quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte e Três

Dois dias depois...
As órbitas de safira acompanhavam atentamente a cada palavra dos contos escritos por seus alunos, enquanto um sorriso curto transparecia em seus lábios finos. Baekhyun se empolgava e se surpreendia com a criatividade deles a cada novo parágrafo lido; independente se fossem histórias clichês ou inéditas, não havia como ele e Edward não se divertirem com tudo aquilo. Ambos os professores – de História e Literatura, respectivamente – encontravam-se na sala dos professores, juntamente com outros colegas de trabalho, que discutiam naquele sábado de manhã sobre as mudanças naquele semestre.
_ O que tanto vocês dois conversam? – questionou Aaron, se aproximando dos outros dois, que desviaram os olhos para o professor de Geografia.
_ Estamos lendo os contos que os alunos escreveram. – disse Baekhyun, exibindo alguns textos ao homem de olhos claros, e logo Benjamin e Andrew também se aproximaram. – Ed e eu pedimos para que eles escrevessem algum conto sobre vampiros.
_ Uau... – Aaron riu empolgado, lendo atentamente um dos contos em suas mãos.
_ Eles têm uma criatividade e tanto, hein? – riu Edward, ao que Baekhyun concordou. Realmente, a imaginação daqueles garotos não podia ser medida.
_ Senhores, podemos voltar à reunião? – pediu o Diretor Thompson, fazendo o quinteto desviar os olhos para o senhor de olhos verdes e cabelos discretamente grisalhos. Apesar de possuir seus consideráveis 59 anos, nem mesmo parecia que aquele homem havia envelhecido tanto, já que “o divórcio havia arrancado quase tudo dele”. Segundo Aaron e Edward, o diretor da Instituição ainda chamava a atenção de muitas das professoras, como a Srta. Vicent de Física e a Srta. Granger de Matemática. Porém, antes mesmo que ele continuasse a conversa, uma batida na porta soou, fazendo a professora de Matemática se levantar e abrir. – Bem, em poucos dias, nós...
_ Com licença, Diretor Thompson. Desculpe interrompê-lo. – pediu a moça, desviando os olhos para Baekhyun. – O bibliotecário Park está esperando você do lado de fora, Sr. Byun.
Não demorou muito para que o moreno desviasse os olhos para o homem que suspirou arrastado, alegando que ele não devia demorar muito, tornando ao assunto. Edward, que estava ao lado do jovem Byun, desejou-lhe boa sorte, vendo-o assentir e deixar a sala em silêncio. No segundo em que fechou a porta, a fisionomia de Richard surgiu ao seu lado com um olhar preocupado estampado em seu rosto. Baekhyun nada comentou sobre o que viu e gesticulou para que o maior lhe acompanhasse até o fim do corredor. Afinal, ele não gostaria de que os seus colegas de trabalho ouvissem sua conversa com... O outro.
_ Eu te liguei ontem, mas você não me atendeu. – começou Richard, enfiando as mãos nos bolsos e engoliu em seco. – Eu sei que está me evitando, Baekhyun, mas...
_ Já que sabe, então não preciso explicar, certo? – rebateu, ameaçando retornar para a sala dos professores.
_ Espera. – o impediu, segurando seu pulso e retirou uma caixinha pequena do bolso de seu grosso casaco, entregando-lhe. – Eu... Sei que seu aniversário já passou há algum tempo, então...
Desconfiado, Baekhyun pegou a caixinha preta e a abriu, arqueando a sobrancelha levemente surpreso e suspirou arrastado. No fundo, não esperava aquela atitude do maior, pelo menos, não depois do que aconteceu entre eles. Por fim, o moreno fechou a caixinha e negou com a cabeça, devolvendo o presente. Richard desviou gradativamente a atenção da face alheia para o objeto em sua mão, confuso com a resposta do menor: por que ele estava recusando aquela aliança?
_ Com licença. – murmurou o moreno, afastando-se novamente.
_ Espera. – e mais uma vez, Richard se meteu na frente do homem. – P-por que...
_ Qual maldita parte do “eu estou noivo” você não entendeu, seu idiota? – era notável no tom alheio a intensidade de sua raiva. Richard baixou a cabeça em resposta, arrumando os óculos no rosto e voltou a encará-lo. – Que merda, Park! Por que continua me seguindo para onde quer que eu vá?
