sexta-feira, 24 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte

Se fosse possível resumir o sentimento que aflorava e emanava dos poros de Park Chanyeol, naquele segundo, seria o ódio. Puro e mortal, afinal quem era o bastardo de olhos esbugalhados que surgiu naquela manhã cinzenta e acompanhou o jovem professor de história até a entrada da Instituição? E por que Baekhyun parecia cada vez mais nervoso quando lhe viu ao entrar na biblioteca... Exatamente como naquele momento? Desde que o dono das safiras brilhantes entrou no corredor D12, havia se passado vinte minutos e, até agora, não havia saído.
Por acaso, ele estava planejando algo que não sabia?
Do outro lado, a mente de Baekhyun disparava em inúmeros pensamentos. Não era possível acreditar que o simpático bibliotecário era o mesmo que lhe marcou na pele e na mente há vinte anos. Discretamente, seus olhos desfocaram das palavras. E por que ele não percebeu desde o começo que ele era o vampiro que tentou matar a si e a seu irmão? O moreno ainda folheava algumas páginas quando um sopro gelado roçou próximo ao seu rosto e alguns pelos se eriçaram. Ele estava ali, talvez a centímetros de seu corpo, e não era necessário olhar para trás e confirmar que o outro encontrava-se realmente atrás de si. O professor respirou fundo, fechando o livro lentamente e desviou as órbitas para trás, enquanto o maior o avaliava em silêncio.
_ Sr. Byun. – ditou o bibliotecário.
_ Sr. Park. – respondeu o menor, baixando os olhos para as mãos grandes, que tamborilavam nervosas contra a capa dura. – Deseja algo?
_ E-eu... – gaguejou, baixando a cabeça, enquanto os óculos quadrados ameaçavam escorregar de seu rosto. Rapidamente, o castanho arrumou a armação, levantando os olhos novamente para o humano. – Eu encontrei um livro que poderia ajudá-lo na sua aula com o professor Edward...
_ Obrigado, mas já encontrei o que procurava. – agradeceu, afastando-se alguns passos no corredor.
_ Baekhyun... – chamou novamente, vendo o jovem Byun parar no meio do corredor. – Por favor... Não faça isso. N-não... Me evite. E-eu... – tentou se explicar, porém o moreno sequer se virou para olha-lo. – Eu ainda acho que precisamos conversar...
_ Não temos nada do que conversar, Sr. Park. – ditou, dando a conversa por encerrada.
Em passos calmos, Baekhyun deixou a biblioteca e atravessou o longo corredor, enquanto controlava-se para não tremer de medo. Desde a conversa que teve com Jongdae, o jovem professor foi proibido de chamar pelo nome verdadeiro do vampiro que tentou lhe matar. Afinal, pela dedução do líder temporário, “Chanyeol não sabe que você reconheceu o seu verdadeiro nome”. Então, por hora, ele teria de ficar quieto e chama-lo apenas por “Sr. Park”.
As órbitas de Netuno vagaram pelos corredores pouco movimentados e, ao virar num segundo corredor, o moreno assustou-se com a aparição súbita do maior diante de si. Baekhyun não conseguiu conter o medo que preencheu seu peito, mas não permitiu que esse fosse percebido pelo outro. Devagar, Chanyeol aproximou-se de si e ao ameaçar tocar seu rosto, o sinal, anunciando o início das aulas, soou. Os olhos castanhos piscaram devagar e a mão grande logo cedeu para junto do corpo, enquanto o vampiro observava o humano passar ao seu lado, desaparecendo de sua vista.
Ele estava lhe fazendo perder a paciência.
Sem esperar muito, o maior retornou velozmente para a biblioteca e caminhou pelos corredores, procurando pelo exemplar que o jovem professor havia pego. E, ao verificar a brecha dentre os outros livros, notou que Baekhyun havia levado um livro sobre lendas vampirescas. Enquanto isso, na sala de aula, os dois professores conversavam baixinho entre si até os últimos alunos adentrarem o espaço e acomodarem em seus lugares. Logo, Edward seguiu para a janela e fechou as cortinas, enquanto o moreno ligava o aparelho de multimídia.
_ Bom dia. – disse o professor de Literatura.
_ Bom dia. – respondeu os alunos.
_ Eu sei que muitos de vocês devem estar se perguntando... – enquanto o homem explicava, Baekhyun reprimia um sorriso. Se fosse um de seus alunos, teria adorado aquele professor. – Por que estamos no escuro? – e um burburinho se iniciou empolgado. – Bem, a pedido do professor de História, Sr. Byun, o tema da nossa aula será: Os Vampiros na História e na Literatura.
