domingo, 17 de julho de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte e Dois

Alguns dias depois...
É curioso de se notar que, após tantos anos, um sentimento pode se virar contra você. Também é curioso de se perceber que sua fidelidade para aquele ao qual jurou permanecer eternamente ao lado... Agora de nada valia. Além do mais, seu Mestre havia o abandonado. Sehun recostou-se ao parapeito da varanda de seu apartamento e observou a noite bem iluminada de Londres, enquanto um suspiro arrastado escapava de seus lábios. Suavemente, as lembranças de duas noites anteriores retornaram à sua mente concentrada, enquanto as imagens de um Príncipe fora de controle e as garras rasgando seu rosto preenchiam não apenas seus pensamentos, mas seus olhos também.
Nem mesmo o Matador iniciou seus questionamentos, Luhan transformou-se num monstro e o atacou ali mesmo. E sequer voltou a encará-lo quando o ruivo decidiu partir.
Gradativamente, sua atenção se desviou para seu tronco, onde era possível perceber, através de sua visão aguçada, o discreto relevo das marcas produzidas pelo castanho. Não demorou muito para que um sorriso triste estampasse seu rosto, afinal... Ele não revidou o ataque, ainda que fosse melhor lutador do que seu Mestre. No fundo, Sehun sabia que aquilo não passava de puro ciúme de Luhan, já que o mesmo havia “tirado satisfação” algumas horas antes com Jongdae. É claro que o ventrue temeu pela vida do humano, mas ao se recordar das palavras do Mordomo, percebeu que o Príncipe nada podia fazer dentro da Ordem.
Por mais que Luhan anseie em ver o sangue do humano manchar o carpete do escritório do Sr. Kim, ele não podia tocá-lo.
Todavia, havia uma pergunta que rondava a mente do Matador na qual ainda não possuía uma resposta: que tipo de sentimentos exalavam de seus poros ao estar com o humano? Afinal, ele era leal ao Príncipe desde o seu renascimento. Sehun sentou-se no parapeito da varanda, fechando os olhos e mentalizou desde as feições tranquilas de Jongdae até seu dorso forte. Num contexto geral, a razão do seguidor de Luhan acompanhar o seguidor de Minseok estaria relacionado ao fato de seus Mestres possuírem um caso. Isso é claramente notável. Porém, o Líder da Ordem já havia deixado bastante claro que estava comprometido com outra pessoa. Então, por que a insistência? Por que a necessidade de proteger e cuidar do humano? Aliás, o ruivo sabia que tudo o que dizia ou fazia ao outro não passava de pura provocação. Uma forma de vê-lo perder a paciência e o raciocínio lógico.
E era divertido ver Jongdae fora de controle.
Os pensamentos de Sehun se aprofundaram numa intensidade, a procura de uma resposta plausível que, ao encontra-la, acabou lhe surpreendendo. Durante todo o período em que ambos conviveram ou trabalharam juntos, Jongdae havia deixado claro de que nada queria com o outro. Nenhum sentimento, nenhum caso... Absolutamente nada. Então, aquilo que o Matador havia sentido... Não. Aquilo não era amor. Ou melhor, não podia ser amor. Era impossível de se imaginar que ele estivesse apaixonado pelo mortal. Nem pensar!
Rapidamente, o ruivo negou com a cabeça e refez seus pensamentos desde o início. Sehun sabia que a atração de seu Mestre pelo Líder da Ordem não se iniciava no primeiro encontro dos dois e sim, de algumas vidas passadas, onde o Príncipe havia conhecido um rapaz de coração bondoso e os mesmos traços que Minseok possuía. Como uma reencarnação anterior. Aquele garoto que havia confundido os sentimentos de seu Mestre foi um dos motivos para o Matador redobrar o esforço em atrair a atenção de seu Senhor para si.
Lee Gyeon era o seu nome.
Ambos haviam se conhecido durante uma das entregas de mercadorias, onde o jovem Gyeon havia deixado algumas especiarias na casa do Príncipe. Luhan ficara tão encantado pela beleza do rapaz que cogitou seriamente a ideia de “abraça-lo” naquela época. Afinal, o fascínio do castanho não podia ser medido. Em resposta àquela provocação, Sehun chegou a repreendê-lo por perseguir aquela criança para onde quer que ela iria, sendo seu argumento rebatido pelo outro que ria, alegando “não fazer absolutamente nada do que ele realmente gostaria de fazer com o menor”. Infelizmente, uma tragédia havia acontecido ao jovem entregador, fazendo o vampiro se revoltar com seu seguidor.
Luhan acusara Sehun por ter assassinado friamente Gyeon por conta de ciúmes infantis... Apesar de, décadas mais tarde, descobrir que o ruivo nada fizera ao humano.
