sexta-feira, 8 de julho de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte e Um

_“A Lagarta e Alice olharam-se uma para a outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta. ‘Quem é você’, perguntou a Lagarta. Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: ‘Eu... Eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento... Pelo menos eu sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então’.”. – ditou Baekhyun, suspirando arrastado.
Logo, o professor se calou. Seus olhos vagaram pelas últimas falas – especialmente da Lagarta – do livro “Alice no País das Maravilhas” e repensou em seu significado. Muito havia acontecido entre o dia em que ele abandonou a Ordem e aquele exato momento. A aparição de Minseok, o reencontro com Chanyeol, a morte de sua aluna, além de outros fatores que incentivavam o jovem professor a se direcionar para a Instituição que, uma vez, abandonara. Mas afinal... O que exatamente Baehyun era? Um professor de História? Ou um futuro Líder da Ordem? E quem ele se sentia naquele momento? Havia muitas perguntas rondando sua mente já cansada. O moreno respirou fundo e desviou os olhos das páginas para o corpo descansado sobre a cama.
Seu irmão parecia mais frágil diante seus olhos. Talvez mais do que quando o viu assim pela primeira vez. Por fim, seus pensamentos recordaram-se das palavras do Mordomo. Segundo Jongdae, Minseok havia tremulado as pálpebras, porém não abriu seus olhos. “Ele parece nos ouvir quando conversamos consigo, mas... Até agora, o Sr. Kim não nos deu uma resposta”. Baekhyun já estava há mais de quatro horas naquele quarto, apenas esperando uma resposta do mais velho. Qualquer que ela fosse.
_ Você se lembra de quando lia “Alice no país das maravilhas” para mim? – perguntou, fechando o exemplar e apoiou os cotovelos sobre os joelhos. – Eu sempre dizia que você era o Coelho Branco e eu era a Alice... – e um sorriso fraco transparecia em seus lábios finos. – Por que eu vivia correndo atrás de você. E creio que nada mudou, já que continuo retornando para a minha origem...
_ Baekhyun? – rapidamente, a atenção do professor se desviou para a porta, onde Jongdae surgiu. O Mordomo alternou os olhos entre os dois Kim e sorriu de leve, adentrando o cômodo em silêncio. Para ele, era raro ver ambos os irmãos no mesmo cômodo. No entanto, devido aos acontecimentos, a frequência de vê-los juntos estava cada vez maior. – Já são onze e meia da noite. Por que não descansa um pouco? Eu fico aqui...
_ Eu estou bem, Jongdae. – agradeceu. – Eu vou ficar aqui com Minseok. – decidiu, vendo o outro concordar brevemente, porém, antes que ele deixasse o quarto, Baekhyun se adiantou. – E minha noiva? Onde está Taeyeon?
_ Em seus aposentos. – respondeu. – Provavelmente, descansando.
Baekhyun agradeceu novamente e finalmente Jongdae deixou o quarto. Logo, as íris azuladas desviaram para o leito, enquanto observava atentamente a face adormecida do mais velho, que se encontrava parcialmente escondida pela máscara de ar. Involuntariamente, seus olhos marejaram e lágrimas escorreram por sua face, enquanto tentava reprimir um choro no fundo da garganta. Lhe doía saber que nos próximos três dias fechariam as duas semanas em coma de Minseok. E por que ele não podia simplesmente acordar?
_ Vamos, seu idiota. – murmurou Baekhyun com a voz embargada. – Acorde e volte a ser o “insuportável” irmão mais velho que tanto me importo. – por fim, sorriu fraco, levantando da poltrona e deitou-se com calma ao lado de Minseok. – Eu sei que você é mais forte do que isso, Minnie. – e, fechou os olhos, derramando mais algumas lágrimas, enquanto entrelaçava os dedos aos semelhantes do acamado. – Muito mais forte.

No outro quarto, Taeyeon fechava os últimos botões do casaco de frio e cobriu a cabeça, deixando os aposentos num completo silêncio. Atenta, vagou os olhos em volta durante sua caminhada pelos corredores, a fim de ter certeza que não esbarraria com nenhuma pessoa daquela mansão, e desceu as escadas, rumando até o hall de entrada. Mal sabia ela que Kyungsoo a observava imerso nas sombras, apenas esperando-a fechar a porta de entrada. Logo que o suave “clique” chegou a sua audição apurada, o moreno de olhos grandes emergiu da escuridão e saltou do parapeito, pousando silencioso no enorme salão.