_ Professor Byun. – uma das alunas ergueu a mão, ao que Baekhyun desviou a atenção para ela. – Por que escolheu esse tema?
_ Bom... – começou o moreno, pensativo. – Eu... – e as imagens de seu irmão em coma preencheram sua mente. – Eu tenho uma grande curiosidade sobre esses seres da noite. – por fim, sorriu. – Mas não pensem que falaremos só das lendas dessas criaturas na história. O professor Hardy irá contar para vocês como surgiu os primeiros romances vampirescos, certo?
_ Sim. – concordou o outro. – Bom... Podemos começar? – logo, Edward abriu o slide e exibiu para a turma. Não demorou muito para que o burburinho recomeçasse quando viram o pôster clássico do filme “Drácula” de Bram Stoker. – Pelo visto, vocês conhecem bem esse filme, não?
_ Sim. – responderam.
_ Olha... Admito que sou fã do Gary Oldman, mas... – Edward observava a belíssima imagem de Vlad Dracul e Mina Harker. – Nesse filme, em particular, ele foi extraordinário. – e risos baixinhos preencheram a sala. – E olha que sou meio chato quanto a filmes vampirescos. Mas, vamos lá: alguém sabe dizer como surgiu a mitologia do vampiro? – a turma ficou em silêncio. – Prof. Byun, quer nos contar?
_ Bem... – pigarreou Baekhyun, olhando-os. – A noção de “Vampirismo” já existe há milênios na Antiguidade e elas continham lendas de demônios e espíritos que vieram antes dos vampiros modernos. No entanto, essa “entidade” foi reconhecida quase que exclusivamente no sudoeste da Europa no início do século 18, através de relatos orais; ou seja, eles não registravam os supostos ataques “no papel”.
_ E, por curiosidade, como eles eram retratados? – questionou Edward.
_ Na maioria dos casos, os vampiros eram espectros de seres malignos, muitas vezes, vítimas de suicídio, ou eram bruxos. – explicou. – E houveram pessoas que acreditaram tanto nas lendas que, além da histeria em conjunto, aconteceram execuções públicas em pessoas que acreditavam serem vampiros. – por fim, assentiu. – Naquela época, você tinha que tomar muito cuidado com o que dizia ou era capaz de ser jogado na fogueira.
_ Já na Literatura, o “Vampiro” surgiu entre a literatura gótica e a literatura fantástica, também por volta do mesmo século. – logo, a atenção do Sr. Hardy se desviou para a turma. – Porém, não pensem que ele surgiu como uma criatura bela, sedutora e romântica como muitos de vocês leem nos livros da Stephenie Meyer ou da Anne Rice. Os primeiros contos que possuíam a palavra “Vampiro”, relatavam sobre criaturas horrendas e traiçoeiras, que desejavam apenas a sua força vital; muitas vezes, as suas energias ou até, em contos mais sombrios, o seu sangue.
_ Podemos ver isso bem nos primeiros filmes sobre vampiros. – Baekhyun riu, desviando a atenção para a sala. – Alguém aqui ouviu falar de um filme chamado “Nosferatu”? – em resposta, muitos alunos ergueram as mãos. – Vocês viram como ele é? Uma criatura horrenda, de longos dedos e unhas grandes, dentes afiados e aparência cadavérica...
_ Com certeza, ele teve dificuldades para namorar com uma garota. – comentou Edward, fazendo os alunos rirem.
_ Professor. – disse um rapaz, levantando a mão. – Dizem que o primeiro vampiro nasceu de uma união entre Adão e Lilith. É verdade?
_ Olha... – o professor de literatura o fitou surpreso. – Eu realmente não sabia dessa informação. – e desviou a atenção para Baekhyun. – Você sabia disso?
_ Bem, ouvi falar de algumas lendas primordiais da existência humana e, supostamente, talvez seja. – pensou Baekhyun. – Pelo que cheguei a pesquisar, porém não aprofundei o assunto, Lilith foi a primeira mulher de Adão, e não Eva. Num resumo geral, ambos estavam numa disputa de quem “fica por cima” – ao falar, o moreno gesticulou as aspas. – até que ela o abandonou, deixando o Jardim do Éden.
_ Ela acabou se casando com Samael e, juntamente com ele, haviam arquitetado um plano para fazer Adão e Eva cometerem adultério. – continuou o garoto, ao que Baekhyun assentiu.