Quanto à Jongdae... Ainda era uma incógnita. Em todas as andanças de Sehun pelo mundo, não houve nenhum homem, ou mulher, ou criança ou velho que se parecesse com aquele humano. Ou seja, a aproximação do Matador para com o mortal não vem de vidas anteriores, como foi com seu Mestre. Então, o que ele sentia pelo Mordomo era... Apenas atração, por ele ser sua “comida”? Ou provocação, como dito anteriormente? No entanto, se era esta última, por que ele estava preocupado com o moreno quando o Príncipe visitou a Ordem? É óbvio que o vampiro não queria que seu Mestre atacasse a Instituição e provocasse uma guerra contra a Máscara.
Certo. Se tudo não passava de uma simples provocação do vampiro ao humano – afinal de contas, o moreno, mesmo apaixonado pelo próprio Mestre, não pode se aproximar por este estar comprometido –, e a maioria de suas ligações estarem relacionadas às investigações que estavam fazendo sobre a nova raça que se instalou em Londres, então...
E Sehun pensou mais um pouco.
Por que ele havia dito aquelas palavras no meio da ligação após a visita do Príncipe?
Sehun encarou o vazio por longos minutos, quando subitamente, seu celular vibrou em seu bolso. Logo, o ruivo retirou o aparelho e examinou a tela, enquanto seu coração – que para muitos, estava morto – disparou rápido. E, antes de atender, o vampiro praguejou, fechando os olhos.
Maldito humano que está destruindo seus pensamentos!
O intervalo entre a conversa breve com Jongdae e a entrada do mesmo em seu apartamento durou os mais longos vinte minutos da existência do ruivo. Sehun avaliou, em silencio, as vestimentas do caçador que, aparentemente, estava menos cansado e mais corado até. Pelo visto, as noites de sono fizeram bem a ele. As órbitas escuras encaravam as feições do vampiro que, internamente, estava desconsertado, enquanto lhe questionava quais eram os motivos de ter sido chamado para aquele local específico. Por fim, o homem sorriu de leve, afinal, naquele momento, era perceptivo ao olhar aguçado o tamanho do desgosto alheio em estar ali e, finamente, explicou exatamente o que estava se passando em sua mente, surpreendendo o humano que piscava surpreso a cada palavra dita.
_ Eu me sinto estranhamente atraído de forma sentimental por você, Jongdae. – concluiu, enquanto o moreno respirava fundo e, prontamente se levantou do sofá, ameaçando sair dali.
Mas convenhamos... Para onde Jongdae iria, já que Sehun consegue encontra-lo em qualquer lugar?
O silêncio naquele cômodo parecia mórbido aos ouvidos atentos do Mordomo que, lentamente se virou para o Matador e um suspiro cansado deixou seus lábios, fazendo-lhe a pergunta mais coerente daquela noite: e se tudo o que ele relatou ao moreno, e se tudo o que ele sente pelo seguidor de Minseok não passasse de uma simples necessidade de sentimentos recíprocos? Uma necessidade de ter alguém que corresponda ao que Sehun sente naquele momento? O vampiro repensou nas palavras alheias e sorriu fraco, dando de ombros. Aquilo também era possível. Jongdae o olhou por alguns minutos e bufou, passando a mão pelos cabelos. E enquanto o humano repensava em novas explicações para as confusões mentais do ruivo – algo que, particularmente falando, não era da sua conta –, o maior se ergueu de seu lugar, caminhando até o outro e o encurralou contra a porta, que lhe encarou nos olhos.
O vampiro questionou-lhe num sussurro como andava a recuperação do Líder da Ordem, ao que Jongdae suspirou, visivelmente cansado de repetir aquela história, explicando que Minseok ainda não despertou de seu coma. No entanto, o que havia surpreendido Sehun naquele momento foram suas palavras finais: por mais que desejasse acreditar que seu Mestre voltaria, o Mordomo estava perdendo as esperanças na recuperação alheia. Talvez fosse Eunjung lhe mostrando o óbvio, ou seu irmão mais velho, que sempre repetia que ele, Jongdae, deveria ser o novo líder da Ordem. E não demorou muito para que um soluço baixo escapasse de seus lábios, enquanto suas lágrimas desciam livres por seu rosto, ainda que relutasse bravamente contra o choro. Envolvendo-o em seus braços, o ruivo afagou seus cabelos, selando sua têmpora e o guiou até o quarto, acomodando-o sobre a cama.
Sehun abaixou-se a frente do moreno que passava a mão pelos cabelos, limpando o rosto e por fim, fechou os olhos, respirando fundo. Atento, observou as reações do Mordomo, notando o tamanho de sua fragilidade e ajudou-o a ficar confortável ali, removendo assim, sua jaqueta e as botas de couro. Gentilmente, ele lhe sugeriu que descansasse ali mesmo, ao que Jongdae se recusou, agradecendo a hospitalidade. De qualquer forma, ele deveria voltar para casa. Devagar, as palmas frias pousaram sobre o peito do homem que lhe observou curioso, enquanto era empurrado para trás. Aos poucos, o Matador deitou-se por sobre o humano, invadido suas mãos por baixo da camisa e roçou a ponta do nariz contra o maxilar alheio, enquanto inúmeros arrepios percorriam pela tez quente do seguidor de Minseok.