Logo que se ergueu, Kyungsoo desviou os olhos para a entrada ao subsolo onde dois de seus antigos amigos o encaravam pasmos com o que haviam presenciado. Nenhum caçador – pelo menos, segundo todos os “recrutas” – chegou a fazer aquilo que o futuro Mordomo fizera: saltar do primeiro andar sem provocar um único barulho. Porém, antes que a dupla proferisse algo, o menor seguiu para fora da mansão, enquanto encarava o jardim silencioso e deserto.
A garota havia sumido. Mas, para onde ela foi?
_ Sr. Do. – chamou um dos caçadores de plantão que se aproximava. – Algum problema?
_ Por acaso não viu nenhuma moça sair da mansão? – questionou.
_ Se refere à Srta. Kim? – o homem o olhou e Kyungsoo assentiu. Então, o outro também a viu. – Sim. Nós a vimos sair. Disse que precisava ver uma amiga que havia adoecido em casa.
_ Vocês se ofereceram para ajudá-la? – estreitou os olhos.
_ Claro que sim, porém, ela recusou a ajuda, alegando não demorar muito. – explicou.
_ Ela deixou algum endereço?
_ Não, senhor. – negou o homem. – Por quê?
Porém, Kyungsoo não respondeu. Apenas rumou para a garagem e pegou um carro, partindo em seguida. No fundo, algo lhe dizia que havia sim, alguma coisa errada. Especialmente vindo da noiva de Baekhyun. E, enquanto o jovem Mordomo dirigia pelas ruas bem iluminadas de Londres, Taeyeon desceu do táxi e pagou a corrida, entrando rapidamente pelo mesmo beco que havia passado dias antes. Afinal, havia uma urgência na mensagem que recebeu por telefone. Por acaso, algo muito grave aconteceu?
_ Senha? – ditou o mesmo homem da noite anterior e Taeyeon respirou fundo.
_ Andarilho.
E, mais uma vez, a passagem foi permitida. A morena atravessou o estreito corredor escuro até adentrar o enorme salão de festas. A iluminação azulada do lugar, misturada ao som do jazz tornava o espaço bastante parecido com os bares americanos. Não demorou muito para que incontáveis pares de olhos se desviassem para o seu rosto, surpresos e confusos com sua aparição. E claro, ninguém que estava ali esperava que Taeyeon fosse aparecer. Não depois que conseguisse cumprir sua missão.
_ O que está fazendo aqui, mocinha? – perguntou uma mulher. Talvez tivesse o dobro de sua altura e fosse extremamente sexy. Nesse caso, a menor não sabia dizer. Logo, a mulher acomodou-se majestosamente sobre o colo de seu acompanhante que também observava a recém-chegada. – Pelo que ouvi, Marcus só quer que você volte se tiver terminado a missão.
_ Há alguns minutos, Marcus me enviou uma mensagem, Helena. – ela a olhou, caminhando devagar na direção das escadas.
_ Então, provavelmente, Marcus a chamou para os experimentos dele. – ditou o homem que estava com Helena. – Ele não pode tê-la chamado à toa.
Taeyeon encarou o homem loiro que mordiscava o ombro de Helena e a mesma gemeu baixinho, se virando para o parceiro. Eles iriam transar ali mesmo, se fosse possível. Rapidamente, a coreana virou o rosto, subindo as escadas e entrou no corredor principal, enquanto alguns homens interrompiam a conversa para observá-la. Mesmo depois de tanto tempo, caminhar por ali ainda lhe provocava um certo temor. E assim que ela parou diante a enorme porta de madeira, um arrepio violento percorreu sua espinha ao ouvir um sonoro gemido de prazer ser emitido do outro lado. Trêmula, ela ergueu a mão, pronta para bater, quando subitamente a entrada se abriu e um suado e ensanguentado Marcus surgiu em seu campo de visão.
A garota olhou-o dos pés à cabeça, notando as inúmeras gotículas de sangue e suor que se espalhavam por seu peito, braços e coxas. Não se podia ter certeza se sua intimidade também tinha sangue, já que a mesma estava coberta por uma boxer preta. Marcus avaliou a reação da morena por alguns segundos e sorriu de leve, permitindo sua entrada. Taeyeon ameaçou alguns passos para dentro da sala e, ao olhar em volta, assustou-se com um homem estirado e completamente estraçalhado sobre o carpete vinho. Imediatamente, ela se virou, bloqueando a vista com as mãos, enquanto ofegava abafado.