_ Nossa... Mas ela era mesmo cruel! – comentou Edward.
_ Exatamente. Agora, essa é uma das milhares de lendas sobre a origem dos vampiros, David. – alegou o professor, vendo-o concordar. – Não que esteja errado, mas as lendas tendem a mudar constantemente, dependendo do lugar.
Não demorou muito para que o Sr. Hardy continuasse com sua explicação sobre os vampiros na literatura e suas primeiras aparições. Estranhamente, Baekhyun se sentia à vontade em conversar sobre aquele assunto... Como se estivesse na Ordem, com seu irmão mais velho. Lentamente, suas safiras brilhantes desviaram do chão para a porta de entrada, onde avistou o bibliotecário lhe observando antes de se assustar e deixar rapidamente o local.
_ Bom, agora eu e o professor Byun... – porém, antes mesmo que Edward continuasse, o sino soou, anunciando o fim das aulas, algo que desanimou completamente os alunos. – Pois é. Infelizmente, nós encerramos nossa aula, mas amanhã continuaremos falando sobre vampiros, ok?
_ Esperem. – pediu Baekhyun. – Antes de saírem, eu quero pedir que todos escrevam um conto sobre vampiros. Não precisa ser muito grande, mas tentem fazê-las interessante, ouviram?
_ Sim senhor! – concordou os alunos, deixando a sala de aula.
_ Obrigado, Baekhyun. – agradeceu Edward com um sorriso singelo. – Sequer me lembrei dessa tarefa para eles.
_ De nada... – respondeu, porém, uma voz próxima da porta chegou aos seus ouvidos.
_ Prof. Byun? – logo, os dois homens desviaram atenção para a entrada, onde Baekhyun reconheceu as roupas escuras e o olhar intenso de Kyungsoo. – Está pronto?
_ Sim. – concordou o moreno, recolhendo seus pertences e despediu-se do outro professor, seguindo o caçador pelos corredores. – Alguma novidade?
_ Sua noiva acabou de chegar. – anunciou Kyungsoo, abrindo a porta para o mais velho. – Ela está com Jongdae.

_ Srta. Kim. – Taeyeon rapidamente desviou os olhos para a escadaria do salão, onde Jongdae descia devagar, com um sorriso discreto no rosto. – Obrigado por ter vindo.
_ Eu... – começou, um pouco nervosa. – Eu vim por que Baekhyun deixou esse endereço na porta da geladeira...
_ Sim. – assentiu, compreendendo.
_ Ele está aqui? – questionou.
_ Baekhyun já deve estar voltando do trabalho. – explicou, verificando o relógio de pulso. – Poderia me acompanhar?
Por fim, Jongdae ofereceu-lhe o braço, ao que ela assentiu, acompanhando-o pelo salão até a varanda da mansão, onde se acomodaram numa mesa preparada pelos caçadores. Taeyeon agradeceu pelo chá servido pelo moreno e tomou um breve gole, apenas esperando as palavras do homem. Porém, o Mordomo nada disse, enquanto lhe avaliava em silêncio.
_ Hã... – pigarreou ela. – E... Por que Baekhyun veio para cá?
_ Nós o trouxemos para cá a pedido do Sr. Kim. – resumiu.
_ Ah, entendi. – concordou. – Mas, onde está Minseok?
_ Nesse momento? – e estreitou os olhos. – Ele está ocupado.
_ E essa mansão... – logo, os olhos da morena vagaram pelo enorme espaço, onde as crianças corriam e brincavam entre si. – Ela...
_ É uma das instituições que o Sr. Kim ajuda. – explicou. – O “Lar dos Escolhidos” foi construído com o dinheiro do Sr. Kim para abrigar as crianças que vivem sozinhas nas ruas. – logo, os olhos de Jongdae desviaram para as pessoas que transitavam por ali.
_ Minseok tem mesmo um grande coração. – comentou ela, sorrindo. – E quantos funcionários estão trabalhando aqui?
_ Hã... – desta vez, Jongdae pensou rápido. – Nós não contratamos funcionários. – ao ditar, Taeyeon desviou os olhos confusos para o moreno. – Os homens e as mulheres que você vê, no passado, já foram crianças que os familiares do Sr. Kim havia abrigado.
_ Oh! – surpreendeu-se. – Então, eles possuem uma grande devoção pelo irmão do Baekhyun.
_ Sim. – e seus olhos encararam o vazio. – Eles possuem.