_ V-você... – e crispou os lábios, nervoso. – Ainda está com raiva, não é? – em resposta, Baekhyun bufou, revirando os olhos. Será que ele precisava desenhar para o maior que não o queria por perto? – Olha... – Richard engoliu em seco, enquanto remexia na caixinha, como se procurasse as palavras certas para explicar. – Eu... Eu não estou te pedindo em casamento... Eu só...
_ O que? – questionou.
_ Queria que você ficasse com ela... – e estendeu-a. – Como prova de que nos conhecemos. – logo, o maior sorriu fraco. – Eu já conversei com o Diretor Thompson sobre a minha viagem... É que eu vou voltar para a Coréia do Sul e... Talvez não nos vejamos mais, então...
_ Você... Vai embora? – arqueou uma das sobrancelhas.
_ É. – assentiu, baixando novamente a cabeça. – Eu recebi uma ligação da minha mãe, me dizendo que meu pai... – e calou-se. – Acabou de falecer.
Baekhyun franziu o cenho, permanecendo em silêncio e encarou aquelas órbitas castanhas por longos minutos. Durante esse tempo, Chanyeol retribuiu a intensidade do olhar, reprimindo um suposto choro no fundo da garganta. Além do mais, ele ainda estava fora de si desde a noite em que assistiu Minseok assassinar Changmin diante de seus olhos. Aquele combate, contra a sua vontade, estava atravessado em sua garganta seca. E o jovem professor notou que o outro não estava mentindo para si.
_ Meus pêsames. – murmurou Baekhyun, baixando o olhar.
_ Obrigado. – agradeceu com um sorriso fraco e devagar, abriu os braços. – Bem, já que você não vai ficar com o meu presente... Posso pelo menos receber um abraço?
O moreno o olhou por algum tempo e suspirou, aproximando-se devagar. Por fim, cercou os braços em torno dos ombros de Chanyeol, enquanto este lhe abraçava a cintura, afundando o rosto em seu casaco. No entanto, no segundo em que o maior aspirou o cheiro de colônia masculina da pele alheia, um odor estranhamente familiar invadiu suas narinas e instantaneamente, as lembranças de uma noite chuvosa retornaram com força total para a sua mente. Seria possível que Baekhyun estivesse com... Porém, antes mesmo que pudesse cogitar alguma ideia, os braços do menor o soltaram, enquanto se afastava um pouco do grandão.
_ Boa viagem de volta. – desejou o moreno, suspirando pesadamente.
Em segundos, Chanyeol conseguiu colocar a caixinha no bolso do casaco de Baekhyun sem que este percebesse e afastou-se em passos largos, vencendo rapidamente a distância entre o local que estavam e a saída. Numa interpretação exagerada de que não queria que o outro lhe visse chorando. O moreno o observou desaparecer em seu campo de visão e ao enfiar a mão nos bolsos, notou que havia uma caixinha ali. Ah, maldito Richard que colocou a aliança em seu casaco! Um suspiro arrastado deixou seus lábios, fazendo-o balançar a cabeça em negação e retornar em passos lentos para a sala dos professores.
Todavia, antes mesmo que tocasse a maçaneta, seu celular vibrou em seu bolso, fazendo-o pegá-lo e examinar a tela.
_ Baekhyun. – respondeu. – No mesmo horário, Kyungsoo. – e assentiu. – Certo. E... – logo, engoliu em seco. – E Minseok, como está? – enquanto ouvia as palavras alheias, seus olhos se desviaram para seus pés. – É bom saber que ele acordou finalmente. Me avise quando tiver qualquer novidade. Até mais. – por fim, desligou.
Devagar, o moreno guiou a mão ao próprio peito, enquanto um sorriso curto se formava em seus lábios. Finalmente, ele poderia descansar em casa.

_ Agora... Olhe para cá. – pediu Eunjung, erguendo o indicador e acendeu uma lanterna contra as safiras brilhantes do líder da Ordem. – Ok. – concordou, após o fim dos exames. – Você só precisa descansar um pouco mais e, por favor, não remova a máscara, ok? Seus pulmões ainda não são capazes de trabalhar sozinhos. E tente não se mover ou vai acabar quebrando os pontos.