_ Ora, deixe de besteiras. – riu o loiro, rumando até a mesa de vidro. –Essa não é a primeira vez que você vê um cadáver, “Tae Byun”.
Não. Não era, mas Taeyeon esteve fora de si nos outros momentos em que presenciara aquilo.
_ Pare de me chamar desse apelido. – ela o encarou, fechando os punhos ao lado do corpo. – É Kim Taeyeon ou Srta. Kim para você, Marcus.
_ “Srta. Kim”? – ele estreitou as sobrancelhas, rindo confuso. – Isso é realmente sério?
_ É claro que é! – rebateu autoritária e, prontamente, Marcus se lançou contra ela, encurralando-a contra a porta de ferro. – Ordeno que me largue. Para sua informação, eu estou noiva...
_ De um miserável professor de História. – completou ele, encarando-a. – Todos sabem disso. E estou surpreso por você querer uma vida diferente da vida que eu havia oferecido. De qualquer forma, eu não me importo mais. – e se afastou, caminhando até a mesa e pegou a calça, vestindo-se.
_ Por que me chamou? – foi direta.
_ Quero saber como está o andamento da missão. – disse ele, fechando os botões e o zíper da calça, se virando em seguida. – Espero que tenha avançado bastante, Taeyeon.
_ Preciso de mais algum tempo. – pediu ela. – Ainda não aprofundei...
_ É melhor você se apressar, por que ele não gosta de esperar. – alertou, se aproximando novamente. – Eu lhe confiei essa missão, Taeyeon, por que acredito no seu potencial e sei... – por fim, Marcus roçou os lábios contra a pele alheia. – Que não vai me decepcionar.
_ Eu não irei decepcioná-lo. – confirmou.
_ Então... – bruscamente, o homem lhe segurou pelos cabelos e a fez lhe encarar. – Trate de descobrir se ele está vivo ou não! – e a soltou. – Ou será você a estraçalhada sobre o carpete. – por fim, apontou para o corpo desfalecido.
E, sem esperar muito, a morena deixou o cômodo, atravessando os corredores praticamente correndo. Até mesmo as pessoas, que estavam no salão de festas, perceberam o nervosismo da garota ao passar por eles. Por fim, Taeyeon saiu do beco e caminhou em passos largos pelas ruas desertas de Londres. Mais atrás, com o veículo estacionado próximo à calçada, Kyungsoo a observava desaparecer no fim da rua, ao que o Mordomo ligou o carro, dirigindo devagar até a noiva de Baekhyun. Notando que estava sendo seguida, a moça olhou para trás, assistindo o automóvel preto parar ao seu lado e o vidro descer devagar.
_ Srta. Kim. – sorriu o homem de olhos grandes. Estranhamente, Kyungsoo desconfiava do temor da outra.
_ Eu o conheço? – questionou ela, olhando-o confusa.
_ Sou um amigo de seu noivo, o Sr. Byun.
_ Ah... – sorriu nervosa, e agradeceu quando ele abriu a porta para si. – Obrigada pela carona. – disse, entrando no carro. E, mais uma vez, eles partiram, rumando para a mansão.

Sobre sua cama, Jongdae movia-se de um lado para o outro, relutando contra o pesadelo que lhe perturbava quando, prontamente, o moreno acordou, sentando-se sobre o colchão. Algumas gotículas de suor escorriam de sua têmpora até o peitoral, enquanto respirava descompassado. Desde o coma de Minseok, seus pesadelos sempre retornam, como uma forma de assombrá-lo durante a noite. O Mordomo passou a mão pela face, ainda incomodado com a interrupção de seu sono sagrado, mas ao tentar novamente adormecer, uma batida suave soou em sua porta.
_ Quem é? – questionou Jongdae.
_ Está acordado? – o timbre rouco de seu irmão mais velho soou do outro lado. Por fim, a porta se abriu, ao que o moreno avistou um sonolento Jongdeok escorado na porta. – Você tem visita.
_ Visita? – repetiu incrédulo, desviando os olhos para o relógio em sua cabeceira. – Às três da manhã?
_ É. – concordou. – O Príncipe está no salão lhe aguardando.
_ Luhan está aqui? – subitamente, Jongdae se levantou da cama e vestiu a camiseta preta, caminhando na direção da porta. – E veio acompanhado?