_ Você... – ela o olhou. – Também foi uma dessas crianças?
_ Fui. – sorriu forçado. – Mas agora, sou apenas o mordomo do Sr. Kim.
Taeyeon assentiu, tomando mais um gole de seu chá, quando sua atenção se desviou para um homem de feições angelicais, apesar de seu olhar ser extremamente misterioso. Jongdae seguiu o olhar da moça, encontrando Yixing próximo de si, com sua bolsa ao lado. Prontamente, o moreno ergueu-se, ao que ele se curvou breve e pediu gentilmente para conversar com o Mordomo em particular.
_ Se me der licença. – pediu Jongdae à Taeyeon, logo seguindo Yixing. – Por que essa mala? Para onde vai?
_ Preciso resolver alguns assuntos em Pequim. – explicou, verificando se ninguém os escutava.
_ M-mas... – gaguejou. Nem mesmo ele esperava que o chinês fosse embora. – E o Sr. Kim?
_ Minseok ficará bem. – garantiu, pousando a mão em seu ombro. – Aliás, Baekhyun e Kyungsoo acabaram de chegar. – e, no segundo seguinte, as portas se abriram, onde o professor de História e o seu seguidor caminharam pelo grande salão. – Bem-vindos de volta. – cumprimentou o chinês.
_ Obrigado. – agradeceu Baekhyun. – E Taeyeon, onde está?
_ Na varanda. – Jongdae ditou, sem olhar para o jovem Byun. – Yixing, por favor. Você não pode partir agora. Além do mais, a Ordem...
_ Acalme-se, Jongdae. – disse o outro, sorrindo largo. – Só por que preciso ir, não significa que jamais retornarei. Pelo contrário! – e afagou seu rosto. – Logo voltarei para proteger o Mestre.
_ E quanto voltará? – questionou.
_ Na outra semana. – garantiu. – Agora, se me der licença... Preciso pegar o avião.
Jongdae assistiu o Chefe dos Zeladores despedir-se de si e de Kyungsoo, antes de colocar os óculos escuros e abrir o guarda-chuva, enquanto enfrentava o céu nublado daquela manhã. O moreno suspirou, passando a mão pela face, enquanto o jovem Mordomo se aproximava devagar, apenas o observando.
_ Jongdae. – chamou Kyungsoo. – Está tudo bem?
_ Vigie Baekhyun. – pediu, subindo as escadas. – Se precisar de mim...
_ Eu sei onde encontra-lo. – completou, curvando-se e seguiu na direção do professor.
No andar de cima, Jongdae rumou para os aposentos de seu Mestre, porém, ao tocar na maçaneta dourada, seu coração se apertou. Ele sabia que era uma obrigação sua cuidar da saúde de Minseok, no entanto... Lhe doía vê-lo naquele estado. Além do mais, ninguém esperava ver o grande Líder da Ordem tão frágil sobre a cama quanto o homem de madeixas acinzentadas estava naquele momento. Logo, a porta abriu-se, ao que Eunjung se assustou com a presença do Mordomo ali.
_ Achei que estivesse conversando com a garota. – disse a médica, olhando-o confuso.
_ Baekhyun está com ela. – murmurou, desviando os olhos. – Alguma novidade dele?
_ Por enquanto, nenhuma. – respondeu num suspiro. Logo, a morena bufou, franzindo o cenho. – Jongdae, eu odeio dizer isso, mas... – e a atenção do homem se desviou para a outra. – Eu não creio que Minseok...
_ Não diga isso. – interrompeu-a. “Eu não creio que Minseok irá sobreviver”, era o que ela diria para si. – Minseok irá acordar sim.
_ Por que tem tanta fé? – o olhou confusa. – Não vê o estado dele? Jongdae, se puxarmos apenas um dos tubos, ele morre. Minseok não tem mais forças para suportar esse tratamento.
_ Ele vai sobreviver. – ditou, dando a conversa por encerrada.
_ Pare de teimosia. – Eunjung continuou, segurando-o pelo pulso e impedindo-o de entrar no quarto. – Por que insiste em pensar que ele sairá dessa vivo?
_ Posso lhe perguntar algo? – começou Jongdae, sem olhá-la. – Já se apaixonou perdidamente por alguém ao ponto de temer perde-la? – lentamente, o pulso do moreno foi solto. – Exatamente. – e a encarou. – A razão por eu querer insanamente que o Sr. Kim sobreviva não é por causa do cargo de líder da Ordem, mas por que eu não sei como serão meus próximos dias se ele partir.