Num piscar, Minseok desviou as órbitas brilhantemente azuladas para a médica que engoliu em seco e, de leve, assentiu, descansando a cabeça no travesseiro. Desde que despertou naquela manhã estranhamente ensolarada, o dono das madeixas acinzentadas parecia cada vez mais ansioso com o transitar das pessoas em seus aposentos. Se ele não estivesse enganado, Jongdeok, Eunjung, alguns caçadores, três ou quatro ‘recrutas’ – nesse caso, o mais velho não sabia dizer exatamente quantos foram –, alguns enfermeiros e até o próprio Kyungsoo apareceram em seu quarto. E antes mesmo da Médica-Chefe lhe examinar completamente, o Príncipe visitou a Ordem, apenas para garantir que o outro estava vivo e são.
No entanto... Apenas uma pessoa, na qual Minseok ansiava em ver, ainda não havia aparecido em seus aposentos.
Logo, Eunjung deixou o cômodo, onde Jongdeok adentrou acompanhado de Yixing que mesurou longamente em respeito, sorrindo largo. Minseok encarou o chinês por alguns minutos, sem sequer desviar os olhos para o Chefe dos Caçadores, que conversava consigo sobre as últimas novidades, e subitamente o silenciou com um erguer suave da mão. O moreno, que tanto se parecia com Jongdae, franziu o cenho ainda calado e observou o gesticular do Mestre, que lhe pedia para ficar às sós com o Chefe dos Zeladores. Relutante, o homem concordou, curvando-se breve e deixou o quarto, fechando as portas atrás de si.
Ainda em silêncio, Yixing desviou os olhos da entrada para o homem sobre a cama, apenas se aproximando quando Minseok gesticulou para que o fizesse. O chinês se acomodou no espaço vazio do colchão e aproximou o ouvido do rosto magro do dono das safiras, respirando fundo. Num movimento lento, o líder da Ordem afastou a máscara de ar e engoliu em seco, desviando a atenção para o amigo.
_ Só... Responda... – murmurou rouco e Yixing concordou. – O que eu vi... Naquela noite... Foi exatamente... O que pensei... Ter visto?
Por fim, Minseok devolveu a máscara ao rosto e relaxou na cama, enquanto o loiro pensava por longos minutos. Os Netunos brilhantes avaliaram atentamente as feições suaves e o sorriso tímido do chinês que virou toda a sua atenção para o homem, até que o Mestre engoliu em seco ao ver Yixing assentir veementemente, sem proferir uma única palavra. Então, o que viu há duas noites não foi uma ilusão de sua mente já confusa. No entanto, a pergunta que permanecia na mente do líder da Ordem era: como seria possível aquele homem retornar dos mortos?
_ Meu Senhor... – começou Yixing. – Por hora, não pense em nada e descanse. – e, ao se levantar da cama, ele estalou os dedos, como se lembrasse de algo. – Ah! Antes que eu me esqueça... Acho que o senhor merece saber disso: Baekhyun visitou a Ordem. Durante todo o tempo em que o senhor esteve em coma, seu irmão mais novo permaneceu aqui, cuidando de tudo. – em resposta, Minseok arqueou uma das sobrancelhas, arrancando uma risada baixa do loiro. – Eu sei o que está pensando: que é impossível de acreditar que Baekhyun viria por sua causa. Mas acredite quando digo que ele ficou extremamente furioso e decepcionado com Jongdae, por este não ter feito nada para protege-lo.
Devagar, Minseok baixou os olhos, levemente pensativo. Não demorou muito para que Yixing se despedisse, explicando que Kyungsoo já o avisara sobre seu despertar e que o deixaria descansando a partir daquele momento, saindo do quarto em seguida. Lentamente, as safiras vagaram pelo grandioso cômodo e seu próprio corpo, enquanto avaliava suas condições: seu braço estava engessado, seu abdômen estava suturado e enfaixado, além da insuportável dor de cabeça lhe incomodar bastante... Realmente, lutar contra Changmin não foi uma tarefa fácil, mas estava orgulho por ter encerrado aquele assunto que perdurava há vinte anos.
Entretanto, por mais que quisesse se distrair com qualquer coisa que aparecesse aos seus olhos ou mesmo descansar – segundo às ordens de Eunjung –, sua mente ainda retornava para o homem de madeixas escuras, olhos pequenos e lábios finos. Por que raios Jongdae não passava por aquela porta e lhe distraia? Ele não era nenhum louco que havia escapado de um manicômio, por mais que aparentasse ser, já que havia grandes olheiras em baixo de seus Netunos e sua tez encontrava-se mais pálida do que o natural. Impaciente, Minseok retirou a máscara de ar, soltando o grampo – que monitorava seus batimentos cardíacos – de seu dedo e afastou os lençóis, enquanto se arrastava devagar para fora da cama. A calça de moletom era a única peça que cobria todo o seu dorso. Com calma, tentou ficar de pé, porém seu cérebro não teve tempo suficiente para absorver o sangue que se espalhava por seu corpo, provocando uma leve tontura em seu consciente.