Mas afinal, o que ele estava fazendo?
Rapidamente, Jongdae o empurrou, fazendo o maior se apoiar nos braços e lhe encarar por alguns segundos antes de lhe tomar a boca num beijo saudoso. Sehun sugou-lhe os lábios avidamente, provocando um estalido cada vez que as bocas se afastavam para, em seguida, recomeçarem. E não foi necessário muito para que o moreno cedesse aos desejos do vampiro que, prontamente, roçou ambos os corpos, excitando-os. Suas mãos deslizaram pelo dorso esguio e forte do moreno até a virilha, fazendo-o arfar e o afastar um pouco. Em resposta, o homem de madeixas avermelhadas sorriu – logo lhe questionando se nunca foi tocado naquele lugar –, tornando a beijá-lo e o puxou para junto de si, enquanto friccionava as línguas num ósculo longo. A medida em que os minutos se passavam mais os toques se tornavam íntimos, fazendo-o remover algumas peças do corpo.
Despidos da cintura para cima, o dono das orbitas escuras girou o corpo, posicionando sobre o outro que se encaixou entre suas pernas, enquanto roçava ambas as intimidades cobertas pelas calças. Os pelos de Jongdae se eriçavam sempre que os dedos longos de Sehun percorriam sua coluna e braços, provocando alguns vergões avermelhados. Um suspiro arrastado lhe abandonou os lábios ao sentir os semelhantes alheios selarem seu pescoço gentilmente, e, consequentemente, fazendo seu coração disparar loucamente. Logo, o vampiro sentou-o em seu colo, tomando novamente sua boca para mais um ósculo quando o Mordomo o interrompeu, afastando-se. Nem mesmo ele sabia o que estava fazendo ou por que estava fazendo.
_ Eu... Estou traindo a confiança de meu Mestre... – sussurrou Jongdae, logo se levantando da cama. – Eu... Eu não devia ter feito isso... – continuou, balançando a cabeça.
_ Às vezes, eu acho que você é um mar de confusões, Jongdae. – comentou, ajeitando-se sobre a cama.
O ventrue observou o vagar dos mares escuros pelo vazio e não era impressão sua: o outro estava realmente indeciso. Seria por estar consigo ou por ainda possuir sentimentos pelo próprio Mestre? Calmamente, o maior se aproximou do moreno e o girou, guiando-o em direção à parede. Antes mesmo que Jongdae percebesse, seus lábios foram capturados pelos semelhantes alheios como um fruto proibido. Em momento algum, Sehun foi indelicado ou forçou a vontade do homem que lhe correspondia. Por fim, o Mordomo interrompeu o ósculo, ofegando baixo e crispando os lábios. Aquele vampiro devia parar de lhe confundir tanto.
_ Eu lhe disse para não fazer isso. – sussurrou Jongdae.
_ Engraçado, por que você não parece re- – e antes que Sehun concluísse, Jongdae o encarou e lhe desferiu um soco no rosto, fazendo-o cambalear para trás. Logo, o maior soltou uma risada nasalada, voltando a atenção para o humano que retribuía o olhar friamente.
_ O que eu havia dito? – rosnou Jongdae.
_ Eu sei. – concordou, deslizando a língua pelo canto da boca e limpando o resquício de sangue ali encontrado. – Afinal, não é a primeira vez que sou rejeitado. – murmurou, afastando-se.
E logo a atenção do moreno se voltou para as marcas no corpo do homem que revirava o frigobar. Em passos lentos, Jongdae se aproximou do outro e tocou-lhe no centro das costas, surpreso com a profundidade da marca. Talvez tivesse uns cinco ou seis centímetros de profundidade... Ele não tinha certeza. Devagar, Sehun se virou para o outro, dando de ombros.
_ Se acha que isso é horrível... – aproximou-se do humano. – Imagine isso aqui. – e guiou a mão alheia até seu peito, deslizando-a por todo o tronco.
_ Luhan...
_ Sim. – concordou num suspiro. – Ele estava alterando quando fez isso.
_ Eu sinto muito. – ditou.
_ Sente? – e arqueou uma das sobrancelhas, surpreso.
_ Não achei que seu Mestre fosse capaz de...
_ Luhan é capaz de fazer coisas piores. – interrompeu-o num sussurro. – E ele tem o direito de descontar sua raiva em mim, afinal... Ele “perdeu” seu fiel seguidor.
