele exposta, e, numa velocidade sobrenatural, o corpo do moreno foi prensado contra o muro de um beco escuro. Em pouco tempo, os pequenos músculos se enlaçaram numa fricção arrepiante, arrancando, involuntariamente, um gemido do humano. Jongdae sentiu seus músculos retesarem no mesmo segundo em que a coxa alheia roçou contra a sua intimidade e, então, finalmente, sua consciência despertou, alertando-o de que ele estava cedendo aos próprios desejos, antes abolidos.
Num impulso, o Mordomo apartou o beijo, encarando a criatura a sua frente, que o observava em silêncio. O intervalo entre a raiva subindo-lhe a cabeça e o punhal ferir a maçã de Sehun durou exatamente três segundos. Dando alguns passos para trás, o Matador levou os dedos ao ferimento, examinando-o e voltou à atenção para Jongdae, que ofegava ainda apoiado contra a parede. O vampiro bufou, fingindo estar incrédulo quanto à reação do homem que tentava – inutilmente – se recompor.
_ Eu o tiro de um ataque de pânico... E é assim que me agradece? – falou, enquanto o ferimento se fechava.
_ Eu não pedi a sua ajuda. – rosnou, observando-o se aproximar mais uma vez, no entanto, Sehun pousou as mãos em cada lado do moreno, numa prisão estreita.
_ Sabe... Andei pensando em toda essa situação entre os nossos mestres e cheguei a uma conclusão. – começou, fitando-o nos olhos.
_ “Que nós devíamos ter um caso”? – falou numa imitação miserável do timbre alheio. Todavia, em resposta, Sehun arqueou uma das sobrancelhas, sugestivo. – Está brincando comigo?
_ Por que não? – questionou, unido um pouco mais os corpos. – Afinal... Seu Mestre parece não se importar em estar com o meu.
_ O Sr. Kim não possui mais nenhuma relação com o Príncipe, a não ser assuntos que estejam ligados diretamente às regras impostas pelas duas sociedades.
_ E você pode garantir isso? – sussurrou contra a boca alheia. – De que eles não estão juntos?
_ Sr. Oh. – o moreno lhe encarou. – Afaste-se ou...
_ Ou... O que? – e estreitou os olhos, enquanto segurava-lhe pelo pulso e encostava o punhal alheio contra o próprio corpo. – Vai me matar com esse punhal?
Não sabe do que eu sou capaz. – ameaçou.
Para dizer a verdade... Eu sei. – rebateu.
_ Isso... – começou, rindo incrédulo. – É desespero, Sr. Oh? Está desesperado por que seu Mestre o abandonou? É por este motivo que o senhor... Está aqui?
Se soubesses os motivos por eu desejar estar aqui... – alegou, encarando os mares negros e profundos do Mordomo. – Nós não estaríamos nesse beco. Sabe disso.
E o silêncio reinou naquele curto espaço entre as bocas. Jongdae encarou longamente as órbitas de Marte, notando a tamanha intensidade que o vampiro lhe fitava e suspirou pesadamente, afastando-o com um empurrão. Sehun o observou lhe avaliar de cima a baixo e, sem proferir uma única palavra, o Mordomo se foi, enquanto uma chuva leve se iniciava. O ruivo sorriu de leve, impressionado pela ousadia do moreno quando, subitamente, um cheiro estranhamente familiar chegou ao seu olfato.
Mais afastado daquele beco, Jongdae caminhou rápido em meio à chuva, quando que seu corpo foi misteriosamente lançado para longe, caindo a cinco metros de onde estava. O moreno arfou em resposta à dor em suas costas e rapidamente rolou pelo chão, ao mesmo tempo em que uma pata assustadoramente gigante afundou no asfalto. Aos poucos, seus olhos acompanharam a extensão do monstro, surpreendendo-se com a sua altura. Se seus cálculos não estivessem errados, ele tinha quatro metros e podia pesar quase 150 kg.
Olha só! – a voz grotesca soou pela rua silenciosa, ao que a criatura caminhou na direção do homem. – Mais um para a lista!
Prontamente, o Mordomo se ergueu, retirando as duas armas dos coldres e apontou-as para a criatura, atirando constantemente contra seu peito. De imediato, o monstro pulou sobre o homem, porém, Sehun foi rápido o suficiente para tirar Jongdae do caminho. O moreno desviou os olhos para o ruivo que, num rosnado, ordenou para que o humano fugisse dali, logo avançando contra a aberração. Na medida em que o combate dos dois se tornava acirrada, mais as feições do Matador se modificavam, como uma máscara de demônio. As presas pareciam saltar de sua boca e, de suas mãos, garras longas e extremamente afiadas se formavam, deixando o “inexpressivo” vampiro cada vez mais temível diante os olhos negros.
O monstro – que, uma vez, fora Sehun – pulou sobre a criatura peluda, rasgando-lhe o peito e o pescoço, enquanto o mesmo se debatia contra a sua prisão. Pensando rápido, o Mordomo recarregou as duas armas e, mais uma vez, atirou na criatura gigantesca, acertando-lhe na cabeça. Aos poucos, a aberração parou de se mover, ao que o vampiro pulou para longe, ofegando. Logo que as pupilas saltadas desviaram para Jongdae, o mesmo desviou as miras para si, encarando-o em silêncio. Além do mais, o moreno não esperava que o ruivo se tornasse – também – um monstro como aquele que estava caído.