E, antes mesmo que fosse ao chão, Minseok foi sustentado por uma segunda pessoa que respirava próximo ao seu ouvido. Não era necessário muito para identificar o ser que o segurava. Somente o cheiro amadeirado o denunciava. Devagar, a atenção do líder da Ordem se desviou para o outro, reconhecendo o maxilar estreito e aquela boca que, no passado, tomou com tanto prazer – e não hesitaria duas vezes em repetir o que fizera às vésperas da batalha – para si. Assim que suas safiras alcançaram as semelhantes escuras de seu Mordomo, o homem de madeixas acinzentadas engoliu em seco, sendo acomodado novamente na cama.
_ Eunjung o alertou de que deveria descansar, meu senhor. – Jongdae ditou, recebendo como resposta, a atenção dos olhos intensamente brilhantes e azuis. – Por que não tenta descansar um pouco?
Jongdae o deitou em seu leito, cobrindo-lhe com os lençóis e arrumando os travesseiros atrás do mais velho. Minseok o assistiu em silêncio durante todo o trabalho e antes mesmo que o moreno se afastasse, seus dedos seguraram-lhe o pulso. Ele não queria que o outro partisse. Não depois de tanto tempo longe. Em resposta, o Mordomo desviou os olhos para o líder, enquanto seu coração parecia quebrar sua caixa torácica, tamanha velocidade e força em que pulsava em seu peito, por mais que nada demonstrasse visualmente. Devagar, o dono das madeixas acinzentadas baixou os olhos para o pulso e soltou-o devagar, entrelaçando timidamente seus dedos aos semelhantes alheios.
Minseok sentia falta daqueles dedos lhe arranhando as costas ou simplesmente segurando seus cabelos.
_ Senhor... – chamou o Mordomo, ainda hesitante, enquanto Minseok tornava a olhá-lo. – Deseja algo?
_ Q-quanto tempo... – murmurou baixo. – Eu estive... Apagado?
_ Aproximadamente, um mês, senhor. – explicou.
Minseok sabia disso. Afinal, Eunjung o avisara quando acordou.
Porém... Ele queria ouvir dos lábios do mais novo.
_ E... – piscou devagar. – Você... Está bem?
_ A situação na Ordem está um pouco tensa, mas...
_ Eu me referia... – interrompeu. – à você.
As pérolas negras encararam por longos minutos as safiras brilhantes que retribuíam a intensidade do olhar. Jongdae podia notar, através dos olhos de Minseok o tamanho de sua preocupação ao lhe entregar uma tarefa tão difícil de ser concluída. Em silêncio, o mais velho puxou-o para que sentasse ao seu lado na cama e, ao fazê-lo, gesticulou para que se aproximasse. O Mordomo alternou a atenção entre os Netunos e os lábios finos de seu Mestre, enquanto lhe explicava baixinho sobre as atuais condições da Ordem.
Mas, Minseok não estava interessado na Instituição.
Ele estava interessado em seu seguidor.
Não demorou muito para que o silêncio preenchesse o grandioso quarto. A troca intensa de olhares parecia destruir a lógica dos pensamentos do moreno, que, gradativamente, baixava os olhos para as mãos ainda entrelaçadas. Por que Minseok não dizia nada? Por que continuava o torturando com aqueles Netunos brilhantes? Involuntariamente, Jongdae crispou os lábios, engolindo em seco e, ao voltar sua atenção para a face alheia, avistou um sorriso curto transparecer seus lábios. Por acaso, havia alguma graça em tudo o que ele contou?
_ Senhor... – murmurou.
_ Eu senti a sua falta.
E antes mesmo que alguma palavra soasse de seus lábios finos, sua boca foi capturada pela semelhante alheia num selar delicado. Minseok sugou-lhe o lábio inferior, aproximando-se cada vez mais da face alheia e aprofundou o ósculo, friccionando os pequenos músculos. Devagar, Jongdae devolveu o mais velho aos travesseiros e colou seu peito ao outro, enquanto deslizava os dedos pela maçã do rosto e pelos cabelos acinzentados. Era impossível de acreditar que seu Mestre estava lhe beijando.