_ O que fará agora? – questionou.
_ Agora? – o olhou, pensando um pouco. – Ainda não tenho autorização para retornar à Máscara e... – logo, um sorriso maroto se formou em seus lábios. – estou realmente cogitando a ideia de transar com você esta noite.
_ Você é louco. – bufou, balançando a cabeça.
_ Eu estou falando sério, Jongdae. – comentou ao vê-lo se afastar. Devagar, Jongdae desviou os olhos para o ruivo que se aproximava em passos lentos. – Além do mais, seu Mestre não está acordado e... Muito tempo deve ter se passado desde a última vez que você dormiu com alguém.
_ É... Pelo visto, você precisa mesmo de alguém que corresponda seus sentimentos. – zombou, balançando a cabeça.
_ Ou não. – negou. – Talvez você seja a pessoa que eu desejo.
Longos minutos se passaram em meio àquela troca de olhares até que Sehun venceu a pequena distância dos dois e roçou os lábios contra os semelhantes alheios. Em tom de zombaria, o vampiro questionou por que o outro relutava tanto sendo que ambos tinham certeza de que acabariam na cama cedo ou tarde. Jongdae sorriu, revirando os olhos e afastou o rosto, negando com a cabeça. “Não vou transar com você, se é o que está pensando”, alegou.
_ E se eu disser que, fazendo amor comigo... Você pode trazer o seu Mestre de volta? – sugeriu.
_ É impossível. – desta vez, ele gargalhou.
_ Não é não. – balançou a cabeça, o puxando para junto de si. – Se quer saber, eu, nesse momento, estou na mente de Minseok. Ou você se esqueceu de que temos a capacidade de invadir o inconsciente dos humanos?
_ Achei que isso apenas funcionasse com os marcados. – estranhou.
_ Também funciona. – concordou. – Mas eu posso fazer isso com os não marcados.
_ Eu não devia confiar em você. – negou com a cabeça.
_ Tudo bem. – deu de ombros. – Então, aproveite o resto da semana com seu Mestre em coma. – e rumou para a varanda.
_ Espere. – Jongdae suspirou, encarando o vazio. No fundo, ele não queria fazer aquilo. E se Sehun mentindo para si? – Como... Como sabe que está na mente do Sr. Kim?
_ Como eu sei? – um arrepio percorreu pela espinha de Jongdae ao ouvir o sussurro rouco de Sehun contra o seu ouvido. – Bem... Agora, ele está prestes a me matar se eu encostar um dedo em você.
_ Isso é mentira. – o olhou de soslaio.
_ Ele não cansa de repetir “encoste em Jongdae e eu o transformo em cinzas”. – ao ditar a última parte, Sehun reproduziu o idêntico tom de voz de Minseok, surpreendendo o Mordomo. – E então? Quer testar?
_ Eu não vou fazer isso. – declarou, balançando a cabeça e se afastou.
_ Jongdae... – começou Sehun, um pouco pensativo. – Não estou fazendo isso apenas para provoca-lo ou... Incomodar o Sr. Kim. – logo, o moreno que segurava a maçaneta da porta se virou. – Tudo o que eu estou tentando fazer é ajuda-lo a ter seu Mestre de volta. Eu quero que seja fiel à Minseok como fui com Luhan no passado. Eu... Estou sugerindo isso como uma forma de despertar abruptamente seu Senhor.
_ Como posso saber que não está mentindo para mim? – estreitou os olhos. – Desde a ideia de transar comigo até a conexão mental?
_ Não tem como. – suspirou, dando de ombros. – Você acredita se quiser.
_ Ok. – assentiu. – Suponhamos que eu concorde. – e cruzou os braços. – Quanto tempo demoraria para ele despertar?
_ Definitivamente, eu não sei o prazo exato, mas... Em um ou dois dias, no máximo. – o olhou.
_ Um ou dois dias? – bufou, incrédulo. – No máximo?!
_ Isso. – concordou. – E então? O que me diz?
Gradativamente, o moreno venceu a pequena distância entre os dois, ainda avaliando friamente as reações do vampiro que apenas retribuía a atenção. Jongdae sabia que fazer aquilo seria uma faca de dois gumes: por um lado, estaria traindo completamente a confiança de seu Mestre. Por outro... As chances do ruivo dizer a verdade e Minseok despertar de seu coma seriam grandes. Então... Ele deveria confiar?