_ Não. – negou o mais velho, que o assistiu passar por si. – Ele veio sozinho.
De imediato, Jongdae parou no meio do corredor, ainda processando as palavras de Jongdeok. Por que Luhan viria à Ordem sozinho, e não com seu Matador, algo comumente visto pelos outros caçadores? Um suspiro arrastado abandonou seus lábios finos, fazendo-o inspirar e expirar algumas vezes antes de prosseguir até a escadaria. Já no andar de baixo, o vampiro observava atentamente aos caçadores que estavam de prontidão, apenas a espera de algum movimento brusco vindo de sua parte. No entanto, o castanho não estava ali para atacar ninguém.
Sua intenção nem mesmo estava relacionada à Minseok.
_ Sr. Luhan. – logo, a atenção do homem se desviou para o alto, onde Jongdae descia lentamente as escadas.
_ Jongdae. – respondeu, sorrindo de leve. – Espero não ter lhe despertado de seu sono profundo.
_ Para dizer a verdade, o senhor me salvou de um pesadelo. – foi sincero. – Mas qual seria o motivo de sua visita? – no fundo, Jongdae sabia que os outros caçadores também prestavam atenção nas palavras dos dois onipotentes. – Veio saber se o Sr. Kim ainda se encontra vivo?
_ Sehun já havia me dito sobre isso quando retornou à Máscara. – sorriu fraco. – Eu sei que Minseok ainda está se recuperando. No entanto... Eu vim à Ordem por sua causa.
_ Minha? – Jongdae estreitou as sobrancelhas.
_ Podemos conversar em particular? – Luhan caminhou até o moreno, subindo alguns degraus e parou ao lado do humano que desviou a atenção brevemente para os outros caçadores, antes de assentir e gesticular para que o Príncipe o acompanhasse.
Durante o trajeto até o escritório de Minseok, Jongdae avaliava as ações e reações do vampiro, que parecia tranquilo e indiferente ao seu lado. Como se estivesse visitando um velho amigo, e não uma Instituição com caçadores bem treinados. Logo, o moreno abriu a porta, permitindo a entrada da criatura de muitos séculos e o acompanhou, trancando em seguida.
_ Eu... Nunca vim aqui. – murmurou Luhan mais para si, enquanto observava atento aos objetos naquele cômodo. “Talvez nunca tenha vindo por que prefere visitar os aposentos do Mestre”, pensou Jongdae, enquanto gentilmente pedia para que o outro se sentasse. – Obrigado. – agradeceu o ruivo, sentando-se no enorme sofá e relaxou.
_ E então? – começou Jongdae. – Sobre o que quer falar comigo?
_ Bem... – Luhan cruzou as pernas e, de súbito, suas feições tranquilas foram substituídas por um semblante sério. – Eu sei que está se encontrando com o meu Matador. – em resposta, Jongdae piscou rápido, enquanto se ajeitava do sofá diante o outro. – Sehun pode até tentar, mas ele não consegue esconder isso de mim.
Jongdae encarou as feições avaliadoras do ruivo que respirou fundo, engolindo em seco. Era curioso de se perceber que Luhan estava nervoso pelo fato de Sehun sempre – ou pelo menos, na maioria das vezes – solicitar a presença do Mordomo em suas investigações. Como se ele fosse mais importante que seu próprio Mestre. No entanto, havia uma pergunta a ser respondida: se o moreno sequer “reclamou” da presença do Príncipe nos aposentos do líder... Por que o próprio vampiro estava desgostando daquela aproximação?
_ Desculpe-me, mas... O que está insinuando? – questionou.
_ Você é o amante de Sehun. – completou, como se aquilo fosse o óbvio. – E por isso, eu vim lhe dar uma ordem: Afaste-se dele. – continuou, arqueando uma das sobrancelhas. – Ou, do contrário, não medirei esforços para impedi-lo.
“Impedir-me?”, pensou o moreno.
_ Príncipe... – iniciou Jongdae, pensativo. Por fim, o moreno desviou os olhos para os rubis da criatura. – Não tenho culpa se aquele que dorme com Sehun não o satisfaz. – ao ditar, Luhan fechou o semblante. – Aliás, em uma de nossas conversas, Sehun deixou bastante claro que o senhor possui outro em sua mente quando está fazendo amor com ele.