O cheiro amadeirado preencheu suas narinas, afundando-se cada vez mais naquele beijo, sem sequer se importar se alguém os vigiava ou não. Minseok mordiscou a boca alheia com calma, deslizando a língua para dentro da cavidade e a friccionou contra a semelhante de Jongdae, que parecia anestesiado com os toques. Quanto mais agitado e afoito aquele ósculo se formava, provocando estalidos excitantes, mais o casal ansiava em se unir. Até mesmo a mão do mais velho conseguiu abrir alguns botões da camisa de seu Mordomo.
No entanto, antes que aquilo ultrapassasse os limites de consciência do mais velho, o mais novo se afastou, provocando um último estalo das bocas. Minseok abriu os olhos devagar, sem entender o motivo da distância de seu Mordomo, que estava visivelmente confuso. Algo havia acontecido ao moreno que não foi relatado a si? Jongdae baixou os olhos para as mãos em suas vestes e soltou-se, levantando da cama. Em poucas palavras, explicou que ainda tinha afazeres a cumprir – ainda arrumando suas roupas –, caminhando assim para fora do cômodo. Porém, o Líder da Ordem o proibiu, ordenando-lhe para que ficasse ali consigo.
_ Mas, meu Senhor... – começou.
_ Se passar por essa porta, Jongdae... – ditou, ofegante. – Eu o punirei.
O mais novo respirou fundo, ainda avaliando as condições impostas e assentiu de leve, acomodando-se na poltrona. Sendo observado pelas safiras brilhantes, não demorou muito para que o mais velho gesticulasse para que se deitasse ao seu lado na cama. Ainda hesitante, Jongdae o obedeceu, levantando de seu lugar e deitou ao lado de seu Mestre, pousando a cabeça em seu peito, quando este o aninhou ali. Estranhamente, Minseok podia sentir o corpo alheio tremer sob suas mãos, que levemente lhe afagava os cabelos negros.
_ Está tudo bem? – sussurrou, fechando os olhos.
_ Eu... – o que ele diria? Que estava preocupado? Furioso com a nova aparição de uma criatura das sombras na Ordem, bem debaixo do seu nariz? Decepcionado consigo mesmo? Assustado com a possível morte do Líder e ameaça de Luhan? Temeroso com essa nova raça em Londres? Confuso com os sentimentos de Sehun? Tanta coisa havia acontecido naquele período de tempo que Jongdae não tinha certeza do que realmente Minseok queria saber. – Estou bem. – e sorriu fraco.
_ Jongdae. – murmurou, ouvindo-o responder. – Eu estou cogitando em preparar uma festa em homenagem ao meu retorno.
_ Uma... Festa? – desta vez, Jongdae o olhou, notando que o outro parecia ter adormecido. – Senhor?
_ Somente para os caçadores. – sussurrou, sonolento. – Eles... Precisam de descanso...
_ O senhor é quem precisa de descanso, senhor. – sussurrou, afagando seu rosto quando o outro adormeceu.
Jongdae ainda permaneceu alguns minutos nos aposentos de seu Mestre antes de sair e rumar para a cozinha da Ordem. Ali, alguns caçadores e Chefes dos Departamentos conversavam sobre a estranha sensação que tiveram há duas noites. O moreno notou que, em meio a conversa, Yixing parecia perdido em devaneios, enquanto bebericava seu café fumegante. Logo, Eunjung avistou o Mordomo na entrada do ambiente, surpresa com a presença alheia ali.
_ E o Sr. Kim? – perguntou ela.
_ Está dormindo. – respondeu, caminhando até o chinês e recostou-se ao lado deste. – E quanto à minha ordem?
_ Estamos investigando. – disse Jongdeok, olhando-o. – Meus garotos estão rondando por Londres, mas o rastro esfriou.
_ Como pode um vampiro invadir a Ordem sem que notássemos? – murmurou Eunjung.
_ Eu o senti. – alegou Kyungsoo, finalmente se metendo na conversa, já que antes apenas observava os mais velhos conversando. – Estava no corredor quando senti o arrepio.
_ Você não era o único. – Jongdeok o olhou. – O que me surpreende é que aquele que tem por obrigação proteger o Mestre não dar nenhuma resposta quando é chamado. – por fim, desviou os olhos para o irmão mais novo. Porém, Jongdae nada disse em sua defesa. – Se tivesse aberto as portas quando eu chamei...