Afaste-se. – ordenou com sua voz grotesca. Gradativamente, o meio-homem, meio demônio voltava ao normal, deixando seus notáveis 2,90m de altura para 1,81m, assim como seu rosto atribuía feições mais... Humanas, por assim dizer. – O sangue dele é como ácido.
Entorno da criatura abatida, uma enorme poça de sangue se espalhou, escorrendo na direção dos bueiros de Londres. Jongdae desviou os olhos do vampiro para o monstro que, assim como Sehun, também voltava às suas feições humanas, surpreendendo-o. Era um homem moreno, com seus 40 e poucos anos, barba rala e forte. Com cuidado, o Mordomo avaliou o corpo imóvel, encontrando uma tatuagem na parte interna de seu braço, mas não reconheceu sua origem.
_ O que ele é? – pensou alto, porém, seu corpo foi puxado para longe. – O que está...
_ Já disse para não chegar perto. – reclamou, encarando-lhe.
Jongdae avaliou as condições do vampiro, que rapidamente enviou uma mensagem para a “equipe de limpeza”, notando que suas roupas estavam rasgadas. Parte de sua camisa preta estava estragada devido ao combate, além da grande quantidade de sangue que manchava suas vestes. Sehun, ao voltar sua atenção para o humano, o assistiu remover o longo casaco escuro e lhe cobrir os ombros, afastando-se devagar em seguida. Seu cenho se franziu um tanto confuso e logo ele se virou para o Mordomo que estava mais a frente.
_ Por que está me dando o seu casaco? – questionou, vendo-o parar e se virar. – Eu não tenho frio.
_ Não é para se aquecer. – explicou. – Apenas pensei que seu Mestre ficaria um tanto assustado se o encontrasse... – e pensou um pouco. – Assim.
_ Um favor por outro favor? – sorriu maroto.
_ Não estou fazendo e nem devolvendo favor algum. – respondeu, tornando a se afastar.
Não relate à Ordem ainda. Preciso investigar melhor sobre isso”, pediu o Matador num sussurro, ao que Jongdae acenou de leve com a mão, desaparecendo no fim da rua. Desta vez, o moreno apressou-se em correr, chegando aos portões da Ordem em poucos minutos. Ao atravessar a passagem, o Mordomo ouviu um dos caçadores alertar sobre sua presença recém-chegada. E, estranhamente, alguma coisa lhe dizia que Minseok não estaria nada contente com seu atraso.
Rapidamente, subiu as escadas, afastando os cabelos molhados dos olhos e finalmente parou quando avistou seu Mestre no centro do hall de entrada. O mais novo engoliu em seco, baixando gradativamente os olhos para o piso molhado por seus pés, enquanto o mais velho lhe encarava furioso. Seria muito mais fácil para si receber a punição do líder do que tentar explicar seu atraso.
O que Minseok pensaria? 
Que, secretamente, Jongdae e Sehun estão se encontrando para ficarem juntos?
No entanto... Por que o Mordomo estaria preocupado com o que seu Mestre pensa de si?
Afinal, não é ele quem recebe visitas noturnas do Príncipe?
_ Onde esteve? – questionou friamente.
_ Na Ponte de Westminster. – suspirou.
_ E por que Sehun estava com você? – desta vez, as órbitas escuras se desviaram para o líder, levemente surpresas. Como...
Ora! A quem você está tentando esconder, Jongdae?
O moreno, aos poucos, sorriu surpreso. Não seria a primeira vez que o Mordomo assistia Minseok ordenar para que vigiasse o próprio irmão. E com ele, não foi diferente. O homem de madeixas acinzentadas havia enviado algum caçador para vigiá-lo. Impaciente, o dono das safiras mancou até o maior e, de imediato, desferiu-lhe uma dolorosa tapa no rosto, fazendo-o fechar os olhos.
_ Acha engraçado... Chegar atrasado no treinamento? – sibilou. – O que mais é engraçado, Jongdae?
_ Nada... Senhor. – e o olhou.
Aos poucos, Minseok desviou os olhos para as roupas do mais novo – apesar de tê-las notado enquanto o rapaz adentrava a mansão –, percebendo que o mesmo não estava com seu robusto sobretudo preto. Rapidamente, as brilhantes safiras se voltaram para as feições calmas do Mordomo, que baixou o olhar para o próprio corpo. As roupas de Jongdae estavam coladas e levemente transparentes devido à chuva.
_ E seu casaco? – questionou. – Onde está?
Porém, o rapaz nada dissera. E, tendo como resposta o silêncio alheio, Minseok entregou a bengala à Kyungsoo que se aproximava aos poucos e afastou-se na direção do jardim. O ‘recruta’ desviou os olhos do objeto em mãos para o Mordomo que estalou o pescoço e alongou-se, suspirando arrastado. Por fim, Jongdae olhou breve para o menor e sorriu de leve, enquanto caminhava para os fundos da mansão.
_ É... Será uma longa noite... – murmurou.

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