Lentamente, os lábios finos do maior roçaram nas semelhantes alheias, antes de serem pressionados com cuidado. Sehun tentou, em todo o momento, permanecer calmo, enquanto iniciava um ósculo tímido. Além do mais, ele compreendia o medo do Mordomo ao se entregar completamente, já que o mesmo não possuía nenhuma certeza de que estava dizendo a verdade. No entanto, não havia mentiras nas palavras do Matador. Enquanto os braços longos envolviam o corpo esguio de Jongdae e o apertavam contra si, Minseok insistentemente gritava contra a mente do vampiro, que se afundava mais e mais no calor do homem. Não demorou muito para as últimas peças fossem ao chão e o ruivo os guiasse até a cama. Beijos suaves percorreram pela tez suada do moreno, provocando-lhe arrepios constantes, enquanto que as palmas passeavam livremente pelo dorso do rapaz.
E, por um segundo, Sehun desfez a conexão com Minseok. Afinal, o líder da Ordem somente poderia vê-lo quando Jongdae estivesse pronto.
Jongdae sugou-lhe os lábios, apertando-o contra si enquanto sentia os dedos gelados deslizarem para o interior de suas coxas. Era estranho de se pensar que, nos próximos minutos, ele estaria fazendo amor com um “bloco de gelo”, por assim dizer. Logo, as órbitas de Marte encaram os mares escuros do humano, que estava visivelmente ansioso com aquilo. No fundo, o rapaz percebia que havia uma sutileza estranha nos toques e beijos do Matador. Como se Sehun tivesse medo de tocá-lo com prazer. Devagar, o moreno o derrubou sobre a cama e sentou em seu colo, friccionando as intimidades lentamente, enquanto a atenção dos rubis de direcionavam ao seu rosto. Mais uma vez, beijaram-se avidamente, provocando estalidos em meio ao ósculo quando as mãos frias do maior desceram por suas costas até as nádegas, as afastando. O Mordomo tentou permanecer calmo ao se tornarem apenas um, por mais que coração martelasse constantemente em seu peito e sua respiração – juntamente com a tempestade interna – sequer houvessem se normalizados. E em meio aos constantes movimentos, Sehun se reconectou com a mente do Sr. Kim.
Em meio ao ato, Sehun sibilava constantemente, algo que era difícil para Jongdae distinguir se o outro conversava consigo ou com mais alguém naquele cômodo. Era notável o tamanho da fúria em cada palavra sua proferida, como se odiasse o remetente daquela conversa do fundo da própria alma – por mais que não a tivesse. Vez ou outra, o Mordomo tentava chamar a atenção do ruivo que lhe encarava, porém não o olhava diretamente. Como se o vampiro que estava sobre si não estivesse, mentalmente, ali. E ao tentar novamente chama-lo, foi calado por um ósculo aprofundado. As unhas afundaram-se nos ombros largos do maior que estava bastante disposto a concluir o ato, ainda que houvesse relutância da outra parte. O ventrue, em momento algum, desviou os rubis da face corada e das reações prazerosas do menor sob si, e de forma rápida, foi puxado pelo caçador para mais um beijo fogoso, enquanto se afundando cada vez mais em seu cheiro.
Por mais que tudo o que estava fazendo naquele momento fosse para o bem de Jongdae, a fim de ajudá-lo a trazer o líder da Ordem de volta, Sehun estava odiando a relação dele com o próprio Mestre. Tudo o que o Mordomo fez, disse, pensa e ordena é pelo bem de Minseok... Será que, não havia um único momento em que aquele humano se importasse consigo? Com o que ele sentia ao tocá-lo ou se afundar em seu perfume? Ou mesmo quando o ajudou e o salvou algumas vezes? Por que só aquele maldito humano poderia receber seus sentimentos? Ele também não tinha esse direito? E, enquanto o vampiro refletia seus próprios pensamentos, algumas lágrimas de sangue deslizavam por sua bochecha, gotejando no peito alheio. Rapidamente, ele deslizou a língua pelo colo, limpando os resquícios e tornou a beijá-lo avidamente. O moreno devia saber o que ele sente também, apesar de muitos afirmarem que “vampiros não sentem nada”.
Jongdae arfou quando as primeiras correntes elétricas percorreram por seu corpo, assim como seus gemidos e o choque dos corpos foram os únicos sons que ecoavam provocantes pelo quarto do apartamento. Seria apenas uma questão de tempo para que o moreno se desmanchasse. Subitamente, o ventrue o puxou para o colo, mantendo-o em seu abraço, e moveu-o, enquanto provocava vergões e marcas por seu pescoço e peito. O rapaz agarrou-lhe as madeixas avermelhadas em resposta as constantes provocações do vampiro e, no segundo em que as lágrimas do Mordomo caíram, ambos finalmente se desmancharam. Sehun observou o menor descansar o corpo por sobre o seu, enquanto o choro e os soluços baixos preenchiam o ambiente. O Matador sabia que o outro estava arrependido, principalmente pelo que acabou de fazer, e pacientemente, o arrumou em seu colo, deslizando os dedos pelas costas alheias e a maçã do rosto, enquanto um suspiro arrastado escapava de seus lábios.