_ Mas há uma coisa que está me deixando curioso. – Kyungsoo encarou a xicara a sua frente por alguns longos minutos, desviando o olhar para os outros em seguida. – Se realmente era um vampiro, por que ele levou o Sr. Byun e não o Sr. Kim?
_ Seria meio óbvio se levassem o Mestre. – comentou um caçador. – Além do mais, ele estava acamado, então...
_ Talvez fosse Chanyeol. – comentou Jongdeok. – Afinal, aquele demônio está atrás do irmão do Sr. Kim há séculos!
_ Não foi Chanyeol. – disseram Yixing, Kyungsoo e Jongdae simultaneamente, surpreendendo os outros caçadores.
_ Não foi? – questionou Eunjung.
_ O cheiro do vampiro era diferente. – explicou Kyungsoo, desviando os olhos para Jongdae e Yixing. – Mas como vocês sabiam que não era o Chanyeol, já que você – apontou para o chinês. – estava viajando e você – em seguida para o moreno. – trancou a porta do quarto?
E, mais uma vez, permaneceram calados. Yixing, notando o silêncio mórbido do cômodo, deixou transparecer um sorriso infantil em seus lábios finos e justificou que ele havia chegado logo que o sol nasceu e ouviu seus seguidores contarem sobre a aparição da criatura das sombras. Como um deles especificou o odor que o vampiro daquela noite havia exalado, o chinês deduziu que não era Park Chanyeol. Porém, Jongdae não fez menção em explicar. Nem mesmo se deu o trabalho para isso.
_ E você, Jongdae? – incentivou Eunjung. – Por que acha que não era Chanyeol?
_ Por causa do cheiro. – resumiu, cruzando os braços.
_ A questão é que ainda temos que proteger os dois irmãos. – suspirou Jongdeok. – Tanto do Príncipe e Chanyeol, quanto dessa nova raça.
_ Alguma novidade sobre essa nova raça? – murmurou Jongdae para Yixing.
_ Estamos andando em círculos. – suspirou, bebericando novamente. – Aliás, nós encontramos mais dez corpos em Cambridge.
 _ Dez?! – o moreno o encarou surpreso.
_ E isso não é tudo. – negou, afastando-se e pegou o controle da televisão, ligando-o. Logo, Yixing colocou no famoso canal de notícias. – Como não estamos conseguindo contê-los, o Primeiro-Ministro decidiu tomar uma difícil decisão.
E a atenção do grupo se desviou para a televisão, enquanto assistiam o pronunciamento oficial do Primeiro-Ministro da Inglaterra. Segundo o parlamentar, a situação em Londres estava ficando mais complicada do que ele imaginava. No início, ele, juntamente com os oficiais do governo e a Scotland Yard, tentou conter a onda de violência, desaparecimentos e assassinatos cruéis sem o conhecimento da população. Porém, infelizmente, a situação se agravou e tudo o que poderia pedir é que os cidadãos de Londres obedecessem ao toque de recolher para que o número de mortos não subisse. Jongdae não ouviu ao restante do pronunciamento; apenas deixou a cozinha e rumou para o andar de cima, entrando rapidamente nos aposentos de Minseok que também assistia ao anúncio oficial. Quando a fala do Primeiro-Ministro acabou, o homem de madeixas acinzentadas desligou o televisor e desviou os olhos azulados para o moreno que permanecia calado.
_ Tem algo a me dizer? – questionou o líder.
_ Nós nos descuidamos. – sussurrou, baixando a cabeça. – Estávamos mais preocupados com sua recuperação do que...
_ Esqueça isso. – suspirou, largando o controle e levantou da cama, mancando arrastado até a poltrona. Jongdae logo o seguiu e o ajudou a vestir o roupão rubro de seda, lhe entregando a bengala em seguida. – Se lamentar não mudará em nada. – por fim, Minseok caminhou para fora do quarto, onde o moreno o acompanhava devagar.
_ Não devia se esforçar tanto. – alertou-o. – O Senhor ainda está...
_ Eu não posso cruzar os braços enquanto Londres se torna uma ilha vermelha. – o olhou, tornando a caminhar.
_ Mas não tira o fato do senhor estar...