_ Meus pensamentos não são do seu interesse. – rebateu. – Muito menos, de Sehun.
_ Não. Seus pensamentos não são de meu interesse. – repetiu. – Mas o homem que está relacionado à eles, sim. – continuou. – Achas que não sei que sempre vem à noite e visita os aposentos do Sr. Kim?
_ Isso é mentira. – bufou irônico.
_ O senhor sabe que não é. – revidou e Luhan engoliu em seco. – Todas as noites, logo que acontece a troca de guardas, o senhor invade a mansão e se encontra na varanda com o Sr. Kim.
Por fim, seu olhar desviou para o vazio, como se a imagem de seu Mestre encurralado contra o pilar enquanto o Príncipe murmura algo em seu ouvido ainda lhe machucasse o peito. E foi por ver aquela cena que Jongdae relutou em ficar nos aposentos de Minseok quando este lhe chamou. Logo, sua atenção se desviou para Luhan que ainda lhe encarava.
_ Sei que o que direi agora vai soar como uma provocação, mas... – continuou. – Sehun tem todo direito de encontrar outra fonte quando àquela em que está não lhe proporciona mais nada.
Ah, como ele queria ver o sangue de Jongdae jorrando de seu pescoço e encharcando o carpete branco! Luhan travou o maxilar, encarando friamente o moreno diante de si que estava visivelmente calmo. Bastava suas unhas rasgarem aquela pele fina da jugular e... Voilà! Seu problema estaria resolvido.
_ Muita coragem em me provocar, Jongdae. – sorriu largo, exibindo as presas pontudas. – Mas saiba que seu tempo como Mordomo pode ser menos duradouro...
_ É uma ameaça? – perguntou, estreitando as sobrancelhas.
_ Talvez. – deu de ombros.
_ Sr. Luhan... – Jongdae suspirou, balançando a cabeça. – Quando vai entender que, provocando a minha morte, o senhor iniciará uma guerra entre a Ordem e a Máscara? – desta vez, Luhan piscou rápido e o moreno lhe observou. – E principalmente, com a minha morte... O senhor provocará a ira daqueles que o senhor tanto se preocupa: O Sr. Kim e Sehun.
Se o Mordomo morresse por suas mãos, assim que Minseok despertasse de seu coma, ele questionaria o desaparecimento do humano; e ao descobrir o seu assassino, ele visitaria pessoalmente a Máscara para matar o vampiro. O mesmo valeria para Sehun que, sabendo da morte do moreno, o abandonaria. E tudo aquilo resultaria num massacre mortal entre a Máscara dos Vampiros e a Ordem dos Caçadores. De alguma forma que não queria admitir, o Príncipe estava em grande desvantagem. Subitamente, Luhan se ergueu do sofá, cerrando os punhos ao lado do corpo e Jongdae também se levantou, caminhando na direção da porta. Por fim, ele a abriu, desviando as pérolas negras para o ruivo que caminhou devagar até si, respirando fundo.
_ Este é meu último aviso, Sr. Jongdae. – alertou Luhan. – Fique longe de Sehun ou eu o matarei.
_ Está dizendo isso por que não possui mais ninguém em que pode se apoiar, não é? – comentou, sorrindo de leve, porém, Luhan nada disse. Apenas se afastou do escritório e atravessou o longo corredor, desaparecendo do campo de visão de Jongdae que, finalmente, fechou a porta.
Um suspiro arrastado abandonou seus lábios, enquanto recostava-se a porta e encarava o vazio por longos minutos. Apesar dos alertas e explicações, Jongdae não tinha nenhuma certeza do que o Príncipe poderia fazer. Nem mesmo se aquela ameaça direcionada a si devia ser levada a séria. No entanto, por hora, ele não pensaria naquilo. Pelo menos, não até ter certeza de que seu Mestre estava bem. Por fim, o Mordomo deixou o cômodo e atravessou o longo corredor até seus aposentos, porém foi impedido por Jongdeok que segurou seu pulso, o olhando brevemente.
_ O que o Príncipe queria com você? – questionou-o.
_ Apenas saber como o Mestre estava. – respondeu, dando de ombros e soltou-se do irmão mais velho.
_ Só isso? – estranhou, franzindo o cenho. – Mas ele estava com uma cara feia quando passou por mim...
_ Jongdeok. – interrompeu Jongdae, bufando. – Vá dormir. Todos estamos cansados.