_ Não se preocupe. – sussurrou em seu ouvido. – Seu Mestre o ouviu. – logo, o olhar confuso do moreno se desviou para o ruivo. – Minseok acordará em breve. – devagar, o deitou sobre a cama, abandonando seu corpo. – Por hora, descanse um pouco. – por fim, vestiu-se e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.


“Era uma vez dois irmãos, um rico e outro pobre. O rico era ourives e malvado até não poder mais. O pobre ganhava a vida fabricando vassouras, e era bom e honesto. O pobre tinha dois filhos, dois gêmeos iguaizinhos como duas gotas d'água. De vez em quando, eles iam até à casa do rico e, às vezes, ganhavam umas sobras de comida. Um dia, o fabricante de vassouras...” – porém, as palavras de Baekhyun foram subitamente interrompidas pelo constante apitar do monitor cardíaco, ao que as safiras brilhantes se desviaram do livro para o irmão acamado, prontamente ficando de pé.
O jovem professor abandonou o exemplar sobre a poltrona, sentando-se ao lado do mais velho e segurou-lhe a mão, chamando-o seu nome baixinho. Vez ou outra, o moreno notava alguns espasmos num intervalo de três ou quatro segundos do líder da Ordem, que sequer abriu os olhos. Para Baekhyun, era como se Minseok estivesse lutando bravamente contra algum pesadelo. Sem esperar mais, o rapaz correu para fora do quarto, gritando por alguém ao que Eunjung logo surgiu em seu campo de visão, caminhando rápido.
_ O que houve? – perguntou ela.
_ Minseok está tendo convulsões, eu não sei. – respondeu, visivelmente perdido. – Seu corpo está sofrendo espasmos, mas...
Logo, a médica examinou o acamado, mas antes mesmo que pudesse chama-lo, os espasmos se encerraram de súbito. Tanto Eunjung quanto Baekhyun desviaram os olhos para o monitor cardíaco, notando que o mesmo exibia os batimentos calmos de Minseok. Como se nada houvesse acontecido há alguns minutos. A mulher suspirou arrastado e desviou os olhos para o irmão mais novo do líder, alegando de que, se isso se repetisse, ele deveria chama-la de imediato. O professor concordou, agradecendo e desviou os olhos para o mais velho, ao que a outra deixou o quarto, fechando a porta atrás de si.
_ Olha... – suspirou Baekhyun, passando a mão pelo rosto e se aproximou da cama, sentando ao lado do irmão. – Eu vou denunciá-lo à Jongdae por estar me assustando dessa forma, ouviu? – e ao baixar a cabeça, um sussurro chegou aos seus ouvidos.
_ Jong... Dae...
Lentamente, Baekhyun desviou os olhos para o irmão, notando as inúmeras gotículas de suor em sua testa e pescoço, enquanto observava os lábios levemente carnudos do mais velho se moverem devagar, como se estivessem tentando pronunciar alguma palavra. O mais novo aproximou o ouvido da máscara de ar que cobria a boca de Minseok e esperou pelo som do outro. Ele não podia ter ouvido errado... Podia?
_ Jong... Dae... – as palavras saiam forçadas do mais velho, enquanto uma lágrima solitária escorria de seu olho.
E, em pouco tempo, Baekhyun já discava o número do Mordomo, ordenando-o para que voltasse logo para casa. Jongdae respondeu na outra linha que estava próximo da mansão e não demoraria em chegar. Assim que o professor desligou o celular, assustou-se com a presença de Kyungsoo na porta, questionando qual seria o motivo pelo jovem Byun se desesperar tanto. Logo o menor suspirou, alegando que seu irmão estava chamando pelo próprio assistente.
_ Está dizendo que o Sr. Kim... – começou Kyungsoo, franzindo o cenho.
_ Sim. – concordou. – Parece que Minseok está chamando por Jongdae. Mas o que me deixa confuso são os espasmos de seu corpo.
_ O que quer dizer? – devagar, o moreno se aproximou.
_ Antes de chamar pelo Jongdae, o corpo de Minseok começou a tremer um pouco. Como se estivesse tendo uma convulsão ou algo parecido. – comentou, desviando a atenção para o irmão. – Eu... Temi que fosse algo mais grave, mas...
_ Por que não descansa um pouco, Sr. Byun? – sugeriu Kyungsoo, gesticulando na direção da porta. – Eu ficarei aqui até que Jongdae chegue.
_ Eu estou bem... – suspirou, porém foi interrompido.
_ Não, o senhor não está. – ao ditar, Baekhyun desviou o olhos para o moreno que parecia não reagir a nada. Quer dizer, Kyungsoo o acompanhava havia uma semana e meia e ele sequer sorriu ou chorou ou gritou... Que tipo de Mordomo era aquele que parecia uma máquina? – O Senhor vela o sono de seu hyung há algum tempo. Até mesmo Jongdae tentou descansar um pouco... Por isso, sugiro que o senhor faça o mesmo e, se quiser, pela manhã, poderá vir visitar seu irmão.