Porém, antes que Jongdae continuasse, Minseok removeu a adaga da bengala e arremessou para frente, sendo prontamente segurada pelos dedos longos de Oh Sehun, que estava acompanhado de um emburrado Jongdeok. O Mordomo do líder alternou os olhos entre os dois homens, notando a frieza nos Netunos brilhantes e aos poucos, o vampiro se aproximou da dupla e devolveu-lhe a arma, sorrindo de leve. Afinal, ele não esperava uma reação rápida do humano que quase foi morto por Changmin e estava surpreso por isso.
_ Me surpreende sua visita sem a companhia de seu... Mestre. – começou Minseok. – Assim como fiquei surpreso com Luhan sem sua... Sombra.
_ Muitas coisas aconteceram no período em que esteve em coma, Sr. Kim. – explicou. – Coisas... – e desviou os olhos para Jongdae que cerrou o semblante. – Bastante interessantes ao meu ver.
_ E qual seria o motivo de sua visita? – estreitou os olhos.
_ O pronunciamento do Primeiro-Ministro. – foi direto. – Creio que deve ter assistido, não?
_ Assisti. – afirmou.
_ Bem. – suspirou, se aproximando um pouco mais. – Então, eu acredito que devamos conversar às sós. O que acha?
_ Por que não? – Minseok sorriu de leve, caminhando em direção ao seu escritório. No entanto, quando Sehun o seguiu, o líder se adiantou. – Você também, Jongdae.
Jongdeok desviou os olhos para o irmão mais novo que apenas respirou fundo, acompanhando os dois homens. Além do mais, nem ele estava preparado para aquela conversa. Logo, Minseok adentrou seu escritório, seguindo até sua mesa e esperou a entrada dos outros, ao que Sehun sentou-se no sofá e Jongdae permaneceu próximo à entrada, fechando a porta atrás de si.
_ Você não disse nada a ele, não é? – começou Sehun, desviando os olhos para Jongdae que encarou seu Mestre. Minseok alternou os Netunos brilhantes entre os homens que pareciam manter uma conversa particular. – Sobre o que conversamos.
_ Você poderia começar contando sobre o que descobriu... Sehun. – Minseok o olhou.
_ Eu gostaria muito de ouvir isso de vosso Mordomo, Sr. Kim. – o ruivo sequer se virou para o homem de madeixas acinzentadas. – Mas eu atenderei ao seu pedido.
E, assim, Sehun revelou tudo sobre sua investigação, desde as primeiras mortes estranhas até aquele exato momento. Minseok ouviu a tudo atentamente, sem o interrompê-lo, mesmo que as dúvidas estivessem esquentando sua mente rápida, enquanto o ruivo continuava sua fala. Mais afastado, Jongdae encarava os dois superiores por algum tempo, temendo que o vampiro relevasse o ponto principal daquela conversa: sua traição para com seu Mestre.
_ Eu sabia que havia algo de errado, por isso, decidi, juntamente com seu Mordomo, visitar uma boate próxima daqui. – e voltou a atenção para o moreno que lhe encarava. – E, depois de verificarmos, nós suponhamos que esses Adoradores da Lua estão instalados aqui a mais tempo que imaginamos.
_ Certo. – assentiu Minseok, pensativo e desviou as safiras para o seu seguidor. – Então, como me explica sobre seu retorno sem seu casaco? – mas antes que Jongdae respondesse, Sehun se adiantou:
_ Ele me emprestou. – ao ditar, Jongdae fechou os olhos e Minseok arqueou uma das sobrancelhas. – Devido ao ataque naquela noite e a destruição das minhas roupas, Jongdae fez essa “gentileza” de me emprestar seu casaco.
_ Entendo... – murmurou o mais velho, voltando sua atenção para o Matador. – Há algo que queira acrescentar?
_ Sobre os Adoradores? – e pensou um pouco. – Não. Creio que não. De qualquer forma, eu preciso continuar minhas pesquisas. – logo, Sehun se levantou, aproximando-se de Minseok e mesurou em respeito. – Ah! – o ruivo o olhou, como se lembrasse de algo que havia esquecido. – Há algo que eu quero lhe dizer, Sr. Kim. – finalmente, aproximou seus lábios do ouvido alheio, ao mesmo tempo que seu semblante se fechou. – Não pense que salvei sua vida por causa de meu Mestre ou por pena. Eu o salvei por causa de Jongdae e por que me importo com ele.