_ Eu... – murmurou a médica, um tanto surpresa. – Sempre achei que estivesse apaixonado pelo Mestre, mas... Nunca imaginei que seus sentimentos fossem tão fortes, Jongdae.
E, sem proferir mais uma palavra, o moreno adentrou o cômodo, fechando a porta atrás de si. Devagar, recostou-se na madeira, ainda de cabeça baixa, e tentou conter as lágrimas que ameaçavam deslizar por seu rosto. Para dizer a verdade, havia muita coisa ali que nenhum dos caçadores ou chefes dos departamentos – especialmente, seu irmão mais velho – sabiam o que se passava na mente e no coração do Mordomo. Gradativamente, seus olhos se ergueram, encarando o leito, onde o corpo adormecido de Minseok se encontrava.
Seus passos arrastados venceram a pequena distância, onde o moreno sentou-se na cama, enquanto avaliava em silêncio, as condições físicas do Mestre. Seria bem melhor se ele estivesse acordado e lhe dando algumas ordens de como cuidar da Ordem...
_ Meu Senhor... – murmurou Jongdae, apoiando-se em um dos braços, enquanto afagava a bochecha alheia. – Por favor... Se estiver me ouvindo, dê-me algum sinal. – e um soluço escapou de seus lábios. – M-minseok...
Aos poucos, Jongdae escondeu o rosto contra o peito levemente desnudo do homem de madeixas acinzentadas, enquanto o choro preenchia seus sentidos. Seus dedos se fecharam devagar contra os lençóis da cama, enquanto implorava a todas as entidades para que Minseok despertasse, ou, pelo menos, lhe permitisse uma última troca de olhares.
_ Minseok... – chamou abafado, e ergueu os olhos para a face adormecida do mais velho.
Mas, antes que o moreno tornasse a baixar a cabeça, seu coração acelerou ao observar as pálpebras alheias mexerem, como se ameaçassem abrir. Prontamente, Jongdae se aproximou do líder, chamando-o baixinho, apenas à espera de uma nova reação. Porém, o corpo de Minseok mais uma vez, relaxou sobre o colchão, fazendo o moreno arfar.
_ Você está me ouvindo. – sorriu aliviado, enquanto novas lágrimas escorriam. 

Com o veículo parado no sinal, Yixing observava a movimentação das pessoas do lado de fora pela janela, enquanto uma música qualquer tocava na rádio. Involuntariamente, o chinês cantarolou a melodia, quando a mesma foi interrompida por uma notícia urgente. Segundo o radialista, naquela manhã, foram encontrados quatro corpos mutilados nas proximidades de uma boate gay. As autoridades pedem para que a população, a partir daquele momento, tome cuidado para onde vai, enquanto que o Primeiro-Ministro, juntamente com o parlamento, decide se devem ou não incluir um toque de recolher.
_ Mutilados... – murmurou Yixing, dirigindo pelas ruas londrinas. – Será que...
Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo toque de seu telefone. Rapidamente, o homem colocou o fone e pressionou o botão sensível, atendendo a ligação.
_ Alô? – disse, olhando em volta. E, bruscamente, ele pisou no freio, estacando o carro. – S-senhor... – murmurou, assustado. – Sim. Eu soube. Acabei de ouvir na rádio. – e calou-se. – O senhor... O quê? – franziu o cenho, logo ligando o veículo e acelerou. – Desculpe, mas... O que quis dizer com “estou em Londres”? – Yixing virou numa esquina e pegou a avenida principal, rumando para o aeroporto. – Mas havíamos combinado de que nos encontraríamos em Pequim e não...
Sem demoras, o chinês entrou no estacionamento do aeroporto e saiu às pressas na direção da enorme construção, enquanto continuava a falar no telefone e arrastava a bolsa consigo.
_ Por favor, não... – tentou pedir, porém a ligação foi encerrada. – Merda! – reclamou.
_ Está atrasado.
Muito tempo havia se passado desde a última vez em que Yixing sentiu todos os pelos do corpo se eriçarem. Ele não podia ter ouvido errado, afinal, o primeiro treinamento que todos os caçadores recebem é o de ampliar os próprios sentidos para o caso de qualquer ataque surpresa. No entanto, aquela voz, em particular, parecia ter quebrado todo o seu treinamento em míseros fragmentos. Lentamente, os olhos do rapaz se desviaram devagar para a fisionomia alta do homem atrás de si, que sorria de leve. Tentando manter o máximo de controle possível, o Zelador afastou-se um pouco e mesurou graciosamente para o maior, chamando assim, a atenção das pessoas que passavam por entre eles.