_ E se eu negar? – e ergueu uma das sobrancelhas.
_ Eu iriei insistir. – completou.
Alguns minutos se passaram naquele silêncio mórbido até que Kyungsoo usou um argumento simples que, para Baekhyun, era um grande golpe baixo: o jovem professor deveria retornar para os seus aposentos ou sua querida noiva, Kim Taeyeon, desconfiaria de sua ausência no leito. O moreno suspirou arrastado, assentindo de leve e pediu que, se o – era estranho emitir aquela palavra – seu Mordomo soubesse de alguma novidade de seu irmão, que o avisasse de imediato, logo saindo dos aposentos principais.
Do lado de fora do quarto, Kyungsoo observou o dono das famosas safiras desaparecer no fim do corredor e um suspiro deixou seus lábios, antes de fechar a porta. Longos minutos se passaram enquanto o moreno repensava na noite em que encontrou a noiva de seu Senhor caminhando pelas ruas desertas de Londres. Se o jovem rapaz não estivesse enganado, a moça estava visivelmente nervosa ao seu lado, remexendo os dedos e desviando os olhos para a janela do veículo. Afinal, o que Taeyeon estava planejando às escondidas?
_ Vim assim que possível. – a voz grave de Jongdae chegou aos seus ouvidos, lhe despertando de seus devaneios, enquanto atravessava o corredor. – Está tudo bem? – perguntou, parando ao lado do menor.
_ Sim. – concordou, sorrindo de leve e abriu a porta, gesticulando para que entrasse. – O Sr. Kim está lhe chamando.
_ C-como? – gaguejou, parando subitamente na entrada do quarto. – O que disse?
_ Segundo o Sr. Byun, o Sr. Kim estava chamando por você, Jongdae. – explicou. – E antes disso, o Sr. Kim sofreu alguns espasmos, o que o Sr. Byun julgou ser convulsões ou algo do gênero.
_ Ok. – assentiu, baixando os olhos para os próprios pés. – Eunjung o examinou?
_ Creio que sim. – assentiu. – Se me der licença.
Logo, o rapaz se curvou e afastou-se dos aposentos do líder da Ordem, caminhando devagar na direção de seu próprio quarto. Kyungsoo estava quase passando pela escadaria ao saguão de entrada quando um violento arrepio percorreu por seu corpo, fazendo-o parar subitamente de andar. O suor acumulou-se aos poucos em sua testa, escorrendo por sua têmpora, enquanto seu maxilar travava. Ele não podia ter sentindo errado, podia?
E, em poucos segundos, o corredor principal foi preenchido por inúmeros caçadores que olhavam em volta confusos, exatamente como o Mordomo de Baekhyun. Alguns de seus amigos ‘recrutas’ questionavam aos mais experientes sobre o que estava acontecendo ali e por que todos estavam acordados. Até mesmo Jongdeok estava nervoso com aquela súbita presença carregada, fazendo-o atravessar o corredor lotado na direção dos aposentos do irmão mais novo do líder. Em passos largos, Kyungsoo o seguiu, questionando se ele também sentiu aquela presença, porém ao tentarem abrir a porta, a mesma estava travada. Impaciente, o irmão de Jongdae chutou a porta, mas a mesma sequer se moveu.
_ Arrombem a porta. – ordenou o Chefe dos Caçadores, enquanto apressava-se em chamar o líder temporário.
Kyungsoo, juntamente com os outros, chutaram as portas de carvalho e, somente no terceiro impacto, as mesmas se abriram, revelando uma adormecida Taeyeon e o movimentar das cortinas brancas por conta da brisa noturna. E, claramente, sem nenhum sinal de Baekhyun ali.
Mas para onde o seu Mestre havia ido?
Já nos aposentos de Minseok, Yixing segurou firmemente a porta de carvalho, reforçando sua tranca com a poltrona, enquanto acomodava um Jongdae desmaiado no local. Um suspiro arrastado abandonou os lábios do chinês, que mentalmente pedia desculpas ao amigo, se virando na direção do leito. Gradativamente, os olhos avaliadores se desviaram do rosto adormecido e tranquilo do Líder da Ordem para o semelhante de Baekhyun, que parecia um bebê acomodado nos braços do homem de pé.
Trajando vestes simples de um caçador da Ordem, sendo as mesmas cobertas pelo longo casaco escuro e de capuz, o maior dos três alternou os olhos entre os dois homens – o que estava em seus braços e o acamado – enquanto um sorriso discreto e retangular se formava em seus lábios. Nem mesmo ele parecia acreditar que os anos fizeram demasiada diferença aos antigos garotinhos assustados. Os dedos longos afagaram suavemente o rosto de Baekhyun, que apenas afundou o rosto contra seu peito, relaxando novamente.