Minseok desviou os olhos para o vampiro que sorriu de leve e acenou com a cabeça, deixando o escritório em seguida. Jongdae acompanhou a passagem do vampiro até a porta se fechar e ao voltar sua atenção para seu Mestre, o mesmo mantinha uma fúria estampada não apenas nas safiras, mas em seu maxilar travado também. No fundo, algo lhe dizia que o líder da Ordem não estava nada feliz com esses segredos escondidos.
_ Senhor... – Jongdae tentou se justificar, porém se calou.
Afinal, o que ele teria a dizer?
E antes que o líder da Ordem proferisse alguma palavra, uma batida na porta soou do outro lado, fazendo-os desviar a atenção para a entrada. Com o relutante consentimento de Minseok, Jongdae abriu a porta, surpreendendo-se com a aparição do moreno de olhos azulados e sorriso retangular. Rapidamente, o Mordomo se afastou, ao que o mais velho piscou devagar, enquanto o jovem Baekhyun adentrava o cômodo e rumava até o irmão.
_ Sr. Byun... – murmurou Jongdae.
_ Baekhyun, o que está... – começou Minseok, sendo interrompido.
_ Saia Jongdae. – pediu o professor, sem desviar os olhos do irmão.
Jongdae alternou os olhos entre os irmãos Kim – ou Kim e Byun – por alguns segundos, ao que o menor se virou para si, encarando-o. E, de imediato, o Mordomo saiu do escritório, permanecendo apenas os filhos de Baekhyung, que se entreolhavam por longas horas até Baekhyun suspirar e caminhar até o sofá, sentando-se ali.
_ Kyungsoo me disse que você acordou. – começou ele, cruzando as pernas. – Como se sente?
_ Melhor. – respondeu breve.
_ Agora, pode me responder uma coisa? – ao ditar, Minseok murmurou “já respondi”, vendo um sorriso fraco estampar o rosto de Baekhyun... Antes do mesmo gritar. – O que raios deu em você para tentar se matar?!
Se Minseok dissesse que não havia se assustado com o surto do mais novo... Ele estaria mentindo.
E a discussão não parou por aí. Baekhyun reclamou de tudo o que aconteceu no meio período em que o irmão esteve em coma, sem tirar o fato de ter se enfurecido com Yixing por este tê-lo feito dormir contra a vontade – apesar de sua atitude ser a mais correta naquele momento – e com Jongdae que, além de mentir sobre a situação de Minseok, omitiu a informação do mesmo estar acamado. E principalmente, o jovem professor estava enfurecido com o líder da Ordem por este não ter lhe dito absolutamente. O homem de madeixas acinzentadas ouviu a tudo em silêncio, baixando a cabeça e sorriu de leve, voltando os olhos para o mais novo. Ele entendia o desespero do irmão. Por fim -  toda a “conversa” durou aproximadamente duas horas –, o moreno ofegou, soluçando baixinho e jogou-se no sofá, bloqueando a visão com a palma da mão. Silenciosamente, suas lágrimas escorreram por seu rosto choroso, enquanto o reprimia no fundo da garganta.
Em passos lentos, Minseok se aproximou do irmão e sentou na borda do sofá, bagunçando seus cabelos, enquanto respirava fundo. Yixing não mentiu em momento algum. Com algum esforço, o líder da Ordem afastou a mão dos olhos de Baekhyun e encarou aqueles mares azulados se desmancharem em lágrimas salgadas, desaparecendo em suas madeixas escuras.
_ Ficou com medo de me perder? – não era um comentário engraçado. Em resposta, Baekhyun assentiu e Minseok o puxou para um abraço forte, enquanto alisava seus cabelos macios. – Desculpe por assustá-lo, Baekhyun.
_ Faça isso de novo e quem irá mata-lo será eu. – murmurou abafado. Rapidamente, ele enxugou as lágrimas, fechando os punhos contra o roupão vermelho do mais velho. – Eu... Realmente achei que não fosse sobreviver.
_ Sabe que sou duro na queda, não sabe? – brincou, ouvindo a risada baixa do menor. – Mas... Eu também fiquei com medo de não sobreviver.
E as lembranças do estranho sonho que teve há algumas noites retornaram aos seus pensamentos.
Jongdae completamente entregue aos beijos e toques... De Oh Sehun.
_ Prometa-me que não vai fazer isso de novo. – ordenou Baekhyun.

_ Não vou. – sorriu fraco, olhando-o em seguida. Logo, afagou seu rosto molhado. – Eu prometo.

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