_ Meu Senhor. – murmurou Yixing.
_ Eu sei que me pediu para ficar onde estava, mas... – começou o outro. – Eu preciso vê-los, Yixing.
_ Eu sei o quanto insana por isso. – desta vez, os olhos do chinês encararam os semelhantes do homem. – Mas este não é um bom momento...
_ Eu encontrei Joonmyun. – murmurou, afastando-se do menor que rapidamente o seguiu em passos largos. – Ele está bastante mudado desde a última vez que o vi.
_ O s-senhor... O encontrou? – gaguejou. – M-mas... Como? Quando?
_ Em minhas andanças. – justificou, logo se acomodando em uma mesa próxima à cafeteria do aeroporto. – Por favor, sente-se.
Relutante, Yixing soltou a bolsa no chão e puxou uma cadeira, acomodando-se à frente do outro homem. Ao observar as vestes alheias, percebeu que o capuz lhe cobria bem o rosto, deixando-o ver – naquele ângulo – apenas o sorriso retangular e o nariz, enquanto o maior entrelaçava as mãos sobre a mesa fria. O chinês sabia que o outro estava quebrando suas regras.
_ Quando liguei para você anteriormente, me disse que os irmãos Kim foram derrubados... É verdade? – questionou.
_ Na verdade... – e engoliu em seco. – Somente o Mestre foi derrubado. O irmão dele estava apenas dormindo e...
_ Mas eles estão bem? – continuou.
_ Estão. – concordou. – Quero dizer, Eunjung ainda não confirmou por quanto tempo Minseok ficará em coma, mas Baekhyun está... – e pigarreou. – Está bem. Só o que não entendo é sua vinda para Londres.
_ Já lhe disse: eu preciso vê-los, Yixing. – não demorou muito para que o medo preenchesse o corpo do homem de madeixas douradas ao ouvir aquelas palavras suaves. – Já se passaram muitos anos e...
_ Se o senhor vê-los... – interrompeu o chinês. Ele precisava abrir os olhos do outro. – Eles se questionarão sobre tudo o que ouviram! O senhor chegou a pensar sobre o que o Minseok dirá quando encontra-lo?
_ Então, deixe-me ver Baekhyun. – havia uma súplica discreta na voz alheia. – Eu prometo que não passarei muito tempo, eu só...
_ Por mais que eu queria permitir, meu senhor... Eu não posso fazer isso. – e deu a conversa por encerrada. Por fim, Yixing se ergueu, respirando fundo e colocou a alça da bolsa em seu ombro. – Agora, por favor... Queira me acompanhar. Nós voltaremos para...
_ Se está pensando em me devolver para as ruínas da Grécia... – ele rosnou, assustando o menor. – Esqueça, por que eu não voltarei.
E, de supetão, o homem ergueu-se, rumando calmamente na direção da entrada do aeroporto. Yixing suspirou e apressou-se em segui-lo, mas ao tentar segurá-lo pelo pulso, o maior soltou-se rápido, segurando-o pela gola do casaco e o ergueu acima da cabeça. Em alguns minutos, alguns seguranças se aproximaram, preparados para remover as armas dos coldres, enquanto pediam calmamente para que o cidadão colocasse o rapaz devagar no chão.
_ Senhor. – chamou Yixing num tom apenas para que o outro lhe ouvisse. – Por favor, me escute. Vê-los agora não será uma boa ideia. – devagar, o homem o colocou no chão, ouvindo atentamente às palavras alheia. – Deixe Minseok despertar primeiro e eu lhe prometo, que levo o senhor até o Mestre. – por fim, o loiro olhou em volta, sorrindo de leve. – Está tudo bem. Ele está comigo.
Yixing esperou que os seguranças se afastassem e suspirou arrastado, desviando os olhos para o homem, que se controlava para não se enfurecer. Afinal, aquela decisão que o chinês propôs não lhe agradava nem um pouco, no entanto, ele estava certo: depois de tantos anos... Como ele poderia reencontrar os irmãos Kim?
_ Quanto tempo devo esperar? – questionou.
_ Pelo menos, uma semana. – decidiu. – Uma semana. É tudo o que lhe peço.
_ Tudo bem. – concordou. – Mas não mais do que isso.

_ Sim. – assentiu. – Agora... – e gesticulou na direção da entrada de embarque. – Podemos voltar para Pequim?

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