Seus garotinhos estavam amadurecidos...
_ Por favor... – sibilou Yixing, ouvindo os gritos e pancadas contra a porta. – Seja breve.
_ Quantos anos se passaram, Yixing? – questionou o homem, alternando os olhos entre Baekhyun e Minseok.
_ Senhor... – tentou apressá-lo, porém, foi em vão.
_ Quanto anos... Yixing? – repetiu num rosnado.
_ Vinte anos, senhor. – respondeu, baixando a cabeça. – Vinte anos se passaram desde aquela noite.
_ Então, por que você não me permite passar vinte minutos com eles? – ditou em tom preocupado, como se estivesse inconformado com algo.
_ Eu permitiria, mas a Ordem entrou em alerta e...
_ Ordene-os que voltem para os seus aposentos. – disse, como se aquilo fosse óbvio. – Eu preciso de mais tempo.
Logo, o homem sentou na cama ao lado de Minseok e acomodou melhor Baekhyun em seu colo, enquanto avaliava melhor as feições dos irmãos. O mais velho se parecia muito com a mãe – a grande e “autoritária” Jung Yura – enquanto que o mais novo possuía as mesmas características que a sua. E aquilo o deixava muito curioso... Assim como deixava preocupado. Passou tanto tempo longe dos meninos que, ao vê-los... Lentamente, o maior baixou o capuz, ao mesmo tempo que os olhos de gato de Minseok se abriam gradativamente. E, não demorou muito para que as safiras azuladas encontrassem as semelhantes avermelhadas do ser próximo de si.
_ Você acordou. – sorriu o homem, ao notar seu despertar. Minseok o encarou por longos minutos, enquanto o outro desviava os olhos para o seu irmão. – Yixing me contou sobre algumas coisas que aconteceram. – e voltou a atenção para o líder. – Sinto muito se os deixei sozinhos, Minseok.
_ Nós precisamos ir, senhor. – sussurrou Yixing que surgiu ao lado do homem. – Além do mais, há algumas informações que descobri recentemente.
_ Não vê que estou conversando com meu filho? – rosnou, sem se virar para o chinês.
_ É sobre sua sobrinha. – suspirou e o homem se virou. – A filha de seu falecido irmão mais velho acabou de completar vinte anos.
O silêncio no cômodo se estendeu por alguns minutos – que mais pareciam longos para Minseok – e um suspiro gelado abandonou seus lábios, assentindo de leve. Devagar, a atenção do homem se desviou para o filho mais velho que, mais uma vez, entrava em sono profundo e depositou-lhe um demorado selar em sua testa, enquanto uma lágrima traiçoeira escorria de seu olho.
_ Descanse, meu pequeno Baozi. – sussurrou contra a pele alheia, voltando a atenção para Baekhyun. Delicadamente, o maior se ergueu, levando o filho no colo e rumou para a varanda do quarto, enquanto seus olhos encaravam intensamente a face adormecida do jovem professor. – Meu pequeno Sunshine... E pensar que a última vez que o vi, você tinha apenas dois anos. Agora, vinte anos depois, você está tão parecido comigo. Espero que seja forte e siga os passos de seu irmão.
_ Tempo esgotado, senhor. – Yixing se aproximou e tudo aconteceu numa velocidade impressionante.
De súbito, Jongdae despertou de seu sono, assustando-se em seguida com uma nova pancada contra a porta de carvalho. Rapidamente, o Mordomo afastou a poltrona, destrancando a entrada, ao mesmo tempo que seu irmão quase lhe chutava no abdômen. Jongdeok questionou por que raios ele não havia ouvido o seu chamado, ao que o outro se calou. Afinal, como ele explicaria que num momento havia visto Yixing entrar pela varanda e, no outro, se encontrava sentado na poltrona?
Sem demorar muito, o Chefe ditou que Baekhyun havia desaparecido, se afastando do cômodo, ao que Jongdae logo o seguiu. Ambos atravessaram os corredores, sob os questionamentos do Mordomo em descobrir o que estava acontecendo ali, quando o grito de um dos caçadores chamou sua atenção. Eles haviam encontrado o irmão de Minseok deitado sobre a borda do chafariz, no centro do jardim. Não demorou muito para que o Mordomo avistasse o jovem professor olhando confuso para Kyungsoo, enquanto Taeyeon o abraçava forte e repetia constantemente para que ele não desaparecesse completamente, já que ela havia ficado aflita com aquela confusão.
_ O que está acontecendo? – questionou Jongdeok, se virando para o irmão.
_ Eu não sei. – suspirou, balançando a cabeça. – Aumente a vigilância. Encontrem o vampiro e, se possível, o matem. – ordenou Jongdae, retornando para a mansão.

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