E, finalmente, entrou em seu quarto, fechando a porta atrás de si. Logo que seus passos alcançaram a cama, seu celular soou sobre a mesinha de cabeceira, fazendo-o pegar o aparelho e examinar a tela. Um suspiro escapou-lhe dos lábios finos antes de Jongdae atender.
_ Jongdae. – ditou. – Sim, ele veio aqui. – concordou, baixando os olhos para o chão. – Se me ameaçou? – bufou irônico. – Só estou jurado de morte caso eu decida me aproximar de você. – deu de ombros, como se aquilo não fosse muito importante. – Está tudo bem, Sehun. – sorriu de leve, passando a mão pelos cabelos escuros. – Luhan só está com medo de perder você. – explicou, pensativo. – E... Eu compreendo o lado dele. – murmurou. – De qualquer forma, eu não irei pensar nisso agora. – calou-se, enquanto um sorriso pequeno transparecia em seus lábios finos. – Estou surpreso por você dizer isso. – e passou a mão pela face. – Sehun, não faça isso. Você não é um príncipe dos contos de fada... – logo, o moreno piscou surpreso.
“Se sacrificar minha vida for o suficiente para protege-lo de Luhan, então eu o farei”. As palavras emitidas por Sehun em meio a ligação surpreendeu Jongdae que permaneceu em silêncio por longos minutos. Aliás, aquela era a primeira vez que alguém dizia tais palavras para si. O moreno respirou fundo e murmurou o nome do ruivo que, subitamente, se calou na outra linha. Por fim, o Mordomo explicou que precisava descansar e, sem esperar uma resposta, desligou o celular, enquanto encarava o vazio. Não demorou muito para que o aparelho tornasse a chamar, onde as iniciais “OSH” piscavam sutilmente.
No entanto, antes que o moreno atendesse novamente, a porta de seu quarto se abriu num baque, onde um Baekhyun ofegante e nervoso surgiu, alegando que seu irmão mais velho está tendo um novo infarto. Prontamente, Jongdae jogou o celular sobre a cama, correndo para fora do cômodo – sendo constantemente acompanhado pelo professor – e invadiu os aposentos de Minseok, enquanto este era reanimado por Eunjung. Para os ouvidos atentos do Mordomo, parecia que apenas o bipe do monitor cardíaco produzia e emitia sons; por que ele não conseguia ouvir uma palavra de ninguém que estava ali.
Foram longas horas de desespero até que finalmente a médica conseguiu trazê-lo de volta. Baekhyun assistiu todo o procedimento de longe, enquanto os enfermeiros trabalhavam. Ao seu lado, Jongdae apenas esperou, quando Eunjung limpou a testa com o dorso da mão e desviou os olhos para o Mordomo. Como se dissesse: “Não adianta mais. Ele não vai conseguir acordar”. As pérolas negras do seguidor de Minseok desviaram para o corpo de seu Mestre assim que todos deixaram o quarto e um suspiro cansado abandonou seus lábios.
_ O que aconteceu? – começou Jongdae.
_ Eu... Não sei. – Baekhyun o olhou. – Apenas acordei quando o monitor não mostrou nenhum batimento cardíaco.
_ Baekhyun... – o moreno recostou-se a parede, ainda pensativo. Ele deveria contar sobre os últimos pedidos de seu irmão? – O Sr. Kim... Às vésperas da batalha...
_ Não diga. – logo, a atenção do professor se voltou para o Mordomo. – Se estiver relacionado à morte dele, não quero ouvir. Pelo menos, não agora.
_ Mas, Baekhyun...
_ Você me ouviu, Jongdae. – interrompeu-o. – Enquanto Minseok estiver ligado às máquinas... Enquanto estivermos lutando pela vida dele... Eu não quero ouvir nenhum último pedido. – e o olhou. – Fui claro?
_ Sim. – concordou, após muito relutar.
Logo, Baekhyun caminhou até a cama, onde se acomodou ao lado do irmão e lhe afagou as madeixas acinzentadas. Jongdae assistiu aquele momento por longos minutos, até que o jovem professor finalmente adormecesse ao lado do mais velho. Um suspiro deixou seus lábios finos, enquanto o cansaço parecia pesar em seus ombros rígidos. De alguma forma... Ele deveria passar a noite ali.
Por fim, Jongdae seguiu até a poltrona e acomodou-se no estofado, apenas esperando o sono capturar mais uma vez os seus sentidos.

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